A Deidade e as catástrofes da vida

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Deus, deidade, vida

Dando inicio a esta peça de arquitectura, gostaria de lhes contar uma pequena história, sobre uma tragédia familiar, lembrando que esta peça de arquitectura não tem a pretensão de provar nada, apenas tem a pretensão de nortear os estudos daqueles que almejam conhecer melhor o nosso GADU.

“Em um lindo dia de Sol, um pai estava brincando com o seu filho de apenas quatro anos de idade. Estavam na praia, o pai de costas para o mar, e o filho à sua frente, fazendo um pequeno e lindo castelo de areia. O pai, em momento de grande ternura, atendia às sugestões do filho em fazer uma estradinha ali, uma torre aqui, etc… O filho sentia-se maravilhado com a habilidade do pai, e estava a degustar um gelado.

Então o filho deu a ideia ao pai para pegar o papel e o palito do gelado para fazerem uma pequena bandeira e colocá-la no topo do castelo. Tendo o pai terminado o castelo, e o filho o gelado, procedeu ao pedido do filho.

Neste momento o pai, da qual estava de costas para o mar, viu uma grande sombra que cobria rapidamente toda a praia à sua frente. Olhou para os olhos do filho e viu o espanto. De repente tudo escureceu; a grande onda tinha devastado toda a costa marítima. O pai conseguiu nadar e foi um dos poucos sobreviventes, mas nunca mais viu o seu filho. Todo aquele momento de ternura desapareceu e foi aniquilado num piscar de olhos. Então o pai reflectiu:

  • Deus existe, e é bom?
  • Esta obra foi de Deus?
  • Se Deus existe, é bom e esta obra foi de Deus, qual o propósito Dele para com a humanidade em causar tamanho sofrimento?

Deus existe? Deus é bom?

Pesquisas antropológicas actuais indicam que entre os povos primitivos mais distantes e remotos, existe uma crença universal em Deus. E, nas primeiras lendas e histórias dos povos de todo o mundo, o conceito original era de um único Deus, o qual foi o Criador. Um Deus altíssimo e original parece ter, uma vez, estado nas suas consciências, mesmo naquelas sociedades que hoje se apresentam politeístas.

“A complexidade do nosso planeta aponta para um Desenhista, que, intencionalmente, não apenas criou o nosso universo, mas também o sustenta hoje”

Poderiam ser dados muitos exemplos mostrando o desenho que Deus fez da criação, e, possivelmente, não chegaríamos ao fim desse desenho. Mas aqui estão alguns traços dele…

A Terra, o seu tamanho é perfeito. O tamanho da Terra e a sua gravidade correspondente seguram uma camada fina de gases nitrogénio e oxigénio que se estendem, na sua maioria, até uns 80 quilómetros desde a superfície da Terra. Se a Terra fosse menor, a existência de uma atmosfera seria impossível, como ocorre no planeta Mercúrio. Se a Terra fosse maior, a sua atmosfera conteria hidrogénios livres, como em Júpiter. A Terra é o único planeta conhecido que é provido de uma atmosfera com a mistura na medida exacta de gases para sustentar vida humana, animal e vegetal. Poderíamos discorrer sobre cada criação do nosso sistema solar, terrestre lunar, matérias orgânicas, o nosso cérebro, e mais milhares de coisas que o acaso não pode explicar.

Também as Escrituras de todas as religiões atestam a existência de um Ser Supremo, Todo Poderoso, Omnipotente, Omnisciente e Omnipresente. No nosso Livro da Lei, que repousa sobre o Altar dos Juramentos, a Sagrada Bíblia, é a maior fonte de informações sobre Este Ser Supremo, conhecido por DEUS, GADU, Pai Celeste, etc…

Segundo todas as religiões, este Ser Supremo, que aqui será chamado por DEUS, Ele é todo bondade e misericórdia, Ele é todo Justiça e sabe sobre o amanhã e sobre tudo o que vai acontecer com a Humanidade e com cada um de nós.

Podemos então afirmar que Ele existe e é bom? Creio que sim, mas sobre a sua bondade, nesta situação de desastre, onde estará?

Alguns teólogos afirmam que a resposta está no livre-arbítrio, lei universal dada pelo próprio DEUS, onde, nem o próprio DEUS pode intervir, mesmo tendo poder para isto. Sabemos que o mal não vem de Deus, que não pertence à sua vontade a ocorrência do sofrimento e das penas. “O mal, desde as teorias teodiceias de Santo Agostinho († 430) e de G. W. Leibniz († 1716) é definido como uma “ausência do bem”.” No decorrer da história do mundo, os actos maléficos, maldosos e desastres têm sido atribuídos não a Deus, mas à liberdade humana mal direccionada. Aí entra a questão do livre-arbítrio, como já dissemos, pois uma vez o homem exercendo uma acção, terá uma reacção igual e proporcional ao bem ou ao mal que fez. Já uma catástrofe natural, pode prover de DEUS, pois tudo ele comanda, mas também pode ser fruto da maneira como o homem trata a natureza, “Acção e Reacção”.

Esta obra foi de Deus?

Neste caso especifico, ao que tudo indica foi obra de DEUS, pois não houve intervenção humana no desastre, mas de alguma forma podemos imaginar que o constante desequilíbrio da natureza, por causa dos efeitos que o homem causa nela, também podem ter contribuído para este fenómeno ou até ter potencializado o mesmo.

Se Deus existe, é bom e esta obra foi de Deus, qual o propósito Dele para com a humanidade em causar tamanho sofrimento?

Agora entramos no campo das religiões, onde farei uma breve análise sobre o pensamento religioso de cada seita ou corrente religiosa concernente ao caso hora exposto:

Hinduísmo

Nas escrituras Védicas temos muitas informações. Aprendemos que existe um ser Supremo, que é plena bondade e nos quer mostrar que não somos deste mundo, que estamos aqui apenas de passagem. Sendo assim, passamos por diversos sofrimentos para realizar que devemos voltar para o nosso verdadeiro lar, de volta ao Supremo. Também temos informações sobre as leis do Karma, que são como as leis da Física de “acção e reacção”. Aprendemos que existem neste mundo misérias causadas pelo nosso corpo e mente, por outras entidades vivas e por fenómenos da natureza. Assim, quando ocorrem estas catástrofes, percebemos a acção da natureza. E voltando ao facto de que estamos sob a influência das leis do Karma, mesmo se nesta vida não cometemos actos pecaminosos, podemos ter cometido em outras vidas e a reacção vem, mais cedo ou mais tarde. É como quando somos crianças e os nossos pais nos colocam de castigo, para aprendermos algo que com palavras não conseguimos aprender. Eles amam-nos, e porque amam, querem que aprendamos a viver sem cometer muitos erros. Krishna (Deus) não faz nada por maldade. Ele quer mostrar que nos devemos preparar para viver livres das leis naturais, com Ele, no mundo espiritual. E os semideuses, responsáveis por diversos sectores do Universo, só estão cumprindo o seu papel, como no caso de proteger a terra dos males que o próprio homem está causando. Mais uma vez a acção das leis do Karma.

Budismo Tibetano

Quem semeia ventos, colhe tempestades…” – Todas as coisas surgem de causas e condições. Por exemplo, se quisermos entender o aquecimento global, temos que analisar as causas que todos nós estamos criando para que isto ocorra. Da mesma forma, todas as coisas boas são frutos de boas causas.

Não existem forças capazes de impedir os resultados das acções, sejam estas acções positivas ou negativas. Não é uma questão “justiça divina” nem “injustiça divina”, nem de supostas “forças do bem” contra “forças do mal”, ou outros tipos de especulação mística. Estamos apenas semeando ventos e colhendo tempestades.

Mormonismo

Você poderá compreender melhor a resposta se ponderar que Deus tem um plano para a nossa vida e que Ele o conhece e compreende. Este plano prevê que vivamos nesta Terra e estejamos sujeitos às leis naturais e às da física. Estamos também sujeitos às consequências do pecado, das escolhas que fazemos e das que outras pessoas fazem. Ele sabe, e quer todos saibam, que o tempo que nós passamos nesta Terra é apenas uma pequena parte da nossa vida no caminho da eternidade. Deus não se alegra com o nosso sofrimento, mas sabe que as dificuldades, seja qual for a origem delas, são capazes de fazer com que os filhos se acheguem a Ele e com que se tornem mais fortes.

As provações e adversidades fazem parte desta vida. Não há uma resposta simples, mas se nós tivermos fé em Deus e no Seu plano, podem ficar certos de que tudo que acontece nesta Terra tem um propósito.

O plano de Deus age tanto por meio de leis físicas como espirituais. As leis naturais transmitem beleza e ordem ao mundo. Elas tornam a vida possível. No entanto, um mundo de lei é também um mundo no qual às vezes ocorrem catástrofes naturais. Poucas coisas são mais assustadoras ou destrutivas do que o poder aterrador da natureza. Desastres naturais podem resultar em corpos feridos, sonhos despedaçados e morte. Ainda assim, do pó, entulho e cinzas pode surgir uma nova compreensão dos verdadeiros tesouros da vida.

Enfrentar as calamidades pode fortalecer-nos e evocar a solidariedade. Estas experiências podem ajudar-nos a aprender, crescer, e servir uns aos outros. Lidar com a adversidade é uma das principais maneiras pelas quais somos testados e ensinados

Islamismo

Os muçulmanos acreditam que terremotos e tsunamis (ondas gigantes) ocorridos na Ásia foram punições de Alá devido à homossexualidade e aos adultérios praticados por residentes e visitantes dos países atingidos. Segundo um professor muçulmano, “Essas grandes tragédias e punições colectivas que estão destruindo vilarejos, cidades e até mesmo países inteiros são punições de Alá, (Deus), às pessoas desses países, mesmo àqueles que são muçulmanos. Alguns dos nossos antepassados disseram que se há usura ou adultério em algum vilarejo, Alá permitirá a sua destruição”. Segundo os muçulmanos o pecado é o principal causador dos males na Terra.

Catolicismo Apostólico Romano

Quando houve o terrível “tsunami”, no dia 26 de Dezembro de 2004, muitos se perguntaram: “Onde estava Deus?” A resposta dada pelo Santo Padre o Papa foi: “Ele estava ali sofrendo com as pessoas”. O Senhor jamais quis aquilo, foi obra da natureza imperfeita e também decaída pelo pecado do homem. E, hoje, sabe-se que aquelas 230 mil mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse um bom serviço de sismologia funcionando ali, para que as pessoas fossem alertadas a tempo; mas não havia. A própria natureza se tornou hostil ao homem por causa do seu pecado (cf. Gn 3, 14-24).

Mas Deus não poderia impedir todo mal de acontecer? É claro que Deus poderia, pois é Omnipotente; mas se Ele fizesse isso, criaria um mundo artificial, sem leis, e o homem não seria livre e responsável pelos seus actos, e “senhor” da criação. O Senhor entregou o mundo nas mãos do homem para ele cuidar; para isso, lhe deu inteligência, mãos hábeis, e tudo o mais de que ele necessita inclusive o evangelho.

Espiritismo

O Espiritismo elucida estas questões colocando como resposta para as aflições e desgraças da vida as Leis da Reencarnação e Causa e Efeito, onde muito provavelmente todos os envolvidos em tragédias, como no Tsunami na Ásia, tinham algo para “Purgar” das suas vidas passadas, isto é, podem ter feito muito mal em vidas passadas e dentro da Lei de Causa e Efeito, estão sendo corrigidos através destas catástrofes e desgraças que ocorrem na humanidade.

Conclusões Finais

  • Deus existe?
  • Deus é Bom?
  • Porque é que Ele permite as catástrofes e mazelas de vida?

Estas são questões cujas respostas nós mesmos devemos buscar, por serem difíceis de responder em poucas palavras e numa peça de arquitectura como esta.

Mas minha convicção pessoal é de que Ele Existe, Ele é bom, e tudo o que acontece neste planeta está sob o controle, permissão e poder Dele.

Deixo aos irmãos que respondam no seu íntimo a estas questões e procurem conhecer melhor o nosso G∴ A∴ D∴ U∴ , através dos conhecimentos seculares e religiosos que temos à nossa disposição.

Jean Carlo Martinelli

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