A instrução e a orientação dos aprendizes

Avental de Aprendiz Maçon

A maçonaria moderna, que completou 300 anos, só alcançou esta idade graças às constantes renovações propiciadas pela frequente iniciação de novos aprendizes, que ao serem acolhidos e instruídos correctamente, proporcionaram a evolução através dos séculos.

Contudo, é facto que nos últimos anos, as nossas formas de instruções e de orientações tem sido questionada por uma nova geração, que graças as constantes evoluções tecnológicas, se acostumaram a um verdadeiro bombardeio de informações, já que é notório que o mundo se vem transformando constantemente. As mudanças evolutivas que outrora demoravam anos para se concretizarem, actualmente realizam-se em meses ou semanas, sendo que há quem afirme que o mundo se transforma, modifica e renova quase diariamente. E o motivo (Publicado em freemason.pt)desta constante metamorfose é a grande quantidade de informações que a todo o momento recebemos, e que contribui para o nosso crescimento, e consequentemente para a evolução do Universo.

Assim, ao ser iniciado na maçonaria, o aprendiz, que outrora estava acostumado com esse bombardeio de informações, e que chega à maçonaria sedento de conhecimento, vê-se cerceado desse saber, já que não é raro, que as lojas realizem as instruções e orientações dos seus novos membros, com base em rituais, que na sua maioria foram criados em períodos anteriores a esta evolução tecnológica, e que, de forma geral, mas não unânime, preconizam que as instruções sejam realizadas de forma lenta, não motivante e monótona.

O aprendiz ao dar-se conta disso entra numa verdadeira crise existencial, já que acostumado com a rapidez nas informações, no momento em que mais necessita de conhecimento sobre a ordem que o acolhera vê-se diante de um sistema quase sempre ultrapassado, extremamente moroso e alheio às novas tecnologias.

E caso este aprendiz não tenha o acompanhamento correcto, as instruções adequadas e principalmente as orientações dos irmãos ao seu redor, tudo poderá terminar com a sua saída da maçonaria, já que a sua avidez por conhecimento não foi sanada.

Considero salutar esclarecer que não é intensão desta dissertação estimular a orientação desfreada e sem qualidade, contudo, conclamo que as instruções e orientações sejam constantes, obedecendo ao grau, nível intelectual e principalmente ao desenvolvimento do maçom, já que as instruções ou orientações pressupõem o autodesenvolvimento e autoconhecimento como processos contínuos, envolvendo aspectos éticos, morais, espirituais, culturais e sociais.

Assim como afirma o nosso Irmão Gomes (2016):

As lojas devem acompanhar com atenção o nível de crescimento dos irmãos, não somente para cumprir as formalidades nos processos de aumentos de salários, mas de forma a avaliar o grau de efectividade da aprendizagem contida nas Instruções”.

Tudo isto para proporcionar vazão à sede de conhecimento que normalmente o aprendiz recém iniciado possui, contribuindo assim para sua permanência na maçonaria, para que ele possa buscar mais e mais conhecimentos, já que a busca pelo conhecimento é o objectivo primordial da maçonaria.

Deste modo preconizaria que as instruções maçónicas deixassem de ser realizadas exclusivamente pelo ritual e se passem a utilizar tecnologias modernas com o intuito de as tornar mais atraentes. Para este mister cito o exemplo da GLMMG, que criou a Escola Maçónica “Mestre António Augusto Alves D’Almeida”, que tem como objectivo “promover e instituir a revitalização de instruções e aprendizagem nos moldes da padronização ritualística”, e que para isso realiza instruções dos Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre do (Publicado em freemason.pt)Rito Escocês Antigo e Aceito, onde são discutidos e analisados os rituais, a liturgia e o simbolismo maçónico, sendo considerada uma óptima alternativa para dar vazão à sede de conhecimento dos maçons. Também destaco a realização de congressos, simpósios e outros eventos maçónicos que primam pela difusão de conhecimento.

Da mesma maneira, na impossibilidade da adopção dos exemplos acima, cabe ao Venerável Mestre e às demais luzes e oficiais da loja a adopção de meios cujo objectivo seja a melhoria na qualidade e quantidade das instruções ou orientações ministradas.

Celso Ricardo de Almeida

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3 Comentários em “A instrução e a orientação dos aprendizes

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    Entendo, salve melhor juízo, que a pergunta porque a evazão na Maçonaria? Aqui em grande parte está respondida.

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    Gostaria muito de me tornar um homem livre e de bons costumes, como faço para ser um verdadeiro aprendiz de maçom…

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    A velocidade das informações e ofertas de ilusões nos deixam meio que perdidos.

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