A Grande Loja de Espanha em graves dificuldades

Título original: A ­Grande Loja de Espanha explode

A Grande Loja da Espanha rebentou. Era apenas uma questão de tempo, e a deflagração pode definitivamente dividi-la. A convocatória do Grande Conclave terá sido a gota de água que transbordou o copo da MESA [1] e de muitos irmãos.

Ontem, numa declaração assinada pelos Respeitados Irmãos Jesús Gutiérrez Morlote e Pere Martínez Delgado, em nome da MESA, é dito que que não reconhecem a convocatória do Grande Conclave, enquanto acusam o Grão-Mestre Óscar de Alfonso, de promover na Grande Loja de Espanha uma situação de “tomada súbita e absoluta de poder“, baseada num “golpe de estado real, causado pelo Grão-Mestre, usurpando e acumulando na sua pessoa as funções que, de acordo com a nossa Constituição e Regulamentos Gerais, devem exercer-se de forma autónoma e independente, tanto o Grande Orador quanto o Grande Tesoureiro, pelo que queremos expressar a nossa total discordância e rejeição frontal”.

A razão que, segundo eles, os levou a tomar esta dolorosa decisão é de que “desde o Decreto 1252, de 21 de Junho de 2019, sobre a composição do Grande Conclave, houve renúncias, baixas e outras mudanças significativas sem que tenhamos conhecimento sobre quem faz parte deste orgão; somente o Grão-Mestre o conhece e, consequentemente, ele é o único que pode aspirar a formar maiorias para as suas propostas”.

Não é um Grande Conclave, é outra coisa

O comunicado começa por referir os antecedentes pelos quais a situação actual foi alcançada e afirma que foram forçados “a não reconhecer a reunião convocada para o próximo sábado, 16 de Novembro de 2019, como uma sessão ordinária do Grande Conclave da Grande Loja de Espanha. Será outra coisa, seja uma reunião do Grão-Mestre com os irmãos ou uma reunião do Grão-Mestre com os seus associados para continuar a planear como aumentar e manter o controle absoluto da organização, mas o que não será, sem dúvida, é uma Sessão Ordinária do Grande Conclave da GLE”.

Desconhecem a composição do Conclave

Desde o Decreto 1252, de 21 de Junho de 2019, sobre a composição do Grande Conclave, houve renúncias, baixas e outras mudanças significativas sem que se saiba, actualmente, quem faz parte deste órgão; Somente o Grão-Mestre o conhece e, consequentemente, ele é o único que pode aspirar a formar maiorias para as suas propostas.

O Grande Orador da Grande Loja de Espanha, eleito pela Grande Assembleia, representante e porta-voz do Grande Conclave, renunciou e deixou a Instituição depois de verificar como o seu trabalho foi menosprezado e boicotado a partir do sistema dominante e administrativo da Grande Loja.

Antes da sua renúncia, dirigiu uma carta ao Grão-Mestre e aos membros do Grande Conselho de Governo, ao Grande Conclave e à Grande Assembleia, nos quais destacou a extrema gravidade da Instituição, a divisão absoluta e a necessidade urgente de se reunir uma Assembleia Extraordinária para debater e chegar a um acordo sobre o caminho a seguir.

O Grande Tesoureiro da Grande Loja de Espanha, eleito pela Grande Assembleia e o único com a capacidade para assinar conjuntamente autorizações de pagamentos e preparar informações económicas oficiais da Instituição, permanece suspenso sem motivo e injustamente, de acordo com a decisão da Grande Orador que invalida o Decreto de suspensão, uma opinião que foi enviada ao Grão-Mestre, ao Presidente do Tribunal de Justiça Maçónico, ao Grande Secretário e aos outros membros do Grande Conselho de Governo. Todos sabem e são cúmplices da injustiça que está a ser cometida.

O Grão-Mestre, subversão constitucional e Grande Assembleia já

Nesta situação que subverte a nossa ordem constitucional, não podemos endossar ou legitimar com a nossa presença a paródia de reunião que se pretende realizar no próximo sábado, 16 de Novembro de 2019.

Por este motivo, recomendamos a todos os Irmãos de ordem e respeitadores da Regularidade, que se abstenham de participar em todas as reuniões que sejam convocadas, até que a legalidade seja restaurada na Grande Loja de Espanha.

Não reconhecemos nem as resoluções, nem os acordos que podem emanar tanto do actual Grande Conselho de Governadores, uma vez que ele tem conhecimento da ilegalidade manifesta da suspensão do Grande Tesoureiro e não reverteu a situação, nem do Grande Conclave, enquanto o cargo de Grande Orador esteja vago.

Relembrando as ideias do anterior Grande Orador, fazemos nossa, a sua proposta e, consequentemente, solicitaremos a celebração de uma Grande Assembleia extraordinária.

Tradução de António Jorge

Fonte

Notas

[1] No Verão de 2018, um pequeno grupo de Mestres maçónicos experientes da GLE propôs fazer uma proposta para mudar a Constituição da Grande Loja de Espanha, visando melhorá-la, especialmente nos seus aspectos democráticos, e em 14 de Julho, do mesmo ano, realizou-se uma primeira reunião numa sala alugada do Ateneu de Madrid, perante a recusa frontal do Grão-Mestre da Grande Loja Provincial de Madrid para que essa reunião fosse realizada nas instalações da GLE da Capital. Esta reunião contou com a presença do Grão-Mestre da GLE (Óscar Alfonso Ortega) e o plano de mudança da Constituição foi apresentado. Para liderar o projecto, foram eleitos democraticamente dois mestres maçons com ampla experiência em Maçonaria e tecnicamente qualificados para realizar a missão, sendo dados imediatamente os primeiros passos para a colocar em prática.

O projecto foi denominado de MESA e todos os maçons da Grande Loja de Espanha, incluindo o Grão-Mestre, foram convidados a participar na sua elaboração. Foi feito e publicado, um rascunho da nova Constituição num grupo do WhatsApp que poderia ser acedido por qualquer Maçom da GLE. Todo os que quisessem, poderiam lê-lo e foi dada a possibilidade de envio todos os tipos de emendas para o melhorar. No total, o Grupo MESA recebeu cerca de cento e cinquenta emendas.

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