Definições de Maçonaria

Maçon representa a forma portuguesa das palavras freemason (inglês), franc maçon (francês) ou frei maurer (alemão) que significa “pedreiro livre (mestre construtor)” e constitui um legado de uma das raízes da Maçonaria: a corporação dos construtores que edificavam igrejas, basílicas e catedrais na Idade Média.

A Catedral da Cantuária

O nome como tal – Maçon, Maçonaria – apareceu pela primeira vez por volta do ano 600, no local da catedral ou Sé da Cantuária, erguido sob a liderança do lendário monge Agostinho de Cantuária. Agostinho tinha sido abade da abadia beneditina de Santo André em Roma, e foi enviado a Inglaterra pelo Papa Gregório I Magno, chegando à Grã-Bretanha em 597. Aí converteu o rei Etelberto de Kent e evangelizou a população.

Quase meio século depois, no ano de 643, durante o período da dominação Lombarda na Itália, um decreto legal refere os “Mestres Maçons de Como”. Um documento Alemão, datado de 713, fala sobre “a presença de maçons nas fileiras dos monges”. O príncipe Edwin – o filho do rei Athelstan – renomado filósofo-geómetra, torna-se “Grande Mestre dos Pedreiros de Inglaterra”, desenvolvendo, no ano de 926, a “Maçonaria de York”, sendo a primeira grande tentativa de criar uma Constituição Maçónica num único corpo de regras.

Sobre os termos “Maçon” e “Maçonaria”, Etienne Boileau refere-os no ano de 1268, no seu famoso tratado “Book trades”. Em 1285, há outro documento, mas desta vez pontifical em que se afirma que “os Irmãos Maçons estão isentos dos impostos e taxas e podem viajar livremente em todos os países cristãos“.

A PRIMEIRA DEFINIÇÃO

A primeira tentativa de definir a Maçonaria está localizada no famoso manuscrito “Old Duties”, conhecido na história pelo nome de REGIUS (no ano de 1390) e COOKE (no ano de 1410).

Nesses manuscritos, estão listadas as sete artes liberais (gramática, retórica, lógica, aritmética, geometria, música e astronomia). Ver o seguinte extracto: “Todas as artes são baseadas na geometria. Mesmo a gramática e a retórica em si não poderiam existir sem a geometria”. A que se segue “A geometria é a arte de medir qualquer coisa no céu e na terra. É também chamado de Maçonaria“.

Alguns séculos mais tarde, em 1691, o erudito R. Kirk percebeu uma verdade perturbadora: “A origem da palavra Maçonaria é ainda um grande mistério”. Obviamente, a geometria tem um significado muito mais amplo do que o atribuído hoje. No conceito de Pitágoras – adorado como o grande patrono da regularização da época – o número é a última realidade geométrica em tudo o que existe e se manifesta. De recordar que na fachada da Academia de Platão terá estado escrito: “Ninguém entra aqui, se não for geómetra!”.

Três séculos após os manuscritos de “Regius e Cooke”, a primeira edição das constituições de Anderson, publicada em 1723, continha um desenho alegórico, representando os dois homens examinando o quadragésimo sétimo problema de Euclides. Trata-se do famoso Teorema de Pitágoras, segundo o qual “o quadrado da hipotenusa de um triângulo rectangular é igual à soma do quadrado dos catetos”; depois de 2200 anos, a tradição pitagórica das Confrarias, o esotérico tem um lugar na Maçonaria moderna.

A SEGUNDA DEFINIÇÃO

A segunda tentativa de definir a Maçonaria está localizada no corpo das Constituições de James Anderson. O texto está vinculado à expressão estritamente simbólica da busca do mistério dos milagres, para manter a chama oculta da vida da Ordem, para se preservar e proteger do mundo profano que é actualmente um constrangimento. De outra forma é difícil explicar o carácter limitado, da menção: “A Maçonaria é o centro da União e os meios para reunir amigos entre pessoas que, de outra forma, permaneceriam estranhas umas ás outras”. Se a única função da Ordem Maçónica fosse apenas facilitar um simples encontro entre amigos que são pessoas honradas, a Maçonaria Universal teria desaparecido há muito tempo.

A TERCEIRA DEFINIÇÃO

Uma terceira tentativa, muito mais interessante, para a definição de Maçonaria – como um modo de vida – encontra-se, paradoxalmente, não num texto científico, mas numa antiga colecção de “Canções da Maçonaria”, composta por Jacques-Christophe Naudot:

“Ligue a sua alma, virtude e significado de
reconhecer as leis do supremo conhecimento
Não magoe o seu vizinho
Mas ame-o como a si mesmo
Ensine ás pessoas a arte do viver virtuoso
Os segredos do maçon estão no templo
Mostre-me a graça no templo respeitável
E não fale só e nunca a linguagem cordial
Eles falam sobre os Reis da Terra
A linguagem da Arte Real
Se quiser ser um maçon”

Vale a pena mencionar que esta colecção de canções foi publicada, por coincidência, na época de um grande monarca maçon, no século 18: Frederico II de Prússia, de cognome “O Grande”. Ele aplicou de facto a prática da tolerância maçónica, decretando: “Qualquer que seja a religião, cada homem, membro do meu próprio país, tem o direito de ser feliz”.

A QUARTA DEFINIÇÃO

A quarta definição surgiu no final do mesmo século, no Tratado ” the disciple`s Catechism “, publicado em Londres. A definição da Maçonaria passa a ter tamanho e relevo: “A Maçonaria é um sistema de moral, carregado de alegorias e iluminado por símbolos. A Maçonaria ensina a ser caridoso para fazer boas obras e manter a sua alma limpa, ensina a estimar e apreciar os laços de amizade, aceitar as regras básicas de qualquer religião e respeitar as orações; ajudar os fracos, proteger os órfãos e apanhar os que caíram; exorta a apoiar o poder e promover a moralidade e a desenvolver a ciência e as artes; ensina ainda a amar o povo, a temer a Deus e a desejar a felicidade”. Observa-se uma evolução evidente na qualidade da formulação e consistência para reflectir os futuros princípios fundamentais, embora a expressão do estilo esotérico prevaleça à custa da perspectiva exotérica.

A QUINTA DEFINIÇÃO

A quinta definição encontra-se no Artigo 1 das Constituições do Grande Oriente da França: “A maçonaria, instituição essencialmente filantrópica e progressista, tem como objectivo a busca da verdade, o estudo da moral e a prática da solidariedade. Ela deve agir para melhorar o material e o moral, visando aumentar a inclusão intelectual e social da humanidade. Tem os princípios de tolerância mútua, respeito pelos outros e por si mesmo, bem como a absoluta liberdade de consciência”.

Considerando os conceitos dos “labirintos metafísicos” como sendo campo de uso exclusivo da avaliação individual dos seus membros, a Maçonaria recusa qualquer atitude ou posição dogmática. Tem o slogan: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”. Já estamos na civilização maçónica moderna. O mundo evoluiu. Chega com a interligação entre duas grandes culturas: o esgotamento do Renascimento e o surgir do modernismo, com todos os paradoxos e contradições.

A SEXTA DEFINIÇÃO

A sexta definição da Maçonaria deve-se às Constituições da Maçonaria Romena, tal como foram elaboradas no ano de 1894: “A Maçonaria, sucessora das antigas sociedades secretas, é um missionarismo, composto por membros de qualquer nacionalidade ou religião, com a intenção de regenerar a humanidade pela boa formação moral e iluminar o povo para o triunfo da verdade, da justiça e da realização do fim desejado da criação da humanidade. A Maçonaria é uma e a mesma em todo o mundo, mas divide-se em várias famílias ou ordens“.

Pode-se resumir o credo seguinte forma:

  • Fé na existência de Deus – O Grande Arquitecto do Universo;
  • Fé na imortalidade da alma;
  • A fé na solidariedade humana, como resultado da sociabilidade humana;
  • O princípio da liberdade;
  • O princípio da igualdade;
  • Fé no poder das vontades: o espiritual sobrepondo-se ao físico, ajudando-o,
  • Fé no resultado da perseverança:
  • Fé no poder da união: a assistência mútua aumenta a força e assegura o triunfo.

Trata-se certamente de uma das mais belas e vibrantes definições de Maçonaria Universal. Soa como um desejo de rigor, de ordem, de disciplina interior, livre e assumida. Tem a emoção de uma chamada impressionante para reviver essas forças espirituais misteriosas, capazes de trazer a luz do progresso.

A SÉTIMA DEFINIÇÃO

Por último, mas não menos importante, a última definição é a mais curta e abrangente. Pertence a Barion Michael: “A maçonaria é antes de tudo uma forma de pensar, sentir, viver e agir”.

Adaptado de autor desconhecido (creio que pertencente à Maçonaria Romena)

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