Grande Oriente Lusitano discute abertura às mulheres

Segundo um artigo publicado no Jornal “Diário de Notícias”,  o Grande Oriente Lusitano (GOL) estará a discutir a possibilidade de adesão de mulheres. Esta iniciativa integra-se no processo de revisão da sua Constituição interna, sendo que conta desde já com a oposição do actual Grão-Mestre, o irmão Fernando Lima, que defende que a Ordem se mantenha exclusivamente masculina.

A discussão centra-se no que fazer quando um Irmão decide mudar de sexo, à semelhança do que já foi discutido e fonte de uma decisão ao nível da Grande Loja Unida de Inglaterra (UGLE), que emitiu a “Gender Reassignment Policy” (ver artigo Maçonaria (UGLE) aceita mulheres transexuais, que tenham aderido como homens).

Segundo o artigo do DN, esta situação já se terá colocado em 2010, quando um membro decidiu mudar de sexo, tendo (Publicado em freemason.pt) tido como desfecho a sua saída, que terá solicitado a emissão do seu Atestado de Quite – o documento de desvinculação maçónico.

Apesar de este tema não ter sido tocado durante a última campanha eleitoral, na qual Fernando Lima foi eleito, o DN refere que haverá uma Loja de Guimarães que terá apresentado formalmente um projecto de alteração de regulamentos que visa que o Grande Oriente Lusitano passe a ser uma Obediência mista, resolvendo não só os casos de mudança de sexo, mas abrindo-se às mulheres.

Citando o DN:

O artigo 1 passaria a ter a seguinte redação: “A Maçonaria é uma ordem universal, filosófica e progressiva, fundada na tradição iniciática, obedecendo aos princípios da fraternidade e da tolerância, constituindo uma aliança de seres humanos livres e de bons costumes, de todas as raças, nacionalidades e crenças“.
Atualmente, em vez de se ler “aliança de seres humanos livres” lê-se “aliança de homens livres“.

Recorde-se  que o Grande Oriente Lusitano é exclusivamente masculino, tal como a Grande Loja Legal de Portugal e outras Obediências, existindo uma Grande Loja Feminina de Portugal que é exclusivamente feminina e duas Obediências mistas.

É importante relembrar que já existe proximidade entre o Grande Oriente Lusitano e a Grande Loja Feminina de Portugal que utiliza instalações do GOL para as suas cerimónias, tendo até as obras do Palácio Maçónico do Grande Oriente Lusitano (GOL) sido aceleradas para que aí se pudesse realizar o  congresso da Grande Loja Feminina de Portugal (Jornal Sol, em 21.09.2019).

Será interessante acompanhar a evolução deste processo, bem como ver de que forma a Grande Loja Feminina de Portugal se irá posicionar perante esta discussão ou até perante a eventual possibilidade de vir a aceitar homens como membros.

António Jorge

Nota: O autor é membro da Grande Loja Legal de Portugal /GLRP

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2 Comentários em “Grande Oriente Lusitano discute abertura às mulheres

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    Existe a ideologia de gênero,o livre e árbitro sobre ela ,más a ordem tem que ser rígida ,”o que é sim o que não”., não se constrói o certo fazendo linhas tortas.

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    Faço votos e desejo que a ordem seja cumprida. Mas para o dito “fraternidade ” não podemos banir os irmãos e irmãs de qual raça, opção sexualidade ou crença.

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