O bom Maçon é cínico

Diógenes, o Cínico
Diógenes, o Cínico

Não há equivoco! Confirmo e reafirmo que o bom Maçom é cínico. Talvez, para facilitar a compreensão, vamos reformular a frase:

PARA SER BOM, O MAÇOM TEM QUE SER CÍNICO!

Posso dar três ou cinco exemplos, mas, por maestria, creio que com sete alcançaremos a plenitude da ideia.

Primeiro: O Bom Maçom ou para o Maçom se tornar bom, deve viver com comedimento. Em algum lugar há uma frase que exorta que o comedimento é típico do Maçom. Mas, neste caso, a directriz está ligada à gula e ao excesso do consumo de “pólvora”. Porém, o referido “comedimento” não é apenas na mesa, mas, principalmente, trata-se de manter uma atitude moderada em todos os aspectos que envolvam a vida e o viver. Manter a calma e viver serenamente. Observemos que o maior título na hierarquia da Grande Loja é Sereníssimo.

Segundo: Procurar sempre pela verdade. A verdade nada mais é do que a realidade. Evite contar histórias para si mesmo. A vida é um facto real e a sua vida não pode ser vivida na fantasia. Vaidade e soberba são paramentos de peça de teatro com final inevitavelmente infeliz.

Terceiro: Não ser serviçal. Quando a carne se desprende dos ossos, vemos que todos os ossos são iguais. Mas, não se há-de confundir libertário, aquele que tem a acção pelo conjunto, com libertino, que revela irreverência às regras em favor apenas de si mesmo.

Quarto: Vida é um conceito que admite diversas definições. A árvore é inerte, um leopardo corre a 100 km/h, uma mosca da fruta vive 13 dias, uma tartaruga pode chegar a 100 anos, a flor da Perpetua pode durar 3 anos, a flor Íris da Praia dura 1 dia. E, assim, há variações na gestação, na alimentação, no ambiente, na forma de tudo que está entre o período do nascimento e a derradeira morte. Mas, a qualificação que indica se um Maçom aproveitou bem este intervalo de tempo é quando se vê que houve menos devaneio e mais acção.

Quinto: Devemos estar atentos aos ensinamentos que recebemos. Ter o cuidado devido para com os Grandes Mestres desenvolve em nós, também, o senso critico que nos desvencilha de abraçarmos cegamente correntes ideológicas, filosóficas e intelectuais.

Todo o “mestre” é um ser humano passível de erro e não há verdades absolutas. Platão referia-se aos homens como “bípedes sem penas”, até que outro grande mestre lhe apresenta uma galinha despenada e disse aos alunos da Academia: “- Eis aí o seu homem, Platão”.

Sexto: O homem não perdeu o paraíso por conta de ter comido uma maçã, mas por ter “ingerido” conhecimento (Génesis Cap.2 e 3). Esta alegoria não nos ensina que o conhecimento tem um preço muito alto.

Sétimo: Não há como não passar por caminhos tortuosos, envolver-se com os tinir de espadas, suportar o calor das chamas que nos envolvem nesta vida quotidiana.

Como dito anteriormente, perdemos o paraíso. Mas, nesta mesma alegoria, sabemos que não fomos mandados para o inferno. Entre a partida e o destino, há tempo e espaço. O passado passou, o presente é o agora e o futuro é uma construção diária.

Se o Irmão não compreendeu a relação do cínico com o conteúdo, é por ter interpretado a palavra cinismo como desfaçatez.

CINISMO é a doutrina filosófica grega fundada por Antístenes de Atenas (444-365 a.C.), que prescrevia a felicidade de uma vida simples e natural, através de um completo desprezo por comodidades, riquezas, apegos, convenções sociais, utilizando de forma polémica a vida canina como modelo ideal e exemplo prático destas virtudes.

A imagem que ilustra este artigo é do filósofo Diógenes de Sinope, conhecido como “O Cínico”, cuja etimologia vem do grego kunikós que concerne a cachorro. Diógenes de Sinope (em grego antigo: Διογένης ὁ Σινωπεύς; Sinope, 404 ou 412 a.C. – Corinto, c. 323 a.C.), foi um filósofo da Grécia Antiga.

O quão bom e salutar seria, se os irmãos vivessem com simples túnicas desprovidas de comendas, que fossem leais e sinceros como os cães e que portassem na mão esquerda uma lanterna para trazer a luz e afastar as trevas da ignorância.

A lanterna tem de estar na mão esquerda, pois, a direita deve estar livre para no caso de não cumprir os seus juramentos, aplicar em si as penalidades.

Sérgio Quirino

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3 thoughts on “O bom Maçon é cínico

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    Eu não sou macon mas eu adimiro. Muinto seus comportamentos trabalho com vários maçons bom procedimentos homens de caráter

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    Belíssimo texto, bateu certinho com o momento em que estou vivendo, tudo à minha volta têm me convidado á ser cínica!Gratidão.

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    EU NÃO SOU IR .’. MAÇOM , MAS SOU GRANDE ADMIRADOR NATO E SIMPATIZANTE DESSA GRANDIOSA ORDEM MAÇÔNICA . VOCÊS SÃO AS SEMENTES BOAS DAS ROMÃS . VOCÊS PRATICAM OS GIROS DOS TRONCOS . EU DESEJO PARA TODOS OS IIR .’. DE QUALQUER OBEDIÊNCIAS ( LOJAS ) E DE QUALQUER POTÊNCIAS DA GOB , ARLS ETC … , AOS IIR .’. VEN .’. M .’. M .’. I .’. OR .’. ( GUARDA DA LEI ) 1-VIG .’. 2-VIG .’. 1- EXP .’. 2- EXP .’. ( expertos ) etc etc …

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