O Ofício de Primeiro Vigilante

cerca de alguns meses o nosso querido Venerável Mestre encarregou-me de elaborar um trabalho onde eu discorresse um pouco sobre as funções de que presentemente me encontro investido na nossa Respeitável Loja. Função ou Ofício esse que é o de “Primeiro Vigilante” da nossa querida Loja.

Poderia efectuar uma abordagem mais ligeira, simplista, e não uma que fosse, quiçá, um pouco mais maçadora e que se prolongasse nos nossos “tempos”, mas de facto, para mim, esse seria um caminho demasiado fácil a ser tomado e outros já o tomaram antes de mim. E temos de assumir, ninguém esperaria que eu tomasse ou optasse sequer por um caminho fácil, pois nem sequer é essa a minha forma de estar na Vida!

Deste modo encetei várias pesquisas e realizei estudos sobre aquilo a que esta função e desígnio respeitam, seja historicamente, funcionalmente, espacialmente e até mesmo religiosamente, para que a possamos enquadrar e compreender. E digo religiosamente porque alguns dos meus apoios nesta demanda foram o Antigo Testamento e o Novo Testamento, ambos eles fazendo parte dos Livros da nossa Sagrada Lei e que por esse motivo se encontram em uso na nossa Respeitável Loja, nomeadamente a Torah e a Bíblia Cristã.

Quanto à componente histórica, percorri várias “histórias da Maçonaria”, as Constituições de James Anderson e a maioria das Old Charges, totalizando quase todos os Manuscritos conhecidos, sondei também a opinião de vários autores consagrados e as conclusões a que cheguei são as que agora Vos apresento.

Como todos temos a oportunidade de conhecer desde a nossa Iniciação na Ordem, o Primeiro Vigilante é o “segundo Oficial” da Loja, estando a seu cargo a Coluna do Sul e utiliza como sua ferramenta de trabalho o Malhete, sendo a Jóia do seu ofício o Nível, mantendo a utilização das luvas brancas e do avental de Mestre Maçom.

O Primeiro Vigilante integra em conjunto com o Venerável Mestre e o Segundo Vigilante as designadas “Luzes Menores da Loja”, sendo as “Luzes Maiores da Loja” o Livro da Lei Sagrada (em uso…), o Esquadro e o Compasso.

No Rito que praticamos na nossa Respeitável Loja, o Rito Antigo Escocês e Aceite, o Primeiro Vigilante posiciona-se no Ocidente do Templo, mais propriamente a Noroeste, junto à entrada do Templo e nas proximidades da Coluna B e sob a Lua que se encontra no tecto do Templo, na Abóbada Celeste.

Diz também o Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceite que o Primeiro Vigilante tem como deveres verificar a cobertura da Loja, certificar-se da regularidade dos presentes em Sessão de Loja, pagar aos Obreiros e despedi-los contentes e satisfeitos. Pagamento este realizado no término da Sessão e momentos antes de este assessorar o Venerável Mestre no encerramento dos Trabalhos maçónicos, isto é, o “fecho da Loja.”

Abordarei mais adiante neste Trabalho um pouco mais sobre o que as suas funções e deveres concernem.

Irei também falar um pouco sobre a Jóia referente ao ofício do Primeiro Vigilante, que é representada pelo Nível, e também sobre a sua “ferramenta de trabalho”, o Malhete, mas neste caso em concreto, falarei menos ainda, dado ser um utensílio que nos honra a todos desde as nossas “primeiras horas de Maçonaria”, pois é ele também uma das ferramentas do Grau de Aprendiz na sua versão de simples malho.

Também em relação à Coluna junto à qual o Primeiro Vigilante se coloca, a Coluna B, a Coluna Boaz, também irei traçar algumas reflexões sobre a mesma durante o desenrolar deste Trabalho.

Sobre as origens históricas desta função, tentarei de forma mais singela, tocar em alguns pontos que me parecem relevantes, dado que nos dias que correm, apesar da existência de vários documentos respeitantes à Ordem e documentos esses onde vêm relatadas as nossas “origens” e onde são debatidos e regulamentados os nossos “deveres”, nem sempre e dadas as diferentes origens de cada documento, se conseguir certificar “Onde?” e “Quando?” a função sobre o tema em apreço, a do ofício de Primeiro Vigilante, é efectivamente original.

Mas para já começo por aquilo que é o significado comum da palavra “vigilante”, ou seja, ser ou estar vigilante é um estado em que nos encontramos atentos, despertos, cautelosos, provindo de “vigília”. A própria etimologia da palavra “vigilante” se refere àquele que vigia, que observa, que fiscaliza e que protege; nomeadamente a profissão de segurança particular ou privado também é correntemente designada por vigilante.

A função de Vigilante não é um exclusivo maçónico, esta categoria ou ofício é comum a outras corporações que existiram, nomeadamente a corporação dos Carpinteiros ou “mestres da madeira”, entre outras… Citei esta porque de certa forma tem analogias várias com a “corporação” a que pertencemos.

O Vigilante na maçonaria operativa/construção civil é uma espécie de superintendente-de-obras, um contramestre, um capataz, que auxiliava na administração e inspecção das obras ou construções a cargo do seu Mestre-de-Obras, pessoa essa que tinha a seu cargo o empreendimento em curso, para além do pagamento dos vencimentos aos operários que trabalham nessas empreitadas.

Como todos sabemos, os operários da construção reuniam-se em grémios ou guildas que eram designadas como Lojas Maçónicas. Originalmente, essa reunião deveu-se ao facto de tentarem concertar preços e salários entre si, tentando adquirir direitos e regalias que de outra forma seria difícil de as obter. Uma espécie de “proto-sindicatos” corporativos. Mais tarde, essas guildas “originais” vieram a originar o que actualmente conhecemos como Lojas Maçónicas.

Normalmente essas Lojas ou Grémios eram administradas por um membro da Loja que tivesse mais experiência ou conhecimentos na Ars Structoria e este era eleito pelos seus pares, os Companheiros da Loja, sendo a sua eleição geralmente anual. A este obreiro era lhe dado o nome de Mestre da Loja.

É desconhecida a origem temporal da introdução do ofício de Primeiro Vigilante na Maçonaria, mas porventura em alguns locais, as Lojas, dada a complexidade e/ou tamanho da obra a cargo do seu Mestre de Loja, estas seriam dirigidas pelo seu Vigilante (da Loja) e assessorada pelos Diáconos (função esta que hoje em dia existe ainda em alguns Ritos nomeadamente o Rito de Emulação e o Rito de York, também estes com representação na nossa Grande Loja).

Na Escócia esta era a prática generalizada durante a época medieval, coexistindo os Wardens e os Deacons; contudo pela imigração de pedreiros irlandeses para a cidade de Londres, mais tarde essa prática acabaria também por ser incorporada por algumas lojas inglesas.

Todavia, nas Steinmetzen (guildas germânicas) existia a figura do Parlirer que agia da mesma forma, funcionando como um Vigilante em Loja, e na França esta função estava a cargo do Maistre Garde.

Durante algum tempo, pelo menos na Europa, houve inclusive uma separação nas funções do Mestre da Loja, existindo, por assim dizer, dois Mestres da Loja, um Mestre da Loja com funções meramente “ostentativas” e que à construção propriamente dita não tinha grande ênfase dado ser meramente funcional – seria nomeado pelo representante local do poder instituído ou ser o dono da obra – e outro Mestre da Loja com funções realmente operativas, e por conseguinte, este seria o Mestre da Loja que a nós nos interessa relevar.

– Mestre da Loja, termo este que se veio a uniformizar para designar quem dirigia a Guilda (Mestre e Vigilantes) e que foi adoptado pelos maçons especulativos e que permaneceu até hoje; encontrando-se actualmente essa função com a designação de “Venerável Mestre”-.

Surgem referências à existência da função de Vigilantes, ou seu similar, nos Estatutos e Manuscritos que foram redigidos, regulamentados e organizados, e que constituem as Old Charges da Maçonaria, sendo estas as suas “Cartas de Deveres” à época, e que regulavam estes profissionais da construção em alvenaria. Ainda hoje estas “Cartas” são fundamentais para a compreensão do que era a Maçonaria naqueles tempos…

Apenas, e de entre todos os Manuscritos existentes, salientarei o “Manuscrito de Shaw” (1598) e os “Estatutos de Estrasburgo”(1459) onde em vários dos seus pontos vem regimentadas as funções e deveres dos Vigilantes, para além da célebre “Carta de Bolonha” (1248) onde constam as regulamentações dos oficiais das lojas que operavam na região e o “Ahimam Rezon” (1764) que para além de definir as obrigações dos Vigilantes, neste documento encontramos uma canção dedicada em exclusivo aos Vigilantes, designada por “Warden´s Song”, e outra canção dedicada aos Mestres e Vigilantes de todas as Lojas Regulares; o que é por si mesmo um facto curioso…

Além disso, o próprio James Anderson na sua versão das “Constituições dos Franco-Maçons” (1723), menciona os Vigilantes, registando os seus deveres e atribuições também.

Neste estudo não poderia deixar de mencionar que também nos Landmarks da Maçonaria (Especulativa) são referenciados os Vigilantes, nomeadamente nas classificações elaboradas por autores como Albert Gallatin Mackey, Albert Pike ou Enrique A. Lecerff.

No entanto, e a título meramente informativo, também na fábula crowenliana, uma das várias teorias existentes sobre a possível criação da Maçonaria em Inglaterra, neste caso em concreto por Crownwell, em que durante o desenrolar de uma cerimónia de Iniciação, encontramos a citação: “He asked them whether they were willing to pass through this ceremony, to which proposition unanimous consent was given. He then chose from the company five assistants to occupy appropriate places and to perform prescribed functions. These assistants were a Master, two Wardens, a Secretary, and an Orator.

Como curiosidade também dou conta ainda de que já em 1369 num documento camarário da cidade de Londres se faz referência há existência dos Vigilantes numa Loja. “In 1369, a law was enacted by the municipal authorities of London, which must have tended to encourage the organization of these Companies. By this law the right of election of all city dignitaries, and all officers, including members of Parliament, was transferred from the representatives of the wards, who had hitherto exercised this franchise, to the trading companies. A few members of each of these were selected by the Masters and Wardens, who were to repair to Guildhall for election purposes.”

Contudo, já em tempos anteriores à Idade Media, nos Collegia Fabrorum romanos, dos quais deriva a maçonaria operativa, os Oficiais eram eleitos para presidir e/ou assegurar várias tarefas no Colégio a que pertenciam.

Parece ter havido alguma variedade, em diferentes períodos do tempo e sob diferentes circunstâncias, em relação aos títulos desses oficiais. E assim, correspondendo num lato sensus aos Vigilantes Maçónicos, existiam os Decuriões cujo número não era limitado apenas a dois. Supõe-se que os membros de um Colégio eram divididos em secções de cerca de dez, sobre cada um dos quais existia um Decurião a presidir. Mas originalmente o título de Magister ou Mestre, era aplicado àquele que estava hierarquicamente acima dos Decuriões, e que controlava todos os trabalhos, as horas de descanso, bem como as cerimónias e actividades religiosas dos membros do Colégio. No entanto, apenas os Mestres é que se encontravam autorizados para realizar qualquer trabalho. Os membros das Decuriæ (ou secções) que correspondiam aos Companheiros actuais, trabalhavam sob a sua direcção destes; e sob estes e sob os Mestres, estavam os Alunos ou Aprendizes que ainda estavam a ser instruídos nas escolas ligados ao Colégio.

Assim, da análise aos documentos históricos da Ordem, chego à conclusão de que quando as Guildas ou “Corporações de Maçons operativos” se reuniam, os Vigilantes cuidavam também da manutenção da ordem e da disciplina no seu seio, “vigiando” os seus membros. De modo que os mais velhos ou mais experientes no ofício se encarregariam de toda a formação dos Companheiros e teriam a designação de Primeiro Vigilante.

Estariam localizados numa posição mais elevada que os restantes, sempre que as condições do local o assim permitissem, dando-lhes um panorama perfeito de modo a observar todos os obreiros sob sua responsabilidade, fiscalizando a execução das suas tarefas bem como ainda, para poderem vigiar a Loja e verificar se quem se encontrava presente nessa reunião se eram de facto membros desse Grémio ou se faziam parte do Ofício.

Como mantedores da boa paz necessária ao desenrolar dos trabalhos, também deveriam estar sempre atentos para rapidamente corrigir qualquer comportamento menos próprio por parte de alguém, zelando pela ordem e pela disciplina no seio da Loja. Em caso de existirem contendas ou outro tipo de disputas, os Vigilantes tratariam da defesa dos obreiros a seu cargo.

O Primeiro Vigilante detinha ainda a seu cargo a gestão do “tesouro” da sua Loja, efectuando também o pagamento dos salários aos trabalhadores à sua responsabilidade.

Estes deveres que atrás mencionei foram transferidos para o contexto da actual Maçonaria, vide Maçonaria Especulativa, nas funções dos actuais Primeiros Vigilantes.

Em Loja o Primeiro Vigilante é aquele ao qual o Venerável-Mestre primeiro se dirige, a fim de que suas determinações sejam acatadas e obedecidas, sendo por isso considerado como sendo a segunda Luz da Loja e a tornar possível a celebração dos seus trabalhos.

É uma tradição habitualmente aceite de que o Primeiro Vigilante se encontre encarregado do Ofício durante as horas de trabalho e do Segundo Vigilante durante as horas de descanso/recreio. Nos Ritos maçónicos de Emulação e de York inclusive, existe uma coluneta sobre a mesa de cada um dos Vigilantes, e que estando elas em determinada posição simbolizam a temporalidade dos trabalhos maçónicos, podendo uma coluneta ou a outra levantada mediante o momento em que se encontrem os trabalhos da Loja.

Na ausência do Venerável Mestre, o Primeiro Vigilante é o responsável pela Loja, isto é, ao substituir o Venerável Mestre, ele simboliza esse ofício, devendo mesmo representar fielmente o Venerável Mestre. Por isso é que é tão importante que o Primeiro Vigilante se encontre bem preparado para assumir tal função. Até porque é um dos “candidatos naturais” ao cargo de Venerável Mestre da Loja num futuro próximo…

Deste modo, ele deve conhecer bem a Loja, como funciona administrativamente e ritualmente, para que na ausência do Venerável Mestre possa exercer este cargo, mesmo que sendo apenas em exercício. Se tal a suceder e for necessário para que a sessão de Loja possa ser realizada, o Primeiro Vigilante deve apenas executar o ritual como o mesmo deve ser regularmente executado, do início ao fim, para além de tratar dos assuntos normais decorrentes da gestão da Loja, fazendo a leitura de correspondência se existir, efectuar a verificação da assiduidade dos obreiros através da chamada destes e realizar a leitura de Trabalhos de Aprendizes e/ou Companheiros.

– Todo o assunto que requeira qualquer tipo de decisão deve ser aguardado pela presença do Venerável Mestre em Loja ou por este decidido! -.

Depois de cumprido o encerramento dos trabalhos da Loja e logo após o final dessa sessão maçónica, o Primeiro Vigilante deve, com a maior brevidade possível e por qualquer meio à sua disposição, entrar em contacto com o Venerável Mestre e o informar sobre os procedimentos que tomou durante a ausência deste.

Sempre que o Primeiro Vigilante não se encontre presente nos trabalhos da Loja, deve outro Mestre, que não o Segundo Vigilante, ocupar as suas funções; dado o Segundo Vigilante ter as suas funções prescritas pelo Ritual e ter feito um juramento em as observar.

Uma das qualidades que é necessária na conduta de um Primeiro Vigilante é que este deve actuar sempre de forma igual para com todos, verificando também que em Loja o princípio de Igualdade e Harmonia deve ser mantido durante a celebração dos trabalhos maçónicos; Assim, durante o decorrer dos trabalhos, compete também ao Primeiro Vigilante fazer a gestão da “palavra” e a concessão do uso do “verbo” aos obreiros em Loja, anunciando em primeira mão ao Venerável Mestre quem deseja fazer uso da sua “palavra”. Após decisão que emane do Venerável Mestre, o obreiro o fará ou não!

– Sem autorização expressa do Vigilante da sua Coluna, ninguém pode usar da sua “palavra” durante a realização dos trabalhos da Loja -.

E usando o seu próprio “verbo” na Loja, comunica as ordens e instruções do Venerável Mestre a todos os que se encontram presentes na sessão da Loja, informando também o Venerável Mestre dos “silêncios” provenientes das Colunas do Templo.

O Primeiro Vigilante deve ainda impedir que os obreiros presentes se desloquem livremente pelo Templo, sem autorização por parte do Venerável Mestre e sem o acompanhamento devido pelo Mestre de Cerimónias.

Outro dos deveres principais do Primeiro Vigilante, para além de certificar-se da cobertura externa da Loja, é fazer a verificação de Colunas no interior do Templo, ou seja, o Primeiro Vigilante acompanhado pelo Segundo Vigilante (cada um na sua Coluna respectiva) percorrem ambas as Colunas, começando pela sua Coluna tutelada, a Coluna do Sul para o Primeiro Vigilante e a Coluna do Norte para o Segundo Vigilante, cruzando-se ambos os Vigilantes no Oriente da Loja e retornando ao seu local de trabalho no interior do Templo. A título ritual deve ainda o Primeiro Vigilante auxiliar o Venerável Mestre no Acendimento e Apagamento das Luzes durante os seus rituais próprios, e despedir os obreiros presentes, assalariando estes com um justo vencimento na forma conhecida.

O Primeiro Vigilante ao dirigir a Coluna do Sul, no nosso Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceite, encontra-se encarregado dos Companheiros e da sua formação, sendo de notar que tem de ter a especial atenção que está a formar os futuros Mestres da Loja, logo terá nas suas mãos os “destinos da Loja” a médio e longo prazo… Após certificar-se da boa formação destes, deve propor o seu aumento de salário ao Venerável Mestre.

Se antigamente os Primeiros Vigilantes zelavam pelo comportamento dos obreiros a seu cargo e os formavam nas “artes da construção”, hoje em dia velam pela boa execução ritualística do ritual em uso na Loja, pelas Colunas de obreiros exercendo um labor tutorial, explicando e comentando a vasta simbologia presente no Templo e no ritual usado pela Loja, impelindo à boa compreensão dos usos e costumes da Maçonaria, seja pelas suas regras escritas e/ou seja pelas suas implícitas formas.

Deste modo e já tratada a parte referente à “origem” e funções administrativas do Primeiro Vigilante em Loja passarei de forma superficial à presença dos Vigilantes no Antigo Testamento e no Novo Testamento dado a Maçonaria actual ter uma raiz judaico-cristã.

No “Livro das Crónicas”, nomeadamente em 2 Crónicas 34:10 : “E eles o entregaram aos que tinham o encargo da obra, e superintendiam a casa do Senhor; e estes o deram aos que faziam a obra, e trabalhavam na casa do Senhor, para consertarem e repararem a casa”, em 2 Crónicas 34:12 : ”E estes homens trabalhavam fielmente na obra; e os superintendentes sobre eles eram: Jaate e Obadias, levitas, dos filhos de Merari…”e 2 Crónicas 34:17 : ”E ajuntaram o dinheiro que se achou na casa do Senhor, e o deram na mão dos superintendentes e na mão dos que faziam a obra” encontramos referenciado a existência de Superintendentes, ou seja Vigilantes, na construção do Templo de Salomão; templo esse que emulamos na Maçonaria.

Já quanto ao carácter e características necessárias para se ser e desempenhar de forma íntegra este ofício, nomeadamente ao nível da conduta pessoal, encontramos várias menções a tal em 1 Timóteo 3:2 : Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar”, em 2 Timóteo 2:2 : “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idóneos para também ensinarem os outros”, ainda em 2 Timóteo 2:25: “Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade”, em 1 Pedro 5:8 : “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”, em Romanos 12:7 : “Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino” e Romanos 12:7,8 : “Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria”, em Mateus 7:29 : “Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas”, em Tito 1:9 : “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes”.

Terminada esta abordagem e passagem informal pelas Sagradas Escrituras, passarei então à análise da presença e funções do Primeiro Vigilante no contexto do Ritual executado na Loja e sua localização/posição no Templo; mas ainda antes disso, quero referir que numa analogia que se poderá traçar entre a Cabala judaica, o simbolismo funcional do Primeiro Vigilante e a sua localização no Templo Maçónico, que sefiróticamente a figura do Primeiro Vigilante é representada pela oitava esfera (ou “Hod”) da árvore sefirótica ou “Árvore da Vida”.

Assim e passando agora à leitura e análise ao Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceite, e da sua consequente praxis, sabemos que o Primeiro Vigilante é a primeira pessoa a quem se dirige o Venerável Mestre no início do que se pretendem ser os Trabalhos Maçónicos, questionando se ele (o Primeiro Vigilante) é maçom de facto e depois quando se lhe dirige novamente para obter a informação de que se o Templo se encontra a coberto de profanos, pessoas estranhas aos trabalhos da Loja. Vigilante como este é, ele certifica-se disso e informa o Oriente, na pessoa do Venerável Mestre desse facto. De seguida verifica, em conjunto com o Segundo Vigilante, se os obreiros que se perfilam nas Colunas do Templo são membros efectivos da Ordem e no final informa o Venerável Mestre das suas conclusões.

– Deste modo podemos verificar que dois dos deveres fundamentais do Primeiro Vigilante são verificar se o Templo está coberto da indiscrição de profanos e certificar que todos os elementos que se encontram presentes nas colunas são maçons regulares. -.

De seguida, informa o Venerável Mestre que os trabalhos maçónicos devem ter início ao meio-dia, momento em que o Sol se encontra na sua total plenitude, com a sua maior “força”.

E anuncia aos membros da Coluna que é responsável, a Coluna do Sul, onde se encontram presentes os Companheiros para além do Segundo Vigilante, Guarda Interno, e no nosso caso, do Organista, que o Venerável Mestre irá dar início aos trabalhos da Loja para esse dia.

– Os Companheiros, como sabemos, são os obreiros da Loja que já completaram o seu estágio e trabalhos no primeiro grau da Maçonaria, o grau de Aprendiz Maçom, e já lhes sido aumentado o seu salário, pelo que, e em consequência disso, detêm presentemente o segundo grau; passando do prumo ao nível e assim se colocam, em Loja, na Coluna do Sul.-.

Durante o Acendimento das Luzes (Litúrgicas), no momento em que é acendida pelo Mestre de Cerimónias, a vela da sua Coluneta, profere a frase que o simboliza e que é: “Que a Força o complete”; neste caso, que a força complete a construção do “edifício maçónico”, que somos nós.

Depois em conjunto com o Segundo Vigilante, dirigindo-se cada um à sua Coluneta respectiva, acendem a sua “luz”, a vela que se encontra nas suas mesas, e que ficarão acesas durante o desenrolar de todo o trabalho maçónico dessa sessão de Loja.

Posto isto, irá assessorar o Venerável Mestre durante a Ordem de Trabalhos marcada para essa data, nomeadamente na concessão e gestão da Palavra dos obreiros.

Quando chega o momento de se proceder ao início do encerramento dos trabalhos maçónicos e após a circulação do Sacos das Propostas e do Tronco da Viúva, informa o Venerável da Loja, que estes se encontram ao seu dispor e se alguém reclama (ou não) o valor apurado pelo Tronco da Viúva.

Como sabemos, após esse momento, os trabalhos da Sessão podem estar prontos a serem encerrados, pois a Ordem do Dia na parte referente aos “assuntos da Loja”, apresentação de Trabalhos ou Pranchas encontra-se terminada, está tratada também a circulação do Saco de Propostas e do apuramento do montante reunido pela circulação do Tronco da Viúva, foi celebrada a Cadeia de União entre os presentes na Loja, pelo que apenas falta pagar aos obreiros a sua jornada de trabalho para que estes partam contentes e satisfeitos, e quanto a isto, pagamento de salários – mais adiante irei abordar o que isto é -, e ajudar o Venerável Mestre a fechar a Loja.

Sendo que após informação à Loja de que os “Aprendizes recebem o seu salário na Coluna B” por parte do Segundo Vigilante, o Vigilante situado nessa Coluna, o Primeiro Vigilante, que é quem tem o dever de pagar os salários respectivos, o efectua, informando também o Venerável Mestre que todos foram pagos na medida certa, o que demonstra que todos irão partir “contentes e satisfeitos”.

Deste modo, já com os obreiros ressarcidos justamente e com os seus salários assegurados, é possível então fechar a Loja, proceder ao encerramento dos trabalhos maçónicos; e para auxiliar o Venerável Mestre nesse labor, percepcionamos que por o Primeiro Vigilante se encontrar encarregue de conhecer a hora exacta do término dos trabalhos maçónicos, dado ser ele que verifica o ocaso solar, é ele que efectua essa verificação, e ao fazê-lo, verifica que o sol já cruzou o seu meridiano, tendo feito o seu trabalho de nos iluminar com a sua força, fez já também o seu ocaso e a lua já se ergue no céu, assim quando o Venerável Mestre o questionar sobre a hora simbólica do encerramento de trabalhos, o Primeiro Vigilante o informa que é “meia-noite em ponto”.

Seguindo-se de seguida o encerramento ritual dos Trabalhos maçónicos desse dia, onde também são apagadas as “luzes litúrgicas” da Loja e onde é feita a Oração de Encerramento dos Trabalhos, na qual cabe ao Primeiro Vigilante proferir a frase: “Que o Amor reine entre os Homens” . – E que assim o fosse sempre! – Nivelando todos com esta frase e unindo todos os obreiros pelo Amor Fraterno que todos devem sentir entre si.

De seguida, o Primeiro Vigilante integra o cortejo de saída da Loja, imediatamente a seguir aos elementos que se encontravam no Oriente do Templo – demonstrando assim também a autoridade que exerce na Loja perante todos os restantes obreiros -. E estão desta forma encerrados os trabalhos dessa Sessão.

No entanto, no decorrer de uma Sessão Maçónica podem existir outro tipo de celebrações, nomeadamente a mais importante na vida de um Maçom, a sua Iniciação, a Cerimónia de Iniciação Maçónica.

Noutros Graus da Maçonaria Simbólica, o Primeiro Vigilante também participa activamente nas cerimónias desenroladas nesses graus.

Concretizada a análise à participação ritualística do Primeiro Vigilante, irei em seguida abordar a localização do Primeiro Vigilante no espaço físico do Templo, e quanto a isso, verificamos que o Primeiro Vigilante se posiciona no Ocidente do Templo, na Coluna do Norte, mais precisamente no Noroeste do Templo, e junto à Coluna B. E tem como Coluneta atribuída a Coluneta da Força.

– Posso afirmar que tudo isto está interligado per si -.

Ora vejamos, é um facto que a localização do Primeiro Vigilante no interior do Templo depende do Rito a que se pertença e do Ritual que se pratique, nomeadamente podemos encontrar o Primeiro Vigilante no Sul, onde presentemente observamos o Segundo Vigilante, tal como é usual no Rito Francês e Rito Moderno, mas no Rito a pertencemos e o qual praticamos, o Rito Escocês Antigo e Aceite, e também nos Ritos Escocês Rectificado, Rito de Emulação, Rito de York e Rito de Memphis-Mizraim, o Primeiro Vigilante encontra-se no Noroeste e o Segundo Vigilante no Sul do Templo, formando um Triângulo com o Venerável Mestre, estando este último a Oriente no nosso Templo.

Na própria forma do Templo se encontram referências e representações do ciclo solar – A própria circulação interna, habitual, na Loja é dextrorsum, imitando por isso o ciclo do sol -, sendo o amanhecer representado pelo Venerável Mestre no Oriente da Loja, o meio-dia, pelo Segundo Vigilante no Sul da Loja, e o pôr-do-sol, poente, pelo Primeiro Vigilante no Ocidente da Loja. E quase que eu poderia afirmar que o Venerável Mestre dirige os trabalhos que se iniciam com o Segundo Vigilante (meio-dia) e se completam no Primeiro Vigilante (meia-noite).

Tanto que quando se dá o ocaso solar, a Lua está a ascender no céu, encontrando a Lua o seu zénite e o Sol o seu nadir à meia-noite, “hora a que os maçons encerram os seus trabalhos e têm de retornar às trevas…”; Por isso é que durante o desenrolar dos Trabalhos Maçónicos é ao Primeiro Vigilante que o Venerável Mestre questiona sobre o horário preciso em que se encontram, pois este (Primeiro Vigilante) está associado à Lua, e o Primeiro Vigilante o informa (Venerável Mestre) que é “meia-noite em ponto”, sendo que é a partir desse momento, o qual foi verificado pelo Primeiro Vigilante, que se procede ao encerramento dos trabalhos maçónicos.

Aquando da Iniciação maçónica e no momento da retirada a venda ao neófito é lhe questionado a este o que viu, ao que este responde: “O Sol, a Lua e Mestre da Loja”. Ou seja, o “Mestre da Loja” e o “Sol” no Oriente e a “Lua” no Norte do Templo. A Lua encontra-se posicionada na Abóbada Celeste – plano astral – do Templo Maçónico sobre o Primeiro Vigilante, o qual ilumina e dirige. Por isso é habitual se afirmar que o Primeiro Vigilante se encontra no local “mais escuro do Templo”. E por isso tem o dever de, tal como vem escrito em João 1:5 :“A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram.” e em 2 Coríntios 4:6: Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, …” de também o Primeiro Vigilante reflectir e iluminar a Loja com a “Luz” que é emanada pelo Venerável Mestre, através sabedoria deste, provinda do Oriente da Loja, do Oriente, cujas terras sempre estiveram conotadas com o Conhecimento e a Luz…

A Lua, ou Selene, ao reger o Primeiro Vigilante, leva-me a abordar muito superficialmente um certo paralelismo interessante com alguns dos cultos lunares, cultos esses onde pontificam “mulheres”, ou seja, cultos onde despontavam deusas como Ishtar, Inanna, Astarte, Cibele, Isis, a Virgem Maria, entre outras, e o elemento “Água”. Inclusive na abóbada celeste do Templo maçónico a constelação da Virgem se encontra representada nas proximidades da Lua, perto do local onde se encontra situado o Primeiro Vigilante.

A Lua exerce uma grande influência nas marés – Água – através um certo tipo de “força”, a Gravidade, sobre estas. Sabemos também que a Lua representa o princípio passivo, feminino. E que as mulheres, também elas por sua vez, exercem alguma, senão muita, influência nos homens – por vezes com outro tipo de gravidade! – E temos conhecimento também de que compete ao Primeiro Vigilante testar um candidato durante a sua Iniciação maçónica de forma relevante ao submetê-lo à “Prova da Água”.

Deste modo é possível comprovar-se de que a Lua e a Água estão directamente inter-relacionadas entre si e ligadas ao Primeiro Vigilante.

Quanto às “colunas” que mencionei e que se encontram ”alocadas” à figura do Primeiro Vigilante posso referir que a Coluna Boaz representa a coluna que se encontrava colocada à esquerda no pórtico de entrada do Templo de Salomão; localização esta que permanece ainda no nosso Rito.

E já que mencionei o Templo de Salomão, aproveito também para vos salientar a relação que existe entre o Primeiro Vigilante e Hiram, rei de Tiro, o qual, tal como devem todos os maçons na maçonaria moderna “correr em auxílio dos seus Irmãos”, também ele auxiliou o rei Salomão na sua demanda, tendo enviado vários recursos materiais e humanos que vieram a ser sustento e o suporte para a construção do Templo do rei Salomão; cuja estória podemos encontrar descrita no Antigo Testamento no Livro 1 Reis.

A Coluna Boaz simboliza “na Força”, isto é, como tendo algo ou alguém que pretendeu alguma coisa, e que através de uma vontade, ou força volitiva, e que a cargo de uma força moral, firme nos seus princípios, que a executou, foi dessa forma alcançado e (através d)ela assim estabelecido.

Esta coluna encontra-se mencionada no Antigo Testamento em 1 Reis 7:21 : ”Depois levantou as colunas no pórtico do templo; e levantando a coluna direita…; e levantando a coluna esquerda, pôs-lhe o nome de Boaz.”.

É no Antigo Testamento que encontramos também a informação de que Boaz era o avô do rei David, pai do rei Salomão, em Rute 4:13-22 : “Assim tomou Boaz a Rute, e ela lhe foi por mulher; e ele a possuiu, e o Senhor lhe fez conceber, e deu à luz um filho. Então as mulheres disseram a Noemi: Bendito seja o Senhor, que não deixou hoje de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel. Ele te será por restaurador da alma, e nutrirá a tua velhice, pois tua nora, que te ama, o deu à luz, e ela te é melhor do que sete filhos. E Noemi tomou o filho, e o pôs no seu colo, e foi sua ama. E as vizinhas lhe deram um nome, dizendo: A Noemi nasceu um filho. E deram-lhe o nome de Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi. Estas são, pois, as gerações de Perez: Perez gerou a Hezrom, E Hezrom gerou a Rão, e Rão gerou a Aminadabe, E Aminadabe gerou a Naassom, e Naassom gerou a Salmom, E Salmom gerou a Boaz, e Boaz gerou a Obede, E Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou a Davi.”.

Contudo, a outra “coluna” que mencionei não é de todo uma coluna mas antes uma coluneta – a Coluneta da Força – sendo esta elaborada segundo inspiração Dórica e são lhe atribuídas outras virtudes relacionadas com a relação entre a “Força” e o Primeiro Vigilante, nomeadamente a vontade, a vitalidade, o vigor, a fortaleza e a firmeza, entre outras…; estando também estas qualidades presentes na Saudação Escocesa “Huzza”; a qual, ela própria, tem como pudemos verificar na Instrução ao Aprendiz do nosso Rito, o significado de a “Força e Vigor”.

Na Coluneta da Força podemos contudo vislumbrar algumas das principais obrigações de um Primeiro Vigilante, a de ter uma acção construtiva ao formar os Companheiros, obreiros esses que irão sustentar a Loja (o “edifício maçónico”) e a regenerando de forma perene, fortalecendo esta; bem como sustentar a autoridade e servir de apoio aos desígnios do Venerável Mestre, com toda a influência que este deve exercer sobre os obreiros da Loja, para além de suportar o cumprimento das decisões e/ou indicações dadas pelo Venerável Mestre, para que estas tenham um efeito duradouro.

Tal como nos é dito em Jó 12:13 : “Com ele está a sabedoria e a força; conselho e entendimento tem” e em Provérbios 24:5 : ”O homem sábio é forte, e o homem de conhecimento consolida a força.” Actuando desta forma, o Primeiro Vigilante exerce a vontade do Venerável Mestre, representando a firmeza da vontade deste, sendo a sua “força” na Loja; Tanto que deve-se considerar o Primeiro Vigilante como sendo uma das traves-mestras da Loja, uma vez que os restantes suportes ou sustentáculos da Loja são os seus obreiros, localizados estes nas suas colunas respectivas, pois estes são o seu “sustento” e demonstram a “força” que emana da Loja.

– Uma Loja só é forte através da “força” dos seus membros! – .

É devido a estas características, designadamente a força, a fortaleza, a vitalidade, o vigor e a fortitude, que é associado Héracles/Hércules ao Primeiro Vigilante, e como tal, é possível encontrar-se em alguns Templos Maçónicos estátuas referentes a este semideus junto à Coluna B ou ao redor do Primeiro Vigilante.

Contudo, é curiosa também a associação que alguns autores fazem entre a relação do Primeiro Vigilante e o Deus Ares/Marte, dado a fortaleza, o rigor e o vigor na acção, que são também, elas, características associadas a este Deus do panteão greco-romano. Mas de facto no Templo Maçónico esta associação, a Ares/Marte, é feita ao Guarda Externo, encontrando-se mesmo a representação do planeta Marte no exterior do Templo Maçónico, porque é no exterior do Templo que devem permanecer as energias negativas e conflituosas que este Deus rege.

Não podia eu deixar de referir que devido às qualidades mencionadas, também poderia ser traçado um paralelismo entre Héracles/Hércules com o Sansão bíblico, tanto por estas qualidades encontrarem presença nas virtudes de ambos bem como a estória de vida destas personagens ter algumas semelhanças entre si.

Durante decurso da apresentação deste Trabalho mencionei o pagamento de salários, o qual numa Loja Maçónica é uma função a cargo do Primeiro Vigilante da Loja, sendo este inclusive um dos seus vários deveres.

A palavra “salário” deriva da palavra latina “salarium” e era a forma como eram pagos os vencimentos dos soldados na Roma Antiga, a qual era feita através de sal, perpetuando-se o uso dessa expressão até aos presentes dias.

Há referências ao pagamento de salários aos operários de construção civil da Idade Média e de épocas posteriores a esta, nas “Old Charges” ou “Cartas de Deveres”, tendo esses pagamentos sido regulados e regulamentados através da elaboração deste tipo de documento.

Já na Maçonaria actual, este dito “pagamento” é feito através da obtenção de conhecimento, da progressão gradativa na Ordem, pois nada ou ninguém pode esperar ser ressarcido do seu labor de outra forma que não esta.

– Não esquecer que os metais são deixados fora do Templo – .

Apenas o auto-aperfeiçoamento moral de cada um, executado com o aproveitamento da utilização da vasta simbologia maçónica ao seu alcance e da boa compreensão das alegorias que revestem a Maçonaria, da prática da fraternidade entre todos e aplicando a filosofia maçónica na sua vida, serão a melhor retribuição que o maçom pode esperar para si; aliás no Salmo 128:2 : “Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem” reside o “core” do salário do Maçom.

Deste modo e sabendo nós que os trabalhos maçónicos devem encerrar à “meia-noite”, o pagamento de salários aos obreiros deve ser feito antes do encerramento destes trabalhos para que os obreiros possam partir da Loja satisfeitos com o vencimento auferido.

E é nas Sagradas Escrituras Judaico-Cristãs que encontramos, também, menção ao direito ao salário de quem trabalha e à hora a que o mesmo deve ser realizado, nomeadamente em Mateus 20:6-9 : “ E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou- lhes: Por que estais ociosos todo o dia? Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo. E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros. E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um.”.

Saliento ainda que o local onde este salário deve ser realizado, junto à Coluna B (como vem expresso no Ritual em praticamos em Loja) é sugerido em Rute 2:19 : ”Então disse-lhe sua sogra: Onde colheste hoje, e onde trabalhaste? Bendito seja aquele que te reconheceu. E relatou à sua sogra com quem tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei é Boaz.”.

Também o trabalho executado pelo Maçom o foi realizado através da sua própria força! Por isso nada melhor que também esta (força) seja relevada e que ele aufira o seu pagamento, nada menos que, na Coluna que a Força representa.

E qualquer maçom pode ver aumentado este seu salário, pois com estudo, empenho, frequentando os trabalhos das sessões da sua Respeitável Loja e apresentando Trabalhos que demonstrem os seus conhecimentos, assim poderá tal acontecer; sendo isso traduzido pelo aumento da sua graduação na Loja, subindo de Grau na Maçonaria.

Quanto à ferramenta e Jóia do Primeiro Vigilante é de referir que o Malhete é o símbolo da autoridade em Loja, sendo por essa razão utilizado pelas três “Luzes da Loja”, o Venerável Mestre e os seus dois Vigilantes.

Este é uma ferramenta activa e positiva, uma ferramenta “de acção”, de exercer a vontade e demonstrando autoridade; que pudemos traduzir pelo “poder da vontade”, a “força na acção”, que no caso do Primeiro Vigilante é a de exercer a autoridade do Venerável Mestre, transmitindo a todos, com vigor e determinação, as decisões deste, impelindo os obreiros ao seu contínuo estudo e perseverante labor. E sempre que o Primeiro Vigilante anuncia algo à Loja, é com o recurso a esta ferramenta que ele o faz, através do batimento do seu malhete na sua mesa de trabalho. O Primeiro Vigilante pode ainda solicitar a palavra directamente ao Venerável Mestre através de um golpe de malhete dado na sua secretária e a recebe de maneira igual. O Primeiro Vigilante deve ainda transportar o malhete, a sua ferramenta de trabalho, durante a circulação pela Loja no período em que se executa a verificação da regularidade dos Obreiros que se encontram presentes nas Colunas, aliás é ele que está encarregado de informar o Venerável Mestre do resultado da sua verificação, bem como ainda deve o Primeiro Vigilante transportar o malhete no momento em que acende a sua “luz” na Coluneta da Força enquanto se procede à abertura dos Trabalhos da Respeitável Loja.

O Primeiro Vigilante, tal como outro oficiante qualquer da Loja, nunca se deve separar da sua ferramenta; porque para além de esta o auxiliar no seu métier, também ela ajuda os restantes obreiros da Loja a o melhor identificar e o reconhecer.

Como curiosidade, refiro que o Malhete era também ele um dos símbolos da autoridade que emanava dos Faraós no Antigo Egipto em conjunto com o cajado que habitualmente transportavam consigo.

Já o Nível, a sua jóia, é um instrumento cuja simbólica representa o princípio da Igualdade, a base do direito natural entre os Homens, mas principalmente entre todos os maçons, que apesar das suas diferenças, aos olhos do Grande Arquitecto do Universo, são todos iguais e sem qualquer tipo de distinção entre eles.

O Nível faz parte do grupo de instrumentos que em conjunto com o Esquadro e o Prumo, são designados como sendo as “Jóias móveis” da Loja.

O Nível, como instrumento de construção, é destinado, principalmente, a determinar a horizontalidade de um plano e averiguar a diferença ou a igualdade entre dois pontos no plano.

O Nível é habitualmente formado por um esquadro e um prumo que se encontra pendente no seu centro, permitindo desse modo medir a verticalidade e a horizontalidade em simultâneo, de modo que também seja passível de serem estabelecidas linhas paralelas no traçado de uma obra. Outra forma de representação do Nível é a de um triângulo, saindo uma perpendicular do seu ápice, ficando esta solta no espaço, com um pequeno peso na ponta, dividindo desse modo o triângulo em dois pequenos esquadros.

O Nível por ser formado por um esquadro (a jóia do Venerável Mestre), mas menos acurado que este, contudo mais completo que o Prumo (a jóia do Segundo Vigilante), tanto que esse é também um dos motivos pelos quais se considera o Primeiro Vigilante como sendo o natural substituto do Venerável Mestre nas ausências deste.

O Nível também em conjunto com o esquadro possibilita que a construção horizontal e vertical seja empregue de forma correcta, pelo que se associarmos os tijolos utilizados numa construção como sendo maçons na sua Loja, a matéria-prima, facilmente podemos concluir que a aplicação do nível pelo Primeiro Vigilante leva os maçons à igualdade e à sustentação do Templo maçónico. Por isso considera-se o Nível como sendo uma ferramenta passiva pelo facto de este ser um instrumento que a todos nivela e submete às Leis maçónicas, sem qualquer tipo de distinção.

– Não deixa de passar despercebido o facto de que a jóia do Primeiro Vigilante ser formada pelo conjunto das jóias do Venerável Mestre e do Segundo Vigilante, sendo estes considerados as “Luzes da Loja”. Interessante! –

O Nível também se encontra ligado à forma de como o Aprendiz chegará a Companheiro, pois ele advirá do Prumo para chegar ao Nível, transitando do Setentrião para o Sul da Loja, ficando às ordens e sob a formação e responsabilidade do Primeiro Vigilante.

– Aliás costumo afirmar em tom, quiçá, jocoso que o maçom é aprumado primeiro pelo Segundo Vigilante e nivelado depois pelo Primeiro Vigilante.-

Aproveito para referir que na maçonaria operativa, uma das funções do capataz ou superintendente-da-obra, o actual Primeiro Vigilante, era a de verificar frequentemente o nivelamento da construção a seu cargo com esta ferramenta de tão grande importância, de modo a que a edificação decorresse de forma estável e firme, sem qualquer desnível ou irregularidade.

A própria solidez de um edifício somente pode ser atingida através da utilização do Nível (ressalvando mais uma vez a relação força/sólido/fortaleza/firmeza que aparecem em referência ao Primeiro Vigilante), pois sem ele, relegaríamos a importância da consonância e do equilíbrio entre o crescimento em altura e a respectiva expansão no solo durante a construção de um edifício. Simbolicamente isto pode ser facilmente descortinado de que a progressão vertical deve estar acompanhada por uma correspondente expansão horizontal, pois o Nível do Primeiro Vigilante em conjunto com o Prumo do Segundo Vigilante, demonstram/ensinam a lição de que o equilíbrio é a todo momento necessário, facto este indispensável a cada etapa de crescimento ou à sã progressão natural, seja ela maçónica ou profana, indicando assim que o crescimento e a elevação se expandem ao chegar a maturidade, transmitindo a estabilidade e a frutificação das nossas aspirações.

É através do auxílio e da utilização do Nível que compete ao Primeiro Vigilante aplicar de forma correcta e transversal os conhecimentos que detém, agindo de forma imparcial, tolerante e harmoniosa, mantendo a rectitude e igualdade entre todos obreiros perante as leis e morais maçónicas (apesar das funções ou “qualidade” que estes detenham, pois tudo é efémero!), vivenciando estas com cordialidade no trato, carinho, educação e respeito entre todos, seja entre aquele que de momento ocupa o mais elevado grau na Ordem, seja sobre aquele que ainda agora foi iniciado nos nossos mistérios… Desta forma o Nível relembra que ninguém deve dominar outrem.

– Até porque todos nós teremos o mesmo fim. Tempus fugit… -.

E é a esse fim, que o Nível nos, contudo, remete; para o grande final, o memento mori, a Morte! Essa grande niveladora de todos os Tempos e que a todos acorre e que conduz ao Grande Oriente Eterno, para junto do Grande Arquitecto do Universo, na Grande Loja Celestial…

É também graças à Morte, que é feita a reflexão sobre o que devemos fazer, como devemos agir, qual o nosso papel no mundo, e qual a forma de melhor passarmos o tempo que o Altíssimo nos consignou. Carpe Diem!

E somente com o cimento do amor fraterno tal pode ser alcançável, pois já Salomão dizia nos seus Cânticos 8:6 :”… porque o amor é forte como a morte…”, e como tal compete-nos perseverar nessa luta diária com a Morte até ao dia em que ela, finalmente, nos derrotará. E mesmo quando tal suceder, que este mesmo amor fraternal que nos une seja ele também a semente da lembrança, porque quem é relembrado nunca perecerá…

Aproveito ainda para recordar que o Nível encontra presença também ele, de certa forma e à sua maneira, em alguns Sinais Penais da Maçonaria. Também estes de uma certa maneira associados à Morte ou à forma como poderá decorrer a morte a quem quebrar os juramentos prestados perante todos e a bem da Ordem em geral. Juramentos estes feitos de plena vontade e em total consciência dos mesmos.

A não esquecer… tal miosótis este!

Num trabalho deste género teria de, naturalmente, mencionar também a existência da figura do Grande Primeiro Vigilante que é uma função integrada no próprio Grão-Mestrado.

Este Grande Primeiro Vigilante é um dos intervenientes nos rituais próprios das Assembleias de Grande Loja, tendo funções meramente de cariz ritualista; ou seja, as funções ou deveres que ele tem são de apenas auxiliar os trabalhos maçónicos em sede de Assembleia de Grande Loja, nomeadamente participando na abertura e no encerramento dos trabalhos maçónicos e na gestão da concessão da palavra entre Colunas durante a realização de uma Assembleia de Grande Loja.

O Grande Primeiro Vigilante representa, simbolicamente, no nosso ritual de Grande Loja, um determinado Sumo Sacerdote Assistente no Monte Sinai. – Não o menciono dado este presente Trabalho ser apresentado no Grau de Aprendiz –

E é deste modo, Venerável Mestre, que concluo a apresentação desta Prancha que já vai longa e que pelo seu tamanho quase que podia ser dividida noutras tantas Instruções sobre o tema em apreço, apesar da mesma ser apresentada redigida, a mesma foi elaborada para ser apresentada com recurso à oralidade do autor, mas dado o seu tamanho seria extenuante para todos a sua auscultação.

Tentei apresentar algo diferente do que é habitual assistirmos neste tipo de “Prancha de Ofício”, tentando passar pelos elementos simbólicos e rituais que envolvem esta tão importante função, bem como tocar, mesmo que superficialmente, nos pontos históricos em que a mesma é referenciada.

Posso afirmar que o desempenho do ofício de Primeiro Vigilante, tal como outros ofícios existentes na Loja, é demasiado complexo e o exercício das suas funções são de elevada importância para a boa prossecução dos desígnios da Loja, tanto a curto bem como a longo prazo.

E por isso mesmo, dada a sua relevância, este tão importante labor não deve ser levado e desempenhado com leveza, pois tal pode prejudicar a Loja e os seus Trabalhos. Pelo que recomendo que apenas alguém que viva a Maçonaria na sua plenitude deve ser investido nestas funções, pois, desse modo, compreenderá a função e encetará tudo o que deve ser feito para a Loja poder perseverar no tempo…

Finalmente apenas me resta proferir tal como em Romanos 12:10 : “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”.

Nuno Raimundo (1º Vig. – 2018) R:. L:. “O Ganso e a Grelha – Goose And Gridiron Nº129” – GLLP/GLRP

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  • Pedra de Buril (Blogue do autor) (http://pedra-de-buril.blogspot.pt)

Um Comentário em “O Ofício de Primeiro Vigilante

  • Gostei muito,e sim muito importante a funçã de primeiro vigilante.valendo resaltar tamanho estudo e dedicação tenho muito respeito pela ordem e agradeço pela oportunidade de aprendizado.um grande abraço T.’.F.’.A.’.

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