Dez coisas a considerar antes de pedir a palavra

Como eu já fiz todos os erros elencados neste artigo, resolvi partilhar as minhas reflexões com os irmãos. Antes de pedirmos para usar (ou abusar) da palavra em Loja, que tal pensarmos melhor e considerarmos algumas pequenas coisas?

  1. Quando falamos em Loja, os outros irmãos são obrigados a escutar-nos. A ritualística não permite que eles nos interpelem, argumentem connosco ou então que se levantem e saiam. Eles não têm escolha, terão de escutar tudo o que quisermos dizer sem nos interromper. Portanto, sejamos misericordiosos não os forçando a escutar tolices.
  2. Grande parte dos assuntos que são tratados em Loja poderiam, e deveriam, ser tratados antes ou após a reunião, na sala dos passos perdidos ou no salão da Loja. O Templo, como o próprio nome diz, é um local sagrado, onde não se deve tratar de assuntos corriqueiros ou picuinhas administrativas. Agir assim é profanar o sagrado Templo maçónico.
  3. O Templo não é um palanque político. De nada adianta queixar-se eternamente da conjuntura política e económica. A Maçonaria pode e deve tentar mudar a realidade nacional e mundial, mas isso só pode ser feito com acção. Palavras e lamúrias recorrentes só servirão para fazer com que cheguemos mais tarde e casa e não irão mudar o mundo.
  4. O Templo não é um púlpito onde se devam fazer pregações ou então ministrar palestras sobre questões metafísicas e filosóficas. Especulações esotéricas servem muito mais para cansar quem as ouve do que para trazer algo de efectivamente concreto. Lembremo-nos que os pobres Irmãos são obrigados a ouvir-nos quando resolvemos, num desvario de insana vaidade, exibir o nosso “profundo conhecimento”. A nossa vaidade já deveria ter sido sepultada na câmara das reflexões…
  5. O Templo não é um divã ou um consultório psicológico onde devemos emitir as nossas indignações ou fazer histéricos desabafos. Será que as questões mundanas que andam “entaladas nas nossas gargantas” realmente interessam aos outros irmãos (os quais, repito, são forçados a ouvir-nos) ou à nossa Ordem?
  6. O Templo não é uma mesa de bar e nem um clube, onde se contam casos “interessantes” (somente para quem os conta…) ou se fala de boatos ou questiúnculas. Antes de mais nada, estar num Templo exige postura e respeito pela egrégora. Conversas de bar caem bem num bar.
  7. Quando formos ministrar alguma instrução, convém lembrar que, conforme determina o ritual, devemos fazê-lo utilizando um quarto de hora. Ora, isto equivale a exactos 15 minutos. Nada mais do que isto. Qualquer mensagem pode ser passada e absorvida nesse período. Mais do que isto dispersa a atenção do ouvinte, fazendo com que o mesmo se perca em devaneios, além de minar a sua santa paciência.
  8. Qualquer outra comunicação deve ser dada nos 3 minutos que o ritual preconiza. Três minutos são tempo de sobra para passar a essência de uma mensagem de maneira clara, concisa e precisa. Mais do que isto é verborreia e só serve para motivar os irmãos a não voltarem nas próximas sessões.
  9. É sempre bom lembrarmos que, para nos estar a ouvir, os Irmãos estão a prescindir de estar no aconchego dos seus lares e estão a dispensar-nos o seu precioso tempo. Será que não é um dever moral e um acto de amor respeitarmos e valorizarmos este tempo que os irmãos nos dispensam ouvindo-nos? Será justo fazer com que esses irmãos voltem para os seus lares com a sensação de tempo perdido?
  10. Será que é sensato alongar-se na leitura do expediente? Muita coisa pode ser afixada no quadro da Loja e os boletins podem ser lidos na internet. Será que é racional gastar longo tempo a falar sobre os eventos sociais da Loja? Será que não teríamos uma reunião mais gratificante se, de facto, somente usássemos da palavra para falar sobre algo que seja verdadeiramente a bem da Ordem, da Loja ou dos Irmãos? Lembremo-nos: se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro.

Meus Irmãos, aí estão algumas reflexões. Creio que todos nós devemos reflectir sobre elas. Talvez ajudem a responder àquela eterna pergunta que se nunca cala dentro de nós: porque será que, ano após ano, as Lojas estão cada vez mais vazias?

T∴ A∴ F∴

Carlos Alberto Mourão Júnior, 33º

Primeiro-vigilante da ARLS Acácia do Paraibuna, Juiz de Fora, MG

5 Comentários em “Dez coisas a considerar antes de pedir a palavra

  • Bom Dia !
    A propósito do assunto:Gostaríamos de saber o autor do texto é lusitano? ou por que escreve de maneira lusitana?: acentuação em” maçónico””económico” com acento agudo e não circunflexo como idioma do Brasil , ou “acção”connosco etc.
    Partilhamos da ideia que o autor poderia ter dado as devidas e pertinentes orientações do que pode ser tratado, para não resvalarmos ou não nos atermos a conversas de bares ou ser prolixo ,enfadonho e profanador,etc.(Ainda assim,sabemos que tem bares onde podemos tratar de assuntos relevantes, como os ingleses onde foram organizado a maçonaria moderna e também existem igrejas onde são tratado assuntos banais e desalentadores.Acreditamos que não são os espaços e sim, se resume as pessoas e escolhas)
    É muitos simples dizer o que não deve ou que não pode.É preciso opinar também e que seja dito o que pode,o que deve ser tratado,para não cair numa crítica contraproducente
    -Boletim,ler online;-Expediente,postar online
    Não tratar: – filosofia,política,psicologia,história ,metafisica,esoterismo,entre outros
    “Grande parte dos assuntos que são tratados em Loja poderiam, e deveriam, ser tratados antes ou após a reunião, na sala dos passos perdidos ou no salão da Loja”cf.autor
    Finalmente,parece que chegaremos em breve a Loja OnLine ,onde que tudo deve ser trado dessa forma online,para que ninguém se canse ou se aborreça em ter que ouvir,refletir ou conviver com o pensamento contraditório e demorado de coluna por coluna de Oc para Or.
    SSS
    JATeixeira

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    • Boa tarde. Obrigado pelo seu comentário. Como pode ver pela identificação do Autor, é Brasileiro; contudo, dado que esta página é portuguesa, procura-se ajustar a grafia sem com isso alterar seja o que for na mensagem que o Autor pretende transmitir. Cumprimentos.

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      • Boa Tarde ,
        Obrigado.
        Não achamos que seja relevante a lexicografia no contexto,apenas nos referimos ao fato (facto) por ver a discrepância entre a origem e o conteúdo referente
        SSS
        JATeixeira

      • Eu é que agradeço. É sempre um prazer conversar com Irmãos do outro lado do Atântico. Disponha sempre que precisar. TAF

  • Meu A.: Ir.: Mourão, parabenizo oportuna e sabia reflexão sobre o uso da palavra em Loja, porém observo que não há indicação clara do que seria mais saudável. Talvez, em oficinas com grandes números de IIr.: desta forma seria ideal, mas temos aquelas lojas pequenas, que não quer dizer que poderia se abusar do tempo, mas que obrigatoriamente leva a manifestações com assuntos diversificados. Que se leve em conta a técnica de uma boa (dinâmica e proveitosa) reunião com a devida e equilibrada administração de tempo do V.: M.:.TFA e agradecido pelas observações. LUIZ ALBERTO DE S. GONÇALVES – 33° ARLM. COSMOPOLITA N. 2746..Oriente de Cruzeiro – SP.

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