Comunicação do Grão-Mestre Paulo Rola por ocasião do Equinócio da Primavera – 2025

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Paulo Rola – Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP, equinócio
Paulo Rola – Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP

Meus Queridos e Amados Irmãos,

Na Assembleia de ontem, foi aprovado o Relatório e Contas de 2024, um documento fundamental que reflete a solidez da nossa estrutura financeira.

Os resultados apresentados demonstram que a nossa situação económica permanece saudável e que seguimos firmes no caminho do crescimento, ampliando progressivamente o nosso património.

Relativamente à alteração ao Regulamento Geral, nos termos do Artigo 110° do Regulamento Geral em vigor, esta só pode ocorrer nos Equinócios da Primavera e após 3 anos de vigência da última alteração aprovada.

No entanto, pese embora o nosso Regulamento Geral em vigor não o estabeleça, o artigo 14° n°3 dos Estatutos da nossa Associação, sob a epígrafe Assembleia Geral, exige a presença de maioria simples dos representantes das Lojas, para se proceder a tal deliberação.

Ora, considerando que para deliberar sobre as alterações ao Regulamento Geral teríamos de ter a presença de 139 representantes das Lojas na sessão de ontem e que apenas estavam presentes 136, esta deliberação será diferida para momento posterior.

A nossa Grande Loja conta hoje com cerca de 4.000 obreiros distribuídos por 157 Lojas. O crescimento, a que temos assistido nos últimos anos, tem sido fundamental para o nosso fortalecimento interno e reconhecimento internacional. Devemos, pois, continuar a trilhar este caminho, acolhendo no nosso seio Homens Livres e de Bons Costumes, pois só assim conseguiremos verdadeiramente influenciar de forma mais efetiva o mundo profano com os nossos princípios e ideais.

Mas tal como referi no na minha primeira alocução, o nosso crescimento não terá grande significado se não preservarmos e fortalecermos os laços fraternos com aqueles que já fazem parte da nossa caminhada.

Como bons e legítimos Maçons, devemos prestar um cuidado especial para com aqueles que gradualmente se vão afastando do nosso seio. É nossa obrigação procurar conhecer as suas dificuldades e estender-lhes a mão para que reencontrem a felicidade de ocupar o seu lugar entre nós.

Parece simples, mas não é. Os nossos juramentos exigem de cada um de nós um compromisso sério com o princípio da fraternidade, cultivando entre nós um ambiente de harmonia e de bem-estar. E neste particular as nossas Lojas têm um papel determinante. Por isso exorto-vos a terem um cuidado especial para com aqueles que se afastam, para com aqueles que sofrem em surdina e para com as suas famílias, nomeadamente aquelas dos nossos Irmãos que já se encontram no Oriente Eterno.

A Maçonaria não se esgota no Irmão! As nossas Cunhadas e os nossos Sobrinhos também fazem parte desta grande família!

Hoje reafirmamos, uma vez mais, o verdadeiro espírito da solidariedade, honrando o nosso compromisso de transformar vidas e fazer a diferença juntos dos mais desfavorecidos, tantas e tantas vezes esquecidos pela sociedade.

A Maçonaria não se esgota na defesa intransigente dos nossos valores e na conduta impoluta que se impõe, individualmente, a cada um de nós. Os nossos números e a nossa expressão convocam-nos, numa mobilização coletiva, afirmando-nos como um farol que conforta e ilumina as causas que nos são queridas.

A Pirâmide de Roupas não é apenas uma ação solidária, mas um gesto de amor ao próximo, um abraço fraterno que aquece não só os corpos, mas também os corações. O que hoje angariamos transcende a doação material. É a realização do nosso compromisso com a humanidade. A prova viva de que podemos ter uma ação decisiva no cuidar do nosso semelhante.

Como dizia Fernando Pessoa, pelo seu heterónimo Ricardo Reis:

“Para ser grande, inteiro: nada teu exagera ou exclui.
todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo em que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive”

Que esta iniciativa nos recorde que a verdadeira fraternidade não se faz apenas de palavras, mas de gestos concretos de entrega genuína e de um compromisso constante com o bem comum.

No eterno ciclo da natureza, o Equinócio da Primavera anuncia a Criação, assistimos hoje a um equilíbrio perfeito entre a luz e a escuridão, sendo que paulatinamente, dia após dia, a escuridão dará lugar à luz resplandecente.

Tal como a terra desperta para uma nova estação, também nós, obreiros da construção moral e espiritual, devemos renovar os nossos compromissos e reafirmar os valores que sustentam a nossa jornada.

Como Maçons Regulares, reunimos na presença do volume da Lei Sagrada, do esquadro e do compasso, símbolos que nos recordam a necessidade de uma conduta reta e equilibrada. No labor constante da nossa caminhada, trago à reflexão três pilares fundamentais que devem sustentar a nossa ação dentro e fora do templo: a Integridade, a Justiça e a Solidariedade.

A Integridade é a pedra angular sobre a qual edificamos o nosso templo. Ser íntegro não é apenas agir corretamente quando somos observados, mas sermos fiéis aos princípios que professamos mesmo quando ninguém nos vê. Que a nossa palavra seja compromisso e os nossos atos reflexo da pureza dos nossos ideais.

No entanto, a Integridade só encontra sentido quando sustentada pela Justiça. De pouco ou nada serve sermos conhecedores de rituais e regulamentos se não defendermos os nossos direitos e os daqueles que nos rodeiam, por via da retidão das nossas ações. O verdadeiro Maçon não é um mero espectador de injustiças, mas sim um agente de transformação.

E se a justiça é o alicerce do nosso edifício moral, a Solidariedade é a argamassa que une as nossas pedras. Nenhum Irmão caminha sozinho, e nenhuma sociedade se ergue sobre o individualismo.

Como obreiros de um mundo mais fraterno, temos o dever de estender a mão ao necessitado e de contribuir para o bem-estar da humanidade.

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.” Que a nossa caminhada seja guiada por estes três pilares. Que a nossa Integridade nos mantenha fiéis aos nossos princípios, que a nossa Justiça nos faça redobrar esforços por um mundo mais equitativo e que a nossa Solidariedade nos lembre sempre de que a nossa maior riqueza está no bem que partilhamos.

A Maçonaria atrai novos membros, sobretudo, pelo exemplo. Os profanos que ingressam na nossa Ordem, fazem-no inspirados por alguém que admiram e reconhecem como referência. É nosso dever identificar e convidar aqueles que possuem o perfil adequado, pois aqui encontrarão o caminho para se tornarem homens melhores, contribuindo para a sua transformação individual e bem assim contribuir para a nossa transformação coletiva enquanto sociedade.

Devemos, pois, pautar o nosso comportamento pela justiça e retidão, tornando-nos inspiração para as novas gerações. Os mais jovens precisam ver em nós uma referência a seguir, pois só assim fortaleceremos a Maçonaria Regular, tornando-a mais ativa e pujante na construção de um futuro melhor.

Lembrando Antoine de Saint-Exupéry no Principezinho,

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”.

Que a luz que emana do Grande Arquiteto do Universo, renovada neste Equinócio, invada os nossos corações e mentes, guiando-nos na senda da sabedoria e da transformação, para que possamos irradiá- las nas nossas obras e nas nossas vidas.

Paulo Rola – Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP
Vila Nova de Gaia, 22 de Março de 2025

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