A egrégora maçónica

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Quando os Maçons pensam no conceito de egrégora, por vezes perguntam-se: Haverá mais do que uma egrégora para a Maçonaria – isto é, será que cada Grande Loja ou Grande Oriente tem uma egrégora diferente ou separada?

Ao aderirmos à Maçonaria, passamos a integrar um corpo unificado de homens do mundo inteiro. Embora os nossos membros estejam inscritos numa Potência especifica, segundo o seu Ritual, todas as Potências formam um só grupo, com um único propósito comum: Tornar qualquer pessoa apta a viver em harmonia com as forças cósmicas construtivas, criativas, para a consecução de saúde, felicidade e paz. No seu conjunto, as Potências fazem isto preservando e difundindo os ensinamentos maçónicos.

Quando nos reunimos para perseguir uma meta comum, desenvolvemos uma consciência grupal. Todos os nossos pensamentos conscientes individuais são unificados num só pensamento grupal. Desta união advém um estado de consciência que, em termos místicos, é tido como sendo maior do que (Publicado em freemason.pt)os nossos pensamentos individuais. Aprendemos nos nossos ensinamentos Maçónicos que, quando dois ou mais de nós nos reunimos num esforço conjugado, criamos algo maior que a soma dos nossos esforços individuais.

Esta consciência compartilhada flui como um continuum com o inconsciente, permitindo que nos harmonizemos com a mente universal, tornando-se um esforço global de um só. O nosso esforço conjunto torna-se uma expressão da mente cósmica.

Aprendemos que tudo o que já existiu existe agora e sempre existirá. Portanto, a essência dessa consciência cósmica grupal é eterna.

Uma definição mais directa

Embora os Maçons tenham um sentimento interior do que seja a Egrégora, muitos desejam ainda receber uma definição mais directa e objectiva. Neste sentido entendemos que a Egrégora é uma entidade terrena ou mundana e espiritual ou divina, formando uma unidade activada pela energia do pensamento. Em termos muito simplificados, estamos falando de uma expressão de consciência grupal.

A Egrégora é muito mais do que a sinergia obtida num grupo no qual os componentes têm todos os mesmo objectivos. Enquanto que a sinergia pode ser o resultado da união de mentes para o bem ou para o mal, a Egrégora só pode ser o resultado da união do pensamento positivo para conseguir algo de bom em favor da Humanidade.

Como membros da Maçonaria Universal, fazemos parte da Egrégora da Ordem. Estamos psiquicamente ligados á essência de todo Maçom que já existiu. Temos acesso, em planos superiores a todo pensamento maçónico que já ocorreu.

Quando participamos em iniciações e rituais maçónicas nos nossos Templos, harmonizamo-nos com essa vivificadora Egrégora, estejamos ou não conscientes disso.

Egrégora meus irmãos, não é uma palavra que se possa simplesmente procurar num dicionário. Obscura como é no seu emprego, é preciso pesquisar as suas raízes. Uma definição literal de Egrégora “reunido ou agrupado no mais elevado” e pode ser encontrada nas raízes do grego e do latim antigos. O vocábulo grego ageiro significa ”EU REÚNO “e uma agor é uma assembleia. Em latim, greg é uma companhia de pessoas. O vocábulo latino agregare significa ”UNIR NA MAIS ALTA MASSA OU SOMA”. As palavras inglesas aggregate e gregarius (agregar e gregário, em português) derivam dessas raízes. Uma outra palavra inglesa, agregraus (egrégio, em português), aumenta a compreensão do carácter singular do vocábulo egrégora. Derivada do latim, egrégio, no seu sentido arcaico, significa” apartado do rebanho… Destino, excelente”. Estas palavras e as suas raízes antigas em grego e latim dão-nos um discernimento mais profundo quanto ao significado místico do uso de egrégora”.

Embora a Egrégora possa realmente ser associada à consciência global, é muito mais do que isto. Para compreendermos os princípios místicos subjacentes ao conceito de Egrégora, bem como as suas implicações superiores importantes lembrarmos o axioma maçónico “pensamentos são coisas”. Este (Publicado em freemason.pt)axioma indica que os pensamentos estão associados a alguma substância. Portanto, quando falamos na essência do pensamento, queremos dizer isto literalmente visto que há substância no pensamento.

“O poder da egrégora”

Um dos motivos pelos quais os nossos rituais são tão poderosos, espiritualmente, assenta na tradição secular em que estão fundados. Eles tornaram-se um poderoso foco de consciência. A energia acumulada de séculos manifesta-se durante estes rituais.

Esta energia pode ser assemelhada a um grupo de pessoas empurrando uma bola de neve. Quanto mais a rolam, maior ela se torna. Quanto maior o grupo de pessoas que empurram a bola de neve, mais energia ela atrai e utiliza, tornando-se ainda maior e mais poderosa. Se o grupo pára de empurrar a bola de neve, ela pára de crescer. Se a negligência a expõe a um ambiente incompatível, como de calor, a bola de neve diminui. A sua natureza modifica-se. Por analogia, quanto mais iniciados se harmonizam com a vibração da tradição maçónica, tanto mais a Egrégora dessa antiga tradição cresce em energia. Portanto, cabe-nos respeitar a natureza da Egrégora da nossa amada Ordem. Com toda a intensidade, devemos continuamente aumentar e repor essa energia sagrada.

A egrégora é o resultado de alguma coisa. É o resultado de todo o nosso pensamento criativo, tanto no plano exotérico quanto no plano esotérico de consciência, seja qual for a Potência Maçónica a que pertençamos.

Todo o grupo tem a sua egrégora. Se nos unirmos a um grupo religioso, tornamo-nos parte da egrégora dessa religião. Se nos unirmos a uma orquestra sinfónica, tornamo-nos parte da egrégora das orquestras sinfónicas e podemos harmonizar-nos com essa vibração.

Quando ingressamos na maçonaria, tornamo-nos parte de uma família sagrada e mundial e assim escolhemos participar na egrégora da ordem. Estivéssemos ou não consciente disso, começamos a acrescentar e extrair o poder da tradição maçónica. Se decidirmos retirar-nos da ordem completamente, física e psiquicamente, apartamo-nos da sua egrégora.

Nos nossos estudos, etc., quando escrevemos sobre a hierarquia, estamos falando no contexto da egrégora. A hierarquia mundana ou terrena é tradicionalmente composta de membros acima de certo grau. A hierarquia esotérica ou hierarquia celestial “refere-se a um grupo de seres espirituais distribuído em nove ordens de três tríades cada. Estas nove ordens constituem uma escada celestial, sendo a tríade mais espiritualmente avançada ou elevada a mais próxima da mente cósmica, as demais se encontrando num estágio menos avançado“.

Neste ponto é importante lembrar a definição de egrégora já apresentada: “É uma assembleia entidades terrenas ou mundanas e espirituais ou divinas, formando uma unidade hierárquica activada pela energia do pensamento”. Em manuscritos antigos, essa hierarquia celestial é descrita como um corpo cósmico ou celeste de governantes secretos, cada qual num nível diferente. Tudo se enquadra nas nove classificações ou divisões baseadas na antiga lei do triângulo, ou trindade, com três seções gerais, cada qual com três divisões, perfazendo nove divisões desse corpo de hostes cósmicas.

Além desta informação proveniente de antigos manuscritos, textos maçónicos falam também em termos de trinta e três planos ou estágios de consciência cósmica anímica, o que podemos compreender em vários graus. Destes trinta e três planos, três são de natureza tão elevada, espiritual e infinita, que conhecemos muito pouco a seu respeito e só podemos sentir a sua verdadeira natureza após a transição. Nove têm função específica de que podemos ter alguma compreensão; e de tempos a tempos fazemos contacto com sete delas. Tais contactos são feitos por harmonização esotérica.

Do exposto pode-se perceber que, a despeito dos nossos esforços para definir e compreender intelectualmente o conceito de egrégora, alguns aspectos desse principio místico estão velados em mistérios e só podem ser apreendidos pelo processo de iniciação e iluminação.

Egrégora maçónica (a energia universal básica)

Consideremos algumas manifestações universais conforme as percebemos ao nosso redor. Acima de tudo, declaramos que, por todo o espaço e em todas as coisas, há uma grande força ou energia que parece vitalizar todos os seres animados e que parece também existir em todas as coisas inanimadas. Para ajudá-los a compreender que de facto existe essa energia, recomendamos que leiam a boa enciclopédia assuntos como:

Agregação e desagregação

Não é necessário que leiam tudo o que esteja escrito sobre estes assuntos, mas, apenas o suficiente para aprenderem que em todos se faz referência a alguma força, energia, ou algum poder, presente em toda matéria. Qual é a verdadeira diferença entre agregação e desagregação? O que estas palavras tentam explicar é a diferença entre os métodos pelos quais a mesma energia opera ou se manifesta em diferentes momentos. O simples facto de que há alguma força na matéria que uma é positiva e outra negativa. Um exemplo comum (Publicado em freemason.pt) de agregação, como descreve o dicionário Aurélio é reunir-se, congregar-se, juntar-se, associar-se, viver em união, em harmonia, no entanto é o lado positivo. Desagregação é desunir, separar (o que estava agregado). Separar-se é a desarmonia, pois é o lado negativo.

Um dos importantes princípios fundamentais dos nossos ensinamentos é o seguinte: A força ou energia que existe em toda matéria, e que torna a matéria activa ou a faz existir, é uma força que nós maçons chamamos de espírito. Sabemos que os irmãos já ouviram este termo muitas vezes, mas com outros significados. Ouvimos falar do espírito que existe no mundo, no corpo ou em Deus; uma força ou energia imponderável difícil de identificar.

Quando falamos em espírito, não nos referimos à coisa alguma de natureza religiosa. Por este termo designamos a energia ou força responsável pelas manifestações ou expressões materiais. Nunca nos referimos à alma ou Eu interior, quando falamos em espírito. Além disto, no nosso uso do termo espírito, não há relação alguma com a definição usada pelos espíritas ou por sacerdotes. Dizemos isto com o devido respeito, a guisa de explicação.

Ivan Luiz Soares

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One thought on “A egrégora maçónica

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    Excelente artigo muito bem explicado

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