Ainda os Altos Graus

altos-grausMesmo depois de tudo quanto foi já explicado quanto à natureza dos Altos Graus e à sua vacuidade de poder, poderão restar ainda algumas dúvidas facilmente sanáveis. Desmontemos então, uma por uma, as bases em que tal argumentação se sustenta.

Em primeiro lugar, os Altos Graus estão, muito democraticamente, ao alcance de qualquer mestre maçon que seja suficientemente empenhado para investir o seu tempo e o seu dinheiro (sim, que os aventais, luvas e demais adereços não são de graça, e a maçonaria não recebe subsídios…). Pensemos neles como graus académicos, mas sem a “pequena questão” da avaliação: quem frequenta obtém o grau. Ora, tal sistema não permite distinguir quem sabe de quem não sabe, já para não falar de outras qualidades. Um sistema que permita chegar-se ao topo apenas com tempo e dinheiro só pode ser interessante para o próprio, o que é justamente o caso.

Em segundo lugar, não sendo objeto de eleição ou escrutínio, os Altos Graus não conferem qualquer legitimidade representativa. Um mestre maçon que tenha atingido o grau 32 ou mesmo o 33 não fala por ninguém senão por si mesmo. Por isto é que é frequente, sempre que alguém nota que fulano de tal, “que até é grau 33”, disse isto ou aquilo, de imediato se recordar que cada um apenas fala por si, e é livre de manifestar a sua opinião como quiser, sem que os demais se sintam obrigados pela sua palavra.

Em terceiro e último lugar, foquemo-nos onde se encontra o verdadeiro poder: nos Grandes Oficiais. Destes, apenas o Grão-Mestre é eleito, indigitando depois o seu quadro de Grandes Oficiais. Todavia, se recordarmos que a Maçonaria é como que um “pequeno mundo em miniatura”, em que pode desempenhar-se papéis a que, doutro modo, dificilmente se acederia – sendo assim uma espécie de “Kidzania para crescidos” onde se aprende com a experiência – então vemos que, quais notas de Monopólio, qual jogo a feijões, o “poder” da Maçonaria se confina aos limites da própria Ordem, e mesmo dentro desta os “poderes” são, essencialmente, administrativos e/ou rituais. Ser-se Grande Oficial, longe de conferir qualquer poder real, é antes uma carga de trabalhos, e visto, acima de tudo, como um serviço que se presta.

Para terminar, para quando virem um texto assinado por um “grau 33”, deixo uma pista para se aferir a legitimidade do discurso e da sua representatividade: um “grau 33” não fala, normalmente, senão por si mesmo; no entanto, um Grão Mestre pode falar por toda uma Obediência…

In Blog “A Partir Pedra” – Texto de Paulo M. (08.10.2010)

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