Quem foi a deusa Minerva
Minerva é o nome latino da deusa grega Palas Atena. Era filha de Zeus (Júpiter, o pai dos deuses).Após uma briga com a sua esposa Métis, este a engoliu e logo começou a ter uma insuportável dor de cabeça. Então pediu ao deus Vulcano que abrisse a sua cabeça com um machado. Da sua cabeça aberta saiu Palas Atena, ou Minerva, já adulta, portando escudo, lança e armadura. Minerva permaneceu virgem e presidiu a sabedoria, a arte e a coragem. Os atenienses a adoptaram como deusa patrona e os romanos como protectora de Roma.
A deusa Minerva era representada com um capacete na cabeça, escudo no braço e lança na mão. Era a deusa da guerra, e também patrocinava a sabedoria e as ciências, tendo junto de si um mocho e vários instrumentos matemáticos. Os engenheiros e construtores a adoptaram como sua deusa padroeira, razão pela qual os maçons, dada a sua tradição de pedreiros-livres, a cultuam como uma das suas patronas.
A deusa Minerva também tem é relacionada com Ísis, a deusa egípcia considerada mãe da humanidade, e na tradição cristã ela é Maria, a mãe do Salvador. Os gnósticos a reverenciam com o nome de Pístis Sofia, a mãe da sabedoria. Estas correlações são, evidentemente, simbólicas, e evocam a origem arquetípica da raça humana, nascida de um elemento feminino, no caso a terra, fecundada por um elemento masculino, o sol. Esta tradição associa também o mito bíblico de Eva, a mãe da espécie humana. Todos esses arquétipos se fundem numa figura feminina, da qual a humanidade emergiu.
A Deusa Minerva é também o protótipo da sabedoria. Segundo a lenda foi ela quem fez nascer na mente humana o anelo pela busca do conhecimento. Assim, a vontade de saber, o ciência, a busca pela sabedoria não é uma qualidade masculina, mas feminina, e está mais conectada mais com a sensibilidade do que com a razão, propriamente dita. Por isto as primeiras civilizações, ou aquelas que atingiram o mais alto grau de sabedoria e desenvolvimento foram fundadas sobre o princípio do matriarcado. O Egipto, presidido pela deusa Ísis, a civilização palestina, presidida pela deusa Astarte, os gregos com Palas Atena, foram exemplos desses matriarcados, e essas deusas, na verdade, foram rainhas de deram a esses povos os seus primeiros estágios de civilização.
A Maçonaria, não obstante a sua tradição essencialmente patriarcal, presta as devidas homenagens a Deusa Minerva. Esta homenagem está patente no grau 26, denominado Príncipe das Mercês. Ali se vê um pedestal oco, com um livro dentro, em cima do qual repousa uma estátua da deusa Minerva (Palas Atenas, Ísis, Pístis Sofia, Virgem Maria). Insinua que ali se cultua a Justiça, já que esta Deusa também é representante dessa qualidade, que só pode ser alcançada com um alto grau de civilização. A escada de três lances representa os três degraus da iniciação: simbolismo, perfeição e filosofismo, ou ainda, aprendiz, companheiro e mestre.
Na verdade, a Deusa Minerva, Ísis, Eva, a Virgem Maria, a Sofia dos gnósticos, a Palas Atena dos gregos, representam o mesmo arquétipo, existente em todas as tradições religiosas dos povos antigos. Ela é a “mãe” da humanidade, a deusa da maternidade. A sua função é sempre “parir” o princípio salvador do mundo. Por ser um símbolo da Terra, como mãe natural de toda a vida, a iconografia gnóstica acostumou-se a representá-la segurando junto ao seio um feixe de trigo que simboliza o renascimento da vida. Por isto é que ela é o arquétipo da terra, em cujo seio o grão deposto se transforma em vida.
Na Maçonaria esta simbologia está conectada com a palavra de passe Schibboleth, que é a palavra sagrada utilizada num dos graus [editado]. Schibboleth, literalmente, significa pendoar, florescer, ou seja, o transformar da semente em espiga. A Bíblia, no Livro dos Juízes, conta a história da Jefté, líder dos israelitas, durante as guerras de conquista das terras palestinas. Numa luta contra a tribo de Efraim, os israelitas usavam a palavra Schibboleth como palavra de passe para distinguir entre os efrainitas e os demais membros das tribos de Israel. Esta era uma palavra de difícil pronúncia, que os habitantes de Efraim não conseguiam falar correctamente. Por isso, toda vez que eles tentavam se infiltrar no território israelita eles eram descobertos porque não conseguiam pronunciá-la de maneira correcta. Os israelitas perguntavam-lhes: “Por acaso és tu Efrateu? Se não és, diz então Schibboleth”. E eles sempre diziam Sibolet, não conseguindo nunca exprimir a palavra exacta com todas as letras. Imediatamente presos, eram degolados na passagem do Jordão.”
A Maçonaria conectou os dois simbolismos para criar uma mística que significa tanto a necessidade de os irmãos se reconhecerem através de um código próprio quanto de cultivar um arquétipo que é muito caro a praticamente todas as tradições antigas. Este arquétipo é a transmissão dos segredos iniciáticos que simbolizam a passagem dos elementos civilizatórios de grupo para grupo. Desta maneira, o culto à deusa Minerva simboliza a aquisição da civilização, da sabedoria e da arte por parte do grupo que a cultiva. Por isso é que ela sempre é representada portando, ora uma lança, símbolo da conquista militar, ora uma tocha, símbolo da conquista pela sabedoria. Esta tocha é o Paladium, que segundo a tradição, é a chama olímpica que se transmite a cada nação civilizadora através da História. No antigo Egipto ela aparece nas mãos da deusa Ísis. Segundo a tradição esta tocha ter-lhe-ia sido passada pelos atlantes, já que o Egipto seria a continuadora dessa civilização. Depois esta tocha foi levada para Atenas pelo herói Ulisses e dali teria sido passada para Roma, onde era guardada no templo de Minerva pelas vestais. Depois foi para Bizâncio, de onde desapareceu após a conquista turca. Reapareceu em Washington DC, depois da independência americana.
Por isso é que a Deusa Minerva pode ser vista hoje no saguão da Biblioteca Nacional, em Washington, portanto a tocha sagrada. E ela também é o arquétipo que serviu para a confecção da estátua da Liberdade, que na sua mão porta a tocha da sabedoria.
Na Maçonaria esta tocha também é simbolizada pela espada flamígera, que também é a vara de condão das fadas e a espada da nobreza com que se consagra a elevação dos novos cavaleiros, que são os maçons.
Do livro “Mestres do Universo” – Biblioteca 24×7 – São Paulo, 2010

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Qual a necessidade de mostrar a palavra de passe? Vamos nos preservar, meus irmãos.