Vibrações argentinas
Nesta oportunidade faremos uma singela e perfunctória abordagem sobre as Vibrações Argentinas, procedidas, no início e ao final, das sessões ritualísticas do Rito Adonhiramita. Na Maçonaria e nos seus ritos, há muitas questões controvertidas, e com esse Rito não é diferente. Uma delas relaciona-se com o surgimento e a razão das doze Vibrações Argentinas.
A nossa Fraternidade não é uma religião, pois admite, nas suas hostes, pessoas das mais variadas denominações religiosas. De nós é exigida a crença num princípio criador, que denominamos de Grande Arquitecto do Universo – GADU, sem obediência ou culto a um Deus determinado.
Mas entendo que, embora não seja uma religião, em alguns ritos, e em especial no Adonhiramita, existe muita religiosidade. Tanto é assim que, nas nossas sessões, temos diversos actos iguais ou semelhantes aos praticados pela maioria das religiões oficiais. Podemos citar a leitura de salmos bíblicos, acendimento de velas, incensação, orações, vibrações argentinas e outros.
Nesta última, os autores divergem sobre a origem e o motivo da sua execução. Uns, como Emilião, diz que: “as 12 badaladas simbolizam as doze horas de trabalho, que representa o trânsito do sol pelos 12 signos do zodíaco, pois, no Rito Adonhiramita, não há as Colunas Zodiacais. Há também o simbolismo de despertar ou adormecer progressivamente os 12 chakras, os sete principais e os cinco secundários relacionados aos sentidos objectivos” [1].
No mesmo sentido, declara Rabadela: “O Rito Adonhiramita, com relação próxima ao catolicismo, e primando pela original manteve o uso do sino como forma de indicar as horas, em especial, de início e fim dos trabalhos.
É por esta razão que o sino toca ao meio-dia e à meia-noite, avisando aos Aprendizes qual o momento da sessão. Simbolicamente, o sino está relacionado com a vida, convidando os irmãos para formar a Egrégora Maçónica” [2].
No que tange ao surgimento desse procedimento, Norberto entende assim: “O sino constitui num magnífico Arcano Místico e Esotérico sendo grandemente utilizado em actividades religiosas e cerimónias das Fraternidades Iniciáticas. Por esse motivo, a criação do sino é atribuída aos egípcios, visto que, através do mesmo, os seus sacerdotes anunciavam as importantes Festas Religiosas e Iniciáticas de Osíris. Assim como o som do sino simbolizava o Poder Criador. Conforme as Antigas civilizações, sobre o sino:
- Índia – era o reflexo da Vibração Primordial;
- China – representava a Harmonia Universal;
- Grécia – na mitologia, era símbolo do Deus Priagpo – os Sacerdotes dos Grandes Mistérios de Prosérpina e de Cibele, só realizavam os sacrifícios ao som dos sinos, formalizando os seus mistérios;
- Roma – utilizavam-nos nas suas Procissões Religiosas;
- Japão – os efeitos do bronze e chamados “Dakatu”, conhecidos desde 300 anos depois de Cristo, sendo encontrados na entrada dos Templos, e quando soam os fiéis oferecem uma moedinha batendo palmas duas vezes, esperando ter os seus desejos realizados;
- Tibete – nas antigas Iniciações o candidato levava na mão direita um anel de ouro e a “Vara de Vajra” e na esquerda um anel e uma sineta de prata;
- Cristianismo – é a voz de chamamento dos fiéis à igreja, convidando-os à missa; era executado em Prata para gerar o som “Argenteo” ou Argentino, como é conhecido, e assim faziam por não ser estridente o som, cuja suavidade era distinguida só pelos Cristãos da época, que fugiam das perseguições religiosas;
- Budismo – detém o seu sentido no Exorcismo e na Purificação;
- Islão – tem o som subtil da revelação do Alcorão – do Poder Divino na existência, pois a percepção do seu ruído dissolve as limitações temporais… omissos” [3].
Há quem diga que o sino já era utilizado pelos Sumérios, habitantes da Mesopotâmia, há mais de 3.000 anos a.C. O certo é que não se tem certeza de quando esse objecto foi criado e por quem.
Antigamente, as igrejas católicas usavam o sino como meio de comunicação, anunciando casamento, falecimento, início das missas e até para assinalar horários. Quando registravam horas exactas, o número de badaladas correspondia à hora cheia, como exemplo das seis horas, em que o sino batia seis badaladas. Para marcar a metade da hora correspondente, soava apenas uma batida, como dezoito horas e trinta minutos – apenas uma badalada. Hoje em dia, ao menos nas cidades maiores, esse uso está deixando de existir.
Por conseguinte, na liturgia da missa católica, era usual soar uma sineta em determinados actos significativos, como no caso da consagração do pão e do vinho, que, simbolicamente, representa o corpo e o sangue de Cristo. Também, nesse caso, a sineta já não é mais tão utilizada.
Nas sessões maçónicas, algumas lojas usam um tímpano, um sino, uma barra de ferro ou outros objectos que produzem som.
A Maçonaria, por sua vez, ensina-nos que devemos, conscientemente, acreditar na predominância do espírito sobre a matéria.
Na supremacia do ser em relação ao ter, tem-se que o ser humano é partícula do Divino, na necessidade da integração e da interacção do microcosmo (o homem) com o macrocosmo (o universo). Assim, não posso entender esse cerimonial como mera sinalização de início e de término da sessão ou outra coisa de menor significado.
Somos polos de emissão e de recepção de energias. As ondas sonoras produzem vibrações que, ao penetrarem nos nossos ouvidos, causam sensações.
Os nossos pensamentos e as nossas atitudes transmitem também sensações, que, quando compenetrados no cerimonial, irradiam paz, tranquilidade, harmonia, bem-estar, os quais propiciam elevação espiritual. Daí a importância de o irmão cobridor interno bem executar a sua missão, irradiando boas energias por meio de sonoridade cadenciada, espaçada, vibracional.
Aliando-se a isso, uma boa concentração e um recolhimento interior dos irmãos e o som dos doze movimentos ajudam na harmonização esotérica e facilitam a formação de uma Egrégora colectiva positiva, livrando-nos de forças negativas que, por infortúnio, possam se fazer presentes naquele momento.
É a singela colaboração que deixo para uma análise e reflexão mais profunda e correcta por parte de cada irmão que a isso se proponha.
Muito obrigado!
João Paulo Sventnickas – ABRLS Renascer da Luz n° 56 – Rito Adonhiramita
Bibliografia
- EMILIÃO, Sérgio. I. – GOB
- RABANEDA, Fabiano. O CATECISMO DO APRENDIZ ADONHIRAMITA. Cadernos de Estudos Maçónicos. As Doze Pancadas Argentinas, p.145, Abril de 2010. Editora Maçónica A Trolha Ltda. Londrina – PR
- NORBERTO, Manoel. I. ABRLS 20 de Agosto – GOERR. O Sino e as Doze Badaladas no Rito Adonhiramita. Em https://doceiro.com.br/doc/xv5vvvc

- O Hino Nacional Português – Obra de Maçons
- A Maçonaria Entreaberta
- A maçonaria e o conceito de justiça
- Alguns factos históricos sobre a maçonaria Adonhiramita
- Rito Francês: uma breve apresentação


Entendo que as vibrações são para equalizar nossas energias para formação da Egrégora. Está sustentada muito mais sob a ótica esotérica do que científica ou base histórica. Cada um de nós entra em sessão emanando algum tipo de energia e as 12 baladas sintonizadas a cada 3 segundos dá ritmo e constância para que o Mestre de Cerimônias a distribua de forma equilibrada e com equidade.
É de suma importância à nós Ilmos.·. Ir(as).·. tais esclarecimentos, pois nos capacita para o entendimento; nos tornamos cada dia mais aprendizes. Deixo aqui o meu máximo respeito.