Nós todos conhecemos a “Sala dos Passos Perdidos”, aquela que precede a entrada ao Templo Maçónico. Ela faz parte da simbologia maçónica e presta-se à imaginação e ao gosto interpretativo de muitos.
Nela permanecemos, conversamos, colocamos paramentos e insígnias, assinamos o Livro de Presença; os visitantes se identificam, formam-se os cortejos sob o comando do Mestre de Cerimónias e aguardamos a ordem para o ingresso no Tempo e o início da reunião.
E a sala que está antes do átrio,
“lugar que representa a linha divisória entre o mundo profano e o sagrado”
Mas, se conhecemos a Sala dos Passos Perdidos, nem todos sabemos alguma coisa a seu respeito, da origem do seu nome, por exemplo, e assim vai o tempo passando e a Sala ficando por aí mesmo, sem maiores indagações ou preocupações da nossa parte.
Ela é a Sala dos Passos Perdidos, a Salle des Pas Perdu dos franceses.
Há pouco tempo, um prezado amigo e Irmão perguntava a respeito e disse-lhe o que sabia. Ele incentivou e aqui algumas informações para a nossa curiosidade.
A influência francesa em certas áreas da Maçonaria é notória, assim como a influencia da Maçonaria Francesa também o é; inclusive e, principalmente, no Brasil.
A propósito da expressão “Sala dos Passos Perdidos”, encontramos explicações que se originam e se encontram na literatura e na história; da mesma forma, encontramos aqui e ali, resultaram da especulação e da imaginação dos maçons. Entre estas, a de Lenning, citado por Albert Gallatin Mackey, Enciclopédia de la Francmasonería, Ed. Crijalbo, México, 4° volume, pág. 1392: “Lenning [1], diz que o seu nome deriva do facto de que todos os passos que se dão antes da entrada na fraternidade, se não se verificam de acordo com os preceitos da Ordem, se consideram perdidos”.
Mackey, continua e diz: os franceses chamam assim a antecâmara em que se colocam os visitantes antes da sua admissão na Loja. Os alemães a chamam de “antepátio” (Vorhof) e algumas vezes, do mesmo modo que os franceses, “der sal der verlonen Schritte” (A Sala dos Passos Perdidos).
Tudo indica, realmente, que a expressão é genuinamente francesa e, depois, foi incorporada na Maçonaria da França.
Honoré de Balzac, 1799-1850, o escritor francês, que nos deixou o adjectivo balzaquiana, é o autor da Comédia Humana, uma série de livros que retrata a sociedade francesa no período que abrange da Revolução ao fim da Monarquia.
No Esplendores e misérias das cortesãs (1839-1847) ele tratou da SALA DOS PASSOS PERDIDOS. (Comédia Humana, volume 9, Editora Globo, Porto Alegre, 1952, fls.277; 304/305).
Balzac, ao descrever o fabuloso Palácio da Justiça de Paris, maravilha de arte, glória da arquitectura, refere-se à Sala Imensa do Passos Perdidos, “onde além dos advogados sem causas que andam varrendo essa sala com as suas togas e que tratam os grandes advogados pelos seus nomes de pia, à maneira dos grandes entre si, para fazerem crer que pertence à aristocracia da classe. Muitas vezes outros são vistos, de pé, esperando muito tempo, à disposição dos procuradores, esperando o desfecho das causas que fiquem para o fim o que possivelmente lhes caibam na hipótese dos advogados se atrasarem”.
Ali, pelo Salão, as partes andavam para lá e pra cá, impacientes e nervosas; aguardavam o chamado dos meirinhos, o resultado das audiências; advogados esperavam o pregão e… enquanto isso, se perdiam no vai-e-vem continuo das pessoas!
Não é só na obra de Balzac que encontraremos a SALA PASSOS PERDIDOS, é na França ainda, na bela e florescente cidade Poitiers.
Poitiers, com os seus 75 mil habitantes, centro avançado tecnologia, mas, que não esquece o seu passado e cultura a sua encantadora tradição. A cidade guarda e conserva as suas relíquias, maravilhas história, como o Baptistério, da Igreja de São João, do século XII. Orgulha-se da arquitectura centenária, das suas Igrejas românicas.
Entre essas jóias, os seus palácios, entre eles, o Palácio da Justiça. Ele ostenta uma vasta sala, hoje silenciosa e nua; ela recorda solenes audiências, grandes julgamentos e sessões do Parlamento; uma bela Sala, com os seus balcões e janelas interiores em estilo “flamboyant”, do tempo dos Reis Plantagenetas. “Haal” dos reis angevinos, Henrique II e Ricardo Coração de Leão, no século XII.
Era o antigo Palácio dos Condes de Poitiers, Século XIII, onde Carlos II, em 1423, instalou o Parlamento.
Essa bela Sala do Palácio da Justiça da cidade de Poitier é a SALA DOS PASSOS PERDIDOS!
Nessa Sala, em 1439, Joana D’ Arc teria sido submetida a um exame constrangedor por parte de teólogos e eclesiásticos.
Com tais informações e ao que tudo indica, podemos concluir que a expressão SALA DOS PASSOS PERDIDOS, que identifica a Sala que se encontra nos Templos Maçónicos, sem dúvida, é uma expressão francesa e anterior à Maçonaria Moderna.
Com propriedade e felicidade, foi incorporada ao vocabulário e simbologia da Maçonaria.
Jorge Lasmar, Loja de Pesquisas Cel. José Persilva, de Belo Horizonte, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
Notas
[1] C. Lenning, foi um sábio alemão que residiu em Paris em 1817, Maçom muito estimado, autor do primeiro projecto de uma Enciclopédia da Maçonaria, designada por J. G. Findei (autor da História da Francomaçonaria), como “uma das obras mais notáveis e científica que se encontram na literatura maçónica”).

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No deja de ser curioso que nuestras anotaciones sobre estos temas, estén basadas en lo que dijo uno u otro autor, y no el rastreo de lo que exponen los rituales de las diferentes épocas, que son la masa madre de nuestra historia.