Os “Baixos Graus Maçónicos”

A Maçonaria é uma Ordem Iniciática, progressiva, fraternal e de cariz filosófico e devido a isso o modo de adquirir “conhecimento”, de “Luz”, é feito de uma forma gradual e  ao longo dos tempos.

Na Maçonaria existem as chamadas Lojas Simbólicas ou “Azuis” que trabalham exclusivamente os três primeiros graus da Maçonaria (Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom) e as Lojas dos Graus Filosóficos ou Capitulares ou comummente designadas por Lojas dos Altos Graus da Maçonaria, sendo que um dos motivos que levaram à criação destes graus superiores é o processo gradativo-iniciático da obtenção de “Luz” na Maçonaria.

E por “Alto Grau” ou “grau superior” entende-se qualquer grau que algum maçom detenha, e no qual tenha sido iniciado ou comunicado, acima do terceiro grau da Maçonaria, o Grau de Mestre Maçom.

O total ou quantidade destes designados “altos graus” depende do Rito que seja trabalhado ou ao qual pertençam os maçons, sendo que geralmente o público ouve habitualmente falar nos trinta e três graus da Maçonaria, mas estes apenas são graus numéricos exclusivos de alguns Ritos maçónicos e não de todos os que existem pelo mundo fora…

Nem todos os maçons detêm graus acima do terceiro grau, pois este é aceite como o grau supremo da Maçonaria, o último grau maçónico, o resto são complementos à formação do maçom considerando que este é um indivíduo espiritual e com características especulativas e filosóficas.

Por isso, para qualquer maçom que se preze, isto é, que seja reconhecido como tal pelos seus pares, e para qualquer maçom que foi elevado ao grau de Mestre, este já completou a sua caminhada simbólica mas nunca terá terminado a sua caminhada espiritual.

E aqueles que sentem a necessidade ou a vontade de percorrer ou continuar em percorrer este caminho geralmente seguem para os Altos Graus do seu Rito ou de outros que existem; é possível ser-se membro simultaneamente de vários Ritos nas Lojas dos “Altos Graus”, algo que está vedado aos maçons na Maçonaria Simbólica, a maçonaria das “Lojas Azuis”, em que cada maçom apenas pode pertencer em exclusivo a uma Loja, mas podendo sempre visitar ou auxiliar os trabalhos de qualquer outra Loja da sua Obediência ou com a qual esta tenha relações maçónicas.

Novamente saliento que nem todos os maçons sentem essa necessidade, uns porque tal se torna dispendioso para os seus bolsos ou por manifesta falta de tempo, outros porque retiram da Maçonaria, nas Lojas Azuis, aquilo que necessitam para a sua vida espiritual, outros inclusive porque consideram que tal não lhes interessa mesmo de facto!

E é por aí que eu abordo este tema…

Porque é que alguns maçons consideram que não lhes interessa sequer pertencer aos designados corpos dos “Altos Graus, “corpos” estes que gerem e supervisionam todos graus acima do Grau de Mestre Maçom; sendo que estes “Corpos Rituais” são independentes e têm uma administração autónoma das Grandes Lojas ou Grandes Orientes que apenas supervisionam as Lojas dos três primeiros graus da Maçonaria.

Na Maçonaria qualquer maçom que detenha o 3ºGrau tem tanta importância ou valor como um maçom que detenha um 18ºGrau, o 30ºGrau ou 33ºGrau,  e quem pensar o contrário ou não sabe o que é a Maçonaria e ao que esta se propõe ou então não interiorizou bem os princípios filosóficos e iniciáticos desta Instituição.

Naturalmente que poderão existir algumas diferenças, mas nada de demasiada relevância, pois quem apenas detém o 3ºGrau não adquiriu ainda um complemento importante na sua formação maçónica, pois nos chamados “Altos Graus” são abordados temas mais abrangentes do que nas Lojas Simbólicas, as Lojas dos três primeiros graus maçónicos. Mas também não vem mal ao mundo por existirem maçons que não tenham essa vontade em persistir na obtenção de tais ensinamentos.

– São importantes mas não tão importantes assim… –

O que de facto é importante entre maçons são o reconhecimento maçónico, o labor empregue na vivência da praxis maçónica e o sentimento fraternal que envolve os membros desta Ordem fraternal e filosófica.

Mas para quem sente a vontade de ir mais além, existe sempre a possibilidade de ingressar nestes “Graus”. Contudo, todos sabemos que nada se faz, e em qualquer sítio, sem empenho e sem estudo e na Maçonaria isso é muito importante, pois os Altos Graus devem ser também estes – e principalmente estes (!) – graus de estudo e de reflexão.

Mas, e se nestes “Corpos Rituais” existem maçons que não querem estudar, nada fazer, e que apenas lhes interessa ostentar uma determinada graduação como se isso fosse importante para a profanidade ou para a maioria dos membros da Ordem, que tipo de reflexão pode ser feita realmente nestas Lojas Filosóficas/Capitulares?!

Se nesses “Corpos Rituais” existirem membros que nas suas Lojas Simbólicas nada fazem ou com nada se comprometem, cumprindo inclusive mal as funções que lhes foram atribuídas pela Loja e que até o seu Ritual, o ritual que praticam, o executam mal ou de forma deficiente, que trabalho poderá ser expectável deste tipo de obreiros?

Será afinal mais importante para alguém passear um avental diferente ou afirmar que tem o grau X ou Y?

Terão os “Corpos Rituais” interesse em ter gente assim nas suas fileiras?!

Serão esses membros assim tão importantes para as Obediências e “Corpos Rituais” para os manterem como seus obreiros?!

E serão efectivamente estes membros das Obediências e “Corpos Rituais”  reconhecidos maçonicamente pelos seus iguais?

Mesmo quando estes elementos nem sequer conseguem auxiliar ou retirar qualquer dúvida aos seus Irmãos Aprendizes e  Irmãos Companheiros das suas Lojas simbólicas quando estes lhes as apresentam?!

Felizmente para a Maçonaria (!)  estes casos são poucos e com pouca expressão, mas não deixam de existir e geralmente são esses casos que depois originam situações que nada abonam para  a Maçonaria.

Para mim pessoalmente tais personalidades não detêm nenhum grau elevado, mas apenas ostentam um “baixo grau maçónico”, sendo isso o que seja!

E sendo assim tão poucos, porque não são reformatados para terem o comportamento adequado e que é esperado de um maçom, principalmente com uma graduação tão elevada?!

Não seria em última instância e dada a sua falta de vontade, repetitiva, em mudar a sua forma de estar, lhe ser  indicada a porta correcta, para eles seguirem o seu caminho?!

No entanto, é quando, por vezes, estes detentores dos “baixos graus maçónicos” se gabam por ostentarem tais graus como se fossem supremas sapiências no que aos temas maçónicos toca, que até se me “arrepia” o estômago.

Sofrem de algumas maladies como a Pavonite e a Medalhite, patologias estas que nada abonam aos membros de uma Fraternidade Iniciática como o é a Ordem Maçónica e que urge extirpar urgentemente antes que causem mais estragos à vida interna das Obediências e à imagem da Ordem no mundo profano, que já de si teve melhores dias…

É aliás um pouco por causa disto, que muitos dos Mestres Maçons que fazem parte das Obediências maçónicas não se revêem nas estruturas dos “Altos Graus”, porque não estão para aturar comportamentos (“desviantes”) deste tipo – já lhes basta o que sucede no mundo profano – e se afastam desta caminhada, não prosseguindo os seus “altos estudos maçónicos” e  mantendo-se apenas no terceiro grau para o resto da sua vida maçónica e apenas formando parte da sua ” loja azul”.

São decisões que tomam fruto daquilo a que assistem nas suas lojas e fora delas e que com as quais não concordam nem desejam em pactuar.

Já se esqueceram estas personalidades que detêm tais “baixos graus” porque razão vão à sua Loja?! Ou porque lá devem ir?

Ou será que os motivos que os levaram a participar na Maçonaria foram outros que não apenas exaltar as suas virtudes e combater os seus vícios? Submetendo a sua vontade aos seus deveres?!

E tentar desse modo adquirir novos conhecimentos na Arte Real?

E que é para realizar tais progressos nesta Arte que ingressam nos “Altos Graus”?!

Não estará na hora da Maçonaria no seu todo começar a olhar para esta gente da forma como efectivamente o merecem?

Pode a Maçonaria continuar a albergar gente com este comportamento, dito profano, no seu seio?

Gente esta que empurra para fora quem realmente faz falta e que trabalha?!

Impedindo que bons elementos prossigam o seu caminho, porque deste modo consideram que não será para si frutuoso persistir e andar a perder tempo e dinheiro!?

Não deverão os “Corpos Rituais” reflectirem no que desejam e necessitam para a sua sobrevivência?! Bem como as Grandes Lojas e Grandes Orientes?

Será que apenas desejam gente que pague quotas, aumentando unicamente o número de membros nas suas fileiras ou se efectivamente o que precisam é de gente qualificada para fazer tal caminhada prosseguindo na senda de uma válida aprendizagem e de um efectivo labor maçónico, complementado por um aprimoramento moral e social dos obreiros filiados nas Lojas maçónicas?

Não serão estes os sentimentos tão caros à nossa Augusta Ordem?

Custa-me realmente assistir a um definhar da Maçonaria na sua generalidade, pois vejo que gente que ainda terá muito a aprender nas Lojas Simbólicas, pouco o fez, mas considera-se detentor de uma sabedoria tal por apenas ostentar um determinado grau ou por envergar um determinado avental “bonitinho”, denotando-se claramente que foram contagiados com as tais maleitas que citei anteriormente.

Gente esta, felizmente poucos (!) mas mesmo assim demasiados (!), que olha e encara os seus Irmãos de uma forma pouco fraternal e pensam que por deterem ou ostentarem tais “baixos graus” se podem sentir superiores a estes.

Nada disso meus Irmãos!

De facto não é por aí o caminho que necessita ser efectuado pelos maçons nem tal sequer beneficia a Maçonaria.

Temos de começar a seguir e viver os princípios que dizemos “da boca para fora”, tanto para dentro da Ordem como para o mundo em redor.

Cada vez mais estamos expostos ao mundo, seja pela mediatização da sociedade como pelos sinais do tempo e meus queridos Irmãos está na hora de começarmos a traçar outro rumo, novos caminhos, como fizeram os nossos antepassados quando transformaram a operatividade maçónica naquilo que é a “especulação” de hoje em dia.

Apenas transformando a Maçonaria, apoiando esta nas suas bases, as Lojas Azuis,  produzindo obreiros de qualidade, cooptando gente válida da sociedade, podemos hoje e no futuro, elevar a Ordem àquilo que ela realmente deve ser e àquilo que se espera dela!

Aproveito para renovar novamente uma afirmação que fiz anteriormente, felizmente que nem todos os maçons que são membros dos “Corpos Rituais” e das Lojas Simbólicas têm esse comportamento ou se revêem no mesmo, alguns inclusive quando se apercebem que têm de conviver com gente com uma atitude menos maçónica são os primeiros a abandonarem esses  “Corpos Rituais”, e em última instância, as  próprias Obediências, pois nada querem ter a haver nem desejam se relacionar sequer com essa gente e a sua conduta.

E é o facto de não quererem conviver com essa gente, que leva ao abandono da Ordem por parte de obreiros muito válidos para a Maçonaria, “verdadeiros maçons”, que não estão para aturarem ou pactuarem com tais comportamentos, sentindo que apenas andam, ou andaram, a perder o seu tempo pessoal e a gastar dinheiro que poderia ter outro fim que não este.

Este texto nada mais é que apenas uma chamada de atenção para o que existe e que não deveria existir sequer na Maçonaria.

E existe porque a Ordem é um espelho da sociedade em que se encontra, absorvendo aquilo que existe à sua volta; e mesmo tentando filtrar as impurezas que a circundam, por vezes se vê infestada por gente que poderia utilizar o seu tempo noutras actividades mas preferiram e decidiram entrar para a Maçonaria, como se tal lhes trouxesse algum proveito pessoal, social ou financeiro. E agora que entraram, mais difícil será os fazer sair!

Por isso é que urge apontar a porta da rua das Obediências a tais elementos ou então formá-los correctamente nas suas Lojas Simbólicas.

Formação! Formação! Formação!

Esse é o primeiro caminho a ser feito pelas Obediências e posteriormente pelos “Corpos Rituais”.

Somente assim a Maçonaria persistirá!

E devemos começar hoje, amanhã já será tarde demais…

E depois reflectir-se se os custos associados serão mesmo necessários, pois a realidade existente é de que quase se pode constatar que existem “maçons de primeira” e “maçons de segunda”; porque uns conseguem cumprir com as suas obrigações pecuniárias mais facilmente que outros, os quais fazem algum esforço para o puder cumprir e que por esse motivo ficam vedados de perseguir o ensejo de prosseguir a sua caminhada pelos graus superiores da Maçonaria.

Apenas quebrando essa divisão e distinção entre maçons poderá a Maçonaria realmente nivelar os seus obreiros, cimentando as relações fraternais que devem existir entre todos.

Quando tal acontecer, somente apartir desse momento, poderei então eu considerar que afinal os “baixos graus maçónicos” serão mesmo os “graus azuis”, que se encontram na base do esquema gradativo da Maçonaria e não os graus que algumas personalidades envergam e que as fazem sentir como – hipoteticamente ! – superiores aos comuns dos mortais…

Até lá, ainda há muito caminho para fazer…

Mas assim o espero e desejo!

Nuno Raimundo
Publicado no Blog Pedra de Buril em 20 de abril de 2018

2 Comentários em “Os “Baixos Graus Maçónicos”

  • Comungo com as opiniões emitidas pelo irmão Nuno Raimundo .
    A Maçonaria, como um todo, deve ser repensada , sob o risco de seguir os passos da Igreja e, lentamente ir desaparecendo.

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  • Bom dia
    Estou muito agradecido pelos excelentes trabalhos apresentados. Continuo estudando pois alguns já tinha esquecido.
    Grato
    TFA
    Nelson

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