Notas para o candidato a Maçon

Este texto é destinado a indivíduos maiores de vinte e um anos que estejam interessados na Maçonaria. Pretende dar-lhes informação sobre esta Instituição, de modo que a possam decidir, com melhor fundamento, se desejam solicitar a sua admissão à que os Maçons denominam de “Ordem”. O texto pretende dar uma explicação sobre a Ordem de tal natureza que qualquer Maçon esteja em condição de lhe confirmar que está em consonância com os dados da sua própria experiência.

A Maçonaria não faz campanhas de filiação de Candidatos.

Contudo, qualquer membro da Ordem está autorizado a sugerir a possibilidade de filiação do todo o homem, que na opinião desse membro concreto, poderia encaixar-se no companheirismo da Ordem, partilhar dos seus interesses e estaria disposto a fazer suas as normas de conduta que nos marcam.

O que é que o impulsiona a pedir a admissão na Ordem?

Para alguns, há um atractivo poderoso no mistério do desconhecido. Outros fá-lo-ão impulsionados pela curiosidade. A maioria pede admissão ao comprovar que amigos seus merecedores do seu respeito estão orgulhosos da sua condição de Maçons e desfrutam nas suas actividades relacionadas com a Ordem. As normas estritas de comportamento que devem ser prática usual de qualquer Maçon obrigam-nos a inquirir determinados aspectos da vida e da personalidade dos homens que nos abordam, antes que possamos atendê-los. Em concreto, queremos estar seguros de que o possível candidato não queira fazer-se Maçon, em função das vantagens profissionais que possa esperar obter da sua entrada na Ordem, ou de outra qualquer vantagem material que possa esperar obter dela. Queremos também certificarmo-nos que a entrada dessa pessoa na Ordem contribuirá para o bom crédito da mesma e que o candidato chegará a ser um autêntico Irmão. Mas, antes de tudo, há um requisito indispensável: todo o homem, para ser aceite como membro da Maçonaria, deve professar uma autêntica crença num Ser Supremo, vulgarmente designado por Deus, mas que os Maçons preferem chamar de Grande Arquitecto do Universo, cobrindo assim todas as crenças religiosas. Nem os ateus, nem os agnósticos podem ser aceites.

Isto não significa que a Maçonaria seja uma religião. Pelo contrário, ao Maçon exige-se que continue a prática da sua própria religião, qualquer que esta seja, e que veja na Maçonaria somente um código moral em apoio das suas crenças e da sua vida religiosa, e que se subordine a elas. Existem membros da Ordem, por todo mundo, professando muitos credos distintos – Cristãos, Judeus, Muçulmanos, Budistas, Espíritas e membros de outras religiões. Tal como dissemos, nós os Maçons, homens de distintas crenças podemos estar reunidos e irmanados no seio de uma Loja “em harmonia”. Devemos deixar claro desde o princípio que, com a finalidade de conservar essa harmonia que tanto estimamos, não se permite, em nenhuma circunstância, que em Loja se fale de assuntos religiosos ou políticos. Isto não impede que o Maçon tenha na sua vida profana toda a intervenção religiosa e/ou política que entender ter.

Outra condição imprescindível para que alguém possa ser Maçon é o respeito pelas Leis e pelas Instituições da sociedade onde esteja inserido.

Até aqui temos tratado das condições para ser admitido. Devemos agora examinar a questão do que é a Maçonaria e os compromissos que lhe exigiria a sua entrada nela.

Para entender o que a Maçonaria é, importa varrer da mente as ideias pré-concebidas acerca dela que até o presente possa ter formulado. Estas ideias pré-concebidas derivam normalmente de informações infundadas, de supostos gerados pelo desconhecimento e inclusivé, de rumores propagados com intenção distorcida. Há como é sabido uma enorme perfusão de informação disponível sobre a Maçonaria, sendo que é quase impossível a quem esteja fora, distinguir o que é verdadeiro do que é falso ou fantasioso.

Evidentemente que não podemos afirmar que os Maçons são perfeitos de pensamento, palavra e obra. Sustentamos, que esperamos que os nossos membros se sujeitem a normas morais estritas que requerem que todo Irmão se comporte perante os seus semelhantes (sejam ou não sejam Maçons) da mesma forma que gostaria que os demais se comportassem com ele; que todo Irmão atenda regularmente às reuniões da sua Loja se estas não colidirem com os seus deveres domésticos, profissionais ou de outra índole, e que todo Irmão contribua para as obras de caridade com a generosidade que a sua posição económica e a sua situação pessoal e familiar permitam.

A definição de Maçonaria mais divulgada dentro da Ordem caracteriza-a como “um sistema de moral”. Certamente que todo o edifício Maçónico se apoia na doutrina moral que ensina. Esta aprendizagem efectua-se por meio de Ritos e cerimónias que, como a experiência ensina, têm um impacto apreciável sobre o espírito e a atitude dos Irmãos. Esta pode ser uma afirmação pomposa, ainda que não por isso menos verdadeira. A Maçonaria existe para ser desfrutada. A camaradagem, a atitude construtiva frente às dificuldades do viver e a firme insistência que faz sobre a importância da independência e do bem-estar do indivíduo, contribuem para assegurar que isto chegue a fazer-se realidade. Desde o instante em que um homem é iniciado como Maçon é considerado um Irmão por parte de todos os demais Maçons, seja qual for a posição que estes ocupem na estrutura hierárquica da Ordem. Somos rigorosos na manutenção da ordem e da disciplina internas, mas isto nunca chega a ocultar ou ofuscar o elemento de fraternidade constitutivo e omnipresente, com os privilégios e deveres de que dele derivam.

No que se refere aos compromissos que vai assumir se decidir ser admitido na Ordem, o mais importante é o relativo ao tempo que lhe vai ocupar e o serviço que terá de prestar. Existe uma frase muito utilizada na Maçonaria “to be one ask one”, ou seja, para ser, pergunte a quem é. Esta pessoa dar-lhe-á toda a informação sobre o que é ser Maçon, que compromissos comporta e quando e onde é que os Maçons se reúnem. É fundamental que esteja também ciente dos custos que a sua admissão irá implicar para si. Existem normalmente “jóias de admissão”, assim como outras quotas. Umas e outras são determinados pela Loja, dentro dos parâmetros fixados pela Grande Loja em que a sua futura Loja se insere. As reuniões de Loja são seguidas de uma ceia (chamamos-lhe “ágape”), às vezes opcional, outras obrigatória, cujo custo também é da responsabilidade de cada membro. Existem ainda umas contribuições opcionais que visam apoiar as acções de beneficência que a Loja tenha, com uma colecta que se recolhe em todas as reuniões. Do ponto de vista do candidato, a Loja é a unidade mais importante, posto que assistirá às suas reuniões e será no seu seio que conhecerá outros maçons. Isto não significa que a sua actividade maçónica se deva necessariamente fcircunscrever à sua Loja. É usual receber convites para visitar outras Lojas e inclusive assistir às suas reuniões sem convite prévio. Tudo isto sempre que tais actos voluntários não o impeçam de assistir às reuniões da sua própria Loja.

Uma Loja pode chegar a ter um número elevado de membros. O número dos seus membros é assunto de cada Loja, posto que goza de total autonomia nesta questão, assim como no resto dos seus assuntos internos. Você poderá ter ouvido que tudo o que acontece no seio de uma Loja é secreto; esta é uma meia verdade. O cerimonial já foi descrito com bastante exactidão em numerosas “fugas de informação”, ainda que este género de escritos contenha, por via de regra, erros de vulto. Não gostamos de falar das cerimónias e do ritual, já que preferimos manter etses assuntos num âmbito privado. Reivindicamos o mesmo direito de que gozam outras organizações a que os deixem em paz com seus próprios assuntos. Somos rigorosos quanto ao segredo em relação a duas coisas: os métodos mediante os quais um homem pode provar que é Maçon e os segredos legítimos (que não atentem contra as leis do País) que um Irmão possa ter confiado na nossa comum condição de Maçon. A razão para a primeira dessas esferas de segredo é obvia à luz da segunda.

É muito importante que esteja ciente das obrigações financeiras que vai assumir, assim como das exigências de dedicação às quais se vai comprometer, especialmente no caso de que tenha responsabilidades familiares. No caso de ser casado ou estar numa qualquer relação, deve certificar-se de que a sua companheira esteja de acordo com o seu ingresso na Maçonaria. Vai ter de deixá-la só quando assistir às reuniões da Loja. Não há razão para exclui-la totalmente das suas actividades Maçónicas; a maioria das Lojas organizam reuniões especiais às quais as senhoras podem assistir. Algumas Lojas têm organizadas as esposas em Fraternidades, cuja finalidade, alem de manter a “família” da Loja unida, é também o de fazer serviços de beneficência e apoio social. E, com certeza, é totalmente correcto conversar com o seu cônjuge de temas gerais da Ordem, já que nem tudo que nela sucede é tão secreto como pretendem os nossos críticos.

Poderíamos estendermo-nos sobre muitas outras coisas. Não obstante, o objectivo deste texto é proporcionar-lhe dados sobre a Maçonaria e os seus objectivos e também fazê-lo saber os compromissos que implicam estar filiado nela. Sem dúvida, ficaram muitas perguntas por responder, o que é normal, posto que não abrigamos desejos de incorporar homem algum na Maçonaria sem que este tenha a ocasião de se assegurar de que vai incorporar-se numa associação honrada e fraternal na qual se vai sentir cómodo e que vai ajudar a manter estritos critérios de comportamento no viver quotidiano; pode e deve perguntar ao seu amigo todas as questões que o preocupem, ainda que se abster de incitá-lo a violar segredos ou matérias reservadas. Nas suas conversas com ele, provavelmente ficará claro que a Maçonaria é uma actividade que muito lhe agrada, que a considera valiosa, e que não teria entrado no assunto consigo se não estivesse previamente convencido de que você se iria sentir bem com este tema.

Somente nos resta falar do próximo passo.

Todo o candidato à Ordem deve ser proposto na forma usual. Têm de ser preenchidos certos formulários. Estes formulários exigem que se especifiquem detalhes que possam influir na decisão que a Ordem deverá tomar. Não pretendemos saber preferências políticas, religiosas ou até sexuais – pretendemos conhecê-lo. A razão desta exigência não está na curiosidade indiscreta, mas sim na vontade de saber se “encaixa bem connosco” e se nós “encaixamos bem consigo”, para além de normas promulgadas pela Grande Loja, visando zelar pelo bom nome da Ordem. Isto será seguido por uma entrevista com um ou mais membros da Loja, que irão certificar-se especificamente de que você crê num Ser Supremo; de que não o move nenhum impulso venal nem nenhum outro motivo indigno, senão que, pelo contrario, deseja incorporar-se movido por um conhecimento que tem dos nossos critérios e ideais; de que vai poder assistir às reuniões da Loja sem que isto interfira com as suas obrigações domésticas, profissionais ou de outra ordem; de que tem consciência do custo associado a ser maçon; e finalmente, de que está disposto a assumir um papel activo no funcionamento daquela que vai ser a sua Loja.

A reunião com estas pessoas dar-lhe-á uma ocasião adicional para esclarecer outras questões que possa ter em relação à Maçonaria. Se a sua incorporação resultar recomendada pelas pessoas que o entrevistaram, o Venerável Mestre da Loja dará continuidade ao processo.

Quando chegar a hora em que será iniciado como Maçon, lembre-se que isto implicará um acto de confiança de ambas as partes. Os membros daquela que será a sua Loja e todos os Maçons espalhados sobre a face da Terra estarão a confiar em si. Esta confiança é o que une todos os Maçons uns aos outros. Espera-se igual atitude da sua parte.

Nota: Este texto pessoal, está influenciado pelos critérios utilizados na Obediência em que o editor desta página está inserido. Há outras obediências em que são usados outros critérios.

Texto baseado em folheto emitido pela Grande Loja Maçónica do Estado de São Paulo – Rito de Emulação

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