Grande Loja Nacional Francesa – Grande Loja Regular?

Grande Loja Nacional Francesa
Grande Loja Nacional Francesa

A GLNF, Ordem Maçónica ou Obediência?

A nossa Grande Loja, que exige que as suas Lojas e Irmãos respeitem as Regras, Landmarks, Usos e Costumes da Ordem Maçónica, pode reivindicar ser uma Grande Loja Regular. Correspondentemente, a GLNF é a estrutura governante da Ordem Maçónica para a França ou em França.

As Lojas são as únicas detentoras da função iniciática na Ordem Maçónica. Quem lhes deu esse poder? A Obediência. Porquê ?

Historicamente, em 1717, as primeiras Lojas fundadoras da Maçonaria contemporânea reuniram-se (e não “se federaram”) numa Obediência para promulgar em conjunto as regras que estabelecem formalmente a Ordem Maçónica. Etimologicamente, fazer Obediência significa confiar em…, abandonar a sua autoridade ou livre arbítrio em favor de… As primeiras Lojas conceberam a “Obediência” como uma condição necessária, garantindo a sua função iniciadora, e a função iniciadora de todas as Lojas presentes e por vir. Gradualmente, após períodos de desordem durante os quais certas Lojas floresceram em formas, padrões ou funcionamento questionáveis, durante os séculos XVIII e XIX, as Obediências foram estruturadas de acordo com o mesmo esquema e “reconhecem-se” para se tornarem Instituições permanentes, garantes do respeito pela prática Maçónica.

Distinguir entre “Ordem” e “Obediência” faz sentido. Opô-las não. Estes dois nomes abrangem conceitos muito específicos. A GLNF é simultaneamente uma Obediência, como uma estrutura garantidora da função iniciadora das Lojas e, ao mesmo tempo, em virtude do seu status de Grande Loja Regular, é uma Ordem iniciática. É errado pensar que a Obediência é apenas uma estrutura administrativa da Ordem, encarregue da parte administrativa. Na prática, o nome “Obediência” equivale a “Jurisdição”; concordamos em aplicar o primeiro a uma Grande Loja, o segundo a uma estrutura operacional (no sentido mais amplo) de categorias complementares.

Como garante, a Obediência é condição imutável para o bom funcionamento iniciático das Lojas, e exerce vis-à-vis os meios desta garantia. A Maçonaria Inglesa é clara: “The Craft” é a Maçonaria (dos 3 graus), em certo sentido o alicerce e a base de tudo. A “Constituição” é a estrutura nacional que administra o Ofício num determinado país / estado: Constituição inglesa, Constituição irlandesa, … os “Graus para além do Craft”, denota todos os graus ou graus para além; é, portanto, todo o resto.

Qual a diferença entre Regularidade e Reconhecimento (acordo de 1929)?

A Regularidade Maçónica é conferida pelo respeito pelos Antigos Deveres, Landmarks, Usos e Costumes e Constituições da Ordem Maçónica conforme descrito acima. Para a GLNF, todas essas regras estão resumidas na nossa regra de 12 pontos.

Outras Obediências regulares formalizaram os seus princípios de forma diferente, mas seguem estritamente as mesmas regras.

Todas as Grandes Lojas Regulares (Obediências) do mundo se reconhecem por acordos de reconhecimento. Esses acordos sancionam o respeito por essas Grandes Lojas dos princípios de regularidade promulgados.

Os princípios de reconhecimento das Grandes Lojas foram estabelecidos em 1929 pela Grande Loja Unida de Inglaterra e relembrados em 1949. Por que especialmente por esta Obediência?

Porque foi ela quem, em 1723 e sob o nome de Grande Loja de Londres e de Westminster, relembrou os princípios imemoriais que se aplicam à Ordem Maçónica, ao escrever as Constituições de Anderson. Assim, podemos dizer que todas as Obediências regulares se reconhecem, mas não podem reconhecer as Obediências “irregulares”, isto é, aquelas que não respeitam TODOS os princípios da Regularidade.

O reconhecimento de uma Grande Loja é o acto legal pelo qual uma Grande Loja entra na família universal das Potencias Maçónicas regulares. Não podemos, portanto, separar regularidade e reconhecimento. O primeiro é o fundamento obrigatório do segundo, e o reconhecimento é a atestação pública da aceitação sem reservas dos Landmarks tradicionais da Ordem e a sua prática rigorosa, dentro do corpo maçónico que pede o seu reconhecimento. Qualquer corpo que se diga maçónico, pedindo o seu reconhecimento sem se comprometer a respeitar escrupulosamente os Landmarks imemoriais da Ordem, está condenado a definhar. O facto de ter o título de “Maçónico” não muda nada em substância, e a família universal da Maçonaria tradicional não pode aceitá-lo dentro dela. Se todas as Obediências regulares são reconhecidas entre si, elas não podem e não devem ter qualquer inclinação para interferir com um poder maçónico regularmente reconhecido.

Alain Brau, GLNF

Tradução de António Jorge

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