Símbolo (definição em dicionário): objecto físico a que se dá uma significação moral fundada em relação natural; imagem empregada como sinal de uma coisa; substituição do nome de uma coisa pelo nome de um sinal; emblema; (psic.) ideia consciente que representa e encerra a significação de outra inconsciente.
.
Sinal: coisa que serve de advertência; meio de transmitir a distância, mas à vista, ordens, notícias etc.; manifestação externa; indício; marca; gesto, letreiro.
Em grego: símbolo significa ENCONTRO.
A Maçonaria proporciona aos seus afiliados a oportunidade do autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Nós, como seres conscientes, projectamos as nossas ideias e emoções para tudo que nos cerca, para as pessoas e o mundo; isso é feito a todo o momento e por vezes inconscientemente. Por um processo instantâneo, neste momento ao ouvir ou ao ler este trabalho, o nosso envolvimento emocional e de ideias são activados realizando conexões, armazenando dados, comparando situações, criando e possibilitando processos novos de conhecimentos ou simplesmente rejeitando tudo a priori sem nada considerar.
O facto de projectarmos as nossas ideias e emoções pode ser considerado também um meio de evitarmos a responsabilidade pelos nossos próprios processos mentais e as suas consequências (como uma fuga pela dispersão da mente).
O conhecimento provoca uma ruptura ou desprendimento com algo que já conhecíamos, pois, para compreendermos alguma coisa precisamos mudar – como a nossa visão, a nossa audição, o nosso paladar, o nosso ponto-de-vista, os nossos padrões de vida… – e quando mudamos, uma nova visão das coisas se instala. Ao mudarmos, a nossa compreensão é ampliada, aumentamos possibilidades, e já não somos o mesmo.
Podemos observar que ao longo da história da humanidade, com o intuito de compreendermos o Homem e o Universo, dividimos o homem em corpo, mente e alma ou espírito; o Cosmos em universos, sois, estrelas, planetas, satélites…; moléculas, átomos, electróns…; classificamos plantas, pessoas, conhecimento, artes… E tão minuciosos somos nas classificações e enquadramentos que esquecemos que a vida não é só um conjunto de partes, mas um TODO único, um campo de manifestações.
Nada existe como unidade isolada, totalmente a parte. O Homem relaciona-se biológica e psiquicamente com o seu campo. A ideia de campo – em qualquer área – é baseada nessa inter-relação, interconexão, interdependência. Há sempre uma interacção entre a unidade e o seu ambiente ou campo. Cada coisa que existe tem um campo que se relaciona com ela própria e com o ambiente.
A linguagem é uma convenção aceita e sedimentada por todos através do som, é um sistema simbólico. As palavras exprimem uma ideia cuja origem se dá através das imagens retidas na memória por intermédio de uma das nossas janelas para o mundo [1]. Os objectos percebidos pela mente (por um processo instantâneo) são retidos e codificados, podendo ser expressos através de sons que são compreendidos e aceitos por todos.
O homem está constantemente transformando a sua consciência e concepção de si próprio e do mundo em expressões, formas e condições que significam e se relacionam. Transforma em símbolos a consciência da sua experiência e assim, explica e procura tornar compreensível a sua própria percepção e concepção do mundo.
Mesmo na ciência vemos que o símbolo constrói o seu mundo conceptual [2]. São linguísticos, matemáticos e figurativos, formando modelos e expressões que possam ter o mesmo significado em qualquer universo em que possam ser aplicados [3].
Um sinal tende a identificar mais do que representar, tem um significado simples. Uma caveira com dois ossos cruzados num rótulo de vidro, p. ex., significa que o seu conteúdo é venenoso. A mesma imagem pode ser usada para representar a morte, tendo um significado mais complexo, tornando-se um símbolo. A palavra “vermelho” significando apenas a cor, é um sinal quando empregada num semáforo; é um símbolo quando representa raiva ou calor.
Um sinal ou signo transmite uma informação ou conhecimento por indicação directa, um símbolo por representação. Os animais aprendem a usar signos ou sinais, mas não simbolizam.
Portanto, o símbolo, primeiro é parte de uma experiência, e depois pode ser usado para expressar essa experiência ou um conceito a ela associado. Somos impelidos a criar uma realidade objectiva às nossas próprias concepções. Um símbolo pode ser um objecto, uma ideia, uma emoção ou um acto, usado para representar um outro objecto, outra ideia etc.
Compõe-se de forma e significado [4] ou componente objectivo e componente subconsciente ou material e psíquico.
Ao vermos uma bola, associamos a sua FORMA à esfera, e esse conhecimento objectivo, material, perceptivo, passa à memória. Pela semelhança ao nosso planeta, pode tornar-se um símbolo do mundo. É isto o que ela significa; o SIGNIFICADO é o factor subconsciente, psíquico ou conceptual e emocional, que é representado pela FORMA. Um símbolo completo compõe-se de FORMA e SIGNIFICADO. Em termos da Lei do Triângulo [5], a forma é a primeira ponta, o significado a segunda e o próprio símbolo a terceira ponta.
A forma e o significado sempre são afectados pela experiência e percepção pessoal, pela cultura e por outros indivíduos que também observam e usam os símbolos. Vemos as coisas diferentemente em parte porque a transformação simbólica e a ordenação da experiência são diferentes em cada um de nós; todos nós percebemos, reagimos e simbolizamos de modos diferentes.
Não podemos simbolizar sem PERCEBER, SENTIR e PENSAR. Os símbolos afectam as nossas percepções e emoções; e as nossas ideias e emoções influenciam as nossas percepções e os símbolos que criamos ou apreendemos.
A nossa consciência objectiva apreende e usa o símbolo falando sobre ele, realizando rituais e de muitas outras formas. Se um símbolo se torna predominantemente objectivo, passa a constituir-se um SINAL e não símbolo verdadeiro (por ex. uma linha em ziguezague é usada para representar um relâmpago). Os símbolos religiosos têm a tendência de se tornarem sinais de reacções mentais ou emocionais, tendo o risco de serem entendidos literalmente e não simbolicamente.
Todo símbolo deve conservar uma harmonia ou um equilíbrio nos seus componentes objectivos e subconscientes, promovendo um desenvolvimento daquilo que querem expressar. Cumprem várias finalidades: necessidade de ordem, comunicação, preservação de conhecimento, auto-expressão, recordação e instrução, meditação e concentração…
O homem tem plena consciência da dualidade da manifestação, como exemplo, matéria e mente. Através dos nossos sentidos, percebemos a nós mesmos (EU), e ao mundo que nos cerca que é um componente exterior (NÃO-EU). Apreendemos a ambos e formando uma triangulação teremos:
Os símbolos possuem uma dinâmica latente perfeita e componentes subliminares [6] que podem esclarecer questionamentos presentes ao longo das épocas em que são estudados. Com este carácter dinâmico podem ser afectados pelo grupo cultural e pelas pessoas que o utilizam, sem perder as suas características essenciais.
Podem ser herdados de outras épocas, baseados em culturas ou experiências pessoais anteriores, ou ser transmitidos de uma geração para outra na consciência colectiva (cruz, pomba, roda dentada…).
Podem migrar sendo transmitidos a longas distâncias e por longos períodos de tempo. Evidencia-se mais através do comércio, intercâmbio turístico entre povos e países, e hoje com o advento da internet podendo dar-se pacificamente ou por um conflito [7].
Os símbolos naturais têm aceitação generalizada, pois se relacionam com experiências humanas comuns:
- árvore – vida;
- cor branca – ideia de pureza;
- cobra – renascimento (abandona a pele sugerindo nascer de novo);
- nuvem escura – sugere-nos tudo o que está associado a uma tempestade;
- bola ou esfera – representa o mundo, o universo ou o todo;
- livro – conhecimento;
- ovo – símbolo do Universo como uma grande célula onde se supunha estar a energia vital;
- corrente ou escada – hierarquia;
- jardim – as ideias do homem a seu próprio respeito;
- dedo indicador levantado aos lábios – silêncio;
- dedo indicador apontando – gesto para indicar entre, ou para sair, direccionando;
- montanha – altura, galgar, ascensão.
Todas estas considerações são possíveis pelo nosso grau de consciência. E o que determina os diferentes graus de consciência? Se tudo possui vida, porque não possui igualmente consciência? Para nós existe uma resposta: COMPLEXIDADE.
Somos seres complexos, portanto conscientes. Criamos conexões entre eventos. Uma correlação entre duas coisas é uma relação cooperativa, isto é, o conhecimento sobre uma das coisas, diz algo sobre a outra. Quanto maior o número de correlações, mais ampla será a informação, isto é, maior será a complexidade. Quanto mais você interage com o universo, mais você conhece. Com isto, o aprimoramento produz complexidade maior e, portanto, mais informações.
Quanto maior for a ordem (como regularidade, método, lei, modo, maneira, disciplina), mais informação você obterá, e inversamente quanto maior for a desordem, menos informações você obterá, as suas dificuldades serão maiores.
A nossa vida – desde a concepção até à transição [8] – é uma expansão! Temos a fase embrionária, a formação do feto, o ser aeróbico, o crescimento pelas fases que se sucedem (recém-nascido, infância, adolescência, adulto) até a maturidade (nos seus diversos níveis) podendo até alcançar a espiritualidade (algo mais que só a matéria!) que nos mostra que estamos em contínua expansão. O nosso corpo expande-se até determinados limites que são próprios de um sistema pré-organizado, que poderíamos dizer limitado [9]. O mesmo não ocorre com o sistema do cérebro. Ele coordena, mantém, supre, organiza, dirige e cria o que for necessário para o sistema físico. É o grande dirigente do laboratório que é o nosso corpo. Podemos expandi-lo e é o que estamos fazendo na nossa Ordem.
Quando o homem se relaciona com o ambiente, começa a ter a consciência, a “descobrir” uma dimensão maior do que aquela que atribui a si mesmo, pois, o seu universo não é maior do aquele que o circunda. Percebe que a expressão da vida, segue uma ordem universal, uma “disciplina” constante e imutável [10]. Esta ordem inexorável é um ritual que se repete continuamente, mostrando e sugerindo a necessidade de mantermos sempre um equilíbrio nas acções.
O movimento do sol, e dos planetas, os ciclos da existência e da Natureza, as estações do ano, são sentidos e observados por todos os seres viventes – cada qual com o seu grau de consciência – que pela sua constante, ininterrupta e implacável periodicidade, nos insinuam, inspira, sugerem “ritos”, constituindo-se símbolos vivos dinâmicos da perseverança e continuidade nas acções.
Ao verbalizarmos qualquer experiência, estamos simbolizando esta experiência; é um produto da compreensão dessa experiência. Pensamentos, conceitos e emoções são as nossas reacções à experiência; tudo o que nos acontece acaba sendo reflectido pelas nossas emoções. A nossa conduta, atitude e expressão verbal representam-nos sempre, tanto para nós mesmos como para os outros. Sem percebermos, acabamos cristalizando-nos de tal forma, que podemos passar uma imagem que pode não coincidir com o nosso Ego, mas é real para o outro que observa, reflecte e avalia.
Toda a movimentação estelar e a periodicidade das estações do ano, insinuaram e inspiraram “ritos” [11] pela sua repetição contínua, constituindo símbolos vivos dinâmicos de perseverança e continuidade nas acções. Poderemos deduzir como consequência, que tudo que existe na natureza forma um encadeamento de causas e efeitos que se multiplicam infinitamente.
A simbologia maçónica tem-se constituído um meio de preservar os nossos ideais, a nossa filosofia, os nossos princípios para as futuras gerações (hoje, nós!). Os símbolos na Arte Real [12] indicam a ordem, a harmonia, a unidade do homem, do Universo, da Criação, a similaridade do macro e do microcosmo. Esta herança esotérico-cultural tem sido transmitida pelas épocas e de uma região para outra, conseguindo carregar toda a carga cultural dos diversos períodos históricos sem perder a sua identidade e filosofia. A sua filosofia não se adapta, é permanente, pois baseia-se em princípios que constituem e mantém o homem em convívio permanente procurando elevar e dignificar a humanidade.
O Maçom deve procurar trabalhar e manter na sua vida o sentido de: força, objectividade, ordem, exactidão, medida, acção, equilíbrio e harmonia na dinâmica da sua vida. Como há diferenças de personalidade, alguns serão mais eficientes que outros mostrando, por exemplo, maior equilíbrio, mais ordem, objectividade ou reunindo dois ou três desses elementos ou todos eles. Devemos buscar tê-los como um todo, daí o nosso esforço e dedicação ao estudo maçónico, à importância da frequência às sessões, pois assim estaremos sempre somando conhecimento, experiências e continuamente criando ideias que como sementes tornar-se-ão frutos que serão um auxílio no crescimento de Irmãos e profanos.
José Eduardo Stamato – M∴ I∴
Notas
[1] O nosso contacto com o mundo exterior faz-se pelos nossos sentidos de visão, audição, olfacto, paladar e tacto que limitam o nosso conhecimento, pois que nem tudo que percebemos pelos sentidos tem o crédito da verdade.
[2] Conceptual – relativo à concepção. Concepção – geração; faculdade de perceber; conhecimento; acto de fazer ideia.
[3] Sendo a ciência objectiva e experimental, aparentemente não faz apreciação de valores, mas as atitudes e emoções do experimentador podem influenciar o contexto, fazendo parte integrante do método e dos resultados.
[4] Forma – modo sob o qual uma coisa existe ou se manifesta. Significado – significação. Significar – ter o sentido de; exprimir; querer dizer. Significação – aquilo que as coisas querem dizer; aquilo que significa alguma coisa.
[5] Lei do Triângulo – consideramos que existem sempre duas qualidades ou fases de coisas; da sua ligação ou combinação surge uma terceira ou nova condição ou estado, manifestando os atributos de ambas as qualidades quando isoladas.
[6] Subliminar- que não passa do limiar da consciência; que não chega a penetrar nela; subconsciente.
[7] Um conquistador impõe a sua cultura, e por outro lado, um povo conquistado pode absorver a cultura do conquistador acabando fundindo as duas culturas.
[8] Transição – mudança de estado provocada pela decomposição dos elementos que compõe o corpo; morte.
[9] Actualmente a ciência ultrapassou estes limites naturais com o avanço da engenharia genética que altera e manipula o código genético, comprometendo de modo irreversível a sustentação moral e física da Humanidade como hoje a concebemos.
[10] Imutável tendo como parâmetro a nossa passagem pelo planeta, que com relação ao Universo é efémera e insignificante.
[11] Rito – dinâmica que se objectiva um conhecimento e a fixação de padrões de comportamento, expressão e atitudes com base em verdades reveladas por intermédio de símbolos, sinais, lendas… que deverão ser compreendidos e assimilados interiormente.
[12] Arte Real – uma das antigas denominações da Franco-Maçonaria, presumindo-se por ser exercida a arte de conhecer e realizar o Eu pela prática do processo iniciatório fazendo daquele que é introduzido na Ordem, um Senhor de si mesmo e da natureza. Em 27 de Novembro de 1774 o Grande Oriente da França substituiu essa antiga denominação por Ordem Maçónica.
Bibliografia
- “Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons”, Alec Mellor – Ed. Martins Fontes
- “Dicionário de Maçonaria”, Joaquim Gervásio de Figueiredo – Ed. Pensamento
- “Enciclopédia e Dicionário Internacional”– W. M. Jackson, Inc.
- “Glossário Esotérico”, Trigueirinho – Ed. Pensamento
- “Introdução à Simbologia”– Biblioteca Rosa-Cruz – AMORC
- “Ritual do Grau de Aprendiz”– GOSP – GOB
- “Símbolos da Ciência Sagrada”, René Guénon – Ed. Pensamento

- A liberdade na interpretação da simbologia maçónica
- George Washington: Mestre Maçom fundador dos EUA
- Maçons notáveis – L
- Os Benefícios de Ser Maçom
- Mas afinal, o que é Maçonaria?

