Aplicação moral e operativa da doutrina simbólica do Grau de Aprendiz (III)

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Segredo e Discrição

A disciplina do silêncio é um dos ensinamentos fundamentais da Maçonaria. Quem fala muito pensa pouco, rápida e superficialmente, e a Maçonaria quer que os seus adeptos se tornem mais pensadores do que faladores.

Não se atinge a Verdade com muitas palavras e discussões, mas sim com o estudo, a reflexão e a meditação silenciosa. Portanto apreender a calar é aprender a pensar e meditar. Por esta razão a disciplina do silêncio tem uma importância tão grande na escola pitagórica, onde a nenhum discípulo era permitido falar, sob nenhum pretexto, antes de que tivessem transcorrido os três anos da sua aprendizagem, período que corresponde exactamente ao da aprendizagem Maçónica.

Saber calar não é menos importante que saber falar, e esta última arte não é perfeitamente aprendida antes de que nos tenhamos adestrado na primeira, rectificando por meio do esquadro da reflexão todas as nossas expressões verbais instintivas.

No silêncio as ideias amadurecem e clareiam, e a Verdade aparece como a Verdadeira Palavra que é comunicada no segredo da alma a cada ser. A Arte do Silêncio é pois, uma arte complexa, que não consiste unicamente em calar a palavra exterior, mas que requer para que seja realmente completa, que também ocorra o silêncio interior do pensamento: quando soubermos calar os nossos pensamentos então é quando a Verdade poderá intimamente revelar-se e manifestar-se na nossa consciência.

Para poder realizar esta disciplina do silêncio, temos igualmente de compreender o significado e o alcance do segredo Maçónico. O Maçom deve calar-se ante as mentalidades superficiais ou profanas sobre tudo aquilo que somente os que forem iniciados na sua compreensão podem entender e apreciar.

Por outro lado, os sinais e meios de reconhecimento, e tudo quanto se refere aos trabalhos maçónicos, devem conservar-se no mais absoluto segredo, posto que deste segredo depende a perfeita aplicação, utilidade e eficácia dos mesmos. São estes os meios exteriores ou materiais com os quais está formada e é soldada fazendo-se efectiva, a mística cadeia de solidariedade, que através da Maçonaria abraça toda a superfície da Terra.

Nenhuma razão justificaria que o Maçom violasse o segredo ao qual se obrigou com solene juramento, sobre a forma de reconhecimento entre os maçons e o carácter dos seus simbólicos trabalhos, nem sequer quando lhe parecer útil para sua própria defesa ou para a defesa da Ordem.

Como os iniciados sempre fizeram, os maçons devem suportar estoicamente e deixar sem resposta as acusações e calúnias das quais forem objecto, esperando com tranquila segurança que a verdade triunfe e se revela por si mesma, pela própria força inerente a ela, como inevitavelmente sempre ocorre.

O iniciado deve, pois, renunciar sempre à sua própria defesa, quaisquer que possam ser as acusações e ofensas que lhe sejam dirigidas. Deve, além disto, estar disposto a sofrer, se necessário, uma condenação imerecida: Sócrates e Jesus, entre outros, são dois exemplos luminosos, cujo martírio foi transmutado em apoteose. A Verdade que silenciosamente atesta a sua conduta, fará de per si, sem dúvida, a sua defesa segura e infalível.

No que diz respeito ao ritual Maçónico, é certo que boa parte das formalidades em uso na Sociedade não permaneceram inteiramente secretas. Mas, é igualmente certo que não podem ser de utilidade verdadeira senão para os maçons, da mesma maneira que os instrumentos de determinada arte só servem para os obreiros conhecedores e capacitados nessa arte. A grande maioria das obras que tratam de Maçonaria sempre caem, directa ou indirectamente, nas mãos de maçons, que, por outro lado, são os únicos capacitados para realmente entendê-las.

Assim pois, é dever do Maçom cuidar de que seja observado o segredo também, naquelas partes do ritual Maçónico que possam ter chegado a conhecimento público, abstendo-se de igualmente negar como de confirmar a autenticidade das pretensas revelações encontradas nas obras que tratam da nossa Instituição e que muitas vezes revelam extrema ignorância além de superficialidade.

Quanto ao verdadeiro “segredo maçónico”, a sua natureza esotérica coloca-o para sempre ao abrigo dos espíritos superficiais, tanto fora como dentro da nossa Sociedade. Ainda que se possa falar deste segredo com toda clareza em obras similares à presente, quem as escreve bem sabe que a sua compreensão e entendimento não podem ir mais além daquilo que lhe tenha sido destinado pela Hierarquia Oculta que governa a Ordem: os que lêem e entendem ou bem são maçons desejosos de conhecer o significado oculto do simbolismo da nossa; Arte, ou bem o são em espíritos superficiais estas obras não exerceram atracção alguma.

A discrição do Maçom que entende os segredos da Arte também deve ser exercida, com os irmãos que não possuem ainda a suficiente maturidade espiritual que é condição necessária para que possam fazer uso proveitoso das suas palavras.

A verdade não serve e não pode ser recebida por aquele que não se encontre ainda em condições de entendê-la, ou prefira viver no erro: todo esforço que for feito para convencê-lo transmutar-se-á em vosso prejuízo pessoal. Deixai, pois, em paz a todos aqueles irmãos sinceros, e muitas vezes entusiastas, que entendam a Maçonaria à sua maneira, com espírito semi-profano, e que se esforçam em praticá-la com boa Vontade, na medida do seu entendimento.

O Maçom que conhece a verdadeira palavra deve estar sempre disposto a dar a letra que lhe corresponde quantas vezes esta lhe for pedida. Mas deve esperar sempre que esta letra lhe tenha sido directa ou indirectamente pedida fazendo com que ela esteja em perfeita correspondência e harmonia com a letra encontrada que lhe é dirigida como pergunta. A cada um se responde quando se julga necessário, de acordo com as ideias que ele expressar: não se fazer compreender bem causa dano igualmente a quem fala e a quem escuta.

Necessidade da Tolerância

A mais ampla Tolerância é portanto necessária em matéria de ideias e opiniões, impondo-se como primeira condição da vida e da actividade Maçónica, e como postulado necessário para que as diferenças entre as ideias não impeçam a realização da solidariedade e do espírito de fraternidade que sempre deve reinar entre os maçons.

Que cada um se esforce individualmente e de acordo com as possibilidades da sua inteligência e faça o melhor e mais sábio uso dos seus conhecimentos; mas que cuide de não censurar os demais, seja porque ele não os entende ou porque eles não o entendem já que sempre ocorre um dos casos, e frequentemente ambos de uma só vez.

Toda opinião sincera merece por tal razão ser respeitada ainda que possa haver discordância nos seus méritos. A verdadeira liberdade de pensamento mede-se pela liberdade que cada indivíduo sabe conceder aos demais.

A diferença de ideias nunca deve produzir como resultado uma falta de simpatia e menos ainda de antipatia entre dois irmãos: aqueles que o fazem faltam aos seus deveres de maçons. Devem isto sim, tratar de compreender e de se identificar mutuamente o melhor possível com o ponto de vista contrário. Toda a antipatia é fundamentalmente uma falta de compreensão, enquanto que compreensão e simpatia são sinónimos.

Por outro lado, sendo infinitos os pontos de vista desde os quais pode considerar-se a Verdade, é sempre presunçoso, denotando fanatismo e estreiteza de visão tornar-se juiz das opiniões alheias. Na realidade, ninguém pode ser os que podem afirmar estar absolutamente imbuídos da Verdade: a maioria da opiniões que se expressam participam, em diferente medida, do erro e da verdade, sendo as duas polaridades.

Além disso, é acima de tudo importante que cada homem busque, encontre e abra o seu próprio caminho individual em direcção à Luz: nunca podemos, portanto, pretender encontrar uma absoluta uniformidade de opiniões e de ideias, se bem que é correcto dizer que estas se aproximam entre si próprias tanto quanto mais convergem as mentes individualmente para a Verdade. Mas cada um tem de pensar por si mesmo e ninguém pode tomar para si este trabalho alheio, se bem que se pode ajudar os outros estimulando os seus pensamentos.

Deveres da Loja

Os maçons agrupam-se em Lojas conforme as suas afinidades naturais, de ordem intelectual social e profissional. Cada Loja tem assim, a sua particular fisionomia e orientação, expressão colectiva dos ideais e tendências individuais dos que a integram.

Como fundamental unidade Maçónica, toda Loja representa uma diferente encarnação da Ordem da qual é o expoente, uma particular interpretação e realização da finalidades, propósitos e ideais da Maçonaria Universal. Esta vive, manifesta-se e age em cada uma das suas Lojas indistintamente, como o Espírito Único que anima a todos os seres do universo, sendo cada ser uma diferente expressão individualizada do mesmo Princípio.

Cada Loja encontra-se directamente relacionada com as que a precederam, nas quais foram iniciados os seus fundadores e membros filiados; e da mesma forma está relacionada com as Lojas que podem ser formadas pelos seus membros, e que nesta receberam a investidura e qualidade de Maçom. Assim, todas as lojas do Universo, as que existiram nos anos e séculos passados, as que existem na actualidade, e as que serão criadas no futuro, formam, com a sua filiação e descendência, uma cadeia ininterrupta que se estende desde épocas imemoriais, testemunhando a Vida única que anima o múltiplo corpo da Instituição e faz com que todas as Lojas estejam enlaçadas umas às outras.

Assim, foram transmitidos universalmente, de Loja em Loja, modificando-se e adaptando-se parcialmente as antigas tradições e os usos e fórmulas rituais. Assim, toda Loja formada por maçons regularmente iniciados, sem distinção de filiação ou obediência, pode-se dizer que é, efectivamente, na sua jurisdição, a representante da Ordem.

Todo o Maçom tem o dever de se filiar ou contribuir para a formação de uma Loja; e, dentro da sua Loja, todo Maçom deve cooperar como melhor puder com a actividade impessoal do conjunto do qual forma parte integrante, anexando à Obra Comum o tributo do seu pensamento e boa vontade.

Cada um dos membros da Loja tem o seu dever particular de acordo com o posto que ocupa e a actividade que lhe corresponde, devendo ser o seu intérprete fiel. Todo cargo indistintamente é uma oportunidade para manifestar e exercer as qualidades que para aquele cargo especialmente se exigem.

Assim, o Venerável é especialmente quem deve iluminar a Loja com a Sabedoria e o Reto Juízo que simbolicamente representa, dirigindo construtivamente a sua actividade. O 1° Vigilante deve manifestar discernimento, clareza e força nas decisões, cooperando com o Venerável na ordem dos trabalhos, na sua exactidão e perfeito desenvolvimento. O 2° Vigilante deve tornar-se o expoente da Harmonia, cuidando para que todos se mantenham num nível de perfeita equidade e compreensão, resolvendo assim as suas dificuldades.

O Secretário tem a incumbência de anotar e registrar fielmente todas as actividades da Loja, assim como a de traçar as suas pranchas. Enquanto o Orador, que toma assento em frente dele, tem a seu cargo tornar-se o porta voz das palavras e dos pensamentos dos seus irmãos, assim como de toda a Ordem no seu conjunto, fazendo o uso fecundo e construtivo da palavra.

O Tesoureiro é o depositário tanto dos valores espirituais como materiais, e o seu mais especial cuidado tem de ser que estes sejam sempre empregues para fomentar e enaltecer àqueles. O Hospitaleiro faz-se o expoente da solidariedade da Loja, cuidando para que nunca se enfraqueça o laço de união que sempre deve existir entre todos os membros da Ordem.

O Mestre de Cerimónias deve cuidar da ordem e da harmonia, assim como do prestígio dos trabalhos. O porta-estandarte deve custodiar o ideal ou Logos particular que a Loja representa e encarna.

Os dois diáconos, à semelhança de Mercúrio e Isis, são mensageiros da Sabedoria e da Vontade que se expressam na Oficina. E os dois Expertos tem de demonstrar a sua perícia como guias dos candidatos e demais membros ainda inexpertos sobre o Caminho simbólico da Luz.

O Guarda do templo deve cuidar com toda atenção da cobertura da Loja, e da qualidade realmente construtiva dos elementos e materiais que adentram nela de forma que os seus trabalhos sejam eficientes e completos.

Finalmente, cada membro da Loja esforçar-se-á em ser realmente uma das colunas do simbólico Templo que a própria Loja representa, fixando o seu olhar nos Princípios Ideais que constituem o seu telhado, e apoiando firmemente os pés sobre o solo da contingência e da realização objectiva. Desta forma, o cumprimento individual dos deveres designado a cada irmão fará com que a Loja prospere e seja uma contribuição efectiva à prosperidade e ao progresso da Ordem.

Os Trabalhos Maçónicos

Os trabalhos representam a actividade colectiva dos irmãos na Loja. O que caracteriza estes trabalhos e os distingue das reuniões e assembleias profanas é o cerimonial especial segundo o qual se desenvolvem, e particularmente, são abertos e encerrados; cerimonial este cuja peculiar nota distintiva é a ordem, manifestando-se nesse ritmo constante que favorece a continuidade dos já realizados.

Tanto a abertura como o encerramento dos trabalhos verifica-se em horas convencionais e simbólicas, sobre as quais o Venerável Mestre pede informações ao 1º Vigilante. Na maioria dos rituais actualmente em uso, estas horas são do meio dia à meia-noite para os três graus simbólicos, significando o meio-dia (a hora em que o sol está no zénite, na plenitude do seu poder luminoso e calorífico) a maturidade espiritual necessária para ser Maçom, e a meia noite (hora na qual a luz do dia desapareceu por completo por estar o sol no nadir), o momento em que já não é possível actuar nesses trabalhos de modo eficaz.

Entretanto, na nossa opinião é mais razoável e mais coerente com as antigas tradições maçónicas que os trabalhos sejam abertos e encerrados em horas diferentes para os distintos graus (que representam diferentes épocas ou etapas de evolução) e que, particularmente para o grau de evolução) e que, particularmente para o grau de Aprendiz, os trabalhos sejam iniciados a saída do sol (isto é, naquele período da vida no qual a luz espiritual se manifesta primeiro na consciência) e sejam concluídos ao meio-dia (ou seja na hora em que a plenitude da luz permite a passagem para uma câmara ou grau superior).

Também do ponto de vista do simbolismo material, estas horas são as mais apropriadas para o trabalho especial do Aprendiz (desbastar a pedra bruta, aproximando-a de uma forma em relação ao seu destino), enquanto as horas sucessivas podem ser utilmente aproveitadas por outros obreiros que completem o trabalho dos primeiros, levando as pedras e dispondo-as, oportunamente, no edifício em construção, para cuja finalidade foram lavradas.

O reconhecimento da hora deve ser acompanhado da idade, que possui um valor equivalente, representando aquela época ou estado na evolução individual em que é possível tomar parte nos trabalhos maçónicos, isto é, agir em harmonia com a lei e o Princípio Construtivo do Universo. Os três anos do Aprendiz significam, na evolução individual, a passagem pelas três grandes etapas evolutivas representadas pelos três reinos da natureza; mineral, vegetal e animal, nos quais se desenvolve progressivamente aquela individualidade que no estado humano aparece na sua perfeição, como autoconsciência, com as qualidades que a acompanham: o pensamento consciência, o juízo e a vontade livre.

Não nos devemos descuidar da particularidade de que o Venerável Mestre toma informação exactamente do 1º Vigilante tanto a respeito da hora quanto da idade. Por intermédio destas perguntas, o primeiro não só se assegura da qualidade Maçónica da pessoa com a qual fala, o que constitui a primeira condição para que os trabalhos ocorram, mas que torna evidente a necessidade (ou Segunda condição) de que o tempo, que representa o momento evolutivo e as circunstâncias externas, seja além do mais oportuno e favorável.

A actividade Maçónica requer tempo e condições especialmente adaptadas; necessita que a responsabilidade do ambiente faça fecundo e próspero o labor que queremos empreender. Quando este não o for, a pergunta ficará sem resposta, e será necessário esperar até que chegue a hora.

Em outras palavras, permanecendo dentro do nosso coração tenazmente fiéis aos nossos ideais, projectos e aspirações, assim como aos esforços que tenhamos empreendido, teremos de saber esperar a hora com Fé imutável: o tempo não pode deixar de nos fazer justiça e recompensará infalivelmente a nossa perseverança.

Abertura dos Trabalhos

A primeira condição para que possa proceder-se-á à abertura dos trabalhos é que a Loja esteja coberta, tanto exterior como interiormente: exteriormente coberta das indiscrições profanas, e interiormente pela qualidade de maçons que todos os presentes devem demonstrar.

Ao Guarda do Templo, é a quem se incumbe de assegurar que o templo esteja perfeitamente isolado do exterior e além disso cuidá-lo, constantemente, durante o desenvolvimento dos trabalhos, vigiando a Porta do Templo, armado de espada, e abrindo-a, com a permissão do Venerável Mestre, unicamente aos que forem reconhecidos como genuínos e legítimos maçons. Simboliza o Guarda-Templo a faculdade que se encontra no umbral da nossa consciência, faculdade esta que deve vigiar para que naquela consciência não penetrem os erros profanos e todos aqueles pensamentos que não venham a receber a aprovação do seu Ser mais elevado (o Venerável Mestre).

O encerramento hermético interior é assegurado por intermédio do sinal que fazem os presentes, a convite do Venerável Mestre, e de cuja exactidão este se assegura com a ajuda dos dois Vigilantes. O sinal indica a qualidade do Maçom ou Obreiro consciente e disciplinado do Princípio Construtivo do Universo, e assegura ao mesmo tempo a fidelidade e discrição que devem sempre acompanhar dita qualidade, representando a vigilância que o Maçom se dispõe a observar nas suas palavras, e a perfeita rectidão com as qual as medirá, do mesmo modo que os seus pensamentos e acções.

Segue a esta dupla segurança um diálogo entre o Venerável e os principais oficiais da Loja, pelo qual certifica-se de que cada um esteja no seu lugar e seja consciente dos deveres e obrigações que lhe correspondem. O Guarda-templo, o 2° e 1° Diácono, o 2° e 1° Vigilante, são interrogados sucessivamente, e cada um declara a sua respectiva função, como razão explicativa do lugar em que se sentam.

O diálogo prossegue entre o Venerável e o 1º Vigilante, declarando este último as atribuições e deveres do primeiro, pelo facto de se sentar no Oriente, e os princípios e finalidades da Ordem em geral e das reuniões maçónicas em particular.

Tendo cumprido estas diferentes formalidades iluminativas e explicativas, e com a segurança de que a hora e a idade são convenientes, adequadas e oportunas, o Venerável Mestre e depois ambos os Vigilantes, fazem a todos os presentes o convite para que lhe ajudem a abrir os trabalhos. Este convite demonstra em primeiro lugar a necessidade de que todos percebam a importância e solenidade do momento, preliminar para a invocação do GADU na sua tríplice expressão, fixando toda a atenção nas palavras que vão ser pronunciadas, e que necessitam o uníssono espiritual dos corações de todos os membros da Loja, despertando em cada um deles um eco profundo. Em segundo lugar frisar bem a necessidade de cooperação, como condição indispensável para a eficiência de qualquer actividade Maçónica.

O Acender das Luzes

Tendo o Venerável a certeza de que todos os presentes receberam o convite que lhes foi transmitido, põem-se todos de pé e à ordem, e o Venerável acende o círio simbólico da Sabedoria do Grande Arquitecto, invocando-o para que ilumine os trabalhos.

O 1° Vigilante imita-o, acendendo a sua luz, que simboliza a Força Omnipotente do Eterno, invocando-a para que acrescente e faça prosperar esses mesmos trabalhos. O 2° Vigilante faz o mesmo com o seu círio, que simboliza a Beleza Imortal do Princípio da Vida Universal, invocando-a para que os adorne.

Esta iluminação preventiva da Loja precede e predispõe à solene invocação feita à Glória do Grande Arquitecto e em Nome da Maçonaria Universal, com a qual são declarados abertos os trabalhos, sendo esta declaração acompanhada pelos toques da três luzes e confirmada com o sinal e a bateria de todos os presentes. Estes elementos, que sublinham a invocação, conferem à cerimónia uma austera e profunda beleza.

Tendo declarado abertos os trabalhos, à Glória do Ser Supremo, o primeiro cuidado será agora que a Palavra Divina, ou seja o Logos, brilhe na Loja e dirija a actividade construtora dos obreiros no Templo simbólico. Com este fim, estando todos os representantes de pé e à ordem, o 1° Vigilante, acompanhado pelo Mestre de Cerimónias, encaminha-se solenemente ao Altar, para abrir o Livro Sagrado e o Compasso, dispondo oportunamente este e o esquadro sobre as misteriosas palavras com as quais se inicia o Evangelho de S. João.

Ao se pronunciarem estas palavras, brilha a luz do Delta e toda a Loja se ilumina completamente para que os trabalhos se possam desenvolver em ordem e harmonia, manifestando-se efectivamente a presença do Grande Arquitecto no interior de todos os presentes, como Ideal Inspirador da actividade.

Encerramento dos Trabalhos

Antes de proceder ao encerramento dos trabalhos, concede-se a palavra “a bem da Ordem, da Oficina em particular, e da humanidade”, depois do que circula o tronco da solidariedade.

Com o primeiro destes dois actos dá-se a todo irmão que o desejar a oportunidade de falar sobre algum assunto particular do seu interesse, dirigindo a atenção da Loja para ele. Também, nesta ocasião, aproveita-se para apresentar as escusas dos irmãos que não tenham podido assistir à presente, e para saudar os irmãos visitantes que representam suas respectivas Lojas. Estes, igualmente, podem tomar a palavra, trazendo à Loja a expressão dos seus sentimentos fraternos, assim como as mensagens especiais das quais tenham sido encarregues, estreitando-se assim, intimamente, as relações de amizade entre as diferentes Lojas.

Pelo segundo acto, cada Maçom expressará a sua solidariedade com toda a Família Maçónica e Humana, por meio de uma contribuição proporcional às suas possibilidades e depositada secretamente no tronco, que será destinada a aliviar as desgraças alheias, ou servirá de cooperação para alguma obra benéfica.

O encerramento dos trabalhos verifica-se de forma inversamente análoga à cerimónia de abertura: tendo sido concedida a palavra, circulado o tronco, e feita a leitura da acta do Secretário (é mais conveniente que isto seja feito ao término da própria reunião, em vez de a deixar para a seguinte, para que todos possam melhor julgar a sua exactidão), o Venerável informa-se se os irmãos das duas colunas estão contentes e satisfeitos.

Este será, pois, a atitude de todos os irmãos na Loja, quando os trabalhos tiverem sido convenientemente conduzidos. Obtida a confirmação de que assim é, o Venerável pede informação ao 1º Vigilante sobre a idade e a hora, e como estas são justas, anuncia por meio dos Vigilantes a toda Loja que vai proceder ao encerramento dos trabalhos, requerendo-se para este acto, a cooperação unânime de todos os presentes, da mesma forma que para a abertura.

Feito o anúncio, com o fim de que todos os irmãos se disponham em atitude conveniente para participar da cerimónia, a palavra sagrada passa do oriente ao Ocidente, e do Ocidente ao Sul por meio dos Diáconos, e, sendo devidamente recebida pelo 2º Vigilante, este o anuncia, comunicando que todo está justo e perfeito.

Pode agora proceder-se ao encerramento propriamente dito, que é feito por intermédio dos golpes simbólicos repetidos pelas três luzes, e mediante a fórmula pronunciada pelo Venerável Mestre com o qual se declaram fechados, seguindo-se também a esta declaração, o sinal e a bateria.

Então o 1º Vigilante, acompanhado pelo Mestre de Cerimónias, procede ao encerramento do Livro e do Compasso, e apaga-se a Luz do Delta, depois do que se apagam as três velas simbólicas, que correspondem às três luzes da Loja, com palavras análogas às que foram pronunciadas ao serem acesas.

Antes de se separarem, é costume jurar segredo sobre os trabalhos dos quais os presentes acabam de participar. Este segredo construtivo representa o silêncio que deve preceder a toda nova actividade, podendo-se compará-lo à escuridão protectora, que dentro do seio a terra, favorece à germinação da semente nos seus primeiros estados até que tenha aberto o seu caminho para a Luz.

Depois disto procede-se à formação da cadeia, manifestando esta de forma tangível o laço de fraternidade que deve existir entre todos os maçons, símbolo da união íntima de todas as boas vontades, necessária ao triunfo das boas causas e ao progresso da humanidade.

É conveniente que se dedique este momento que precede à separação dos irmãos ao recolhimento por alguns instantes, concentrando-se a mente sobre alguma afirmação que o Venerável Mestre possa ter sugerido.

Maxell Egens

(Continua na Parte IV)

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