Instrução iniciática do companheiro maçon: ética – fundamental, mas não o suficiente!

“Ética, por definição, é parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, reflectindo especialmente a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social. Ou seja, ética é o conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade”. [1]

Partindo de que Ética é essencial para uma boa convivência, mas não fundamental para guiar as acções de um ser humano, de um irmão, não seria mais importante uma melhor educação, uma melhor base familiar e moral? Não é melhor aprendermos a tolerar, ponderar, entender e ter empatia pelo outro? Empatia no sentido de nos colocarmos no lugar do outro, de buscarmos compreender as suas razões, suas motivações e o porquê de suas atitudes. Mais difícil do que tolerar, é compreender! Compreender é se importar; envolve gasto energético, envolve sentimentos e acima de tudo deixar de lado nossas próprias “verdades“, para compreendermos as “verdades” dos nossos semelhantes.

Durante toda a instrução percebe-se através de instrumentos e de simbolismos que o aprendiz maçon deixou de ser apenas matéria para, ao adentrar no grau de companheiro maçon, começar a compreender e caminhar também no plano espiritual. Cercadas de analogias e simbolismos as cinco viagens, uma verdadeira segunda iniciação, ensinam ao Companheiro e a todos os Maçons, que é preciso primeiro melhorar a si mesmos para depois ajudar na melhoria da Humanidade. Um homem polido e de bons costumes é o melhor instrumento de mudança. De nada adianta o maço – a força – se não temos o cinzel – a moral – para agirmos sabiamente sobre a Pedra Bruta. Uma Pedra Polida mal talhada é pior do que uma Pedra Bruta não desbastada! Necessitamos da régua – nossa consciência – e do compasso – nossa razão – para adequadamente polirmos nossa pedra interior. E que esse árduo trabalho seja fruto de nossa própria meditação e estudo, repelindo tudo o que nossa própria razão não aceitar. Por isso é que acreditamos que uma boa base familiar, uma sólida educação e não somente a Ética, são condições sine qua non para que a conduta adequada – a conduta Ética – se perpetue; pois não há Ética sem uma sólida moral.

Não nos esqueçamos, NUNCA, do nosso G:. A:. D:. U:., força divina e moral suprema que resiste a tudo que é impuro e corrupto. Devemos, com o uso da alavanca, arrancar de nossa alma tudo o que é indigno, impuro, gere discórdia e ignorância. Como um talismã contra as tentações da inércia, a alavanca nos impulsiona em nosso caminho de construção de nosso Templo Interior e nos aproxima do sagrado e do divino. Contudo, é fundamental sempre guiarmos nossas acções e pensamentos pelo espírito da Justiça e da Verdade. [2]

Do Rotary temos como exemplo a Prova Quádrupla: “Do que nós pensamos, dizemos ou fazemos: É a verdade? É justo para todos os interessados? Criará boa vontade e melhores amizades? Será benéfico para todos os interessados?” [3]. Outro modo de tentar ajudar na melhoria de nossas acções e pensamentos.

Os ensinamentos da Maçonaria aperfeiçoam nossas acções e obras, porém o conhecimento sem discernimento é uma luz mortiça e, sem critérios, os actos virtuosos são, muitas vezes, estéreis. O Bem não deve ser premeditado, mas espontâneo! É preciso agir sem ostentação, nem preferências ou, como nas sábias palavras de Madre Teresa de Calcutá: “As mãos que ajudam são mais sagradas do que os lábios que rezam”. [4] Ou, se preferirem, como nos ensina Mateus 6, 2-4, nas sagradas escrituras: “Quando deres um donativo, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Com toda a certeza vos afirmo que eles já receberam o seu galardão. Tu, porém, quando deres uma esmola ou ajuda, não deixes tua mão esquerda saber o que faz a direita. Para que a tua obra de caridade fique em segredo: e teu Pai, que vê em segredo, te recompensará”. [5]

A rectidão moral que devemos seguir através da utilização da régua e do compasso é o caminho para a Luz assim como o estudo e o trabalho. O ócio servirá para nutrirmos nossos corações com o espírito da solidariedade para ajudar na construção social.

Dependemos de nós mesmos para nos tornarmos homens úteis à Humanidade. A liberdade nos foi concedida para escolhermos o nosso caminho e devemos deixar os outros livres para escolherem o seu. Livres para dedicarem-se à felicidade de seus semelhantes e ao progresso da Humanidade. A Maçonaria pode e deve contribuir para esses homens trilharem o melhor caminho em busca da Verdadeira Luz.

Só depende de cada um de nós!

Que assim seja!

Ricardo Vanzin da Rocha – C:. M:.
Francisco Beltrão, 17 de Julho de 2017
A:. R:. L:. S:. Santuário de Hiram N° 93
Grande Loja do Paraná

Referências Bibliográficas

  • [1] – Dicionário Google
  • [2] – Ritual do Companheiro Maçon – REAA – GLP
  • [3] – Rotary International
  • [4] – Madre Teresa de Calcutá
  • [5] – Bíblia Sagrada

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