Albert Pike e os Graus Crípticos

Introdução

Albert Pike

Albert Pike é, sem sombra de dúvidas, o maçon mais famoso do mundo. Em especial quando se fala em Rito Escocês Antigo e Aceito, não há como não mencionar Pike. O que muitos maçons não sabem é que a militância maçónica de Pike não foi restrita ao R:. E:. A:. A:.. Ele não apenas foi iniciado nos graus simbólicos numa Loja do Rito de York, como foi um irmão extremamente actuante nos Altos Graus do Rito, tendo ocupado diversos cargos de liderança.

Resumo histórico de Albert Pike no Rito de York

Real Arco:

  • Adiantado a Mestre de Marca – 12 de Novembro de 1850.
  • Induzido a Past Master (Virtual) – 21 de Novembro de 1850.
  • Recebido e Reconhecido como Mui Excelente Mestre – 22 de Novembro de 1850.
  • Exaltado a Maçon do Real Arco – 29 de Novembro de 1850.
  • Membro fundador do Grande Capítulo de MRA do Arkansas, em 28 de Abril de 1851.
  • Grande Sumo Sacerdote do Grande Capítulo de MRA do Arkansas – eleito e empossado em 15 de Novembro de 1853; reeleito em 14 de Novembro de 1854.
  • Membro da Comissão do Real Arco Internacional de desenvolvimento do ritual de instalação e posse de Oficiais de Grandes Capítulos de MRA – 1856.
  • Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Real Arco Internacional – 1859.
  • Membro da Comissão de Jurisprudência do Real Arco Internacional – 1877.

Crípticos:

  • Apresentado como Mestre Real e Escolhido como Mestre Escolhido – 22 de Dezembro de 1852.
  • Membro fundador e Ilustre Mestre do Conselho “Ocidental” Nº1 de Maçons Crípticos, em Little Rock, Arkansas – 5 de Julho de 1853.
  • Mui Ilustre Grão-Mestre fundador do Grande Conselho de Maçons Crípticos do Arkansas – 6 de Novembro de 1860.

Cavalaria:

  • Investido nas Ordens de Cavalaria na Comanderia Nº 1, de Washington, DC – 9 de Fevereiro de 1853.
  • Membro fundador e Comandante da Comanderia “Hugh de Payens” Nº 1, em Little Rock,
  • Arkansas – de Dezembro de 1853 a Outubro de 1856.

Breve análise

Quando Albert Pike ingressou no R:. E:. A:. A:., tendo recebido os graus 4° ao 32°, em Charleston, Carolina do Sul, num único dia, 20 de Março de 1853, ele já tinha galgado todos os altos graus da escada do Rito de York, algo que realizou no prazo de 28 meses. E nos anos seguintes, ele não se restringiu a um ou ao outro rito, tendo se dedicado exemplarmente a ambos. Tanto que, já como Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho Jurisdição Sul dos EUA, presidiu a fundação do Grande Conselho de Maçons Crípticos do Arkansas, em 1860.

Mas talvez a maior contribuição que Albert Pike deu aos Graus Crípticos seja o relatório que apresentou, enquanto Presidente da Comissão de Leis e Costumes do Grande Capítulo de Maçons do Real Arco do Arkansas, quanto à questão, tão discutida à época, se o Real Arco deveria assumir o controle sobre os graus crípticos.

Considerando a extensão do relatório e o facto de que muitas das informações preliminares relatadas no mesmo já foram abordadas na última Suprema Instrução, sobre as teorias de origem dos graus crípticos, apresentarei apenas os trechos introdutórios e concluintes.

Relatório de Pike em defesa dos graus crípticos

Relatório da Comissão de Leis e Costumes

Por Albert Pike, 1853.

Aos Mui Excelentes Grandes Sumo Sacerdote, Rei e Escriba do Mui Excelente Grande Capítulo do Real Arco do Arkansas.

Na última Convocação Anual do Mui Excelente Grande Capítulo do Real Arco do Arkansas, ficou decidido que tanto a comunicação do Mui Excelente Grande Sumo Sacerdote para aquela convocação, como a acção sugerida por parte do Grande Capítulo, deveria ser encaminhada à Comissão de Leis e Costumes, com instruções para que a mesma se manifeste na próxima Convocação Anual.

Apenas três questões parecem estar sujeitas à Comissão pela comunicação referida, para acção do Grande Capítulo: e infelizmente cada uma é importante e, devido às autoridades conflituantes, de solução duvidosa.

Jurisdição sobre a Maçonaria Críptica

A primeira é quanto à jurisdição e o poder dos Capítulos e dos Grandes Capítulos de conferir os graus de Mestre Real e Escolhido. É verdade que o último Grande Sumo Sacerdote sugere a questão da existência desse poder nos Grandes Capítulos, e apenas nos Estados onde os Grandes Conselhos não existem. Mas a reivindicação de jurisdição é, de longe, mais extensa. É, como afirmado por altas autoridades noutros lugares, que todos os Capítulos têm o direito de conferir esses graus como preparatórios ao grau do Real Arco, sem levar em conta a existência de Conselhos ou Grandes Conselhos dentro das suas jurisdições.

Desde a última Convocação Anual deste Grande Capítulo, foram estabelecidos dois Conselhos de Mestres Reais e Escolhidos neste Estado por autoridade directa do Supremo Conselho do 33° Grau para a Jurisdição Sul dos Estados Unidos, sediado em Charleston. E esses Conselhos e seus membros se recusam a reconhecer como Mestres Reais e Escolhidos regulares aqueles que recebem esses graus num Capítulo. Esta questão, portanto, tornou-se de importância prática nesta jurisdição. E, de acordo com o direito, a jurisdição para conferir esses graus deve, imediatamente e de forma explícita, ser reivindicada ou renunciada por este Grande Capítulo, para si próprio ou seus subordinados.

Não reivindicação da Maçonaria Capitular

Esta comissão pensa ser lamentável que a jurisdição para conferir esses graus ainda seja reivindicada pela Maçonaria Capitular. Não há a menor probabilidade de que os Grandes Conselhos de Mestres Reais e Escolhidos, já existentes em vários Estados, ou os Supremos Conselhos do Grau 33 de Charleston (Sul) e Boston (Norte), renunciem a esses graus aos Capítulos ou Grandes Capítulos. E mesmo que a jurisdição pertencesse mais adequadamente aos Capítulos, e foi usurpada por parte dos outros corpos, a união e harmonia são tão importantes, que seria muito melhor para o Capítulo ceder e conceder o poder, do que criar disputa contínua e dissensão, enervando as reivindicações por uma jurisdição que pode nunca ser exclusiva e não deve ser concorrente por questões óbvias.

O Rito Escocês, enumerando os graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre como os três primeiros de seus 33 graus, e, sem dúvida, com direito a conferi-los, tem, em nome da harmonia, renunciado a esse direito em favor do Rito de York. E, embora não os confira, exige que eles sejam recebidos numa Loja de York (Yorkista, do Rito de York), antes que o candidato possa receber qualquer um dos graus os quais ele (Rito Escocês) ainda confere.

(…)

Reivindicação Capitular

Nunca vimos qualquer outro argumento alegado para a reivindicação dos Capítulos além do facto de que estes graus pertencem naturalmente ao Real Arco, que é incompleto e imperfeito sem eles, que explicam o que, nesse grau (MRA), é deixado no escuro. Mas ninguém já foi suficientemente robusto para insinuar que, de facto, algo foi recortado ou cortado desse grau (MRA). Ou que, originalmente, dado na Inglaterra como a conclusão do Grau de Mestre, era menos imperfeito do que agora. Ou que, de seguida, foi incluído como uma parte componente de si mesmo, esses graus ou seus equivalentes.

O Irmão Moore, de Boston, diz que a Maçonaria do Real Arco data da construção do segundo templo, e os graus de Mestre Real e Escolhido da conclusão do primeiro, “o que prova que os Graus Crípticos são 465 anos mais velhos do que o Real Arco, e foram instituídos na conclusão do primeiro templo “. A Comissão de Correspondência Estrangeira da Flórida (do Real Arco) concorda com este argumento e considera isso como a solução de todo o assunto.

Imaginamos que, neste dia, nenhum maçon inteligente considerava o mundo ou a fraternidade tão crédulo e ignorante, a ponto de se arriscar a falar sobre qualquer grau na Maçonaria que tenha sido instituído no período de construção ou conclusão do primeiro Templo, excepto talvez os três graus simbólicos. Todo escritor maçónico admite que nenhum outro grau é antigo. Excepto eles, nenhum título pode ser rastreado autenticamente até o início do século XVIII. O argumento do Irmão Moore também provaria que um grau ou dois na Maçonaria Escocesa foram instituídos antes do dilúvio. Tais alegações absurdas causam danos incalculáveis à Maçonaria. E fazer disso prova, apenas reivindica o assunto ao desprezo e ao ridículo.

(.)

Direitos dos Conselhos

Os Conselhos tinham certamente o mesmo direito de estabelecer uma organização separada e independente como os Capítulos tiveram. Se os Grandes Capítulos ou o Grande Capítulo Geral desejam se entregar à invenção de novos graus, não entendemos que os maçons de outra jurisdição tenham o direito de se opor. Se eles mesmo optarem por pedir emprestado e se comprometerem a conferir os graus de Mestre Real e Escolhido, ou os do Príncipe do Líbano e do Patriarca Noaquita, ou todo o Rito de Misraim, e seus constituintes concordarem com isso, tudo o que pode ser dito é que a cortesia que reconhece o direito internacional maçónico proíbe essa invasão noutra jurisdição. Mas que se eles optarem por violar essa cortesia, não há poder em qualquer lugar para prejudicá-los. A Grande Loja pode, da mesma forma, chegar a conferir os Graus do Capítulo. E o Conselho pode aproveitar e conceder os Grau de Cavalaria, por um lado, e os Graus Capitulares, por outro. A cortesia, o fundamento do direito das nações, sozinha mantém as linhas de jurisdição.

Uma coisa, é claro, está clara: que um Conselho não reconhece um Mestre Real e Escolhido feito num Capítulo, assim como um Capítulo não reconhece um Maçon do Real Arco feito num Conselho ou num Consistório do Rito Escocês. Nenhum poder ou autoridade maçónica pode expulsar o Grande Conselho ou corpos subordinados a esses da sua jurisdição, a menos que eles optem por render-se. O que é muito certo de que não farão.

Se o Grande Capítulo Geral ou Grandes Capítulos devem ter esses graus, será muito melhor e mais simples fazê-lo como um acto justificado pela necessidade, e não com qualquer pretexto de título. Pois parece para esta comissão, que, como foi dito por uma altíssima autoridade, “a proposição de conferir a jurisdição dos Conselhos de Mestres Reais e Escolhidos aos Grandes Capítulos abraça um dos maiores absurdos maçónicos que poderiam, por qualquer possibilidade, ser apresentados à mente “.

(…)

Reivindicação Capitular II

Os méritos da reivindicação da Maçonaria Capitular, ou, como podemos chamar mais adequadamente, do Rito do Real Arco, aos Graus do Conselho, podem ser condensados em poucas palavras. Eles explicam o Grau de Maçon do Real Arco, mostrando o facto real do que o grau de Maçon do Real Arco apenas conjectura.

Eles acrescentam, embelezam, concluem e aperfeiçoam o grau do Real Arco: então, o Rito do Real Arco diz ao Rito Escocês, “você tem, e nós queremos: renda-se, ou nós pegamos à força”. É meramente a reafirmação, numa nova forma, da antiga lei pirata [1], mais antiga do que as incursões de gado sobre a fronteira escocesa, que

“Ele deve tomar isso à força,
E ele deve manter como pode”

O precedente, se mais uma vez estabelecido (foi estabelecido quando o Grau de Past Master foi capturado (pelo Real Arco)), não estará longe de ser seguido. A Maçonaria Escocesa, achando que as linhas entre diferentes jurisdições, estabelecidas e definidas por prescrição, que é a base da lei maçónica, bem como de todas as outras leis, não são mais respeitadas, reviverão seu direito aos três primeiros graus. O Mestre-Maçon do Rito de York (Simbolismo) irá recapturar o Real Arco, a conclusão e, quando da sua criação, parte do grau de Mestre; e fazer do grau de Mestre de Marca o que ele era originalmente, o Mestre de uma Loja de Companheiros-Maçons; e, ao mesmo tempo, para fazer o grau de Mestre-Maçon “totus teres atque rotundus[2], os Mestres terão também os graus de Mestre Real e Escolhido, aos quais eles têm, na medida do argumento, uma reivindicação muito mais forte do que os Capítulos. O Grau de Mestre e os graus de Mestre Real e Escolhido, assim como os graus de Mestre Secreto e Perfeito, referem-se ao mesmo período. Enquanto isso, os Conselhos não serão ociosos, porque, ao reverter o argumento, pode-se alegar que o Real Arco é a conclusão do Mestre Escolhido, uma vez que a descoberta vem depois da perda e, assim, aproveitando esse despojo, e talvez ultrapassando um pouco as fronteiras do Rito Escocês, e pegando algumas “trivialidades não consideradas” lá, na forma de graus que vão fazer para se encaixar, eles também podem criar um sistema ou Rito.

Não é óbvio que uma confusão ainda mais confusa seria o resultado? Uma aniquilação total de tudo no que tange a limites de jurisdição, uma guerra interna, que terminaria na destruição total da Maçonaria em si? Alguém dirá que nenhum desses resultados ocorreria? Certamente, Maçonaria do Real Arco não tem uma carta de monopólio especial que lhe permita, à parte de todas as autoridades e sistemas maçónicos, se entregar ao luxo de espoliação de seus vizinhos por incursões no seu território. O mal não vai parar com uma aquisição ou anexação. Que conquistador já parou numa única província? O domínio da maçonaria escocesa é amplo e fértil. Existe vários graus que serão encontrados como tentadores como os de Mestre Real e Escolhido – conforme necessário, mesmo se não for necessário, para completar o Grau de Mestre e o Real Arco. E a consciência se torna mais facilmente satisfeita por todo processo adicional de “apropriação”.

Nós falamos, e pretendemos falar francamente, de forma clara e forte, respeitosa e gentilmente, sobre esse assunto. O processo até agora tinha sido dividido e subdividido, e esse processo criou a Maçonaria do Real Arco e a Maçonaria Críptica. Todos os graus capitulares foram divididos. Agora, propõe-se reverter o processo. Condensar. O que será da Maçonaria do Real Arco nesse processo?

Três Organizações

O tempo criou essas organizações distintas. O Rito de York viu a Maçonaria Capitular se separar dele, organizar-se e configurar-se por si mesma. Os Supremos Conselhos (do Rito Escocês) viram os Mestres Reais e Escolhidos estabelecerem Grandes Conselhos, e recusarem fidelidade ao poder de onde derivaram a sua existência. Muitos anos depois, o mesmo processo estava acontecendo. A Maçonaria dividiu-se em diferentes Ritos e jurisdições, cada um com seu próprio grupo de graus, à medida que os povos se organizam em comunidades políticas: o tempo confirmou cada um nas suas respectivas posses e a prescrição transformou a posse em título. Tornou-se lei maçónica, se existe alguma lei maçónica, que é clandestino e antimaçónico invadir a jurisdição dos demais, ou meter-se com graus aos quais essa outra jurisdição tem título original ou uma possessão longa e contínua. Ninguém invade a Maçonaria do Real Arco. As fronteiras da sua jurisdição estão em paz. Ela não tem de construir fortes e muros, para evitar qualquer invasor. Por que, então, ela deveria botar a mão e tomar o que não é dela? Ela ainda está envolvida numa obra de restituição, ao render o grau de Past Master à Grande Loja. Não cobiçarás – qualquer coisa que seja do teu próximo. Maldito seja aquele que retire o marco de seu vizinho.

Como Maçons do Real Arco, negamos que o Grande Capítulo Geral, ou qualquer outra autoridade inferior do Real Arco, tenha, sob os poderes derivados de seu eleitorado, qualquer direito ou poder constitucional para inventar um novo grau ou pegar emprestado de qualquer outro Rito ou Jurisdição um grau existente, e torná-lo uma parte componente da Maçonaria do Real Arco. E afirmamos que qualquer acção desse tipo seria totalmente nula por tal falta de poder. E que nenhum Maçon do Real Arco seria obrigado, por seus juramentos ou outra razão, a pagar a menor consideração ou atenção a tal legislação. Pelo contrário, está obrigatoriamente vinculado por sua fidelidade à lei maçónica para definir isso como um completo nada.

E, como membros da Maçonaria em geral, declaramos que todo o eleitorado do Grande Capítulo Geral – toda a Fraternidade do Real Arco, não tem direito ou poder para despojar outra jurisdição estabelecida há muito tempo de graus que lhe pertencem. E que nenhuma acção desse tipo seria vinculativa para qualquer maçon no mundo: que tal tentativa seria peculiarmente perigosa para a própria Maçonaria do Real Arco, na medida em que a sua própria existência como jurisdição separada data apenas de 1798 e depende da mesma lei de prescrição que protege as suas jurisdições irmãs. O tempo, que fez o Mestre de Marca e o Mui Excelente Mestre, e até mesmo o Real Arco, graus regulares, partindo de graus secundários ou auxiliares, ou modificações de tais, que originalmente foram, prestou o mesmo serviço ao Mestre Real e Escolhido. O mesmo grande médico, que curou a ilegalidade original da organização Real Arco, fazendo revolta, revolução e independência com sucesso, fez o mesmo para os Conselhos e Grandes Conselhos.

Maçons Crípticos Clandestinos

Qualquer que seja a acção de um, ou de todos os Grandes Capítulos, ou do próprio Grande Capítulo Geral, todos os Maçons Crípticos regulares, e nós estamos entre eles, sempre consideraremos aqueles que recebem os graus de Mestre Real e Escolhido num Capítulo como clandestinos até serem regularizados. Nunca estaremos presentes quando esses graus forem conferidos num Capítulo: e, em todos os aspectos, todos os Maçons Crípticos, sob todas as circunstâncias e perigos, preservarão a sua fidelidade ao Grande Conselho ao qual pertencem.

Conclusão

Quando a parte anterior deste Relatório foi concluída e enquanto estava passando pela impressão, recebemos, com os procedimentos, do Grande Capítulo do Kentucky, a decisão do Grande Capítulo Geral sobre esta questão – confirmando, como será visto, as nossas opiniões sobre o assunto, e sustentando autoritariamente as nossas conclusões.

A decisão do Grande Capítulo Geral foi a seguinte:

No Grande Capítulo Geral do Real Arco dos Estados Unidos da América (actualmente “Internacional”), sediado na cidade de Lexington, no 16° dia de Setembro de 1853 A.D.

As seguintes Resoluções, recomendadas pelo relatório dos Companheiros John A. Lewis, Jr., de New York; E. A. Raymond, de Massachusetts; J. A. D. Joslin, de New Jersey; P. C. Tucker, de Vermont; e A. P. Pfister, do Alabama, foram lidas e aprovadas, viz:

RESOLVE: Que este Grande Capítulo Geral e os órgãos de governo da Maçonaria do Real Arco afiliados e que tenham jurisdição sob ele, não têm jurisdição ou controle legítimos sobre os graus de Mestre Real e Escolhido.

RESOLVE: Que este Grande Capítulo Geral, daqui em diante não terá dúvidas ou questões adicionais quanto ao governo ou funcionamento desses graus, quanto à sua posição actual.

A essa decisão autoritária, simplesmente acrescentamos que não nos arrependemos do trabalho que a investigação desta questão e a elaboração deste Relatório nos custou, embora, se tivesse sido conhecida a tempo, ambos nos tivessem sido poupados. Uma vez que essa decisão não está acompanhada dos motivos e dos factos em que se baseia, será ainda interessante para os Companheiros desta jurisdição compreender a questão por si e conhecer a história desses graus, para que elas possam dar um consenso mais activo para a decisão, quando fornecida com os meios de determinar a si mesmos que é o correcto.

Considerações finais

É interessante observarmos alguns detalhes no relatório de Albert Pike quanto à questão da jurisdição dos graus crípticos àquela época:

  • Ele chama os graus simbólicos de Rito de York em mais de uma ocasião.
  • Apesar do Supremo Conselho do REAA naquela época ainda fundar Conselhos de Mestres Reais e Escolhidos, a maioria do público interessado em entrar nesses era composta de Maçons do Real Arco, que buscavam a complementação das suas formações maçónicas capitulares, enquanto um típico maçon do REAA recebia os graus 4 ao 32 num único dia, sem necessidade ou mesmo qualquer incentivo para entrar num Conselho de Mestres Reais e Escolhidos, cuja lenda e alegorias pouco se harmonizavam com os graus escoceses já obtidos.
  • Ele utiliza o termo “união e harmonia”, presente na obra de William Preston e relativamente conhecido entre os maçons adeptos do Rito de York.
  • Pike destaca que o Real Arco é incompleto e imperfeito sem os graus crípticos.
  • Apesar de um maçon proeminente no REAA, Pike deixa explícita a sua opinião a favor da existência de um Grande Conselho Geral e Grandes Conselhos Crípticos, totalmente independentes do REAA, com estrutura similar à do Real Arco e tidos como parte integrante do Rito de York, o qual ele vê como uma estrutura composta de três organizações distintas: A Loja de York, o Capítulo do Real Arco e o Conselho Críptico.
  • Há mais de 160 anos, Pike já demonstrava pouca paciência com a ignorância ou ingenuidade de alguns irmãos que acreditavam que os graus maçónicos são tão antigos quanto as histórias que contam. Ele se espantaria ao saber que actualmente ainda há irmãos perpetuando tal crença.
  • A cada parágrafo, fica ainda mais nítida a admiração de Pike pelos graus crípticos.

Com Fervor e Zelo,

Kennyo Ismail

G:. M:. dos Maçons Crípticos do Brasil

Referências

  • MARPLES, J. A. Albert Pike’s Masonic, Templar, and Rosicrucian Record. Repositório do Nebraska College M.S.R.I.C.F. Acesso em: 04/07/2017. Link:
  • http://masonic.benemerito.net/msricf/papers/marples/marples-AlbertPikeMasonicRecord.pdf
  • HINMAN, E. E.; DENSLOW, R. V.; HUNT, C. C. A History of the Cryptic Rite. Volume II, 2a. reimpressão. Tacoma, Washington: GGR&SMI, 2012.

Notas

[1] Pike usa o termo em inglês “reiver”, que está mais próximo a “pirata de rio”, mais precisamente aos saqueadores do Rio Mississípi do século XIX.

[2] Termo em latim, presente em “Sátiras de Horácio”, que significa “inteiro, suave e redondo”, no sentido de algo concluído e completo em si mesmo.

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