O Venerável Mestre

Alguns causam felicidade onde quer que vão; Outros… sempre que se vão!

Requisitos

Colar de Venerável Mestre

Em Maçonaria quando se compara o pouco que sabemos, e a exiguidade da nossa esfera de percepção à quantidade do que existe não se pode impedir de concluir que não sabemos nada e que tudo nos resta saber. Sabemos o que somos, mas não o que poderíamos ser. Ponto de partida sem o qual caminhamos sem norte.

Sem um Venerável Mestre com autoridade moral capaz de coordenar os trabalhos, os estudos e as observações, de dar impulso, de estimular o zelo, de defender o fraco, de sustentar as coragens vacilantes, de concorrer com os conselhos da experiência, de fixar a opinião sobre os pontos incertos, de abraçar com coragem a empreitada desafiadora, posicionando-se em condições aptas de “velejar” sobre os mares, a Loja maçónica correrá o risco de caminhar à deriva.

Não somente esta direcção é necessária, mas é preciso que esteja nas condições de força e de estabilidade suficientes para que os ventos da ética desafiem e removam as tempestades.

Sangue novo

O ser humano não pode deixar de cometer erros; é com os erros, que os homens de bom senso aprendem a sabedoria para o futuro. É preciso encontrar espaço para novos Mestres com pensamentos e perfis diferentes, sem ranço, racismo ou nacionalismo exacerbado. É no carácter, na conduta, no estilo, em todas as coisas, a simplicidade é a suprema virtude a ser analisada para a avaliação do Mestre que almeja o “Primeiro Malhete”.

Para que esta injecção de sangue novo seja possível, ganhe fôlego e influencie no seu resultado, precisa do auxílio de todos para compreender; de discernimento para julgar e de meios para executar, possibilitando assim, o acréscimo ao final da sua gestão de mais um Membro para reforço do Venerável Conselho de Mestres Instalados. É preciso que a Loja de alguma forma consiga abraçar o novo. Só assim terá sucesso no longo prazo.

Orgulho e arrogância

O pior de todos os Veneráveis será aquele que se deixando levar pelos ímpetos da presunção, tomando a sua inteligência por medida da inteligência universal, e julgando-se apto a tudo compreender, não pode crer na possibilidade daquilo que não compreende; quando pronuncia o seu julgamento, tem-no por inabalável; que se dá por eleito de Deus; Jeová; Alá; Brama; Grande Arquitecto do Universo.

Como, também, não é racional admitir que Deus confie tais missões a ambiciosos, ou a orgulhosos, que escondem a arrogância nos seus corações.

Só quando começamos a comparar-nos com o que está fora – deixando de olhar apenas para nós mesmos – conseguimos abrir caminhos para a harmonia. Em tudo o que fazemos ou dizemos, o nosso exemplo vale mais do que todas as palavras. A quem o sofrimento pessoal é poupado, deve sentir-se chamado a diminuir o sofrimento dos outros. Se a Loja existe para o bem de todos, o todo não estará bem se um único Irmão não o estiver.

Aptidão para o cargo

O cargo requer Mestre de reputação imaculada, leal, conciliador, devotado, abnegado, afável no trato, intransigente nos seus princípios, amante da Sabedoria, virtudes características de um verdadeiro “Guia da Fraternidade”. Sendo o seu objectivo um trabalho de união e integração, vale o bem da Humanidade e não a satisfação de ambições desmedidas. Ora só a negação destas qualidades essenciais, poria em relevo a falsa aptidão para o cargo, e faria o “navio naufragar” desviando-o da sua rota. Não soçobrará, mas poderá experimentar deploráveis atrasos, que é preciso evitar. Eis porque nas Lojas maçónicas, se estende a mão para o amparo fraterno e se procura combater a incredulidade e o fanatismo.

O passar do tempo traz-nos a experiência, mas a sabedoria vem de maneira diferente. Ela chega com a vivência, entendimento, compreensão e aceitação das adversidades. O homem não é a medida de todas as coisas, e não está imune ao erro e ao mal.

Admitamos, no entanto, que um Venerável reúna todas as qualidades para o cumprimento do seu veneralato. Se quiser fazer prevalecer as suas ideias pessoais, pode fazer a Loja desencaminhar. Importa, pois, no início, sobretudo, premuni- lo contra as dificuldades do caminho. E necessário prever todas as eventualidades e apoiá-lo em todos os seus procedimentos coerentes. Seja ousado e forças poderosas virão em sua ajuda.

Limitações

O Venerável não pode ficar embevecido com o que sabe, porquanto este saber tem limite muito estreito no mundo em que habitamos. Suponhamos seja uma sumidade em inteligência, nenhum direito tem de envaidecer-se. Se Deus, nos seus desígnios, o fez nascer num meio onde pode desenvolver a sua inteligência, quer Ele que a utilize para o bem de todos.

Pediram a Aristóteles um código moral, por onde pautar a vida, ele disse: “Não posso dar-lhe um código; observe os homens melhores e mais sábios que encontrar e imite-os”.

Todos têm sabedoria, mas se pensarmos que só nós somos donos da verdade, e o princípio é o “eu”, pode-se considerar que vamos em direcções perigosas. O desafio consiste em congregar os Irmãos que cultivam animosidade e não conseguem enxergar quanto eles precisam um dos outros; que o poder é temporal e efémero e que tudo que recebemos vem de Deus por empréstimo, cedo se apercebem que todas as ilusões somem.

O Venerável não pode se comprometer num caminho que seria logo forçado a abandonar, nem nada empreender que não esteja certo de realizar. Deve ser positivo e não se embalar com ilusões quiméricas; para isto deve, em tudo, ficar nos limites do possível.

Abraçar muitas coisas antes de estar seguro dos meios de execução seria uma imprudência. É bom, ter boas intenções, mas antes de tudo, é preciso poder realizá-las. Observar, comparar e julgar, tal é a regra constante que deve seguir. Acreditamos que existe tempo para tudo e o momento é de trabalho, de luta, de fidelidade ao próximo, à Loja, à Maçonaria e à Humanidade.

Regulamento Interno

Todas as vezes que homens se reúnem em nome de uma ideia vaga, jamais chegam a se entender, porque cada um compreende essa ideia à sua maneira, e deve estar entre as prioridades que rompam a monotonia. A condição absoluta para toda reunião é a homogeneidade, quer dizer, a unidade de vistas, de princípios e de sentimentos, a tendência para um mesmo objectivo determinado. Numa palavra, a comunhão de pensamento. Todos sabem o que não pode ser feito, mas fazem mesmo assim, o que é digno de ser lamentado.

A falta de perspectiva, de respostas às ansiedades específicas e das necessidades emocionais, de uma geração cansada, que se recente de base preliminar preliminar (um bem elaborado Regulamento Interno), pode frustrar a harmonia e a coordenação de todas as partes do conjunto, pois, desde o início, torna-se necessário ter uma regra, uma rota traçada, um objectivo determinado, mas sem abalos, sem precipitações, porque o seu princípio está colocado na própria Constituição, no Regulamento Geral da Ordem, Códigos de Justiça Maçónica. Beneficência Maçónica e demais Leis, e tudo fazer para o engrandecimento da Loja Simbólica.

Fazendo cumprir integralmente os antigos Landmarks, tem por efeito dar força àqueles que caminharão de comum acordo para a realização do grande objectivo humanitário que a Loja em particular e a Maçonaria em geral deve alcançar. Estabelecida a regra, caminha-se com mais segurança, sem apalpadelas, sem hesitação. A direcção é colectiva porque chega um momento em que o seu peso excede as forças de um só Irmão. Até porque há mais garantia de estabilidade numa reunião de indivíduos, dos quais cada um não tem senão a sua voz, e que nada podem sem o concurso mis dos outros, do que num único que pode abusar da sua autoridade e querer fazer prevalecer as suas ideias pessoais. Obstáculo é aquilo que vemos quando tiramos os olhos da meta traçada. Coloquemos, então, em execução o Regulamento Interno, o mais breve possível.

Valdemar Sansão

2 Comentários em “O Venerável Mestre

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