Dia de Maria Madalena – A Apóstola dos Apóstolos

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Maria Madalena

No dia 22 de Julho é comemorado o Dia da Festa de Santa Maria Madalena.  Maria Madalena foi uma das poucas mulheres a estar com Jesus e os seus apóstolos. Ela foi uma das que ficaram ao lado da cruz de Jesus com sua mãe. E, de todas as testemunhas “oficiais” que poderiam ter sido escolhidas para a primeira consciência da Ressurreição, foi a ela que foi dado esse privilégio. Ela é conhecida como a “Apóstola dos Apóstolos”.

Uma tradição, que se desenvolveu no século XIII, afirma que, após o martírio de São Tiago Maior em Jerusalém, muitos cristãos foram expulsos da cidade e colocados num barco sem vela ou leme. Milagrosamente, esse grupo, que incluía Maria Madalena, Lázaro e Marta, alcançou a costa sul da França. O grupo então começou a espalhar a fé na área. Maria Madalena, porém, escolheu um caminho diferente. Ela entregou-se a uma vida de oração e passou trinta anos como eremita numa caverna acima da actual vila de Plan-d’Aups-Sainte-Baume. Uma teoria concorrente alega que Maria Madalena foi enterrada em Éfeso perto da casa da Bem-Aventurada Virgem Maria. Daqui as suas relíquias foram transferidas para Constantinopla e depois para a Europa Ocidental.

Já outras correntes de pensamento se referem a ter Maria Madalena sido conduzida para o Sul da França ou ter ali uma comunidade judaica expressiva, e onde pode ter a sua filha Sara, filha dela com Jesus. Esta vem a ser a Santa Sara de Kali, conhecida como a santa dos ciganos, povo também ligado à manutenção da tradição do sangue real. Estaria assim sendo estabelecida a tradição do Sangreal, ou da linhagem sagrada da transmissão do sangue real de Jesus, que segunda a própria bíblia possuía linhagem de sangue real sagrada dos seus ancestrais.

Dentro das passagens bíblicas onde aparece Maria Madalena, temos a da unção de Jesus por ela.  Com excepção da mãe de Jesus, poucas mulheres são mais honradas na Bíblia do que Maria Madalena. No entanto, ela poderia muito bem ser a patrona dos caluniados, já que existe uma lenda persistente na Igreja de que ela é a mulher pecadora não identificada que ungiu os pés de Jesus em Lucas 7:36-50.

Notável é o Vitral da Igreja Tron na Royal Mile, cidade de Edimburgo, Escócia, onde Maria Madalena é identificada como a ‘Unctrix’ que unge a cabeça de Jesus com óleo perfumado. Maria Madalena pode ser vista ungindo Jesus como o “Cristo” ou o “Ungido”. A unção da cabeça de Jesus em vez dos seus pés é uma diferenciação importante que conecta simbolicamente Jesus com os reis hebreus do passado, cujas cabeças também foram ungidas com óleo como uma indicação do seu “Reino Sagrado”.  A Unção Sagrada da cabeça também reflecte os rituais de unção dos reis escoceses e franceses.

Tal tradição da Unção com Óleo sagrado é muito antiga, e já a vemos no Salmo 133 de Davi que relata a Unção com Óleo precioso sobre a cabeça de Aarão: “ É como óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Aarão, até a gola das suas vestes.” A Franco Maçonaria mantém esta tradição ao utilizar o Salmo 133 como oração principal de abertura dos seus trabalhos em alguns ritos como o Rito Escocês Antigo e Aceito.

Aarão foi o primeiro Sumo Sacerdote do Tabernáculo no Deserto, ditado a Moisés por Jehovah conforme o livro de Êxodos. A tradição do uso de óleos sagrados especiais na unção de sacerdotes e reis provém do Egipto, onde encontramos a tradição dos Sete Óleos Sagrados, e como Moisés pode ter sido um sacerdote egípcio, levou consigo a tradição da unção com óleos que passou a ser utilizado pelo povo hebreu.

A Unção com Óleo sagrado foi preservada e realizada sem interrupção na nossa história, embora o rei Edgar da Escócia (1074-1107) tenha sido o primeiro rei escocês registrado a ser ungido com óleo sagrado.

Recentemente vimos o Rei Carlos III ser  ungido atrás da tela oculta em apenas um momento que não vemos durante a coroação. O arcebispo de Canterbury ungiu o rei atrás de uma tela especial num momento considerado tão sagrado que é mantido em sigilo, por ser considerado um momento sagrado.

Continuando a tradição, este “momento mais solene e pessoal” foi escondido atrás de uma tela especial e tem sido historicamente considerado como um momento entre o Soberano e Deus, com uma tela ou dossel no lugar devido à santidade da Unção.

Durante a unção, o Arcebispo de Canterbury derramou óleo sagrado abençoado em Jerusalém da Ampola para a Colher da Coroação. Ele então ungiu o rei colocando o óleo nas suas mãos, peito e cabeça. É a única parte da cerimónia histórica que nunca foi testemunhada por convidados ou televisionada.

O rei Carlos III escolheu pessoalmente o design da tela de unção, inspirada no vitral da Janela do Santuário na Capela Real e criada pela Royal School of Needlework com a ajuda de outros artesãos especializados. Foi um presente da City of London Corporation e da City Livery Companies.

Assim como na cerimónia de coroação de sua mãe, a rainha Elizabeth, há 70 anos, o momento sagrado foi mantido em sigilo. Em 1953, a Rainha Elizabeth foi ungida durante a sua cerimónia de coroação sob um dossel de tecido dourado sustentado por quatro Cavaleiros da Jarreteira.

Alberto Feliciano

Bibliografia

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