Numa conversa recente, eu estava a conversar com um colega Maçom de outra Ordem acerca de ódio. Ele estava a contar-me sobre como um dos seus membros, de um grau bastante elevado, nutria profundo ressentimento em relação a outro dos seus membros. Numa organização construída sobre disciplina e educação, isto parece atípico. Depois de tudo o que estamos a aprender como maçons sobre manter os nossos irmãos em alta consideração e conceder-lhes todos as “atitudes gentis”, como alguém pode ficar com raiva de outro Irmão por um período de tempo? Parece irresponsável.
Então ocorreu-me, igualmente de forma profunda, que quanto mais permanecemos neste caminho da Maçonaria, menos temos o luxo da raiva ou do ódio, nem o privilégio da animosidade ou medo de qualquer tipo. Aprendemos que as divisões das pessoas, de qualquer tipo que sejam, não têm sentido e são desnecessárias, e que nós, Maçons, nos dedicamos à erradicação da divisão e do conflito. As nossas lutas e ressentimentos pessoais não importam nem um pouco para o nosso trabalho como Maçons.
Então, porque é que a raiva para com outro Irmão acontece? Aprendemos desde os nossos primeiros passos na Ordem que questões pessoais devem ser tratadas fora da sessão, para que a ordem e a harmonia da Loja não sejam perturbadas por essa divergência.
Este é o primeiro passo para resolver os nossos problemas, e este processo pode ser muito diferente de como o resto da humanidade lida com as coisas. As pessoas “normais” recorrem a boatos, facadas pelas costas, evitação, gritos ou violência aberta. Um Maçom distingue-se, ou deveria. Nós sabemos fazer melhor. As instruções de um Maçom são claras: descubram entre vós, superem os vossos problemas e unam-se. Agora.
Esta direcção nunca muda e, de facto, cresce. Não apenas não se deve estar em desacordo com outros membros, mas não deve estar em desacordo com as decisões da Loja, o Venerável Mestre da sua Loja, o seu Distrito ou a sua Grande Loja. Ainda mais adiante no caminho, você é um representante de um chamado superior, a sua Escola de Mistérios, por assim dizer. Você representa um caminho para tomar a estrada mais elevada; eventualmente, a fim de promover o bem-estar da humanidade e da Maçonaria como um todo, você não se pode dar ao luxo de se envolver em emoções auto-obcecadas; caso contrário, a Grande Obra poderá nunca acontecer.
Você pode discordar de uma decisão e trabalhar para uma mudança ordenada, mas não se pode dar ao luxo de ter raiva. Você pode lutar para corrigir um erro, lutar pelos oprimidos ou lutar por mudanças. Você simplesmente não pode fomentar ódio ou raiva. A natureza básica dessa emoção não tem lugar na Maçonaria.
E assim, acontece que o Irmão que não pode transcender a sua raiva será engolido por ela, e outra pessoa boa afundará lentamente na sua natureza inferior. É um passo simples perceber que é arrogância guardar ressentimento e humildade deixá-lo ir. Digo simples, mas na verdade, o acto é deixar de lado o nosso comportamento profundamente arraigado e aprender uma nova maneira de ser. É preciso prática. Como maçons, despertamos para uma chamada superior: cabe a nós permanecer acordados e nunca dormir.
Kristine Wilson-Slack
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte

- A Maçonaria e o Fascismo
- Individualismo “versus” valores maçónicos
- Os Valores vencerão os medos e o terror
- Pedagogia Maçónica
- Sete artistas Maçons que mudaram a Arte Real


Muito grata Antonio, por trazer esse texto oportuno. Acredito que sentir raiva é uma emoção humana, a pessoa que trilha o nobre caminho do auto conhecimento, pode se permitir sentir a raiva. Porém, uma vez identificada, trabalhar para que essa raiva seja dissipada e passe o quanto antes. Sentir raiva é uma coisa. Manter a raiva e nutri-la, é outra.
Esse texto veio em boa hora. TFA∴
Bom dia.
Não tenho tido sucesso no ato de partilhar os valiosos ensinamentos…eis que ao tentar diz que a página da website não existe.
Gratidão pelo material…ainda assim.
Bom dia, a que página se refere? Cumprimentos. Antonio Jorge