O Quadro do Aprendiz

Tela pintada para desenrolar durante as reuniões, desenho feito no chão e apagado no final daquelas, ou quadro mais elaborado, no quadro do aprendiz resume se o conhecimento que ao 1.º grau compete saber da simbologia maçónica.

Duas colunas, J e B, encimadas por romãs, enquadram uma porta à qual conduzem três degraus, seguidos de um adro em mosaico xadrez preto e branco. Três janelas gradeadas, uma pedra e uma pedra cúbica ponteaguda. Por sobre as colunas o prumo e o nível. Perto da pedra bruta. o malho e o cinzel Encimando a pedra cúbica. o machado. Encimando a porta, o delta luminoso. sobre o qual assenta o compasso de pontas voltadas para cima. Mais acima. o esquadro e, acima ainda, a prancha de traçar. O sol e a lua. E tudo circundado por uma corda com três nós.

AS COLUNAS

As duas Colunas, evocativas das construídas por Hiram para o Templo de Salomão, assinalam simbolicamente, os limites do Templo. Para aquém delas, é o mundo profano. Para além, o mundo iniciático. A coluna B (de Bo’az, vocábulo que significa “em força”, ou “solidamente”), colocada do lado Norte, é a coluna do 1.º Vigilante. A coluna J (de Jachin ou Jakin, com o significado de “ele estabelecerá”), colocada no lado Sul, é a coluna do 2.º Vigilante. Noutra perspectiva, são encaradas como os princípios masculino (a coluna J, da letra hebraica Iod, significando princípio) e feminino (a coluna B, da letra hebraica Beth, que signilica casa, habitação, ou, mais genericamente, receptáculo).

Encimadas por capitéis com Lírios, esculpidos em seu redor (ou Anémonas, segundo alguns autores, pois não parece terem existido lírios na região da Palestina) eram, na sua versão original, decoradas, logo abaixo do capitel, com duas fieiras de Romãs, que delimitavam sete voltas de Correntes.

As romãs, para as quais há diversas interpretações simbólicas (desde significarem a caridade ou a humildade até à de representarem. quando abertas, uma vulva), estão decerto muito ligadas à ideia de fecundidade, multiplicação e união.

Os lírios, ou anémonas, simbolizam a chama pura. As correntes, simbolo de cativeiro representarão os laços que prendem o profano ao mundo profano e de que deverão libertar se progressivamente pela via iniciática; para outros, têm o significado dos laços que unem gerações, representadas pelas fieiras de romãs.

No seu conjunto – e em muitos detalhes – é inegável o simbolismo fálico associado às colunas. Ao franqueá-las, um novo homem é criado. O profano dá lugar ao iniciado numa nova vida, num novo mundo.

OS DEGRAUS; O PISO MOSAICO E A PORTA

Nos Três Degraus consubstanciam-se os planos físico ou material, intermédio ou astral e psíquico ou mental. Mostram os esforços que o Aprendiz deve fazer para se ir libertando sucessivamente dos diversos planos rumo aos cimos da espiritualidade.

O Piso Mosaico é formado por lajes quadradas justapostas, que se alternam em cores branca e preta, lembrando um tabuleiro de xadrez. Trevas e Luz, Bem e Mal, Corpo e Espírito, Dia e Noite, os simbolismos que lhe estão associados relacionam no com a interacção de elementos contrários, com a dinâmica dualista do pensamento ou da natureza.

O Piso Mosaico conduz à Porta do Templo, propositamente baixa para simbolizar a dificuldade que o profano tem em passar para o mundo iniciático. A Porta insere-se numa fachada murada encimada por um frontão tnangular, o Delta Luminoso, por um lado símbolo do equilíbrio entre forças opostas (o activo e o passivo), por outro evocador da ideia da Trindade de elementos, ideia fundamental de tantas religões.

AS JANELAS

As três Janelas, colocadas a Oriente, a Sul e a Ocidente, deixam entrever a marcha do Sol. Ao nascer a Oriente, o Sol ilumina o Templo do lado onde tem assento o Venerável, qual luz original e renovadora que irradia pelo Templo. Ao Meio Dia, a sua luz ilumina com toda a intensidade o lado Norte, onde se encontram os Aprendizes, os mais necessitados de esclarecimento. Os Companheiros e Mestres, mais esclarecidos, não recebem luz directa mas sim a reflectida pela parede Norte. Eles próprios já são fonte de luz. Ao crepúsculo, é o Venerável que recebe de frente a luz do Ocidente, cada vez mais fraca, convidando ao repouso.

As Grades protectoras impedem a profanação do Templo e convidam os iniciados à meditação. Para o seu trabalho, esotérico, elas não representam limites, mas temas de reflexão, como tantos outros símbolos.

AS PEDRAS E OS INTRUMENTOS DE DESBASTE

À direita e à esquerda das Colunas figuram uma Pedra Bruta e uma Pedra Cúbica Pontiagada.

A Pedra Bruta representa as imperfeições do espírito e do coração que o iniciado se deve esforçar por corrigir, aperfeiçoando-se cada vez mais, com o auxílio dos instrumentos – o Malho e o Cinzel – o malho, princípio activo, emblema do trabalho e da força que ajuda a superar dificuldades; o cinzel, princípio passivo, símbolo do discernimento e da intelectualidade que necessita contínuo aperfeiçoamento para não embotar. Nesse trabalho, ele há-de transformar a pedra inicial em cubo, sólido de grande perfeição, símbolo da estabilidade, evocativo das paredes de uma casa, evocação essa mais acentuada quando encimada por uma pirâmide quadrangular, que sugere um telhado. Representa também, se observado no seu conjunto, um elemento fundamental da construção – a chave da abóboda.

Desdobradas as faces do cubo, forma-se uma cruz latina, representação antiquíssima do homem de braços abertos – o ponto e o universo, ou seja, o lugar do cruzamento e os ramos apontando nas quatro direcções.

De mais difícil interpretação parece ser a presença do Machado (instrumento de lenhadores) encimando a Pedra Cúbica Pontiaguda.

Para alguns indicando que a pirâmide serve para o aguçar, outros comentam que está aí para proteger o telhado do Fogo (ou melhor, do Raio, como é referido em antigas tradições), como o telhado protege a casa da Água: elementos esses – Fogo e Água – sublimizantes ou dissolventes, que podem condenar à destruição o edífício em construção pelo Maçon.

O PRUMO E O NÍVEL

A perpendicular ou Prumo que se encontra junto à Coluna B é mais uma vez o princípio activo enquanto que o Nível, perto da coluna J, é o princípio passivo. Aquele aponta o centro da Terra, é o símbolo da profundidade de conhecimento e da sua rectidão – pois a característica principal do prumo é traçar perpendiculares, balizando operações e impedindo desvios. Está figurado na Jóia do 2.º Vigilante, responsável pelos obreiros da Coluna Norte. O Nível (que contém afinal aquele, pois é a combinação do Esquadro de lados iguais com o Prumo) exprime na sua maior complexidade simbólica (que inclui a cruz, reunião da vertical com a horizontal quando na posição de nivelamento correcta) que é a partir do plano terrestre que a edificação começa em estratos bem assentes e nivelados.

A maior complexidade simbólica do nível fá-lo figurar como jóia do 1.º Vigilante, responsável pelos obreiros da coluna Sul, o Oficial que substitui o Venerável nas suas ausências.

A BORDA DENTADA

A Borda Dentada, corda com três nós que rodeia os lados Norte, Oriente e Sul, é para alguns autores o símbolo da Fraternidade que une os Maçons, representação permanente da Cadela de União. Outros a apontam como evocação do cordel de marcar que os esticadores usavam para proceder no terreno às marcações dos pontos principais da planta de construção.

O SOL E A LUA

O Sol e a Lua, mais uma vez os princípios activo e passivo, opõem-se e completam-se. Colocados a Oriente, o Sol do lado Sul, a Lua do lado Norte, fornecem a luz original e a luz reflectida ao Templo. Formam, de acordo com os antigos rituais, duas das três Luzes da Loja – sendo a 3.ª luz o Venerável.

O ESQUADRO E O COMPASSO

O Esquadro simboliza a acção do homem sobre a matéria, trabalhando com rectidão e equidade. Une em si o princípio activo e o passivo, reunindo a horizontal e vertical de forma dinâmica, pois indica sempre 90º, em qualquer posição ou com braços desiguais. É instrumento indispensável para transformar a Pedra Bruta em Cubo. O Venerável usa o Esquadro como uma jóia pendurada no seu cordão. Nesse Esquadro, os braços estão na relação de três por quatro, como os dois catetos do triângulo rectângulo dos Pitagóricos.

No caso dos Veneráveis honorários, essa jóia tem ainda pendurado entre os dois braços a demonstraçao do Teorema de Pitágoras.

O Compasso, com seus dois braços móveis, podendo abrir em diversos ângulos, combina o Círculo (símbolo do lnfinito) com o Ponto (símbolo do início de toda a manifestação), a dualidade (braços) com a união (cabeça do Compasso). É usado como jóia, em diferentes aberturas, nos graus superiores

A PRANCHA DE TRAÇAR

A Prancha de Traçar é um rectângulo sobre o qual estão indicados esquemas (combinações de linhas em forma de esquadros justapostos pelos vértices e cruz do tipo grego) que permitem construir o alfafabeto maçónico.

Aprendendo a traçar uma prancha, o Aprendiz dá também os seus primeiros passos na compreensão do valor esotérico dos símbolos do Quadro do seu Grau.

A:. R:. – A:. M:. – R:.L:.M:.A:.D:.

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