A cabala e a Maçonaria: reconhecimento de uma ancestralidade judaica (I)

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A raiz simbólica e mística

Todos procuramos algo. Uns procuram segurança, outros prazer ou poder. Há aqueles que sabem o que procuram, mas não podem encontra-lo no mundo material. Os traços estão em toda a parte, embora apenas aqueles com olhos para ver ou ouvidos para ouvir o percebem. Quando o significado desses sinais é entendido, a Providência abre uma porta para o sobrenatural para revelar uma escada do transitório para o Eterno. Aquele que ousa a ascensão entra na via da Cabala.

Z’ev Ben Shimon Halevi,
O Caminho da Cabala.

Discute-se a influência do judaísmo e em particular da Cabala na formação da Filosofia maçónica, mas isso é rejeitado por vários autores que o entendem fantasioso e restringem a origem do pensamento maçónico ao Novo Testamento e ao Cristianismo. Se A chamada Maçonaria Especulativa teve origem nos maçons operativos, nas corporações medievais e na arte de construção de catedrais, mosteiros e edifícios religiosos a influência judaica é nula ou muito reduzida, alegam os tradicionalistas. A Maçonaria moderna foi criada em Inglaterra por maçons que obedeciam à Igreja Anglicana ao rei como Guardião da Fé. Os judeus existiam mas tinham reduzida expressão no funcionamento da Grande Loja de Londres.

Esta é a linha da argumentação tradicionalista.

Mas façamos uma pequena resenha histórica. Por édito do Rei Eduardo I de 18 de Julho de 1290, o Rei expulsou os judeus de Inglaterra, uma população estimada entre 16 000 e 40 000 pessoas, chegadas ao país depois da batalha de Hastings (1066), na sua maioria originários da Alemanha e da Itália.

A situação dos judeus havia-se já degradado durante o reinado de Ricardo Coração de Leão (1189-1199), logo a seguir ao regresso das Cruzadas e foi levado a um ponto dramático durante o mandato de João sem Terra que revogou em 1275 o “estatuto do judaísmo” aprovado por Eduardo I. Este monarca proibiu os empréstimos mutualistas pelos judeus reservando-os aos mercadores vienenses, católicos, e por essa via impedindo o acesso dos judeus às guildas de mercadores. A situação tornar-se-ia insustentável com a decisão do arcebispo da Cantuária de encerrar todas as sinagogas do reino.

A situação de exclusão dos judeus teria uma evolução positiva no reinado de Isabel I (1558-1563) a qual restabelece a Igreja Anglicana e possibilita, nalgum clima de tolerância, o ressurgimento de uma comunidade judaica formada sobretudo por mercadores e médicos [1]. Entre 1630-1632, uma nova comunidade judia implanta-se sendo constituída por refugiados vindos de Amesterdão, do Brasil e da Indonésia. Olivier Cromwell possibilita um acrescido regresso dos judeus a Inglaterra mas é apenas no reino de Carlos II (1660-1685) um rei que não obstante ser católico assegura a protecção oficial aos judeus em 1664, ampliando-a para a liberdade de culto em 1685. Com as guerras napoleónicas e a ajuda da família Rothschild à coroa inglesa os judeus podem pela primeira vez participar na vida política inglesa e em 1855 Londres tem o seu primeiro maire de origem judaica, o primeiro lorde judeu em 1858 até à nomeação de Benjamim Disraeli como primeiro-ministro em 1868, servindo dois mandatos [2].

De origens judaicas Disraeli converteu-se o anglicanismo com doze anos de idade. Apesar de sua conversão, Disraeli nunca abandonou totalmente a sua identidade judaica. Orgulhava-se de sua herança judaica e muitas vezes a usou para sua vantagem política. Por exemplo, uma vez ele disse que era “um judeu, mas um cavalheiro cristão.” Ele era membro de várias sociedades secretas, como a Ordem da Jarreteira e os Rosacruzes mas não é claro que tenha sido Maçom, não havendo registo oficial de sua inclusão em qualquer loja maçónica.

Como diz a lenda no Dia de S. João, 24 de Junho de 1717, quatro Lojas de Londres, que já existiam há algum tempo, reuniram-se na Taberna Ganso e Gridiron junto à Igreja de São Paulo, declararam-se em Grande Loja e elegeram Anthony Sayer como seu primeiro Grão-Mestre. Este foi a primeira Grande Loja do mundo bem como a origem da Grande Loja Unida da Inglaterra.

Segundo uma definição usual no século XIX, a Maçonaria é um sistema peculiar de moralidade, velado por alegorias e ilustrado por símbolos. A Maçonaria desenvolveu-se no sistema cultural ocidental, a saber a cultura anglófona, marcada por uma dimensão cristã explicita, tanto nos valores éticos e morais, como numa religiosidade intimista e numa ritualística eivada de sobriedade.

Embora alguns tentem associar a maçonaria aos mistérios egípcios [3] é mais correcto dizer que as alegorias usadas em Maçonaria são inspiradas em mitos e fábulas do Antigo Testamento [4] e os símbolos que utiliza como material de aprendizagem eram os usados pelos talhadores da pedra, ou cantoneiros do período medieval.

A influência da Cabala em Inglaterra

A palavra ‘cabala’ vem do hebreu “KBL” e significa ‘receber’ ou ‘aquilo que foi recebido’. Refere-se a uma tradição muito antiga, a uma sabedoria antiga acarinhada e desenvolvida no mundo judaico e mantida durante séculos acessível a um pequeno círculo de seguidores.

A Cabala desenvolveu-se em comunidades judaicas emigradas na Europa do Norte e na Hispânia através do estudo e comentário dos cinco livros do Pentateuco que formam a Tora judaica. Estes são o Génesis (Bereshhit), o Êxodo (Shemót), o Levítico (Vayikrá), os Números (Bamidbar) e o Deuteronómio (Devarim) [5]. A autoria do Pentateuco é atribuída por autores a Moisés que o terá escrito sob iluminação divina. Outros argumentam que foi escrito por quatro autores diferentes, ou “fontes”, durante um longo período de tempo. Estas fontes são tipicamente identificadas como J (Yahwist), E (Elohist), D (Deuteronomist), e P (Priestly). Cada fonte tem seu próprio estilo único e perspectiva teológica.

Existem três diferentes redacções do Pentateuco: a judaica, a samaritana, a grega na versão dos Setenta (Seputaginta) e a latina usualmente chama Vulgata. A redacção judaica foi vocalizada pelos rabinos massoretas no século VII d.C. A versão corrente dos livros do Antigo Testamento incluída nas Bíblias na versão internacional, na edição dos Capuchinhos diverge significativamente da Tora judaica [6]. A interpretação feita em hebraico antigo e, portanto, reservada aos que dominavam a língua. Só mais tarde aquando da perseguição dos judeus pelas autoridades católicas de Espanha (édito de expulsão de Março de 1492) e o seu exilio em Israel, o conhecimento da Cabala ultrapassou o círculo dos adeptos e tornou-se matéria de grande curiosidade nos círculos intelectuais europeus.

A Tora ou Pentateuco corresponde aos primeiros cinco livros da Bíblia e a expressão torah significa “ensinamento” mas os gregos traduziram-na por “lei” conceito que ficou (e que foi adoptado pelos maçons ao a designarem por “livro da lei da sagrada”). O conjunto do Pentateuco (Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio) é dividido em cinquenta e quatro secções ou parashot que são lidos semanalmente ao longo do ano, de forma solene na sinagoga na presença de dez homens, no mínimo – o minyan – e também individualmente [7].

Desde o século V a.C. existe a obrigação para todos os judeus lerem a Tora, o que acompanhou o desaparecimento dos sacerdotes. Outra fonte importante do estudo religioso é o Talmude que constitui uma recolha de comentários dos rabis explicitando a Tora. O Talmude é composto de dois conjuntos de textos: o Mishna e a Gemara. O Mishna (משנה) é uma compilação das interpretações da Tora feitas pelos rabis saducenos e fariseus nas escolas de Tiberíades depois da destruição do templo. Esta exegese de natureza oral foi passada a escrito no princípio do século III e redigida em hebraico. A Gemara foi escrita tanto em hebraico como em aramai- co por outro conjunto de juristas posteriores aos da Mishna e foi ensinada quer na Palestina quer na Babilónia até ao século V da era cristã. A junção da Mishna e da Gemara toma o nome de Talmude de Jerusalém. A Mishna e a Gemara da Babilónia chama-se o Talmude da Babilónia e é seguramente a mais importante e mais difundida no ensino religioso judaico, hoje em dia [8].

O Talmude da Babilónia impôs-se ao conjunto do judaísmo mundial com as suas 11 800 páginas revelando as opiniões de oito gerações de sábios, opiniões por vezes divergentes. Pela relevância da hermenêutica judaica destaca-se a importância de autores como Pico della Mirandole (1463-1494) que vulgarizou matérias como a Cabala, o Hermetismo e o Neoplatonismo e Johan Reuchlin (1455-1522), autor de dois livros esotéricos importantes para a época, De Verbo Mirifico e De Arte Cabalistica [9]. Reuchlin desenvolveu neste último livro a ideia que os ensinamentos da Cabala e do neoplatonismo têm origem nas mesmas doutrinas místicas através das quais o nome de Jesus foi revelado. O que esses autores trazem de novo é a cristianização da mensagem da Cabala por forma a apresentá-la como a verdadeira teologia judaica em vez dos Talmudes [10]. O argumento é falho de razoabilidade pois o que se pretendia era tornar os ensinamentos judaicos aceitáveis para sociedade cristã medieval uma vez que a circulação das ideias judaicas era considerada contrária à obediência devida à Igreja Católica Romana e ao dogma.

As Constituições de Anderson

Como é tradicional referir-se quando se elabora sobre a maçonaria especulativa a certo ponto da história das guildas e das corporações de ofício em Inglaterra, as comunidades de maçons organizadas em lojas abriram-se a membros que não eram pedreiros (maçons operativos). Porque é que isso aconteceu e como aconteceu é ponto de debate vivo entre historiadores e investigadores da Maçonaria [11].

Escasseiam documentos e testemunhos que o clarifiquem de forma definitiva, já que das reuniões das Lojas operativas não há registos e mesmo os rituais que sobrevieram até aos nossos dias não dão pistas suficientes desta evolução. Sabe-se pela consulta desses documentos (os Manuscritos Harleian nº 2054 [12], Sloan nº 3848 e Sloan nº 3323 [13]), que as Lojas dispunham de uma estrutura simplificada de obreiros organizados em duas classes – aprendizes e companheiros – que os trabalhos eram dirigidos por um Mestre de Obra conhecedor e experimentado que guardava para si os segredos da arte. Sabe-se ainda que uma oração ao Criador precedia os trabalhos de construção já que os artífices tinham a noção que as construções religiosas estavam destinadas a uma comunicação do Homem com o seu Criador e a sua arquitectura tinha de reflectir tal propósito de ascensão e elevação.

Quando a Maçonaria se torna especulativa com a federalização de quatro lojas londrinas na Grande de Loja de Londres e Westminster a abertura da Maçonaria à gentry e aristocracias inglesa torna-se uma realidade [14]. Aliás os membros dessas quatro lojas têm o cuidado de escolher um nobre, Thomas Sayer, como seu primeiro Grão-Mestre, a que lhe sucedeu Samuel Payne e John Theophilus Desaguliers, cientista, clérigo, engenheiro, filósofo [15].

Desaguliers era um huguenote de origem francesa que fugiu de França com a sua família após a revogação do Édito de Nantes em 1685. A família estabeleceu-se em Inglaterra, onde Desaguliers foi educado na Merchant Taylors’ School e Trinity College, Cambridge. Desaguliers era amigo próximo e associado de Isaac Newton, e ajudou a popularizar as teorias de Newton através de suas palestras e escritos. Era membro de várias lojas maçónicas e ajudou a codificar as regras e regulamentos da maçonaria.

É Desaguliers que incumbe James Anderson, escritor e pastor escocês de compilar os antigos rituais da Ordem, os rever e lhes dar uma sistemática que se transforma nas Constituições de Anderson, cuja dedicatória é obra de Desaguiliers, o Grão-Mestre adjunto [16]. Anderson era um dos membros do colégio de oficiais das Grande Loja inglesa que trabalhou na reformulação dos estatutos da Ordem Maçónica embora não se pode dizer que o tenha feito em exclusivo até porque Anderson era um pastor da igreja escocesa em 1707, tendo mudado para Inglaterra em 1710 tornando-se Grande Vigilante da primeira obediência inglesa em 1721. Por isso é de admitir que alguns desses membros, intelectuais e aristocratas, conhecedores da astrologia, da alquimia, e da cabala tenham passado algumas dessas ideias para o texto das Constituições.

Se o fizeram por razões de prestígio ou para captar a atenção da nobreza é algo que de desconhece, mas é sintomático que em 1721 o Duke de Montagu seja eleito Grão-Mestre. Montagu era membro do Colégio Real dos Médicos, cavaleiro da Ordem de Garter e membro da Royal Society. Desde essa data todos os Grão-Mestres eleitos foram ou um nobre ou um membro da família real. A Royal Society, a mais antiga instituição científica do mundo, era o ponto de reunião dos espíritos mais avançados da época, designadamente Elias Ashmole, Robert Moray, Isaac Newton ou John Pearson, alguns destes identificados como maçons [17]. É dois anos depois de Montagu ter sido eleito Grão-Mestre que Anderson é encarregue da tarefa de compilar e escrever as Constituições dos Maçons. Tratou-se da primeira tentativa de “padronizar” a maçonaria e torná-la mais conhecida do público. O livro foi muito bem sucedido e reimpresso muitas vezes durante o século XVIII.

O texto apresenta-se dividido em três partes: a história da Maçonaria, os Deveres dos Maçons e os Regulamentos Gerais, estes compilados por George Payne, o segundo Grão-Mestre da GLL. Na parte histórica, terá sido James Anderson o seu redactor, narram-se eventos que são igualmente usadas pelos mestres da Cabala para exemplificar os ensinamentos, como o papel reservado por Deus a Adão na Criação, Noé e o Grande Dilúvio, a acção de Abrão, Moisés e Salomão como profetas e líderes de Israel e em particular o papel de Salomão com construtor do primeiro Templo de Jerusalém. Importa ter em conta, como reza o amplo título da Constituição [18]:

A Constituição, história, leis, deveres, ordens, regulamentos e usos da Muito Venerável Fraternidade de Franco-maçons aceites a partir dos seus registos gerais e das suas fiéis tradições de muitas épocas para ser lida na admissão de um novo Irmão, quando o Mestre (ou o Vigilante) começar ou ordenar que outro Irmão o faça como se segue.

Esta predominância dos patriarcas de Israel (e das suas obras) nos rituais maçónicos é tudo menos estranha e indicia que provavelmente, de forma indirecta, o misticismo judaico veiculado pela Cabala influenciou a dimensão espiritual e esotérica da Maçonaria Especulativa em sua sede constitucional. E se as lojas foram ao princípio formadas por cristãos, a explosão demográfica que ocorreu no fim do século XIX, em Inglaterra, permite-nos inferir que os judeus começaram a ser admitidos nas lojas maçónicas.

Lembra Newman que se em 1717 existiam mil judeus em Inglaterra, no fim do mesmo século ascenderiam a 25 000 [19]. Registos da Grande Loja de Londres e das lojas citados pelo mesmo autor mostram nomes judeus como Benjamin Deluze, Simon Andell, Solomon Mendez, Meyer Schomberg, Benjamin da Costa ou Isaac Barrett a fazerem parte do elenco de grandes oficiais da GLL. Ridley aponta que judeus foram admitidos na maçonaria talvez em 1724, mas seguramente em 1732 [20].

Esta integração de pessoas que haviam sido excluídas em dinastias anteriores não seria possível se o espírito do século XVIII não fosse cosmopolita e aberto a credos exteriores às denominações cristãs. Platigorsky aponta que a principal razão para um judeu pertencer a uma loja maçónica era ser judeu numa instituição não ligada a uma religião mas incluído no espírito universalista e cosmopolita da mesma [21]. E sublinha que desde o ano 1750 e seguintes os judeus maçons eram bem conhecidos, sobretudo nas lojas em Londres pela sua eloquência em temas religiosos e pela sua determinação em disputas oratórias com os mais famosos oradores daquele tempo.

Quer dizer, quinze anos depois da criação da Grande Loja de Londres, a maioria absoluta de cristãos na maçonaria inglesa havia sido ultrapassada. Em 1737, o duque de Sussex usou a sua posição como Grão-Mestre para encorajar católicos romanos e judeus a se tornarem maçons. A proibição dos judeus na Maçonaria havia sido baseada no preconceito anti-semita. Na época, os judeus eram amplamente vistos como diferentes dos cristãos e muitas vezes eram excluídos das organizações sociais e profissionais. Os maçons não eram excepção, e eles viam os judeus como sendo incompatíveis com os valores da organização [22].

Judaísmo: enquadramento

O judaísmo é a religião dos judeus e funda-se na aliança entre o deus único, da justiça e da misericórdia e o conjunto da humanidade que sobreviveu ao Dilúvio, mandatando um povo escolhido para ser o destinatário da Lei que lhe entregou por Moisés. O fundamente da religião judaica é um monoteísmo exclusivo que se revela na oração feita pelo crente ao longo da vida, o Shema Israel: Escuta oh Israel, O Eterno é o teu Deus e o Eterno é só um.

Esta exigência complementa-se com a dimensão de misericórdia patente em Deuteronómio 10-17 e 18: Amai o estrangeiro pois no país do Egipto fostes todos estrangeiros. O que leva a esta injunção: Tu deverás amar o teu próximo como a ti mesmo (Levítico 19:18). É-se judeu por duas formas ou por nascimento ou por conversão. O sinal da aliança com Deus é feito para os rapazes ao oitavo dia do nascimento por circuncisão do pénis e para os adolescentes e adultos na data da conversão depois do banho ritual que lava o crente das suas imperfeições e pecados (miqveh) ( מִ קוָה). Na data em que o rapaz atinge os treze anos torna-se adulto do ponto de vista religioso pela cerimónia do bar-mitzva ( בר מצוה), que lhe confere a capacidade de fazer parte da comunidade de estudo da Tora, a lei escrita e da halaka (הֲלָכָה), a lei oral. Um outro ponto da “crença” judaica é a observância do Shabbat por todos, homens, mulheres, crianças, mestres e servidores.

A destruição do Templo levou à eliminação dos sacrifícios e das oferendas de animais os quais foram substituídos por orações e de boas-graças o que acompanhou o desaparecimento dos sacerdotes. Os rabis dirigem a comunidade dos fiéis que se reúne nas sinagogas que é tanto lugar de estudo como de culto. O rabi não é um guru ou padre e não tem semelhança como o clérigo nas congregações cristãs. Ele ensina e transmite a lei, escrita e oral, mas cabe aos fiéis questionar e discutir com regularidade os seus ensinamentos. O culto faz-se em comunidade de pelo menos dez homens, o minyan, ou em casa. O calendário judaico compõe-se de 354 dias sendo adicionado um décimo terceiro mês em certos períodos. A data da criação do mundo é segundo a tradição em 3761 antes da nossa era. O ano 2000 da era Cristã corresponde ao ano 5760-5761 do calendário judaico. O calendário judaico é marcado por várias festas solenes: o rosh há-shana ( ראש השנה) – que comemora o novo ano, o yom kippour (יוֹם כִפּוּר), o dia do perdão, do recolhimento e da reconciliação entre todos, o soukkot (חַ ג הַ סֻּכּוֹת) a festa das colheitas, o pessah (פסח) ou páscoa que assinala a libertação do cativeiro no Egipto e a lembrança do Êxodo. Também importantes o Shavuot a festa que assinala a entrega das Tábuas da Lei a Moisés (שבועות) (no Monte Sinai), o purim (פּוּרִ ים) que comemora a vitória de Esther deportada para a Babilónia que se torna rainha dos persas e salvou os judeus do massacre, o hanoukha ( חנוכה) que assinala a vitória dos macabeus sobre os sírios.

Cabala e Maçonaria: o sistema dos 10 Sefirot

A abertura dos círculos intelectuais ingleses a ideias exteriores ao ensino escolástico acompanha a chegada ao país de pessoas provindas da Europa central, entre eles alquimistas e hermetistas que fugiam da Guerra dos 30 Anos procurando um espaço de tolerância e encontrando-o nas Ilhas. Para os cabalistas e para os judeus Deus colocou o homem no centro do universo e retirou-se para que o Homem ocupasse o Seu lugar. Dando autonomia ao Homem ele dispõe de livre-arbítrio e é responsável pelas suas decisões. O homem é para a Cabala o criador de si-mesmo e a sua vida uma viagem através de várias etapas iniciáticas que o sequaz deve percorrer pois “conhecendo-se a si mesmo conhecerá os outros passando do “ser aquilo que és” descobrirá o que será [23].

Se Deus “é o que é e será” os homens são um “vir a ser”. Por isso na Cabala – como na Maçonaria – é indispensável um longo caminho, simbólico e espiritual, para assimilar a simplicidade do Criador, através de uma vida dedicada ao estudo, à oração, à introspecção profunda. A Tora associa-se à Maçonaria pela universalidade dos seus ensinamentos e princípios: amarás o próximo como a ti mesmo, respeita o estrangeiro pois já foste estrangeiro em terra do Egipto, é mais grave roubar o empregado do que comer escondido, o sofrimento de um só penaliza todo o mundo. O sonho messiânico torna-se numa fraternidade universal na medida que o judeu reconhece no outro uma centelha divina, o ajuda a se exaltar a fim de dar um sentido pleno à sua vida e se torna capaz de se aperfeiçoar. O estudante da Cabala usa os sefirots para se encontrar e ao fazê-lo encontra Deus, o seu Criador.

Existe um ponto de intersecção entre maçons especulativos e cabalistas. Eliphas Levi dizia que a Cabala se pode chamar a matemática do pensamento humano, a álgebra da fé [24]. Tudo na língua hebraica se relaciona com números já que cada letra do abecedário hebraico, formado apenas por 22 letras, tem um valor numérico em si. Os cabalistas chamam gematria a essa tradução das letras em números, o que possibilita que palavras diferentes com o mesmo valor numérico tenham, segundo a Cabala, alguma relação. A numeração tem por base os dez primeiros números; daí os dez sefirotes da Árvore da Vida. Esta é o epicentro da hermenêutica cabalística, da relação do Homem com Deus, com a Natureza e consigo próprio.

Os dez sefirotes, diz Gershom Schölem são as dez categorias primitivas que constituem o mundo da unidade divina e do seu desenvolvimento [25]. Deus está para além da compreensão humana, da sua percepção. De Deus emanam dez sefirotes através dos quais o mundo é criado, os quais são ao mesmo tempo criados por Deus e parte de Deus. Deus está para além da definição dos dez sefirot, para além do primeiro o Keter (ou coroa) porque Ele é Ein Sof -sem fim, sem limite. Ein Sof designa a essência inconhecível, transcendente da essência de Deus [26].

Também em Maçonaria tudo se relaciona com os números (e a geometria). Três, cinco e sete são respectivamente as idades do Aprendiz, Companheiro e Mestre. Por três degraus se sobe ao Oriente onde está o Mestre da Loja. Por detrás o Delta com o Olho em Expansão ou a letra Iod [ י] inscrita no centro de um Triângulo. A letra Iod vale em gematria 10 e é o fim da sequência dos dez primeiros números, o que significa que com ela a divisão é reconduzida à unidade (Um).

Três dirigem a Loja: o Venerável Mestre, o Primeiro e o Segundo Vigilantes. Sete Mestres a tornam Justa e Perfeita. Três são as Luzes da Maçonaria: o esquadro, o compasso e o Livro da Lei. Três são as colunetas da Loja [27]. As duas primeiras luzes são símbolos operativos, a terceira a vontade e a palavra de Deus vertida nas escrituras. Três velas, três batidas na porta, três tempos da vida, três batidas do malhete do V.M., do Primeiro e Segundo Vigilante em vários aspectos de condução do ritual dos trabalhos, três obrigações do Maçom: para com Deus, o vizinho e consigo próprio. A letra do abecedário hebraico que vale três é Gimel ( ג) [28].

Porque a Maçonaria surge da necessidade de aperfeiçoamento do homem ensinada pelo catolicismo e depois pelo protestantismo, a imagística da Santa Trindade é-lhe muita cara. E se ela não é explicitamente invocada (Deus, Filho e Espírito Santo) paira no imaginário dos que seguem e veneram o Novo Testamento. Em nenhum grau como no Dezoito do Rito Escocês Antigo e Aceite essa valoração está presente. Trata-se do grau de Cavaleiro Rosa-Cruz ou Cavaleiro da Águia e do Pelicano.

Qual é a origem da relevância dos números em Maçonaria é ponto controverso. Mackay refere na sua Enciclopédia que a numerologia é uma forma de ocultismo em que propriedades mágicas são atribuídas aos números, conhecimento que foi experimentado na Europa desde o século XIII. Recusa, contudo, qualquer ligação entre maçonaria e numerologia citando William Preston como autor dos textos que deram origem ao ritual do segundo grau de Companheiro qualificando-o como um “cristão ortodoxo” para quem qualquer forma de ocultismo seria “aberrante” [29].

O argumento de MacKay não convence. Grande parte dos membros da Royal Society, que eram também maçons, conheciam textos rosa-cruzes, cabalistas e do hermetismo ocidental que eram matéria de grande interesse nos círculos eruditos ingleses. Se a origem dos rituais era cristã – os maçons operativos e as by-laws – naturalmente não seria aconselhável assumir essa ligação judaica. Recorde-se que os judeus foram expulsos de Inglaterra em 1290 por édito do Rei Eduardo I [30]. Desde essa data até à república de Cromwell (1649-1659) foi-lhes proibida a organização confessional, mas não é de excluir que continuassem a praticar a sua religião em privado, como aconteceu com os cristãos-novos portugueses. Sabe-se que uma pequena comunidade de judeus sefarditas identificada em 1656, foi autorizada a permanecer em Inglaterra.

De acordo com os historiadores ingleses, Cromwell foi um antigo judeu que ajudou a desmembrar a Igreja Católica em Inglaterra, actuando como mentor da separação da Grã-Bretanha da Igreja Romana, e afirmando a soberania do monarca britânico como o líder supremo da Igreja da Inglaterra [31]. Ragon tem uma posição mais realista porque reconhece não haver no saber antigo fronteiras delimitadas. Diz ele em Maçonaria Oculta [32] ”as leis misteriosas que governam o mundo invisível, conhecidas desde tempos antigos, deram origem a uma ciência que mais tarde foi chamada de cabala ou tradição sagrada”.

E continua “essa ciência é independente de épocas e formas religiosas: orientais, indianos, árabes ou hebreus; Europeus, católicos, gregos ou protestantes, aceitam igualmente princípios e combinações”. A doutrina cabalista, lembra, foi durante muito tempo a religião dos sábios e dos eruditos, porque, como a Maçonaria, tende, incessantemente, à perfeição espiritual e à fusão de crenças e nacionalidades entre os homens. Aos olhos do cabalista, todos os homens são seus Irmãos, e sua relativa ignorância é, para ele, apenas uma razão para educá-los.

Sendo o templo maçónico uma repristinação do simbolismo do Templo de Salomão, as três colunetas que se posicionam sobre o pavimento mosaico, em determinada disposição (divergindo entre os vários ritos), podem ser associadas a um conceito cabalístico antigo e a um diagrama singular encontrado no Zohar, que ilustra as emanações de Deus na formação e manutenção do universo. O diagrama também reflete certos estados da realização espiritual no homem. Este diagrama, chamado a árvore da vida ou dos sefirot, consiste em dez esferas conectadas umas às outras por caminhos e que são ordenadas para refletir a sequência da Criação (ver Figura I, adiante) [33].

Albert Pike, o autor e reformulador dos Altos Graus do Rito Escocês Antigo Aceite, foi um reconhecido cultor da Cabala e do Hermetismo [34]. No seu conhecido “Moral e Dogma” reconhece a influência da doutrina maçónica na elaboração do ritual do 32º Grau, Príncipe do Real Segredo da Maçonaria dos Altos Graus, Pike [35] afirma “a tradição principal da revelação única foi preservada sob o nome de “Kabalah”, pelos Sacerdotes de Israel. A doutrina cabalística, que também era o dogma dos Magos e de Hermes, está contida no Sepher Yetsirah [36], no Sohar [37] e no Talmude”.

E continua “de acordo com essa doutrina, o Absoluto é o Ser, no qual A Palavra É, a Palavra que é a declaração e expressão do ser e da vida”. E mais adiante “a palavra é o Primeiro e o unigénito do Pai; e o espanto com que os Mistérios Mais Elevados foram encarados, impôs silêncio em relação à natureza do Espírito Santo. A Palavra é a Luz e a Vida da Humanidade” [38].

De acordo com o ritual deste grau “o homem tem o real segredo – a eterna dádiva de Deus – o Amor. Não pode ser transmitido a ele por outros. Foi encarnado quando o Pai soprou nas suas narinas o sopro da vida, e o homem se tornou uma alma viva. Aprecie esse amor como um atributo divino, um precioso direito por nascimento, o testemunho de que o homem é realmente um filho de Deus” [39].

A procura do segredo torna-se um objetivo importante no maçom elevado ao grau 32 da maçonaria escocesa, uma busca pela relação com Deus, família, vocação e irmãos. Não é uma vaga busca efémera, mas uma meta realizável que pode, e deve, ser feita a actividade de nossas vidas, adita Hutchens [40] referindo-se aos ensinamentos do grau. A inspiração cabalística para este grau, que conclui o sistema do rito escocês antigo e aceito da maçonaria é notória [41].

Mas também o grau 28 do sistema de altos graus do Rito Escocês (Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto) é marcado pela influência cabalística. Este grau é o último grau filosófico do A.A.S.R. e extrai a sua filosofia dos ensinamentos do Hermetismo, da Cabala e do Magismo [42]. O Absoluto, quer diz o que existe por si mesmo, é ensinado pela Razão, e o mal e a miséria – ensina o grau – são oposições necessárias que se unem com as concórdias do universo para fazer uma grande harmonia para sempre. O simbolismo dos Templos de Tebas e Mênfis, do Templo do Sol em Nínive, da pomba branca (Zoroastro, bem, Chesed) e corvo preto (Manes, mal, Gevurah) são apresentados e interpretados à luz da “razão não criada”, da qual o símbolo é o Sol primário.

A Loja organizada neste grau sob a forma de um Conselho, é decorada em cores naturais, representativas do campo aberto, e é iluminada por um grande globo suspenso no sul. No Oriente vê-se o selo do Macrocosmo (o hexagrama de Salomão), com um triângulo apontando para cima em preto e um triângulo orientado para baixo em branco, e sob as palavras “Lux e Tenebris” [43].

No Ocidente está o selo do Microcosmo (Pentagrama) em branco e vermelho. No Sul há uma representação do Templo de Salomão, com um homem a segurar um cordeiro entre as colunas Jachin e Boaz. No Norte visiona-se um símbolo do Zohar, com duas cabeças de homens e braços formando um hexagrama. Em cada canto há um triângulo, branco, preto e vermelho, com as letras hebraicas YOD, HEH e VAV. O altar, no centro, é “Soli Sanctissimo Sacrum”, vermelho, “sagrado ao sol santíssimo” diz o monograma que contém um pentagrama junto com o livro de constituições e um incensário. O Mestre é denominado “Pai Adão”, e usa um manto de açafrão. Um Vigilante denominado “Irmão Verdade”, está no Ocidente e veste um manto rosa. Sete outros oficiais, com o estilo malakim ( מַ לְ אָ כִים ) (reis, enviados, anjos), estão dispersos no Templo e vestem mantos cor de fogo.

As três colunetas da Loja simbólica podem ser associadas aos três ramos da Árvore da Vida que partem da base da figura para o topo (Figura I).

Figura I

(Árvore da Vida)

Vamos imaginá-los (Figura II) como se fossem a materialização da árvore. O braço direito começa em Chochmah (Hokmah na figura) passa por Chesed (Hesed) e Netzach para acabar em Yesod. O braço esquerdo começa em Binah, passa por Gevurah (Geburah) e Hod e termina em Yesod. Yesod é o rei que se une à noiva e forma o reino. O ramo central parte de Kether, passa por Daath, Tifereth, Yesod e termina em Malkhuth. Pelo significante: Coroa, Conhecimento, Beleza, Relacionamentos, Soberania, Adonai. De Deus vem atravessa o homem e regressa a Deus. A comunhão que é Israel, a Terra, a Rainha, a Lua, Adonai.

Figura II

(Os pilares da Árvore da Vida)

Passando pelo significante dos sefirot, na direita, Chohmah representa a sabedoria, o começo, o pai; Chesed o amor, a graça, el; Netzach a vitória, as emoções, a vontade de Deus e intuição, terminando em Malchut o dez que regressa à unidade. No lado esquerdo, começando em Binah, a mãe, a compreensão, o ventre; Geburah, o poder, o julgamento, a estrutura Elohim; Hod, o esplendor, a profecia, a livre vontade; Yesod, a fundação, o relacionamento, o falo masculino e Malkuth.

O sistema dos dez sefirot funciona em mecanismos de equilíbrio duais entre os sefirot e as suas conecções que produzem uma nova síntese, numa nova emanação. De acordo com a figura inferior as emanações estão interconectadas e forma activa em ziguezague (raio flamejante). A partida é Keter e a sua luminosidade encadeia.

Figura III

(Uma progressão em ziguezague)

Conclusão

Sendo a origem da filosofia maçónica atribuída a uma dimensão operativa e construtiva que ancora na Idade Média, nas suas guildas de construtores e artesãos, será redutor esgotar aí as suas influências. Desde logo porque as lojas se transformaram na primeira década do século dezoito em centros de reflexão, de convívio entre homens de diferentes estratos sociais e práticas religiosas e não exclusivamente de operários braçais.

As lojas eram oásis em tempos em que a conflitualidade política era elevada entre grupos que disputavam a influência na sociedade inglesa. Por isso os fundadores da maçonaria especulativa perceberam que era importante terem a protecção, senão o patrocínio da Coroa, para terem influência social e capacidade de captação de novos membros.

Se a federalização das lojas dispersas foi determinante para a criação da Grande Loja de Londres a partir de três lojas existentes em Londres cedo se tornou necessário compilar e sistematizar os rituais manuscritos que eram usados sem grande rigor pelas lojas. James Anderson é encarregue dessa tarefa com o alto patrocínio do Duque de Montagu, grão-mestre ao tempo e de Desaguliers, o seu adjunto.

O texto das primeiras constituições são contudo inovadores porque ultrapassam a limitada base filosófica do anglicanismo e vão buscar ao Antigo Testamento os mitos, as figuras e a simbologia que permitia explicar uma sociedade fraternal na origem secreta com uma filosofia baseada em símbolos e analogias quanto à tutela divina da comunidade dos homens e à necessidade do trabalho para uma maior perfeição. A construção do Templo de Salomão na exaustiva descrição bíblica torna-se a base da elaboração dos rituais no sistema da maçonaria azul e da progressão dos próprios obreiros entre os graus.

Ora o mito da construção do Templo de Jerusalém é um ponto central no judaísmo, na cultura hebraica e na Tora como livro da lei que segundo a tradição foi dado a Moisés por Hashem, para que guiasse o povo hebreu no regresso à Terra Prometida. A Cabala vai perspectivar essa viagem não como um percurso colectivo mas individual, interiorizado, através do que designa os 10 Sefirot da Arvore da Vida. A Arvore é expressão da obra do próprio Criador, da sua antropomorfização e da urgência do homem se elevar do domínio material – onde havia caído depois de ter sido expulso do Jardim de Éden – e redescobrir em si as encobertas centelhas divinas. Depurando-as das suas cascas decorrentes das más acções e permitindo que se elevem – pela prática das boas acções – regressarem à origem, a Deus.

Como aqui começámos por revelar e desenvolveremos na segunda parte a Maçonaria adopta, porventura inconscientemente, o trabalho sinuoso de subida da arvore em direcção ao divino, a Kether (a Coroa). Fá-lo ziguezagueando pelos sefirot a partir de Malkhut, a base da árvore, o domínio do mundo material com a sua imperfeição e conflitos. Usando para isso as qualidades de cada um dos pares de sefirot para buscar o almejado equilíbrio. Essa é a viagem transposta para a loja e na progressão de cada maçom.

Arnaldo Gonçalves

Notas

[1] Jossay, Michel, “De la Kabbale à la lumiére”, Les Cahiers Villar de Hennecourt, nº 79, Judaïsme et Franc-Maçonnerie, Grande Loge Nationale Française, pp. 74-100.

[2] Jossay, De la Kabbale, p. 106.

[3] Jacq, Christian, La Franc-Maçonnerie. Histoite et Initiation, Paris: Laffont, 2008.

[4] Goodman, Martin, A history of Judaism, Londres: Penguim, Random House, 2017, pp. 363-366.

[5] Enquanto os nomes latinos que derivam do grego estão relacionados com o conteúdo, as designações judaicas são constituídas pela primeira ou principal palavra do início de cada livro.

[6] Nalguns pontos segue-se por isso a versão judaica da Artscroll English Tanach, Brooking, Nova Iorque, Mesorah Publications, 2021

[7] Como acontece desde que a Bíblia foi escrita em linguagem corrente pela primeira vez por um clérigo francês no fim do século XII. A primeira bíblia em língua inglesa foi escrita por John Wycliffe no século XIV. As línguas em que os vários capítulos da Bíblia foram escritos foram o hebraico, o grego e o aramaico.

[8] Cohen, Abraham. The Babylonian Talmud, (reimpressão 2013), Cambridge, Cambridge University Press. The Schottenstein Edition, Introduction to the Talmud, Nova Iorque: Artscroll Mesorah Publications, 2019.

[9] Roland, Paul, La Kabbale, Paris: Éditions Henri Veyrier, 1989, pp. 32-36. segs.

[10] Matt, Daniel C. The Essential Kabbalah. The Heart of Jewish Mysticism. Nova Iorque, Harper Collins Publishers, 1983, p. 16.

[11] Storey, John, “Freemasonry and the Old Guilds”, conferência proferida na Heritage Lodge, Cambridge: Singapore Masonic Library, 1991; William, A study of the Craft in London, Paris, Praga, Viena e Filadélfia, Jefferson, Carolina do Norte: McFarland and Co Company, 2017, pp. 25 e segs.

[12] “Harleian Ms No. 2054 Copied 1870″, Internet Archive, disponível em https://archive.org/stream/HarleianMsNo.2054Copied1870/Harleian%20Ms%20No.%202054%20copied%201870_djvu.txt.

[13] Reproduzidos em Freemasonry Research Forum, disponível em https://www.freemasonryresearchforumqsa.com/sloane-manuscript-3323.php.

[14] Robinson, Londres, The Secrets of Freemasonry, Londres, Robinson, 2006, pp. 47 e segs. Ridley, Jasper, The Freemasons, Londres: Robinson, 1989, p. 33; Odiome, James C., Opinions on Speculative Masonry, Relative to its Origin, Nature and Tendency, Sacramento: Creative Media Partners, 2019.

[15] Mackay, Albert G. Encyclopedia Of Freemasonry And Its Kindred Sciences, Vol. 3R, Filadélfia, M-R. cClure Publishing, Inc., P 1917, p.249.

[16] Anderson, James [1721]. The Constitutions of Freemasons. Retirado de Anderson, Franklin e Royster [eds], The Constitutions of the Free-Masons (1734). An Online Electronic Edition. Universidade do Nebrasca. Disponível em https://digitalcommons.unl.edu.

[17] Lomas, Robert. The Secrets of Freemasonry. Londres: Robinson, 2006, p. 277; Mackay, ibid, p. 137.

[18] Anderson, James (1721). The Constitutions of Freemasons, Ibidem.

[19] Newman, Aubrey. “Jews in English Freemasonry”. Jewish Communities & Records, 2015. Disponível em https://www.jewishgen.org/jcruk/Newman_papers/Jews_in_English_Freemasonry.htm.

[20] Ridley, J. The Freemasons, Londres: Robinson, 1999, p. 131. Gould, R.F. “On the Antiquity of Masonic Symbolism”, Ars Quattuor Coronatorum, vol. 3, pp. 140 e segs, disponível em htpps://www.quatuorcoronati.com.

[21] Platigorsky, Alexander, Freemasonry, a Study of a Phenomena, Londres: The Harvill Press, 1999, p.123.

[22] Schreiber, Jean-Pierre, Jews and Freemasonry in the nineteenth century: An overview of current knowledge, Archives Juifs, volume 43, nº 2, 2010, p. 30-48.

[23] Jossay, De la Kabbale à la lumiére, ibid, p. 113.

[24] Freedman, Harry, Kabbalah: Secrecy, Scandal and the Soul, Londres e Nova Iorque: Bloomsbury Continuum, 2019.

[25] Scholem, Gershom, Origins of Kabbalah. Princeton, New Jersey: Princeton University Press, 1991.

[26] Lancaster, The Essence of Kabbalah, Berkshire: Arcturus Publishing, 2009, p. 229.

[27] Burktel, William Steve. The Pythagorean Theorem, Pietre-Stones, Review of Freemasonry. S/d. Disponível em http://www.freemasons-freemasonry.com/masonic_spiral_stairway.html.

[28] A palavra “Gimel” é derivada de “gemul”, que em hebraico significa tanto a recompensa como a punição. Na Tora, tanto a recompensa como a punição têm o mesmo propósito: a rectificação da alma para merecer receber a luz de Deus em toda a sua plenitude. Recompensa e punição implicam que o homem é livre para escolher entre o bem e o mal.

[29] Mackay, Albert G. Encyclopedia of Freemasonry, ibidem, p. 163.

[30] Roth, C. A History of Jews in England. Oxford, UK: Clarendon Press, 1964, p. 136.

[31] Hirschman E. C., & Yates, D.N. The Early Jews and Muslims of England and Wales: A Genetic and Genealogical History. Jefferson, NC: McFarland & Company Publishers,2014.

[32] Ragon, J.M. De la Maçonnerie Occulte et the l’ Initiation Hermétique. Genebra: Arbre d’ Or, 2007, p. 59.

[33] Lancaster, Bruce, The Essence of Kabbalah. Berkshire, UK: Arcturus Publishing, 2009, pp. 48-53.

[34] Shapiro, Rami, Morals and Dogma, Scottish Rite. Janeiro-Fevereiro de 2013, disponível em https://pubs.royle.com/publication/?m=22869&i=141687&p=8&search=shapiro&ver=html5.

[35] Pike, Albert, Morals and Dogma. Nova Iorque: Orkos Press, 1871, p. 849.

[36] O Sepher Yetzirah, ou Livro da Formação, é apesar de pequeno um dos mais importantes dos textos cabalísticos. Os segredos foram transmitidos oralmente segundo a tradição hebraica até que foi escrito no século II a.C. Estabelece os princípios da cosmologia cabalística e da Árvore da Vida e como a humanidade (o microcosmo) reflecte o Divino (o macrocosmo). Apresenta a doutrina hebraica do Logos – criação do mundo em números, letras e som.

[37] O Sepher ha-Zohar, ou Livro do Esplendor apareceu na Espanha no fim do século XIII e é a obra literária mais importante da Cabala. Gershom Schölem anota que nenhuma outra obra teve uma influência e um sucesso aproximado a este o qual é uma fonte de doutrina e revelação igual em autoridade à Bíblia e ao Talmude, e com o mesmo grau canónico. O Zohar foi escrito na forma de uma ficção em que destacados rabis do século II discutem e explicam os segredos dos cinco livros de Moisés (a Torá)e de outros livros das Escrituras Sagradas. Usualmente invoca-se a figura de Shimonben Yochai (Rahsbi) um tanna (sábio santo) como o principal autor da obra.

[38] Reproduzido por Shapiro, Rami, Morals and Dogma, Scottish Rite, ibidem.

[39] Supreme Council of the Scottish Rite. Ritual of the Thirty-Second Degree-Sublime Prince of the Royal Secret. Lexington, MA: Grand Secretary-General, 1981.

[40] Hutchens, R.H., A Bridge do Light. A Study in Masonic Ritual & Philosophy, quarta edição, Washington, DC, Supreme Council of the Inspectors General Knights Commander of the House of the Temple of Solomon of the Thirty-third and last degree of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry of the Southern Jurisdiction of the United States of America, 2010, p. 316.

[41] O grau 33 em que a pirâmide dos graus no REAA termina é um grau apenas administrativo que inclui os maçons do rito com serviços prestados à Obediência ou que desempenham funções administrativas e organizativas nela.

[32] Retirado de McClenachan, Charles T., The Book of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry: Containing Instructions in all the Degrees, from the Third to the Thirty-third, and last Degree of the Rite, Nova Iorque: Macoy Publishing and Masonic Supply Company, 1914, pp. 45-49.

[43] McClenachan,, 1014, ibid.

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