O Maçom e o Trabalho

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O homem vê o trabalho como actividade em que se auto-realiza e com o qual transforma a natureza. E só começa a realizar um serviço depois de ter pensado e planeado intencionalmente a tarefa. Não existe trabalho sem o uso conjunto da força e do intelecto, ambas se complementam. Enquanto o projecto é uma acção passiva, o trabalho é uma acção activa. O resultado é a realização prática de algo.

A ferramenta que representa o trabalho nas oficinas maçónicas é o malho. Este representa a força bruta, a vontade que executa. Sem a vontade do malho o cinzel não poderia exercer o seu livre arbítrio. E, longe de ser destituído de racionalidade, algo embrutecido e aleatório, ele representa a intenção por trás da acção. Não é apenas um aglomerado metálico, pesado e violento, muito menos sinónimo de obstinação ou teimosia.

Baseado na maneira como o malho actua, batendo vez após vez, denota-se que a sua actividade é firme e perseverante. Ele não executa todo o trabalho de uma só vez, mas em pequenos avanços, firmes e objectivos. Age de forma descontinua, num esforço inconstante, em pancadas, pois se exercesse pressão continua sobre o cinzel, este perderia todo o rigor na execução da obra final. Como o conjunto não é aparato de criação, mas de desbaste, sempre arrancando e nunca acrescentando, impõe-se disciplina, levando aquele que o empunha a alterar a sua visão de mundo e principalmente de si mesmo.

Sem o malho o aprendiz Maçom não poderia trabalhar a pedra bruta e não teria como se autoproduzir; porque é ele mesmo quem trabalha a sua “pedra” interior. Esta deve ficar plana e esquadrejada; obtendo com isto uma condição aprovada, que lhe permita fazer parte da estrutura do Grande Templo. Ao desbastar a pedra bruta, dela são arrancadas as superficiais e grosseiras arestas da personalidade, sendo que a sua actuação deve ser forte, resoluta e pode até ser dolorosa. O malho é o emblema do trabalho, é quem fornece a força material, para de forma figurada aplainar a pedra bruta e culminar em educação, polindo a silvestre e inculta personalidade para uma vida e obra superior. O acabamento de um trabalho assim conduzido resulta em amarrar intimamente a energia que age e a determinação moral. O resultado é fina educação, ou polidez, e os produtos desta associação são belos, subtis e delicados, revelando o intelecto que actua por traz da acção.

Sem o uso do malho com mestria e vigor, o aprendiz Maçom não poderia derrubar obstáculos e superar dificuldades, haja vista que é na constância e na determinação que desenvolve habilidade e imaginação. O seu uso o leva a aprender e conhecer as forças da natureza e a desafiá-las; leva-o a conhecer as próprias forças e limitações; relaciona-o com os companheiros e leva-o a viver o afecto desta relação.

O malho é sempre empunhado pela mão direita, o lado activo, ele também é a insígnia do comando, da direcção. Simboliza a vontade activa, a energia, a decisão, o aspecto activo da consciência do aprendiz, o membro viril, o reprodutor, a força e a vontade. É o indutor da iniciativa, da perseverança, é enfim, o símbolo da inteligência que age e persevera, que dirige o pensamento.

Charles Evaldo Boller

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