O malhete é um dos símbolos do poder numa Loja Maçónica. Pela percussão do malhete, o Venerável Mestre convoca toda a Loja para estar atenta e o acompanhar na execução ritual que vai levar a cabo. Pode ser um simples anúncio, uma acção de mero significado e interesse administrativo ou um acto de relevo especificamente ritual. Não importa. Com o percutir do malhete, o Venerável Mestre convoca as vontades de todos os elementos da Loja ou, se for o caso, daqueles a que especificamente se dirige, para o acompanharem ou auxiliarem.
Vontade – é esta a palavra-chave!
O Poder em maçonaria é – afinal como na vida, ao contrário do que os seus cultores parecem crer – ilusório e limitado. O Venerável Mestre tem o poder que os obreiros lhe concedem. Tem o poder que resulta da consonância da sua vontade com a da Loja. Porque em Maçonaria tudo é voluntário e, portanto, ninguém é obrigado a fazer o que não quer ou a executar decisão com que não concorde. O Poder do dirigente da Loja resulta, assim, da conjugação de vontades da Loja, dos seus obreiros e daquele que foi encarregado de dirigir o grupo.
Portanto, o malhete, um dos símbolos do Poder em Loja, executa o acto de exercício real desse Poder: congregar as vontades. Tão só – e muito é!
Mas um outro malhete existe em Loja: o malhete destinado a percutir o cinzel, no acto de aparelhar a pedra, lhe dar forma, eliminar suas arestas e asperezas.
Também este malhete simboliza a Vontade e, por inerência, o Poder.
A Vontade do maçon em se aperfeiçoar, em trabalhar o seu carácter, em dele eliminar as arestas de seus defeitos, as asperezas de suas insuficiências. E, ao fazê-lo o Poder de o maçon se aperfeiçoar, melhorar o seu carácter, elevar-se da simples condição de homem bom à de homem melhor.
O malhete que está junto ao cinzel, repousando ambos ao pé da pedra bruta que devem trabalhar, para dela fazer a Pedra Polida que resultará de longo, persistente e paciente trabalho, quantas vezes durando toda uma vida é, pela força que transmite ao cinzel, através da qual este trabalha a pedra, o meio de transformação da forma da mesma. Daí o simbolizar o Poder para mudar, a Vontade aplicada a si próprio para se aperfeiçoar. Cada um tem e deve usar o seu malhete individual, para com ele percutir seu cinzel e melhorar e aparelhar a pedra que é ele próprio.
Dois malhetes diferentes, afinal o mesmo significado.
In Blog “A Partir Pedra” – texto de Rui Bandeira (15.07.08)

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Na realidade o malhete é o instrumento do poder, na maçonaria, nos tribunais, nos leilões em todas as cerimónias em que haja uma direcção, uma autoridade, não é uma ferramenta de trabalho.
O cinzel e a maceta (de pedreiro ou de canteiro) trabalham juntas como o martelo e o buril, o maço e o formão ou a goiva, estas sim são ferramentas de trabalho operativo ou maçónico operativo.
A maceta e o ponteiro (cinzel mais grosseiro) devem repousar ao lado da pedra bruta.
Como é sabido a maçonaria operativa, de onde devem ter derivado muitos dos nossos rituais e simbologia, não se resumia à pedra. As obras de construção levadas a cabo pela Maç. Op. continham os trabalhos de pedra, desde a extracção na pedreira, ao traçado e aos acabamentos, mas as obras não eram apenas de pedra mas sim de diversos materiais, como a madeira, em toscos, limpos e marcenaria, a serralharia em ferragens e fechaduras, os vidros lisos ou em vitral e em todas estas espacialidades ou companhias se usavam (e usam) ferramentas que ilustram bem o princípio da força, na maceta, maço ou no martelo. Para ver “Obras Primas” realizadas por companheiros, sugiro a visita local ou virtual aos museus do Compagnonnage, outro nome por que é designada hoje a Maç. Op.