Ser livre e de bons costumes: ênfase nos princípios éticos e morais maçónicos

Partilhe este Artigo:

princípios éticos e morais

Introdução

Uma vida norteada por princípios básicos de convivência com outros seres, ainda que de forma simples, e limitada pela extensão dos nossos comportamentos éticos e morais, neste sentido, e longe de exaurir a discussão, somos verdadeiramente livres?

Até este ponto na subida da escada de Jacob é compreensível, ou no mínimo esperado, que tenhamos, de modo geral, ainda que superficialmente, compreendido a relação estreita, porém bem definida, entre ética e moral. Recapitulando-se rapidamente, aquela busca elencar de forma racional princípios teóricos bem definidos nos relacionamentos entre os seres, enquanto esta elenca princípios pessoais e inerentes á essência de cada ser para com sigo mesmo.

Tendo-se o entendimento sobre ética e moral, como relacionar ambas com a liberdade de pensar e agir da humanidade?

De forma humilde e pessoal, esta peça de arquitectura visa elencar alguns pontos em comum entre o que é ser realmente livre, e o porque a liberdade, na verdade, é um objectivo, não uma realidade presente.

Desenvolvimento

A palavra ÉTICA está relacionada directamente com o estudo científico do comportamento moral dos homens numa sociedade (GRUNER, 2013) [2]. É a acção de elencar de forma teórica aquilo que se estuda e se depreende da MORAL, que é o conjunto de comportamentos humanos baseados em juízos de valor pessoal. Ética relaciona-se ao mundo exterior, Moral ao mundo interior. (MAXIMO, 2015) [3]

Para Cortella (2008) [4] Ética e Moral não podem ser imutáveis, pois são relativas e directamente impactadas pela época e local da sua actuação. O autor ainda nos lembra um antigo ditado popular: “o que é bom para a leoa, não pode ser bom para a gazela. E o que é bom para a gazela, não pode ser bom para a leoa”.

Santo Agostinho brinda-nos com uma comparação inigualável quando menciona o seguinte sobre o adultério:

“Ele não é um mal precisamente por ser proibido pela lei (ética), mas ao contrário, é proibido pela lei por ser mal (moral).”

Neste sentido, onde a Moral e a Ética limitam os nossos comportamentos, para mais ou para menos, questionamos: o que seria de facto Livre Arbítrio?

Um homem é verdadeiramente livre quando não pratica o mal, e pratica o mal quando submete as suas vontades às suas paixões, ainda sim isso só é possível pela livre opção das nossas vontades. (AGOSTINHO, 1995) [5].

Para o Irmão Gomes (O PRUMO, 2010) [6], inerentemente à natureza humana esta ligado o Livre Arbítrio, que nasce espontaneamente do interior do ser humano, podendo escolher livremente ou sobre planos específicos determinados.

O nobre Irmão Gomes ainda salienta que o homem, ao pensar, adquire consciência. Utilizando-se desta consciência ele adquiri inteligência. Esta inteligência fomenta a sua vontade que o impulsiona para a verdadeira LIBERDADE, razão inexorável de ser do homem.

Portanto, ser livre é dominar o instinto pela inteligência (compreensão do ser), as paixões pela razão (ética) e os vícios pela virtude (moral). (GOMES, 2010) [7]

O nosso eloquentíssimo grão mestre Franz (2015, p125) [8] correlaciona liberdade com a “felicidade” afirmando o seguinte:

“Com base no seu comportamento, o homem constrói primeiramente a “Felicidade” dentro do âmbito do seu próprio Ser, através do constante auto aperfeiçoamento, e consequentemente irradiando “felicidade” para o meio ambiente que está conectado utilizando os meios e o crescente volume de conhecimento disponível na actualidade.”

Conclusão

Liberdade é o objectivo, não o caminho. O caminho é o Livre Arbítrio, que está vinculado directamente à responsabilidade sobre as consequências advindas desta escolha.

Um homem será verdadeiramente e absolutamente livre quando for senhor das suas paixões e vícios. Até lá, a sua liberdade de agir está limitada à extensão das suas convicções éticas e morais, e é trilhando o caminho dos bons costumes que se construirá um dos principais pilares de sustentação da sua evolução.

Desta forma, a verdadeira liberdade só será alcançada pela sociedade quando esta possuir e praticar de forma verdadeira, e sem intenções veladas, a fraternidade e a igualdade. Logo, os maçons – freemasons (pedreiros / construtores livres) na língua inglesa – possuem a responsabilidade de serem os arautos de novos tempos para todos os povos do mundo.

José Elias Luise Berben Júnior – ARLS Cavaleiros do Oriente n° 116 – Rito Adonhiramita

Trabalho seleccionado no “Concurso de literatura maçónica em comemoração dos 50 anos da Revista Maçónica O PRUMO, fundada em 24/06/1970 da E.V. e aos 10 anos da Academia Maçónica de Ciências, Letras e Artes (AMCLA) da COMAB, instituída em 11/02/2011 da E.V.”, categoria Companheiro Maçom.

Notas

[2] GRUNER, Rodolfo Feuser. Princípios Éticos da Maçonaria. O Prumo. Florianópolis: Grande Oriente de Santa Catarina, nº 209, p. 37-40, Maio Junho/2013

[3] O PRUMO, 1970-2015: colectânea de artigos: Grau 1 – Aprendiz / [pesquisa: Wilmar Silveira]. Florianópolis: Grande Oriente de Santa Catarina, 2015)

[4] CORTELLA, M. S. Qual é tua obra? Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. Petrópolis: Vozes, 2008.

[5] AGOSTINHO, Santo. Bispo de Hipona – O Livre Arbítrio; tradução, organização, introdução e notas Nair de Assis Oliveira; revisão Honório Dalbosco – São Paulo: Paulus, 1995.

[6] GOMES, Santo Zacarias. O Prumo 1970 – 2010 – colectânea de artigos: Grau 1 – Aprendiz / [pesquisa: Wilmar Silveira] Florianópolis: Grande Oriente de Santa Catarina, 2010.

[7] GOMES, Santo Zacarias. O Prumo 1970 – 2010 – colectânea  de artigos: Grau 1 – Aprendiz / [pesquisa: Wilmar Silveira] Florianópolis: Grande Oriente de Santa Catarina, 2010.

[8] FRANZ, Rubens Ricardo – O Prumo 1970 – 2015: colectânea de artigos: Grau 2 – Companheiro / [pesquisa: Wilmar Silveira]. Florianópolis: Grande Oriente de Santa Catarina, 2015.

Bibliografia

  • AGOSTINHO, Santo. Bispo de Hipona – O Livre Arbítrio; tradução, organização, introdução e notas Nair de Assis Oliveira; revisão Honório Dalbosco – São Paulo: Paulus, 1995.
  • CORTELLA, M. S. Qual é tua obra?
  • Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. Petrópolis: Vozes, 2008.
  • GOMES, Santo Zacarias. O Prumo 1970 – 2010 – colectânea de artigos: Grau 1 – Aprendiz / [pesquisa: Wilmar Silveira] Florianópolis: Grande Oriente de Santa Catarina, 2010.
  • GRUNER, Rodolfo Feuser. Princípios Éticos da Maçonaria. O Prumo. Florianópolis: Grande Oriente de Santa Catarina, n 209, p. 37-40, Maio-Junho/2013
  • FRANZ, Rubens Ricardo – O Prumo 1970 – 2015: colectânea de artigos: Grau 2 – Companheiro / [pesquisa: Wilmar Silveira]. Florianópolis: Grande Oriente de Santa Catarina, 2015.
  • O PRUMO, 1970-2015: colectânea de artigos: Grau 1 – Aprendiz / [pesquisa: Wilmar Silveira]. Florianópolis: Grande Oriente de Santa Catarina, 2015)

Artigos relacionados


Partilhe este Artigo:

1 thought on “Ser livre e de bons costumes: ênfase nos princípios éticos e morais maçónicos”

  1. Diego Almeida Scherer

    “A única Liberdade do Homem está no Pensamento. O domínio dos vícios e paixões pode ser ampla apenas no campo da Moral individual mental, todavia terá apenas Liberdade relativa frente ao campo da Ética coletiva prática. Fora isso, são divagações do Ego.”

    (Justificus)

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


Scroll to Top