Como era a Maçonaria dos “Antigos”?

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história da maçonaria

Muitas vezes nos dizem que a Maçonaria especulativa nasceu em Londres, em Junho de 1717, no bairro do “Fleet Street”. Mas esquecem-se sempre de salientar que, ao mesmo tempo se integrava um bom número de clubes de convivência, mais ou menos pitorescos e com tendências festivas, tais como os Gorgomons (Ancient Noble Order of the Gormogons) e outros grupos de taberna, próprios da Inglaterra daquele tempo.

De facto, aquela fundada no solstício de 1717, não era nem mais nem menos do que uma Sociedade de Taberna que se unia a outros clubes do mesmo tipo, em torno da ideia de realizar, em conjunto, uma festa de Verão de São João para que ficasse menos caro para todos.

O que permanece como um particular desta fundação é a instituição que dali resultou.

Na medida em que este agrupamento se ia compondo de personalidades científicas e culturais de importância, decidiram dar-lhe um nome, referindo-se a uma sociedade já existente, garantindo uma boa imagem, uma tradição de protecção e até mesmo uma certa liberdade de acção.

A Maçonaria Antiga foi assim libertada dos seus deveres e mistérios para se tornar “free”, “livre” e adoptar o nome de “Freemasonry”. Foi organizada como um órgão de gestão e desenvolvimento, sempre com relação à antiga sociedade, passando a se chamar de “Grande Loja”.

Assim, foi basicamente, como se deu a originalidade da criação. A alegação de “liberdade” nasceu da maior restrição da Maçonaria: A Obediência.

Como o clube teve vocação universal, a sua sede foi fixada em Londres e foi assim que a “Grande Loja de Londres” viu a luz.

O presidente foi indicado na pessoa de Anthony Sayer, um homem de pouca personalidade que em pouco tempo passou o papel de secretário a John Theophilus Desaguliers, pastor presbiteriano calvinista, cortesão e frequentador da pequena nobreza de Londres, que decidiu fazer deste clube de bairro, uma importante organização, cercada de poder.

Ele a viu como um excelente meio de ascensão social e de reconhecimento, sem relação com religião e para conseguir ser convidado de imediato, para a alta nobreza.

Afim de garantir a lenda e manter o mistério, ele pede a um amigo, o pastor James Anderson, um presbiteriano também, mas principal especialista em brasões duvidosos e genealogias de famílias imaginárias, para construir uma Ordem, na forma de Constituições.

Este clube de sociabilidade, tendo conseguido ser protegido pela nobreza, começou a buscar uma reputação, passando rapidamente a um jogo de influências entre católicos (Jacobitas) e protestantes (Hanoverianos).

Tentativa protestante na França

Indo para Paris, em 12 de Junho de 1725, data que foi criado, a pedido do Lord Derwenwater, refugiado católico jacobita, a Loja Saint Thomas, que se instala numa taberna frequentada por imigrantes ingleses, em Barnabé Hute, Rua Açougues.

Uma loja rival foi instalada pelos protestantes calvinistas em 1732, algumas ruas depois, no Albergue do Louis d´Argent.

Mas o projecto protestante de “redireccionar” a Maçonaria francesa, sob a égide dos presbiterianos, rapidamente foi extinto pois o país era extremamente católico, com inclinação para reunir o espírito místico da época.

O nascimento da primeira Grande Loja da França e da apropriação, pelos franceses, desta forma de sociedade, separa de imediato os destinos das duas ordens, pelo resultado de uma evolução particular no lado continental.

Esta evolução afastou a Maçonaria francesa do conflito que ocorria em solo britânico, a corrente que se denominavam “antigos”, em referência a uma longa tradição que supostamente pertenciam, desde as lojas de York e as guildas de construtores, com os nobres intelectuais e cortesões, novos adeptos de um rigoroso protestantismo e que desqualificavam os “modernos”.

A Maçonaria francesa não se poderia envolver nisto, porque se fizesse isso, os “Modernos” poderiam acentuar as limitações e aumentar as disparidades.

Não vamos discutir agora esse problema, que seria mais especifico sobre a introdução de facto, de uma nobreza orgulhosa, a fim de reivindicações igualitárias e intelectuais, em vez de analisar os possíveis conteúdos místico-esotéricos mais do que duvidosos na sua maior parte.

Voltando a Inglaterra, a estrutura da Maçonaria Inglesa reivindicada como a única “regular” foi intitulada de “Grande Loja Unida da Inglaterra”. Esta denominação refere-se exclusivamente à Federação de lojas que foi constituída após o Acto de União, como uma continuação da ideia que evitou a falência da Maçonaria de 1717, totalmente endividada pela construção do Masonic Hall e terminando o conflito que opôs as duas formas, Antigos e Modernos, em 1813.

Esta Grande Loja com vocação universalista foi consagrada em 30 Maio de 1816 durante a realização de uma cerimónia chamada “Grande Loja” presidida pelo Mui Venerável Grão-Mestre, Sua Alteza Real, o Duque de Sussex, com base numa cerimónia onde o ritual foi formado especialmente, por 80% do ritual dos “antigos”, e que hoje em dia conhecemos como “Perfect Ceremonies” ou “Ritual Emulação”.

Quem eram os maçons antigos?

Os Maçons “antigos” do século XVIII são apresentados na forma de um agrupamento muito diferente das pequenas lojas independentes. Eles são de diversas origens, principalmente do nordeste da Inglaterra, Irlanda ou Escócia. Todos tinham um carácter nómade, herdado do seu tradicional deslocamento, de obra em obra.

Pretendiam ser da antiga fraternidade de Ofício, de onde a organização foi constituída por volta do século VIII, com os mosteiros Culdees, passando pelos estatutos Schaw e a antiga Loja de York que se autodenominou Grande Loja de Toda a Inglaterra em 1725, em reacção aos “modernos”, mas que o Rei da Inglaterra e os seus bispos governantes tinham conduzido desde o século IX.

Antes desse período do século XVIII, a Maçonaria dos antigos jamais se tinham agrupado numa federação geral, mas apenas em guildas estatutariamente independentes e dirigidas pelos Mestres de Obras nomeados pelo rei, tal como William Shaw.

As Lojas não existiam mais do que o tempo de uma obra e eram constituídas conforme a necessidade. Reconheciam-se pelos conhecimentos e não por um “recibo de capitação”.

O que ainda surpreende hoje em dia, é a energia usada para competir com uma sociedade que era totalmente estranha e onde a sua existência, até certo ponto, estava declinando gradualmente.

Na verdade, a origem dos antigos como sendo puramente operativa, reivindicava, com razão, como os únicos e verdadeiros membros da antiga Maçonaria que proviam das antigas lojas e detentoras dos segredos da Geometria. Eles basearam a sua antiguidade no facto de que a sua corporação teria sido fundada e estruturada pelo lendário rei Athelstan no século IX.

Consequentemente, apresentavam-se como os únicos praticantes do rito regular da Maçonaria e os únicos autorizados a comunicar os toques, sinais e palavras secretas… segredos mais antigos, eles diziam, que os formulados e inventados ou distorcidos pelos fundadores de 1717.

Esse grupo foi tardiamente chamado de Grande Loja dos Antigos. Tal apelido foi resultado de 1717, quando passou a ser mais fácil falar sobre Maçonaria por referência à obediência do que pela qualidade de Maçom.

Hoje em dia sabemos uma série de coisas daqueles “antigos” e a sua organização ritualística. Os graus, as ordens, os seus vínculos e tudo que formava o foco de progressão, pois os seus rituais e conhecimentos eram ensinados progressivamente. Já no início eram apresentados aos Aprendizes, os elementos que seriam estudados numa progressão até à transmissão dos segredos do Arco.

Estes segredos sempre foram considerados como o “coração”, a “medula” da Maçonaria para os antigos, a tal ponto que uma das palavras mais usadas é “medula nos ossos”, “marrow in the bone”, “mah-ha-bone”.

A Maçonaria dos “antigos” tem outra diferença e tamanho. É organizado, pelo menos, desde as tradições dos Maçons de York, a cerca dos aprendizes e companheiros, quando estes últimos se deveriam tornar “homens de Marca” antes de ser Mestres de loja e, finalmente Companheiro do Real Arco.

Quando houve a exportação do rito para as colónias americanas, que se deu a separação entre a Marca, o Arco e os três graus, até que fosse integrada a lenda do Mestre, proveniente dos “Modernos”.

Podemos entender agora, porque esses maçons, principalmente imigrantes irlandeses e escoceses, ficaram surpresos ao ver o seu acesso recusado nas lojas de Londres, onde raras vezes foram aceitos. Notamos que os Modernos não se contentaram em se organizar em torno de um poder central (Grande Loja), mas também modificaram a organização dos graus.

O reagrupamento das suas lojas “antigas” foi realizado por seis lojas independentes, sob a égide de Laurence Dermott, artesão e intelectual burguês de origem irlandesa.

O verdadeiro nome deste reagrupamento interessante, foi primeiramente “A Mais Antiga e Honrosa Fraternidade de Maçons Livres e Aceitos”, depois se tornou “Grande Loja de Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra de acordo com as Antigas Constituições”.

Esta assembleia que formou a Grande Loja foi realizada em 17 de Julho de 1751 na taberna “Turk´s Head” [1] na Greek Street, no bairro Soho, em Londres, ou seja, do outro lado do bairro Strand, bairro de lojistas, no lado oposto do local de fundação da Grande Loja dos “Modernos” em 1717.

As Crónicas de John Morgan, que trabalhava na secretaria, indicam a presença de sete lojas, nenhuma das quais e por boas razões, eram filiadas à Grande Loja de Londres em 1717.

Durante esta fundação, para o historiador Inglês Bernard Jones, não havia mais do que oitenta pessoas, todos comerciantes, mecânicos e pequenos artesãos, imigrantes, na sua maior parte de origem Irlandesa, instalados em Londres.

Esta nova estrutura rapidamente tomou o hábito de se reunir numa taberna ocupada por uma oitava loja que se uniu a eles e ofereceu as suas instalações, a loja “Temple and Sun” em Shire Lane, em Temple Bar, outro bairro de Londres.

Esta Grande Loja dos Antigos, também era conhecida na época, por Grande Loja Atholl, pelo nome dos Duques de Atholl, protectores da Corporação, de longa data e que ocuparam o Grão-Mestrado a partir de 1771. Esta nova instituição pretendia reunir todos de uma vez, o Grão-Mestre dos Antigos e da Grande Loja da Escócia, estabelecida em 1736, depois que os Saint-Clair de Roslyn foram removidos do seu cargo de protectores hereditários da Maçonaria escocesa.

Outra peculiaridade, é que os membros da Grande Loja dos Antigos, reivindicavam uma denominação particular, o de “Maçons Livres e Aceitos”. O adjectivo “livre” (free) era uma denominação da Maçonaria especulativa, que gradualmente, foi transformado em freemason.

Há uma grande quantidade de literatura sobre esse desenvolvimento dos maçons de ofício, bem como a sua qualidade de artesãos itinerantes, eles tinham uma certa liberdade, um privilégio, de agir e de se reagrupar entre diferentes guildas de trabalhadores que existiam sob um sistema feudal.

Alguns autores, como Eric Ward, dizem que o termo freemason derivou de free-stone (algo como pedra polida) que geralmente era acompanhada do nome de quem trabalhou ela, o Maçom (pedreiro). Esta fórmula teve a sua primeira aparição no século XIV, com o estabelecimento de uma espécie de primeira lei do trabalho, Statutes of Labourers (Estatuto de Trabalhadores) em 1351, que definiu um estatuto para os mestres pedreiros, bem antes da redacção do Poema Regius que se supõe ter sido escrito por volta de 1390, pois no documento não há data da redacção. Daí surgiram diversos termos derivados do freemason, como por exemplo, frimason, freymason e free-stone mason.

Eric Ward, pesquisador da Ars Quatuor Coronatorum, remonta estes vestígios históricos dos séculos XIII e XIV, o que parece estar confirmado por certos documentos da época.

Esta explicação, baseada na mutação linguística e nas afirmações mais ou menos realistas, diz que os talhadores de pedra eram a maioria dos membros das corporações de maçons, porém enfrenta estatísticas sobre as antigas lojas escocesas, dadas por David Stevenson na década de 1980, onde demonstra que nas lojas se encontravam diferentes categorias de ofícios da construção civil e que os talhadores de pedra estavam longe de ser os únicos membros das guildas de maçons.

Então porque denominar todos os membros de uma sociedade com o nome de somente uma parte dos seus membros?

Esta liberdade, este privilégio que qualifica o Maçom é omnipresente em vários escritos sobre as corporações de construtores e das antigas lojas onde eram realizados os negócios de construção de edifícios. Todos aqueles homens se reagruparam sob o nome de maçons “operativos”, ou seja, aqueles cujo trabalho era participar da operação de construção.

E este termo ainda está em uso hoje em dia. Sabemos que os operativos formaram a Ordem, pelo menos, entre os “antigos” e se você quiser entender uma das realidades culturais do final do século XVIII, devemos observar o que dizem os mais antigos catecismos maçónicos, ou seja, que um Maçom deve ser “nascido livre” e/ou nascido de uma “mulher nascida livre”.

Então, um Maçom não pode ser nem escravo, nem nascido de uma escrava. Estes termos dão-nos um tempo aproximado, fontes e consequências das correntes internas na Maçonaria, sejam simbólicas ou puramente sociais. As disposições relativas à liberdade, o privilégio do Maçom e o seu nascimento livre, são ainda hoje associados com os candidatos que desejam receber a iniciação e não são trabalhadores do ofício. A compreensão total do sentido deste problema de “nascimento livre”, não pode ser alcançado, se não o colocar no contexto particular de uma sociedade que tinha isso registrado nas suas regras.

É evidente, no estudo, que uma grande parte dos ritos anglo-saxões de estilo do Emulação e uma menor parte no Rito Escocês Antigo e Aceito, tem uma forte inclinação para fornecer uma imagem ordenada da sociedade vitoriana do século XIX, a fim de promover o modelo social como uma referência de uma civilização que, por vezes, deve justificar as diferenças.

A maioria dos escritores ingleses daquela época, eram intimamente convencidos da superioridade do modelo britânico e que deveria servir como referência. Da mesma forma, as sociedades muito católicas ou protestantes, calvinistas e luteranos no continente, começaram a rever alguns princípios para serem integrados nas suas práticas e modelos sociais.

No que diz respeito a esta alegação particular de ser “nascido livre”, deve-se notar que a exclusão de “Cowans” desapareceram da ritualística moderna continental, provavelmente porque alguns historiadores da Maçonaria não têm abordado a questão da definição de tal termo e os próprios maçons não sabem muito bem o que significa.

Para alguns, seriam trabalhadores contratados que trabalhavam nas obras, mas de forma intermitente, e que, pelo seu estatuto, não tinham a liberdade necessária para se tornar independentes.

Para outros, é uma antiga distinção entre os pedreiros que construíam sem argamassa (com as técnicas celtas e nórdicas tradicionais) que dariam à luz a Maçonaria de ofício, daqueles que usavam argamassa (método importado pelos cristãos do império romano), e tinham perdido por essa razão, a Arte da Geometria exacta.

Entre os Companheiros das antigas lojas e pelo menos desde o século XVI, se constata a presença de outros membros cujo oficio não era nem a construção nem a arquitectura, mantendo laços com os construtores além das suas competências, mas particularmente, sabiam ler e eram versados no conhecimento da lei e dos costumes, além de conhecer o latim. Eles foram denominados de maçons “aceitos”.

Esta terminologia parece ter sido retomada para se qualificar os fundadores da Grande Loja de 1717 muito antes de serem chamados de “modernos”.

Para entender a diferença entre “aceito” e “especulativo”, tenha em mente que o ofício de Maçom é um artesão que não tem uma loja fixa e que o ofício exige que ele se mova de trabalho em trabalho. Esse é o coração da estrutura da antiga Maçonaria: o nomadismo e a disseminação do conhecimento pelas viagens. As lojas tinham uma existência passageira e se estabeleciam para construir.

Os profissionais da construção seguiam as obras e para onde elas se encontravam. Com a evolução da sociedade e do progressivo desaparecimento do feudalismo, as guildas se viram obrigadas a aceitar novos corpos de ofício para salvaguardar os seus interesses e estabelecer as regras que poderiam apoiar as suas corporações.

Estas transformações e negociações político-económicas necessárias, exigiram a presença de esquires (membros da nobreza), senhores agricultores, membros de uma determinada categoria social nascido da revolução agrária ou representantes da nova burguesia cultivada, a fim de assegurar a protecção da corporação e salvar os seus interesses.

Assim, os primeiros “Supervisores Gerais das Obra do Rei”, como William Shaw, no século XVI, não eram pedreiros de profissão, mas sim pessoas instruídas, próximas ao poder e com qualidades reconhecidas para gerir uma corporação de que muitas vezes dependia da imagem do soberano para a qualidade das obras que marcariam o seu estilo. A guilda e o seu endereço também ofereciam a garantia da estabilidade do poder que os nomeou e, com o tempo, se tornaram a imagem que outros grupos buscavam, com uma aparência similar.

Para ser mais preciso, sabe-se hoje em dia, que a “aceitação” foi onde personalidades encontraram recepção nas lojas entre os séculos XVI e XVII, as pessoas envolvidas na aristocracia ou da burguesia, foram permitidos ser recebidos entre os maçons de ofício.

No entanto, duas perguntas seguem sem respostas:

  1. Existiam rituais e práticas secretas, além da transmissão de segredos e palavras, nas lojas dos maçons antigos?
  2. Os maçons aceitos nas antigas lojas, eram autorizados a compartilhar os seus próprios mistérios confidenciais, próprios dos homens de ofício, formando uma sociedade interna, fornecendo dentro da guilda, os arcanos e mistérios de que eles próprios eram possuidores, ou o acesso aos mistérios da geometria era em si o mistério?

Agora podemos, reorganizando o conjunto, obter uma imagem do movimento maçónico mais arcaico, ou seja, dos Antigos. Trata-se de um grupo de artesãos, praticantes de um ofício e que tinham uma certa liberdade de reunião e movimento de um trabalho para outro, sem o inconveniente de um contrato restritivo.

Juntaram outros companheiros, estranhos ao ofício, que foram recebidos pela Corporação pelas suas habilidades e conhecimentos para gerir os interesses das obras, das lojas e dos seus membros, num ambiente económico e jurídico, mais complexo.

Foi então formado um grupo de Maçons Antigos, Livres (com privilégios) e Aceitos (Maçons Livres Antigos e Aceitos).

Estas questões são um tanto perturbadoras para a investigação sobre a natureza da Maçonaria e até mesmo sobre a existência de cerimónias maçónicas ou teatralmente conceituadas e dramatizadas, que eram realizadas por “especulativos” antes de 1730. É um assunto pelo menos incerto, que também repousa sobre bases igualmente incertas.

Você pode então perguntar-se se a famosa obra de Samuel Prichard, Maçonaria Dissecada, é uma verdadeira divulgação ou pura invenção. Esta é a questão, que a Grande Loja de 1717 não respondeu, mas o que seria realmente?

No primeiro caso, você pode pensar que descreve uma prática muito antiga, mas de onde ela viria?

No segundo caso, na medida em que Prichard tinha a reputação de anti-maçom, surge a questão da confiabilidade das fontes, sob o risco de ser uma eventual mentira.

Portanto, temos o direito de nos preocupar com o facto de que a “Maçonaria Dissecada” serviu como modelo e referência para inúmeras lojas e argumentos de muitos historiadores desde então. A preocupação torna-se maior quando se sabe que segredos são “sinais, toques e palavras” e que os maçons herdeiros de Prichard tomaram como verdade o que poderia até mesmo ser uma caricatura da realidade praticada.

Assim, embora possamos admitir que as referências mitológicas e do Antigo Testamento, propostas por Old Charges e catecismos antigos, formam um substrato coerente de comunicação de palavras e segredos relativos aos mistérios da Maçonaria de ofício, nenhum apresenta uma forma ritual anterior a publicação da Maçonaria Dissecada.

Podemos observar que os factos apresentados no texto acima provêm directamente da história da Maçonaria, inseparável da história política da Inglaterra, convergindo pelas formas de Maçonaria, operativa e especulativa, que foram transpostas para o continente. Mas esta é uma outra história muito mais antiga e moderna … pelo menos à primeira vista.

Luciano R. Rodrigues

Notas

I – As tabernas Turk´s Head e Queen´s Head eram muito antigas e serviram por um longo tempo, de assento para clubes de sociabilidade e círculos literários, filosóficos e artísticos. Foi numa dessas duas tabernas, a Queen´s Head, onde se reunia a Sociedade Philomusicae, a mais antiga fonte de uma prática ritual do grau de Mestre.

Mais informações podem ser lidas no texto  “Philo Musicae et Architecturae Apolloni Society – Uma sociedade de músicos maçons”

Bibliografia

  • Cecille Revauger, 1999 – La querelle des anciens et des modernes, le premier siecle de la francmaçonnerie anglaise
  • Bernard E. Jones, 1950 – Freemasons guide and compendium
  • AQC – vol. LXXXI, 1978 – The birth of free-masonry
  • David Stevenson, 2000 – Les Premiers Francs-Maçons. Les Loges Écossaises originelles et leurs membres
  • Samuel Prichard – Maçonaria Dissecada
  • Blog Truthlurker – La Maçonnerie des “Ancients”

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1 thought on “Como era a Maçonaria dos “Antigos”?”

  1. José Fava

    Este foi um dos melhores textos que li acerca das origens dos Antigos e dos Aceitos.Recomendo a sua leitura e discussão em Loja.

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