O Grão-Mestre Mario Urquía da GL de Cuba foi forçado a se demitir

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Mario Urquía (esquerda) e o Grande Templo Maçónico de Cuba (direita) - Imagem © Collage Facebook / Mario Urquía - CiberCuba
Mario Urquía (esquerda) e o Grande Templo Maçónico de Cuba (direita) – Imagem © Collage Facebook / Mario Urquía – CiberCuba

Mario Alberto Urquía Carreño, o empertigado Grão-Mestre da Grande Loja de Cuba demitiu-se após meses de controvérsia e escândalo. A sua demissão foi oficialmente apresentada no domingo, 18 de Agosto, após um confronto polémico com representantes de mais de 100 lojas da ilha.

Carreño já tinha sido destituído do seu cargo e expulso pela fraternidade no início deste ano, na sequência do desaparecimento de 19 mil dólares das contas do Asilo Maçónico Nacional, uma das principais instituições de caridade desta Grande Loja. Posteriormente, levou o seu caso ao Ministério da Justiça cubano, que decidiu passar por cima da constituição e da autoridade organizacional da própria Grande Loja e ordenou a sua reintegração. Esta interferência sem precedentes do poder judicial do regime cubano também anulou a nomeação de Juan Alberto Kessel Linares como Grão-Mestre, tal como os maçons tinham votado por esmagadora maioria há vários meses.

A revolta de centenas de maçons cubanos intensificou-se e a história começou a aparecer nos meios de comunicação social durante o Verão. Carreño reagiu contra os manifestantes bloqueando os estatutos de pelo menos quatro lojas cubanas por não reconhecerem a sua reintegração, o que só serviu para deitar achas para a fogueira. Quando a história começou a receber a atenção dos meios de comunicação social independentes, os responsáveis pela Segurança do Estado do Partido Comunista Cubano consideraram que não podiam continuar a controlar a mensagem e Carreño foi obrigado a convocar uma reunião extraordinária no domingo passado.

De Mario Urquía abandona o cargo de Grande Mestre de Cuba após meses de polémica por Emma Garcia:

Os maçons reuniram-se no teatro do edifício da Grande Loja, onde uma fonte anónima consultada pelos meios de comunicação social citados descreveu que Urquía pretendia manipular os presentes. No entanto, os maçons presentes não o permitiram, e a frase unânime que se ouviu foi “entrega e sai”.
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Uma das testemunhas da reunião contou que as tensões aumentaram ao ponto de Urquía sair da sala e ser seguido pelos maçons até ao décimo primeiro andar, onde se encontra o seu escritório.
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Sob a pressão dos presentes, o Grão-Mestre aceitou reunir-se com uma representação dos maçons. Durante duas horas, foram negociados os termos da sua partida, embora os pormenores dessas conversas permaneçam secretos.
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Finalmente, Mario Urquía aceitou demitir-se e o Grão-Mestre Adjunto Maykel Filema foi nomeado em seu lugar. Filema terá a tarefa de convocar eleições na próxima sessão da Câmara Alta, prevista para Setembro.
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A demissão de Urquía é vista como uma vitória pelos maçons. Os problemas começaram com o misterioso roubo de 19.000 dólares do escritório do Grão-Mestre, um evento que culminou com a sua expulsão da Ordem.
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Apesar disso, o Ministério da Justiça de Cuba, num acto de ingerência permitido pelas leis do país, não reconheceu a expulsão e reintegrou Urquía no seu cargo em menos de três meses. Este facto levou a um protesto maciço dos maçons em frente ao gabinete do Grão-Mestre a 23 de Julho e provocou a revolta de dezenas de lojas.
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Nos últimos dias, Mario Urquía falou num vídeo explicando que o dinheiro roubado pertencia ao Asilo Maçónico Nacional e abordou as acusações contra ele, incluindo as de traição e roubo. Urquía Carreño negou categoricamente ser responsável pelo roubo e esclareceu que o documento policial que assinou, comprometendo-se a devolver o dinheiro, não implicava uma admissão de culpa.
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Explicou que o atraso na devolução da quantia se deveu à necessidade de cumprir as leis cubanas, que exigem que o reembolso seja feito em pesos cubanos (CUP), resultando numa perda considerável devido à disparidade com o valor do dólar no mercado informal.
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O Grão-Mestre também questionou o comunicado inicial emitido pela Direção do Asilo Maçónico Nacional, qualificando-o de “incriminatório”. Ele enfatizou que já tinha feito um depósito de 270 mil CUP, equivalente a USD 1000, como sinal do seu compromisso com a devolução dos recursos. Apesar da sua intenção de permanecer no cargo, Mario Urquía acabou por ceder à pressão para se demitir.
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“Antes de permitir que a divisão existente prejudique ainda mais a Instituição e aumente os ataques através das redes sociais, o que denegriria ainda mais a Grande Loja de Cuba pelos seus inimigos, este Grão-Mestre demite-se para o bem da Instituição”, declarou Urquía Carreño num comunicado oficial, conforme relatado pelo meio de comunicação independente Cubanet.
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Sobre os motivos da sua demissão, Urquía Carreño indicou que existe “uma incompatibilidade de critérios para a correcta aplicação e interpretação das nossas leis” no seio da instituição maçónica, levando a “opiniões divididas nas nossas Lojas sobre os procedimentos correctos”.
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Lamentou ainda que “o ódio e os insultos tenham irrompido entre irmãos, esquecendo que jurámos defender-nos uns aos outros, presentes ou ausentes”. A situação institucional actual mostra uma divisão terrível. As acções de alguns maçons indicam um perigo crescente de confrontos, e nós não permitiremos que isso aconteça; a incompreensão submeteu os nossos irmãos”.

Relatos anteriores da imprensa sobre esta história podem ser vistos nos seguintes links:

Christopher Hodapp

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

Fonte

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1 thought on “O Grão-Mestre Mario Urquía da GL de Cuba foi forçado a se demitir”

  1. Paulo Toste

    Só um reparo menor. Em Cuba, à semelhança de Espanha, o apelido do pai precede o da mãe, mas a pessoa é referenciada pelo nome do pai. No caso presente, o correcto será referenciar o demissionário por Urquía e não Carreño.
    Obrigado!

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