George Washington: Mestre Maçom fundador dos EUA

George Washington (1732 – 1799)

George Washington (1732 – 1799) é considerado com toda a legitimidade o “Pai fundador da Nação”, tendo sido o primeiro Presidente dos Estados Unidos (1789-1797) depois de ser o comandante-em-chefe vitorioso do Exército Continental durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos, tendo presidido à convenção que elaborou a Constituição que veio a substituir os Artigos da Confederação e a estabelecer a posição de Presidente. Foi “o primeiro na guerra, o primeiro na paz e o primeiro no coração dos seus concidadãos”, disse Henry Lee, seu contemporâneo, no dia da sua morte.

Poderá causar uma profunda estranheza aos americanos dos dias de hoje o facto de quando George Washington tomou posse da Presidência, a Bíblia utilizada para o seu juramento ter sido a da Loja maçónica São João, de New York, na época em que era precisamente Venerável da Loja maçónica Alexandre, em Alexandria, na Virgínia, podendo afirmar-se com toda a legitimidade que a Maçonaria Escocesa do Rito de York teve papel activo na fundação do País e na elaboração da sua Carta Magna que é a Constituição garante da independência nacional, tendo tido papel proeminente este considerado “Pai fundador da Nação” que era Mestre-Maçon de Grau elevado.

Com efeito, George Washington foi iniciado na Maçonaria em 4 de Novembro de 1752 tendo pago 2 libras e 3 shellings; na Loja nº 4 de Frederiksburg recebeu a elevação de Grau em 3 de Março de 1753 e foi exaltado a Mestre em 4 de Agosto de 1753. Presume-se ter sido o primeiro Venerável Mestre da Loja Alexandre nº 22, em Alexandria, pois o seu nome aparece em primeiro lugar na lista da Comissão que recebeu a Carta Constitucional em 1788. Além de ter prestado o seu juramento presidencial ante o Ministro Robert Livingston, que era o Grão-Mestre da Grande Loja de New York, sobre uma Bíblia maçónica, promoveu a fundação do Capitólio e na cerimónia de lançamento da sua primeira pedra, em 18 de Setembro de 1793, apareceu com as insígnias de Venerável Mestre de Honra da sua Loja. Albert Gallatin Mackey (1807-1881), distinto escritor maçónico norte-americano, afirmou que Washington foi iniciado durante a guerra com a França na Loja Militar nº 227 do Regimento 46. Mas, por motivo qualquer, Mackey não citou o mais importante da entrada e elevação maçónica de George Washington: a deste ter por patrono e conselheiro encoberto um Superior Incógnito ou Mestre Espiritual (Mahatma, efectivo Illuminati ou Iluminado), provindo da misteriosa Fonte Suprema do Mundo identificada pelos orientais como Shamballah ou Agharta, com severas semelhanças à Terra do Preste João dos templários e hermetistas medievais.

Com efeito, segundo Robert Allen Campbell na sua obra Or Flag (Chicago, 1890), em 1775 quando os fundadores da República nascente estudavam o projecto de uma nova bandeira, apareceu um homem estranho, espécie de Conde de Saint-Germain em notável e estranho desterro de França no continente americano onde circulava entre a hoje cidade de Washington e o actual Estado do Novo México, dizendo que possuía a Hacienda del Destierro em El Moro, próximo a Cimarron, o qual ganhou imediatamente o respeito e a amizade de Benjamin Franklin e de George Washington.

Este personagem misterioso, a quem os memorialistas se limitam a chamar o Professor, aparentava ter mais de setenta anos, embora fosse tão direito e vigoroso como no princípio da sua vida. De estatura alta e aspecto extremamente digno, falava com uma autoridade que se misturava com uma grande cortesia. O regime alimentar deste cavalheiro era curioso: não comia carne nem peixe, não bebia vinho nem cerveja e reduzia a sua alimentação aos que entendia chamar de alimentos da saúde: cereais, nozes, frutos e mel. À semelhança do Conde de Saint-Germain, o Professor falava frequentemente de acontecimentos históricos de tal modo que dava a impressão de ter sido sua testemunha. Depois de ter promovido a assinatura da Declaração de Independência em 1776 e passada a euforia do momento, quis-se conhecer a identidade do majestoso Professor e exprimir-lhe gratidão, mas ele tinha partido e nunca mais tornou a ser visto. Aparentemente tinha voltado ao seio da sua misteriosa Fraternidade, após ter cumprido com êxito a sua missão, resumida nestas suas palavras proferidas em 4 de Julho de 1776: Deus deu a América para que ela seja livre!

Sem dúvida que o enigmático Professor assim como a moral maçónica marcaram irreversível e positivamente o perfil e conduta de George Washington, tanto espiritual como politicamente. No seu discurso de despedida da Presidência em 1797, chamou a atenção para o civismo e avisou contra o partidarismo e o envolvimento em conflitos externos, reafirmando a separação de poderes entre o Estado e a Religião. Ele que foi um dos primeiros a falar da tolerância religiosa e na liberdade de culto. Em 1775, ordenou às suas tropas que não mostrassem sentimentos anti- católicos quando queimaram a efígie do Papa na Noite de Guy Fawkes. Quando contratou operários para a sua mansão de Mount Vernon, escreveu ao seu agente: “Se são bons trabalhadores, podem ser da Ásia, da África ou da Europa, podem ser muçulmanos, judeus, cristãos ou de qualquer seita, e até podem ser ateus”. Em 1970, escreveu em resposta a uma carta da Sinagoga Touro que enquanto as pessoas permanecessem como bons cidadãos, não seriam perseguidas por terem diferentes crenças ou religiões. Isto foi um alívio para a comunidade judaica dos Estados Unidos, já que os judeus tinham sido discriminados e até expulsos em muitos países europeus.

Regressado a sua casa em Mount Vernon, dedicou os seus últimos dois anos à vida doméstica e à gestão de vários projectos, incluindo no seu testamento a libertação de todos os seus escravos. No ano seguinte, em 24 de Outubro de 1798, escreveu ao seu amigo G. W. Snyder, pastor evangélico em Maryland, uma carta pessoal (actualmente muito adulterada e pior interpretada), que realmente é o codicilo espiritual da sua verdadeira posição ante a Maçonaria e os Superiores Incógnitos do Mundo promotores da fundação dos Estados Unidos da América:

Mount Vernon, 24 de Outubro de 1798.

Respeitável Senhor, o único motivo de o incomodar com a recepção desta carta, é o de explicar e corrigir um erro que apercebi ao escrever-lhe anteriormente, devido à pressa com que muitas vezes sou obrigado a fazê-lo.

Não era minha intenção duvidar que as doutrinas dos Iluminados e os princípios da Maçonaria não se tenham propagado nos Estados Unidos. Pelo contrário, ninguém está mais verdadeiramente satisfeito com esse facto do que eu estou.

A ideia que eu quis transmitir foi que eu não acredito que as Lojas da Maçonaria no País, como sociedades, tiveram como esforço propagar doutrinas diabólicas atribuídas aos primeiros como princípios perniciosos da última (se tais são susceptíveis de separação). Os indivíduos que delas têm essa noção e fazem isso, podem atribuir tal aos seus fundadores ou aos instrumentos utilizados para fundar sociedades democráticas nos Estados Unidos, mas serão eles próprios quem terão esses objectivos, tendo em vista pretenderem realmente uma separação entre as pessoas do seu Governo, motivo muito evidente que deve ser questionado.

Atenciosamente,
George Washington

Vítor Manuel Adrião

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