Procurador Geral da República da Croácia forçado a renunciar por ligação à Maçonaria

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O primeiro-ministro da Croácia aceitou a renúncia do Procurador Geral da República, Drazen Jelenic, por ser membro de uma Loja Maçónica, facto que ele não terá declarado, conforme confirmou o primeiro-ministro croata na passada quarta-feira, dia 19 de Fevereiro de 2020.

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Drazen Jelenic

“Esta renuncia não significa que [Jelenic] agiu contra a lei e que não cumpriu o seu dever de forma independente. Trata-se da integridade das pessoas que governam os mais altos órgãos”, disse o primeiro-ministro de centro-direita, Andrej Plenkovic.

Antes, terá afirmado ter conversado com Jelenic e avisado que se não se demitisse, teria um problema. Plenkovic disse que o problema era o governo não ter recebido nenhuma informação prévia sobre a sua participação na Maçonaria.

Esta associação é legal [mas] prejudicou o desempenho do meu dever como Procurador Geral do Estado“, disse Jelenic na quarta-feira, quando confirmou a sua renúncia.

O semanário Nacional divulgou a sua participação na terça-feira. Ao explicá-la à comunicação social local, Jenelic negou pertencer a uma organização secreta ou semi-secreta e disse que era apenas uma associação cívica registada de acordo com a lei, não havendo portanto conflito de interesses.

Jelenic disse à comunicação social que foi convidado a aderir a uma associação Maçónica em Março de 2018, um mês antes de ser nomeado para o seu cargo como Procurador Geral.

A associação foi registada como uma organização sem fins lucrativos dedicada a “promover as visões maçónicas do mundo, e acima de tudo a moralidade geral, a cultura e o amor pelos semelhantes e pela caridade“, de acordo com o Registro de Associações da Croácia.

No entanto, as autoridades croatas são obrigadas a declarar a sua participação em associações ou organizações à Comissão para a Resolução de Conflitos de Interesses, o que Jelenic não fez.

A demissão ocorreu poucos dias depois de a comunicação social ter informado que vários jornalistas do tablóide Dnevno.hr e da sua publicação semanal, 7Dnevno, terem sido presos por supostamente tentar chantagear um oftalmologista pelas suas ligações à mesma associação maçónica.

Nikica Gabric, o oftalmologista, alegou que os jornalistas tentaram chantageá-lo para que comprasse 27.000 euros em espaço publicitário semanalmente em troca de não publicar fotos dele participando em cerimónias maçónicas. Jelenic envolveu-se no caso, depois de ter acusado Gabric de tentar influenciar a investigação dos jornalistas do Dnevno.hr. Na quarta-feira, Jelenic esclareceu a sua declaração, dizendo que Gabric tinha sido claramente vítima de uma tentativa de chantagem.

O presidente Zoran Milanovic deixou claro que apoiava a saída do Procurador. Terá afirmado que todos os que eram membros de uma associação maçónica e faziam um trabalho público ou era funcionários públicos, ainda para mais na aplicação da lei, colocavam desnecessariamente em questão a sua objectividade e lealdade.

Jelenic foi nomeado para o seu cargo em Abril de 2018 e anteriormente, serviu como presidente do Conselho Judiciário do Estado e como procurador municipal e promotor do condado.

Pensa-se que a Maçonaria na Croácia remonte a meados do século XVIII. A primeira Grande Loja foi fundada na década de 1770. Devido à sua natureza secreta ou discreta, atraiu muitas vezes suspeitas e/ou foi banida. Foi completamente suprimida na antiga Jugoslávia, durante o regime comunista, e só foi reactivada nos anos 90.

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