A influência das lojas de pesquisa no mundo

Introdução

A Maçonaria tem deixado muitos historiadores de História Geral em dificuldades para executarem seus trabalhos, especialmente aqueles que estudam os acontecimentos históricos dos séculos XVIII e XIX, quando as suas pesquisas esbarram em situações confusas, até aparentemente esdrúxulas, pelo menos para eles, vividas por reis, políticos, chefes de estado, nobres, religiosos e etc., que foram Maçons. E, desde que estejam envolvidos Maçons, a história muda de rumo ou de versão, aparece um hiato, que faz com que o historiador fique sem um ponto de apoio importante nas suas fontes de pesquisas, porque a documentação oficial fica incompleta, e porque também o historiador não terá acesso à versão maçónica dos factos. Caso típico conhecido pela maioria dos Maçons brasileiros é a Independência do Brasil, onde a História oficial registra os acontecimentos de uma forma e a versão maçónica é bem outra, aliás, a verdadeira.

Os historiadores não Maçons não reconhecendo certos factos, e não tendo como chegar a eles, serão obrigados a inventarem ou então levantarem suposições de que os mesmos teriam corrido de uma maneira, quando na realidade a verdadeira história foi muito diferente.

Como se isso não bastasse, a Maçonaria já está a ser estudada até em universidades, especialmente na Europa, onde temos notícias que em muitos países ela é abordada como curso de extensão universitária. No Brasil, na Universidade de Caxias do Sul, em 1983, foi organizado um curso de sessenta horas-aula, cujo tema foi “A Maçonaria na História do Brasil”, ministrado pelo Vice-Reitor Dr. Mário Guardelin, como matéria interdisciplinar, curso este que foi muito procurado pelos alunos. Na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul, igualmente foram ministradas aulas sobre Maçonaria.

Outro factor que faz com que o estudo da Ordem esteja aumentando é a afinidade que a Maçonaria tem com as religiões cristãs e outras religiões que admitem como princípio, a existência de Deus e que abominam o materialismo internacional. Sabemos que muitos inimigos da Maçonaria impingem a ela os mais detestáveis adjectivos, mas que especialmente no Brasil a Ordem faz uma exigência absoluta de que o novo adepto creia em Deus. Caso contrário não o aceita, com excepção do Rito Moderno ou Francês, sobre o qual não entraremos em detalhes neste trabalho. Esta afinidade desperta curiosidade honesta em certos religiosos, especialmente padres católicos e entre eles alguns jesuítas.

Gostaríamos de citar ainda uma afirmação do francês Jacques Bergier segundo o qual, tratar-se-ia de um fenómeno mundial, a procura pelo homem moderno de associações que praticam o esoterismo iniciático, para satisfazerem seu íntimo, o vazio que têm dentro de si, nesta fase em que dadas as mudanças radicais porque passam a humanidade, as religiões estão em crise, reciclando profundamente para acompanharem e se adaptarem às novas tendências culturais, de tal forma que se preserve a Fé.

Este fenómeno que vem ocorrendo com os não Maçons que procuram conhecer a Maçonaria, também tem seu reflexo com muito mais vigor no seio da própria Ordem.

Assim é que alguns Maçons das Lojas, tendo a percepção exacta do potencial de experiência e saber que a Ordem poderá lhes dar, e cansados com o improdutivo bater de malhetes através de intermináveis sessões económicas, onde a perda de tempo é uma constante, estão se agrupando em centros de estudos, Lojas de pesquisas ou entidades afins, e estão redescobrindo a Maçonaria.

A verdade é que o Maçon que não quiser estudar a Maçonaria, cujo estudo é mais profundo e mais complexo do que 90% dos Maçons assim o entendem, ficará naturalmente para trás, enganando-se a si próprio através dos banquetes, festas de fundo de loja, doações de benemerências, etc.

Centros de estudos e Lojas de pesquisas não são movimentos novos na Maçonaria, mas no Brasil, especialmente as Lojas de pesquisas estão começando a aparecer, porque o estudo da Ordem já está bem mais acessível, já que nos últimos trinta anos apareceram excelentes obras escritas por Maçons brasileiros. Apenas alertamos que se tome o devido cuidado, porque ao lado dos bons autores existem verdadeiras sub-literaturas pululando, de falsos escritores, que constituem um verdadeiro perigo para o jovem Maçon que queira se aprofundar no estudo da Ordem e por ser novo, e as vezes não ter a devida orientação, podendo se impregnar de falsas conclusões.

Existem inúmeros centros de estudos no país. São de funcionamento mais simples que uma Loja de Pesquisas. São geralmente formados por Irmãos de uma mesma Loja, podendo, no entanto, congregar Irmãos de mais de uma Loja, dependendo de seu regimento interno. São mais de uso caseiro, por assim dizer e não tem a mesma responsabilidade que uma Loja de Pesquisas. Geralmente não publicam seus trabalhos. Todavia, existem excepções e sabemos existir no Brasil uns poucos centros de estudos, com publicações excelentes, de alto gabarito.

Já uma Loja de Pesquisas trabalha seguindo um rito, sendo, portanto, suas sessões ritualísticas. E existe pouca burocracia em seus trabalhos, sendo empregada a maior parte do tempo de suas sessões em apresentação e discussão de trabalhos, os quais serão posteriormente publicados. Possui Carta Constitutiva, sendo, portanto, uma Loja regular para a Potência que a recebeu.

Não podemos deixar de citar, num enfoque todo especial, as Academias Maçónicas de Letras, que já se somam em um bom número no Brasil. São verdadeiros centros de cultura maçónica, onde se despejam os frutos obtidos pela pesquisa e estudo da Ordem. Temos como a Academia mais actuante no momento, a Academia Brasileira Maçónica de Letras, a qual já realizou vários Congressos Internacionais de Maçonaria, fato’ este inédito na história da Maçonaria brasileira.

Quando se pretendia fundar uma Loja de Pesquisas em Londrina, no ano de 1974, uns dos seus fundadores, o Irmão João Borba Júnior, escreveu uma carta à Loja Quatuor Coronati de Londres, datada de 07.10.1974, a qual surpreendentemente foi respondida, já que não é costume da Loja responder correspondências a quem não pertença ao Círculo de Correspondentes, ou seja, Maçons que a Loja não julgue regular. Aliás, toda vez que ouvimos a expressão “Maçon regular”, “Loja regular”, no sentido de Potência fere nossos conceitos de Maçonaria, de Iniciação, pois a Maçonaria é a mesma em seus princípios, ritos, história, filosofia, etc. E a Grande Loja Unida dá

Inglaterra exagera nesta exigência. Sempre questionamos se a Grande Loja Unida da Inglaterra, que se considera a Loja-Mãe do Mundo, a única capaz de ditar a regularidade ou não de todas as Lojas da face da terra, quem a tornou regular? O Grande Arquitecto do Universo por acaso?

E este critério se aplica também à Loja Quatuor Coronati, filiada à Grande Loja Unida da Inglaterra, já que pela sua importância é uma Loja diferente onde não deveria ter barreiras, especialmente para todos os pesquisadores Maçons do mundo, mormente aqueles que pertencem a Potências não reconhecidas pela Grande Loja Unida da Inglaterra. Acreditamos que o saber iguala todos os Maçons espalhados pela face do orbe.

Bem, a pergunta formulada à Loja Quatuor Coronati foi se era permitido copiar o nome da mesma e colocá-la numa Loja de Pesquisas que seria fundada em Londrina. A resposta foi taxativa: NÃO. Todavia, este posicionamento não impediu que Lojas de pesquisas da Áustria, Alemanha e Itália colocassem o nome Quatuor Coronati. Como no mundo existem inúmeras Potências Maçónicas e já que o ultrapassado conceito de regularidade não tem razão de ser, quem é que vai impedir alguém na Maçonaria de copiar um nome?

Os membros fundadores da Loja de Pesquisas Maçónicas “Brasil” tiveram pelo menos a ética de consultar a Loja Quatuor Coronati antes. Como a resposta foi não, o Irmão Peter Angermeyer, um dos fundadores da Loja sugeriu o feliz nome de “Brasil”, pois acreditava que ainda um dia a Loja teria uma expressão nacional. Estes comentários não tiram os méritos da Loja Quatuor Coronati de Londres que, apesar destes detalhes, ainda é a mais importante Loja de Pesquisas do mundo.

Quando da organização de uma Loja de Pesquisas costuma-se tomar uma outra já existente, mais antiga, como modelo. A Loja de Pesquisas Maçónicas “Brasil” tomou a Loja Quatuor Coronati de Bayreult da Alemanha, como tal.

As Lojas de Pesquisas proliferam em todo o mundo maçónico. Existem inúmeras nos Estados Unidos, que detém o maior número, na França, Itália, Áustria, Alemanha. No Brasil, a Loja de Pesquisas Maçónicas “Brasil” foi a primeira a ser fundada. Felizmente já não está só.

Não erraremos em afirmar que a cultura maçónica actual do mundo está baseada em estudos das Lojas de Pesquisas e, o objectivo de todas estas entidades é inspirar amor à pesquisa, incentivar o estudo da Maçonaria em todos os ângulos, a ler os trabalhos em Loja e discuti-los e ainda atrair as atenções para uma cooperação de todos os Maçons

estudiosos do mundo. Assim, através das pesquisas destas Lojas foram sendo esclarecidos todos os pontos obscuros, as lendas inventadas que não tinham razão de ser, os rituais antigos, a história verdadeira da Maçonaria.

A loja quatuor coronati de londres

Está claro que rendemos nossas homenagens à Loja Quatuor Coronati de Londres, que foi fundada há quase cento e vinte e quatro anos. Ela deve seu nome em homenagem à lenda dos Quatro Santos Coroados da Maçonaria Operativa. Foi a primeira a ser fundada no mundo e até hoje é a mais importante. Foi fundada pelos Irmãos ingleses Sir Charles Warren, W. H. Rylands, R. F. Gould, Reverendo a F. a Woodford, W. Besant, R. P. Rylands, S.C. Pratt, W. J. Hughan e G. W. Sperth, nove ao todo. Alguns destes Irmãos eram os maiores pesquisadores do seu tempo, não só na área maçónica. Na Loja foram verdadeiros cientistas da pesquisa. Criaram a Maçonaria científica, cujo exemplo foi seguido pelos sucessores.

A Loja foi fundada no dia 28.11.1884, data que consta na sua Carta Constitutiva. Todavia, devido a partida de Sir Charles Warren, Venerável eleito, para a África em missão diplomática e militar, a Loja somente foi consagrada em 12.01.1886. Nos fins deste ano, em Dezembro, os membros da Loja decidiram para que se alcançasse todos os pesquisadores e verdadeiros estudiosos da Maçonaria do mundo, e fosse criada uma forma de comunicação com eles. Foi assim criado o Círculo de Correspondentes. Podem fazer parte deste Círculo todo Mestre Maçon regular, as Lojas ou Capítulos regulares, Círculos de Estudos e bibliotecas regulares. Quem dá essa regularidade é a Grande Loja Unida da Inglaterra. O Grande Oriente do Brasil mantém Garante de Amiza4e com a Grande Loja Unida, se enquadrando, portanto, nesta categoria. Existem poucos membros correspondentes da Loja Quatuor Coronati no Brasil, dos quais dois eram os Irmãos Kurt Prober e Francisco de Assis Carvalho (Xico Trolha), que se encontram no Oriente Eterno.

A Loja Quatuor Coronati tem duas categorias de membros. Os efectivos ou titulares, cujo número foi estabelecido em quarenta, mas segundo relato, este número nunca chegou a ser preenchido. Para pertencer a este selecto quadro, somente por convite de outro efectivo e ter realizado um trabalho muito importante na Maçonaria, ou ter se distinguido nas artes, ciências ou literatura. O outro tipo de membro da Loja é o correspondente, que actualmente no mundo está perto dos quinze mil.

A Loja se reúne seis vezes por ano, mas no início se reunia uma vez somente, no mês de Novembro, numa data que se aproximava da data do sacrifício dos Quatro Coroados, numa quinta-feira (08.11.302, E:. V:.).

A Loja Quatuor Coronati não é iniciática. É apenas de estudos e pesquisas. A Loja não aceita nas suas reuniões Aprendizes ou Companheiros, somente Mestres.

A Loja mantém uma biblioteca e um museu. Faz a publicação de todos os seus trabalhos através do Ars Quatuor Coronatorum. As Actas Ars Quatuor Coronatorum (trabalhos dos Quatro Coroados) que são publicadas anualmente contêm discussões em Loja, biografias, críticas de livros, resultados de pesquisas, etc. São ricamente ilustradas com reproduções de documentos de textos antigos, fac-símile, retratos, etc.

O tipo das publicações pode ser “standard”, que é uma espécie de brochura, em papel simples, ou então uma publicação especial em papel couché ricamente emoldurada semelhante às colecções do Larousse Universal. A publicação dos trabalhos é feita através de uma editora de propriedade da própria Loja, mas constituindo-se uma firma, em separado.

Cada fascículo da colecção poderá ser adquirido pelos membros efectivos e correspondentes, mediante o pagamento de seu valor. Quem não pertencer à Loja não poderá adquirir este precioso tesouro literário da Maçonaria. Não achamos justa esta situação.

Os membros do Círculo de Correspondentes, também chamados associados ou correspondentes, gozam dos mesmos privilégios dos membros titulares ou efectivos, sem, no entanto, terem o direito de votar e de ser votados. Quer dizer, não participam dos problemas internos da Loja.

Os privilégios são:

  • Receber na inscrição, uma cópia do volume mais recente e disponível “standard” do Ars Quatuor Coronatorum dos trabalhos da Loja.
  • Receber anualmente uma cópia do Ars Quatuor Coronatorum, seja o volume “standard” ou a encadernação em papel couché, desde que pague, conforme a escolha do membro correspondente.
  • Receber as convocações da Loja, nas quais sempre constarão itens de interesse maçónico e a programação da reunião.
  • Frequentar as reuniões da Loja Quatuor Coronati, como associado e participar nas discussões. É costume, após as reuniões, todos os membros presentes jantarem juntos, cada um pagando o seu jantar, no bom e velho estilo inglês, que eles fazem questão de frisar. Os membros correspondentes e visitantes são cordialmente convidados, mas nas mesmas condições dos titulares.
  • Dirigir qualquer tipo de pergunta à respeito da história da Maçonaria, costumes, rituais, etc., as quais serão respondidas.
  • Comprar qualquer tipo de publicação da Loja. Este privilégio é restrito somente aos membros da Loja.

Estas são, em síntese, as actividades da Loja Quatuor Coronati de Londres, uma das mais importantes Lojas do mundo, que infelizmente poucos Maçons a conhecem.

A loja de pesquisas maçónicas “Brasil”

A Loja de Pesquisas Maçónicas Brasil teve seu início há trinta e três anos quando um grupo de Maçons livres pensadores de Londrina, todos eles Amigos e com as mais variadas tendências metafísicas, resolveu um Centro de Estudos Maçónicos. Nessa época havia pouca literatura maçónica, e despontavam como escritores maçónicos Nicola Aslan, Theobaldo Varoli Filho e o José Castellani estava iniciando sua carreira.

Esses livres pensadores acreditavam que uma Instituição com mais de 180000 livros publicados a respeito, com vários séculos de existência, que havia influenciado pelo menos em parte no pensamento humano que norteia a civilização não era aquela Maçonaria simples que existe dentro dos Templos. Queriam saber mais.

Após os primeiros contactos para a formação do Centro de Estudos, Peter Angermeyer, que mais tarde viria a ser o primeiro Venerável da Loja Brasil, propôs que ao invés do Centro de Estudos, fosse fundada uma Loja de Pesquisas, nos moldes de outras que existem há anos na Europa como, por exemplo, a Loja Quatuor Coronati de Bayreult (Alemanha), da qual o Irmão Peter era membro correspondente, e a Quatuor Coronati Lodge of London, n° 2076, esta última loja centenária considerada a Loja Mãe de todas as Lojas de Pesquisas do mundo. A sugestão do Irmão Peter foi prontamente aceita.

Uma vez decidido que iria se fundar uma Loja de Pesquisas passou-se a escolha do nome. O nome inicialmente pensado foi Loja Quatuor Coronati de Londrina. Todavia, em consulta realizada à Loja Quatuor Coronati de Londres ficou-se sabendo da existência de diversas Lojas com o mesmo nome espalhadas pelo mundo afora e a Loja inglesa achava melhor não fundar outra Loja com o mesmo nome.

Posteriormente, o próprio Peter Angermeyer sugeriu o nome de Brasil, posto que acreditava que um dia esta nova Loja teria expressão nacional. Apesar de argumentos de que já existiam diversas Lojas “Brasil”, tanto com “Z” como com “S”, este nome prevaleceu.

No dia 15.03.1975 deu-se a fundação oficial da Loja. Oito Irmãos compareceram neste dia e na terceira e quarta sessões, mais dois vieram aumentar o número para dez. Estes dez Irmãos são considerados fundadores da Loja Brasil. São eles: Avano Alvares da Silva Campos (in memorian), Gil Fernandes Guerra, Hércule Spoladore, Ivan Giacomo Piza, João Borba Júnior, João Laércio Gagliardi Fernandes, João Carlos Bespalhock, Jurgens Jacobs Puls (in memorian), Peter Angermeyer (in memoriam) e Raymundo Francisco Xavier.

Após a fundação, precisávamos de uma Potência Maçónica para nos dar guarida. Em 20.06.1975 o Grão-Mestre Enock Vieira dos Santos, publicou um acto concedendo a Loja Brasil o carácter provisório. As reuniões ocorriam aos sábados de tarde em um escritório situado nos fundos da residência de Irmão do quadro.

Nesta primeira fase, graças às correspondências especialmente com o exterior, em especial com a Alemanha, Estados Unidos e Bélgica, o grupo ficou em estado de graça, pois começou a descobrir a cada dia factos interessantes a respeito da Ordem. Durante as reuniões eram debatidos assuntos maçónicos por várias horas. Outros Ritos passavam a ser conhecidos bem como seus procedimentos litúrgicos ritualísticos. Estudava-se factos da história da Maçonaria, sua doutrina e filosofia, sempre de maneira directa e correcta.

Em Agosto “de 1979 as reuniões passaram a ocorrer em uma escola de inglês (Pink and Blue – Liage) pertencente a um dos Irmãos e sempre na segunda quinta-feira de cada mês. Os membros da Loja passaram a participar de todos os Encontros e Congressos realizados pelo Grande Oriente do Paraná, sempre com destaque e sucesso.

Em 1980, devido a um desvio natural da vida da Loja, esta passou a se interessar também pelos problemas políticos, administrativos e ritualísticos do Grande Oriente do Paraná. Como resultado, oito membros da Loja ocuparam cargos de grande importância na administração da Potência, tendo inclusive o João Laércio G. Fernandes sido eleito para Grão-Mestre Adjunto no triénio 1980/1983.

Essas actividades prejudicaram as reuniões da Loja, mas não abalaram o relacionamento do grupo o qual permaneceu coeso. Apesar de sermos da opinião de que pesquisadores não devem ocupar cargos administrativos, a participação da Loja Brasil

foi fundamental posto que foi possível causar uma verdadeira revolução na Ritualística através de encontros de Mestres realizados em várias cidades da jurisdição. Foram trazidos palestrantes de outros estados e os erros que existiam nos Rituais foram mostrados ao povo maçónico.

Em 21 de Novembro de 1980, durante o 5° Encontro de Mestres realizado em Maringá, o Grão-Mestre Frederico de Chalboud Biscaia entregou simbolicamente à Loja Brasil seu Breve – Constitutivo. Nessas alturas, os membros da Loja Brasil passaram a apresentar palestras nos mais diversos locais.

No dia 15 de Dezembro de 1984 o Venerável Peter Angermeyer partiu para o Oriente Eterno. No mês de Abril do mesmo ano, entrou na Loja o Irmão Francisco de Assis Carvalho, sendo que as reuniões passaram a ser realizadas em sua residência. O Irmão Francisco de Assis colocou a revista “A Trolha” à disposição da Loja de Pesquisas, oportunidade que ajudou com que a Loja ficasse conhecida em todo o Brasil. Um’! Loja de pesquisas se caracteriza pela publicação de seus trabalhos, tendo a Loja Brasil como seu órgão divulgador a revista maçónica A Trolha, do inesquecível Irmão Xico Trolha, que posteriormente veio a ocupar o cargo de Venerável Mestre.

Durante os anos de 1984 a 1986, novos horizontes foram vislumbrados. Pensou-se na adopção de um outro Ritual e na ampliação do Quadro de Obreiros. Decidiu-se então pelo Rito de Emulação. As reuniões passaram a ocorrer em um Templo.

Mais ou menos por essa época, a Loja Brasil passou a sentir pressões de algumas Lojas em Londrina. De maneira velada, sabíamos que jamais cederiam seus Templos para a Loja Brasil. Ao mesmo tempo, os membros da Loja de Pesquisas eram chamados de “donos da verdade” ou a “Loja dos Doze Apóstolos”, já que na época havia doze irmãos em seu Quadro de Obreiros.

Entretanto, a Loja Pitágoras, discordando da orientação citada anteriormente, nos cedeu seu Templo. O rito adoptado pela Loja foi o de York, por questões de adequação ao templo da Loja Pitágoras, onde passaria a funcionar e onde até a presente data realizamos nossas reuniões, vindo a ser realizada a sua primeira sessão neste rito em 12 de Outubro de 1985.

À Loja Pitágoras, nossa eterna gratidão. Nunca encontramos palavras adequadas de agradecimento. O que a Loja Brasil fez, foi indicar ao Grande Oriente do Paraná que concedesse à Loja Pitágoras o título de Grande Benfeitora, o qual foi concedido.

O Brevê definitivo só concedido onze anos após a fundação da Loja, sendo entregue no dia 15 de Março de 1986, sendo o acto 03/86 assinado pelo Grão-Mestre Irmão Luiz Gastão Felizardo em 22 de Fevereiro de 1986.

Nessa época, nos encontros e congressos realizados pelo Grande Oriente do Paraná, a Loja de Pesquisas apresentava a maioria dos trabalhos e palestras, algumas vezes chegando a 70% do total dos trabalhos. Os membros do Quadro da Loja eram convidados a participarem de palestras e discussões em outras Lojas do Paraná e de outros Estados, passando a Loja de Pesquisa a ter um amplo reconhecimento a nível nacional.

Filiada também à Academia Brasileira Maçónica de Letras, a Loja Brasil já realizou diversos eventos maçónicos. De 18 a 20 de Março de 1988 foi realizado em Londrina, pela Loja Brasil e a Revista “A Tralha”, sob a orientação e responsabilidade da Academia Brasileira Maçónica de Letras, o IV Congresso Maçónico Internacional de História e Geografia. Até então, este foi o maior evento cultural maçónico do país. Cerca de 300 irmãos se inscreveram. Estavam presentes o Grão-Mestre, Soberanos Comendadores, autoridades maçónicas diversas e ilustres palestrantes. O acervo do Congresso contou com 77 trabalhos.

Durante este evento foi lançada a ideia pelo Padre Valério Alberton, o mais eminente maçonólogo do Brasil, da realização de um encontro anual dos Membros Correspondentes, a exemplo da Loja Quatuor Coronati de Londres. E assim foi feito. Passou a realizar todos os anos, em data aproximada a da fundação da Loja, um Encontro dos cerca de 242 membros correspondentes da Loja de Pesquisas.

No campo da divulgação dos trabalhos maçónicos elaborados pelos membros da Loja Brasil cabe ressaltar que a Editora “A Trolha” publicou nos últimos anos mais de 150 livros, quer colectâneas de trabalhos, quer de um só autor.

A Loja Brasil não foi a primeira Oficina nacional a se preocupar com pesquisas. A primeira Loja de pesquisas foi a Loja Segredo no Oriente do Rio de Janeiro, fundada em 1921 pelos Irmãos Otaviano Bastos e Everaldo Dias. Todavia, a Loja Brasil teve uma oportunidade histórica de acontecer em um momento propício. Estávamos no final do século e os livres pensadores Maçons tinham a necessidade compulsiva de repensar a Maçonaria para o novo século que se aproximava.

A Loja Brasil muitas vezes actua como a enzima catalisadora aproximando os estudiosos de todo o Brasil. As almas gémeas e os pensadores idênticos possuem aqui um lugar de encontro. Existe na Maçonaria um grupo preocupado com os Revista de

Ciência Maçónica destinos da Ordem e também com os destinos do Brasil e do mundo. Isto é bom. Temos certeza de que estamos cumprindo um destino histórico.

A Loja Brasil não inventou o estudo e a pesquisa maçónica. Estes ingredientes existem na Ordem desde o seu aparecimento. A Loja de Pesquisas apenas sente um júbilo com as suas actividades que, ao longo desses anos, foram muitas e serviram de inspiração para a fundação de outras Lojas com a mesma finalidade.

Diante dos nobres objectivos que perseguem as Lojas de Pesquisas e do laborioso trabalho desenvolvido pela Loja Brasil, é com muita alegria, pois, que vemos a Paraíba agora dispor de sua primeira Loja de Pesquisas, a Loja Maçónica de Estudos e Pesquisas Renascença, oriunda da iniciativa dos valorosos Irmãos Ailton Elisiário de Sousa, Adenauer Henrique Cesário, Luiz Carlos Silva, Raimundo Marcos Assis Bandeira e mais treze outros Irmãos da Loja Regeneração Campinense, em Campina Grande.

Os seus frutos já começam a surgir, notadamente por esta Revista “O Buscador”, será sem dúvidas o veículo por excelência das publicações dos estudos e das pesquisas desses Irmãos, e que à semelhança da Loja Brasil, muito haverá a Loja Renascença de influenciar os rumos da Maçonaria Paraíbana neste século que se inicia.

Hercule Spoladore

(O Autor é escritor maçónico, membro da Loja de Pesquisas Maçónicas “Brasil” e da Academia Brasileira Maçónica de Letras. Ex Venerável Mestre da Loja Simbólica “Regeneração 3ª” e da Loja de Pesquisas “Brasil“, do Grande Oriente do Paraná. Médico.)

Bibliografia

  • ALBERTON, Pe. Valério. Estudos maçonológicos. Revista A Trolha, n° 28, Londrina, Mar./Abr. 1987.
  • JÚNIOR, João Borba. Cem anos da Quatuor Coronati. Revista A Trolha, n° 18, Londrina, Out./1984.
  • LOJA DE PESQUISAS MAÇÔNICAS “BRASIL”. Actas da Loja. Livros n’s. 1 e 2.
  • LOJA QUATUOR CORONATI. Transactions of Quatuor Coronati, Lodge n° 2076. Volumes da Ars Quatuor Coronatorum.
  • REVISTA A TROLHA. Cadernos de Pesquisas Maçónicas. Caderno 1. Editora A Trolha. Londrina. 1989.

Um Comentário em “A influência das lojas de pesquisa no mundo

  • Olá FREEMASONRY
    Não sei porquê, gostei muito de ler tudo!! Ainda por cima por aparecer “discretamente” uma alusão à Loja Mestre Affonso Domingues! É assim que a maioria das Lojas deviam funcionar!

    Bem haja a quem escreveu este Artigo!
    Luís Miguel Rosa Dias

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