O que está a acontecer na Maçonaria italiana? vamos esclarecer

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O templo principal da Grande Loja Unida da Inglaterra, maçonaria
O templo principal da Grande Loja Unida da Inglaterra

Após a separação em 1993 na sequência das investigações sobre a máfia e as Lojas, o Duque de Kent decidiu mais uma vez reconhecer a Obediência liderada por Stefano Bisi.

Muitas vezes é falada de uma forma confusa, às vezes contraditória, fazendo confusão de termos e factos históricos. Entre Veneráveis ​​e Grão-Mestres, entre Lojas e Grandes Lojas.

A natureza da Maçonaria italiana é ainda um verdadeiro mistério para a maioria dos italianos. Cúmplice, é mais a ignorância dos jornalistas que falam sobre isto do que os antigos Habsburgos e as perseguições papais.

Do escândalo da P2 à investigação de Córdova, passando pelas várias comissões anti-máfia, a imagem que surge é horrenda.

Já foi associada a figuras altamente respeitadas: dos fundadores americanos e franceses aos grandes criadores do Renascimento, dos génios da ciência na Royal Society aos ilustres membros das monarquias anglo-saxónica e escandinava.

Hoje, o termo “Maçonaria” em Itália é frequentemente usado de forma imprópria, associado exclusivamente ao crime organizado ou pior, a gangues de criminosos que planeiam subverter a ordem estabelecida. Nada mais enganador. Ignorando completamente que a Monarquia Sueca, a mesma que concede todos os anos os vários prémios Nobel, também tem, entre as suas mais altas honras de Estado, um rito maçónico (o Rito Sueco), que inclui os membros mais conceituados do clero luterano e da nobreza.

A Maçonaria que moldou a era contemporânea reduziu hoje bastante a sua influência. Na Itália, então, encontra-se internamente fragmentada.

Com todo o respeito pelos teóricos da conspiração e anti-maçons, a “Libera Muratoria” (termo que em conjunto com “Arte Real” é sinónimo de Maçonaria) embora se defina como Universal, não o é de forma alguma. Em todo o mundo, e na Itália em particular, existem inúmeras Organizações Maçónicas, definidas como Grandes Lojas ou Grandes Orientes, onde dentro delas existem outras tantas Lojas, que não se reconhecem ou frequentam de forma alguma, pois cada uma pertence a um Instituição Maçónica ou Obediência.

Neste grande caos geral, podemos, no entanto, simplificar a imagem, afirmando que existem duas grandes famílias maçónicas no mundo.

Sim, porque a partir de 1877 houve uma profunda fractura no mundo “latomístico” (outro termo para definir a Maçonaria).

A Grande Loja Unida de Inglaterra condenou abertamente o Grande Oriente de França como ateu e materialista. Os maçons franceses também, ao contrário dos ingleses, aceitavam mulheres entre deles, e um sistema de graus maçónicos que ia além do terceiro grau. Assim, muitos ritos maçónicos nasceram para além dos três primeiros graus (que, ao contrário dos ritos maçónicos, constituem uma Ordem Maçónica).

Desde então, existem organizações maçónicas no mundo reconhecidas pelos Ingleses (compostas apenas por Ordens Maçónicas, ou seja, apenas por três graus maçónicos), e outras pelos franceses (com ritos maçónicos que vão além do terceiro grau, com mulheres e ateus no seu interior).

Na Itália, a situação é ainda mais complexa. O reconhecimento inglês é dado à Grande Loja Regular de Itália. Enquanto os franceses reconhecem a Grande Loja de Itália ALAM.

O grande excluído do reconhecimento é justamente a maior e mais antiga obediência maçónica italiana, o Grande Oriente da Itália (GOI). A anomalia reside no facto de que o GOI nasceu historicamente no período napoleónico como uma emanação na Itália do Grande Oriente da França. Depois, com o tempo, adquiriu prestígio internacional e até o tão cobiçado reconhecimento inglês, pela Grande Loja Mãe do Mundo, a Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE), que o aceitou apenas em 1971.

De 71 até 93 teve o reconhecimento de Londres. Depois a investigação de Córdoba atingiu o GOI; era época de massacres e a Itália acabava de sair da Guerra Fria e de Tangentopoli. Tudo mudou, e até mesmo a Maçonaria italiana não poderia mais ser a mesma.

Foi assim que o então Grão-Mestre do Grande Oriente de Itália, Giuliano Di Bernardo, renunciou à sua Instituição, e fundou outra reconhecida pelos ingleses, a já mencionada Grande Loja Regular de Itália.

Tudo isto de 1993 até hoje, 2023. Sim, porque como um raio no céu sereno, nestes dias nos círculos maçónicos não se fala de outra coisa.

Hoje, o tão cobiçado reconhecimento Inglês também será concedido ao Grande Oriente da Itália (GOI); que em conjunto com a Grande Loja Regular da Itália (GLRI) será uma das duas obediências maçónicas italianas reconhecidas pelo Duque Edward de Kent, primo em primeiro grau da falecida Rainha Elizabeth II, e Grão-Mestre da Grande Loja Unida de Inglaterra (UGLE).

Muitos se perguntam o porquê de tal decisão. Muitos levantam a hipótese de uma questão muito trivial de membros, como se a monarquia inglesa precisasse de capital adicional para pagar custos e alugueres. Outros, de forma mais realista, vêem a influência resultante dos acontecimentos na Ucrânia. O conflito naquela região está a reunir todas as instituições do mundo ocidental, inclusivamente a Maçonaria.

E uma região estratégica como a Itália não se pode dar ao luxo de ter Lojas regulares que não se reconhecem dentro dela.

No entanto, permanece o problema histórico da Maçonaria ligada ao Grande Oriente de França. Um problema que poderia ser resolvido com a abertura dos britânicos às mulheres. Sim, porque na Inglaterra, para comemorar os 300 anos das Constituições Maçónicas de Anderson (1723), a UGLE organizou um Encontro Especial de Grandes Lojas, onde, para além das principais Obediências Americanas e Europeias, também convidou as Grão-Mestras da Maçonaria feminina presente no Reino Unido (da Order of Women Freemasons e da HFAF – Freemasonry for Women). Este é um facto histórico, sem precedentes.

mulheres maçonas

Tudo isto abre caminho para possíveis mudanças futuras e, quem sabe, até para uma possível reunificação italiana das numerosas “famílias maçónicas” presentes no nosso solo.

Talvez o sonho de muitos de ver uma única grande instituição maçónica italiana se torne finalmente realidade.

Luca Fiore Veneziano

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

Fonte

  • Civico20 News – A revista online de Turino

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3 thoughts on “O que está a acontecer na Maçonaria italiana? vamos esclarecer”

  1. MARINO CATTALINI

    O Grande Oriente da Itália é a Potência Maçônica mais antiga, fundada em 1805 por Membros do Supremo Conselho do REAA da Itália (fundado poucos meses antes pelo famoso Conde de Grasse-Tilly). Teve como primeiro Sereníssimo Grão Mestre Eugenio de Beauharnais, filho adotivo do Imperador Napoleão. Independentemente dos acontecimentos negativos que macularam a imagem da Maçonaria na Itália nos anos 70 e 90 do século passado, se a notícia do reconhecimento pela UGLE for verdadeira, trata se , a meu ver, de um fato positivo. O GOI é a Potência com mais Irmãos no país (cerca de 21.000), trabalhou intensamente nos últimos 30 anos para depurar o seu Quadro de Obreiros, empenhou se significativamente em ajudar os necessitados e , aspecto relevante, faz parte da Confederação Maçônica Interamericana (CMI), sendo reconhecida por 200 Grandes Lojas Regulares. Liberdade, Igualdade, Fraternidade

  2. A maçonaria não precisa reconhecer ordens espúrias, logo, não há motivos para uma união a todo custo.

  3. Manoel Gambardella Jr

    Tirando os acontecimentos históricos locais, a balbúrdia de “potências ” Brasileiras é a mesma.

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