Evasão Maçónica – Causas & Consequências

O objectivo da presente obra de arquitectura é apresentar as causas que levam à desmotivação e consequente evasão dos membros da Maçonaria. Para tal, utilizamos como expediente, resumir o livro de mesmo nome do tema proposto, do Ir∴  Cassiano Teixeira de Morais, Grão-Mestre da GLMDF, ao qual dou os parabéns pelo brilhante trabalho, onde foram pesquisadas as teorias da motivação, as causas que levam ao recrutamento do voluntariado bem como os factores da desmotivação.

Analisando algumas informações, foi possível conhecer o perfil dos maçons que deixaram a Maçonaria, que na sua maioria são mestres maçons, com menos de 10 anos de instituição, casados, católicos, com curso superior e com rendas entre 5 e 10 mil Reais.

Vamos aproveitar esta pesquisa e trazer a nossa realidade da GLEMT e consequentemente a A∴ R∴ L∴ S∴ Rômulo Rampini.

Kennyo Ismail, no seu livro “História da Maçonaria Brasileira para Adultos”, apresenta um prognóstico para a Maçonaria brasileira no Século XXI, no qual estamos surfando sobre o ápice da parábola de quantitativo de membros por média de idade. O termo surfando é usado porque esta parábola terá mesmo um formato de onda, já que a queda será brusca e rápida quando toda a actual geração maçónica predominante, com idade concentrada na faixa dos 60 anos, vier a se ausentar involuntariamente (evasão involuntária) e de forma massiva da Maçonaria (velhice ou morte) a partir de 2030 até 2045.

Nesse período, Lojas inteiras abaterão colunas ou fundir-se-ão com outras em situação similar, lutando pela sobrevivência. Imóveis de Lojas serão vendidas pela dificuldade em mantê-los a um custo alto com um contingente baixo de pessoas que os subutilizam.

A Maçonaria brasileira, ou melhor, o que sobreviverá da mesma, iniciará a segunda metade deste Século XXI sendo outra, provavelmente com 20% do tamanho da actual. Isto se nada for feito nesse período até 2030.

E o que poderia ser feito a respeito? Iniciar mais homens livres e de bons costumes? Numa visão bastante simplificada de tão complexo problema, sim, mas somente iniciar mais candidatos na Maçonaria não resolverá o problema se a média de idade for superior a 40 anos, como tem sido.

O grande problema é: e o que fazer quando, mesmo ao iniciar muitos membros, se perdem muitos destes e tantos outros, que pedem para sair (evasão voluntária)?

Em alguns casos, o contingente que sai da Ordem é maior do que o que se consegue iniciar num período! Então, qual a solução para este problema de frear a evasão involuntária, quando se tem um alto índice de evasão voluntária?

Para resolver um problema, precisa-se, antes de mais nada, compreendê-lo. Ou melhor, para se curar um paciente doente, precisa-se, antes de mais nada, de o diagnosticar.

É exactamente isto que vamos tentar fazer, buscar as verdadeiras causas da evasão voluntária e propor soluções para a redução desta evasão, chamando a atenção para uma doença comum a todas as Lojas brasileiras, que, se não tratada imediatamente, reduzirá em muito as chances de sobrevivência desses pacientes quando a versão mais implacável da doença (a evasão involuntária) bater à porta deles dentro de alguns anos.

O estudo, que se aprofunda na compreensão dos diferentes motivos que levam os irmãos a se desligarem voluntariamente da Maçonaria, além da análise das características desses evasores, em busca de elementos comuns entre os mesmos. A partir do conhecimento gerado, acções poderão ser planejadas.

Agora, cabe-nos a nós, não nos deixarmos levar pela cultura nacional da ausência de planeamento, da preferência pela remediação em detrimento da prevenção, e não esperarmos sentados pelo pior para somente então reagirmos, pois poderá ser tarde demais. Devemos quebrar este ciclo vicioso que leva à evasão voluntária, de forma a estarmos fortes o bastante para sobrevivermos ao que nos espera nos próximos anos.

Os números da Maçonaria são expostos e analisados, evidenciando a queda no número de maçons e Lojas Maçónicas em vários países ao redor do mundo.

Neste ponto, procuramos responder à seguinte indagação: Caso o número de maçons continue a diminuir, em quanto tempo a Maçonaria deixaria de existir? Na Inglaterra? Nos Estados Unidos? No Brasil?

Especificaremos o nosso foco na Grande Loja do Estado de Mato Grosso, uma célula representativa desta organização centenária.

Com o intuito de descobrir quais as principais características da evasão dos seus membros ao longo dos anos, qual o perfil socioeconómico do Maçon que abandona a sua Loja e as suas diferenças em relação aos membros que permanecem na instituição.

Actualmente, a Maçonaria está presente nos cinco continentes do planeta, contando com mais de 200 Grandes Lojas e com aproximadamente 3 milhões de maçons, isto não considerando as outras obediências ou potências maçónicas.

No Brasil, contamos com cerca de 300.000 maçons presentes em 26 Estados e no Distrito Federal. A Grande Loja Maçónica do Estado de Mato Grosso é composta por 2.362 maçons, (dados de 2016), dispostos em 87 Lojas Maçónicas.

A Maçonaria é definida como “um sistema de moralidade e ética social, que tem, entre outros, a felicidade dos seus membros e o auxílio ao próximo como objectivo institucional”.

O trabalho que o Maçon desempenha nas Lojas é voluntário, espontâneo e não remunerado. Na verdade, na totalidade das vezes, os seus membros são responsáveis pela manutenção da estrutura da Maçonaria, com pagamento de mensalidades, taxas ou doações.

Tendo a Maçonaria estas características, é de se esperar que as razões que impulsionam as pessoas a entrarem na instituição sejam similares às de outras organizações do terceiro sector (Lions e Rotary).

Esta suposição foi confirmada por uma pesquisa realizada com 1.571 maçons brasileiros, das 27 unidades da federação.

Os motivos que levam os indivíduos a entrarem na Maçonaria, são definidas as seguintes categorias e subcategorias:

Categoria 1. Vontade de ajudar o próximo: esta categoria refere-se à entrada na Maçonaria com intenção de participar de projectos e trabalhos sociais, de cunho filantrópico e caritativo.

Categoria 2. Busca por conhecimento: está relacionada ao acesso a conhecimento sobre história, filosofia, simbologia e afins.

Categoria 3. Valores morais: remete a questão relacionadas a valores morais. Emergiram cinco categorias distintas:

  1. – Aperfeiçoamento moral e espiritual;
  2. – Admiração pela instituição ou membros;
  3. – Identificação com os valores morais;
  4. – Questões familiares;
  5. – Convite de amigos.

Categoria 4. Outros motivos: referem-se à entrada com interesses diversos, divididos em duas subcategorias:

  1. Curiosidade;
  2. Socialização.

Se a evasão é uma questão crucial para as organizações que utilizam o trabalho voluntário (Lions e Rotary), também o é para a Maçonaria.

Os maiores centros mundiais da Maçonaria são os Estados Unidos e a Inglaterra. São de longe os países com o maior número de Lojas e consequentemente de maçons. Mas, ao avaliarmos os números oficiais destes dois países, podemos facilmente notar os efeitos da evasão demonstrados no acentuado declínio numérico. Conforme ilustração na Tabela 1.

 200820122016
PaísLojasMaçonsLojasMaçonsLojasMaçons
USA11.6101.534.82111.5041.339.05111.3191.232.832

Tabela 1 – Dados colectados no List of Lodge Massonic, anos 2008, 2012 e 2016.

Como vemos é expressiva a redução dos números da maior nação maçónica do mundo. Em apenas 8 anos, foram fechadas 291 Lojas Maçónicas, representando uma queda de 2,5%. Já em relação ao número de maçons, houve um declínio de 301.989 membros, o que corresponde a uma queda de 19,7%.

Esta tendência de declínio repete-se, com agravamento, no país que possui a mais antiga Grande Loja do mundo, a Grande Loja Unida da Inglaterra. A Inglaterra também é a segunda nação maçonicamente mais populosa, segundo dados expressos na Tabela 2.

 200820122016
PaísLojasMaçonsLojasMaçonsLojasMaçons
Inglaterra8.220258.0337.850231.0747.476201.286

Tabela 2 – Dados colectados no List of Lodge Massonic, anos 2008, 2012 e 2016.

No caso da Inglaterra, o déficit de Lojas, no período, foi de 744, significando uma perda relativa de 9%. Quanto à queda no número de membros, chegamos a 56.747 maçons a menos, que totalizam 22 % de déficit.

Ainda de acordo com as publicações do List of Lodge, notamos uma tendência de retracção numérico noutros países:

Com muita tradição maçónica, como a França, expressos na Tabela 3.

 20082016
PaísLojasMaçonsLojasMaçons
França1.46137.7221.17126.335

Tabela 3 – Dados colectados no List of Lodge Massonic, anos 2008 e 2016.

Com grandes extensões territoriais, como o Canadá, revelada pela Tabela 4.

 20082016
PaísLojasMaçonsLojasMaçons
Canadá58853.73654140.159

Tabela 4 – Dados colectados no List of Lodge Massonic, anos 2008 e 2016.

Orientais e populosos, como China e o Japão que apesar de aumentarem o número de Lojas, decresceram à quantidade de maçons, conforme Tabela 5.

 20082016
PaísLojasMaçonsLojasMaçons
China1374814567
Japão141.929161.624

Tabela 5 – Dados colectados no List of Lodge Massonic, anos 2008 e 2016.

E, muito embora haja uma certa tendência de crescimento nos países considerados mais jovens e onde a Maçonaria chegou recentemente, muitas nações com esta característica apresentam retracção no número de maçons, como é o caso da África do Sul e do Peru, exemplificados pela Tabela 6.

 20082016
PaísLojasMaçonsLojasMaçons
África do Sul841.522641.271
Peru1755.0001884.508

Tabela 6 – Dados colectados no List of Lodge Massonic, anos 2008 e 2016.

Quando tratamos da realidade brasileira, notamos um crescimento relevante durante o período avaliado. Tabela 7.

 200820122016
PaísLojasMaçonsLojasMaçonsLojasMaçons
Brasil4.856164.3735.355178.4685.621198.370

Tabela 7 – Dados colectados no List of Lodge Massonic, anos 2008, 2012 e 2016.

No nosso país, houve um aumento absoluto e relativo do número de Lojas, 765 e 15%, respectivamente. Em relação à quantidade de maçons, o crescimento apresentado foi de 33.997 membros, que representa incremento de 20,7%.

À primeira vista, os números são animadores e induzem à conclusão de que a Maçonaria brasileira está em franca expansão, não se devendo preocupar com a questão de evasão. Entretanto, quando nos detemos sobre o levantamento numérico dos estados notamos que alguns apresentam queda no número de membros, ou Lojas, em determinados períodos, conforme dados da Tabela 8.

 200820122016
EstadosLojasMaçonsLojasMaçonsLojasMaçons
AC205701876219650
TO286732768628685
AL205252045022531
PE511.15042965521.300
PI341.250431.366471.350
DF31815381.000381.015
RJ1159.7001777.4531965.765
SP64818.15764021.35171223.005

Tabela 8 – Dados colectados no List of Lodge Massonic, anos 2008, 2012 e 2016, referentes às Grandes Lojas Maçónicas do Brasil (Confederada à CMSB).

A Tabela 8 deixa bem claro que no estado do Acre, houve uma ligeira diminuição de Lojas de 2008 para 2012 e uma queda mais acentuada na quantidade de membros, déficit de 112 maçons, no intervalo entre 2012 e 2016.

Tocantins apresentou ínfima diminuição de 1 integrante, entre 2012 e 2016.

Alagoas teve um déficit de 75 maçons entre 2008 e 2012, recuperando-se em 2016.

Pernambuco foi um estado com declínio de 9 Lojas e 185 maçons no período de 2008 a 2012, voltando a crescer em seguida.

Piauí teve uma discreta redução, 16 membros, entre 2012 e 2016, apesar do aumento em número de Lojas.

Distrito Federal, notamos uma certa estagnação no número de Lojas e maçons. Apesar do crescimento alcançado entre 2008 e 2012, desde então, nota-se uma clara dificuldade de acompanhar os índices médios de crescimento.

Rio de Janeiro, um dos berços da Maçonaria brasileira, apresentou uma queda constante e significativa ao longo dos 8 anos, decrescendo quase 4.000 maçons, apesar de um desproporcional aumento no número de Lojas, 81 no período.

E São Paulo, a maior Grande Loja do Brasil em número de Lojas e de obreiros, registou uma diminuição de 8 Lojas, de 2008 a 2012, retomando a ampliação de Lojas em seguida e mantendo bom ritmo de crescimento no que se refere à quantidade de maçons.

Todos estes dados servem-nos de alerta e demonstram que a Maçonaria brasileira tem motivos para ficar alerta quanto à progressão do seu número de membros. Embora a maioria das Grandes Lojas esteja crescendo, oscilações são frequentes.

Finalmente, voltamos a nossa atenção para a Grande Loja Maçónica do Estado de Mato Grosso, notamos, pela análise da Tabela 9, uma certa oscilação no número de Lojas e maçons. Apesar do crescimento de obreiros alcançado entre 2008 e 2016, desde então, nota-se uma clara dificuldade de acompanhar os índices médios de crescimento das demais obediências maçónicas brasileiras.

 200820122016
EstadoLojasMaçonsLojasMaçonsLojasMaçons
MT902349842295862362

Esmiuçando esta informação levamos a nossa pesquisa à A∴ R∴ L∴ S∴ Rômulo Rampini, que ao longo dos últimos 9 anos teve mais evasão que iniciação, porém no cômputo geral, entre todas as modalidades que movimentam uma Loja Maçónica estamos com um saldo positivo de 1,19%, isto se considerarmos que a regularização é uma adesão, caso contrário, o nosso saldo é 3, como mostra a Tabela 10.

IniciaçãoFiliaçãoRegularizaçãoMorteEvasão
200820002
200935006
201030102
201110003
201200001
201300000
201400010

Tabela 10 – Dados colectados junto a Secretaria da A∴ R∴ L∴ S∴  Rômulo Rampini

Consequências da evasão maçónica

A Maçonaria cresce e fortalece-se à medida que novos membros são iniciados ou regularizados. E, de forma contrária, reduz o seu tamanho enquanto instituição quando os seus integrantes morrem, são expulsos, suspensos ou abandonam as suas Lojas. Estas entradas e saídas produzem um saldo.

Neste sentido, a evasão tem importância destacada, por normalmente ser o maior motivo de saída, bem como por ser uma causa evitável. As mortes e expulsões ocorrem em número menor e são mais difíceis de evitar.

Fazendo uma analogia com a área médica, podemos considerar a evasão maçónica como algo que prejudica a saúde da instituição, algo indesejável, patológico: uma doença.

No curso de uma patologia podemos ter três desfechos distintos: cura, cronificação ou morte.

Na melhor das hipóteses, a Maçonaria seria curada da evasão maçónica. Hipoteticamente, isto tanto poderia ocorrer espontaneamente (o que não parece ser a tendência), quanto através de um “tratamento”, da descoberta e implementação de um “remédio” ou “antídoto” para o problema.

Outra possibilidade é a evasão se tornar algo crónico. Neste contexto, a doença causaria muitos danos, prejuízos e até sofrimento; entretanto, não seria capaz de aniquilar a Ordem Maçónica.

Considerando um cenário sombrio, mas extremamente real e plausível, a evasão maçónica teria a capacidade de se alastrar, crescer e abater uma a uma as obediências maçónicas espalhadas pelo mundo. Seria a morte da Maçonaria.

Quantitativo X Qualitativo

O dilema da quantidade versus qualidade existe em vários contextos e em muitas instituições. Isto não é diferente na Maçonaria.

É bastante comum escutarmos de algumas lideranças maçónicas que o importante é a qualidade dos membros da instituição; que Lojas com muitos irmãos ou grande e numerosas iniciações são prejudiciais e comprometem essas qualidades.

Embora comum, este argumento não se sustenta em nenhum dado ou estudo, minimamente racional e objectivo. Ao contrário, tudo indica que que há uma relação inversamente proporcional entre quantidade e qualidade.

Saindo dos exemplos pontuais e analisando num âmbito mais geral, percebe-se que os maçons, na sua maioria, desejam que a Maçonaria permaneça existindo, que seja forte, que tenha influência, que esteja presente no maior número possível de cidades, que possua membros das mais variadas formações, para que possam aprender uns com os outros. Estes mesmos maçons, certamente, preferem pagar taxas mais baratas para permanecer na instituição, não querem sentir-se sobrecarregados na distribuição dos trabalhos maçónicos, além de desejarem que as suas sessões estejam repletas de irmãos, tanto do quadro da Loja, quanto visitantes.

Podemos perceber facilmente que o ambiente favorável que desejamos é aquele que a nossa Ordem disponha de um grande número de irmãos. Se continuarmos com muita evasão e poucos membros, consequentemente existirão menos Lojas, teremos de gastar mais dinheiro e esforços para manter a instituição, seremos mais fracos e teremos menos influência na sociedade.

Neste sentido, reparem que a existência de uma Maçonaria de melhor qualidade, necessariamente, passa pela existência de maçons em boa e suficiente quantidade.

Evasão Maçónica:

Na actualidade as evasões acontecem nas nossas Lojas simbólicas, com frequentes ocorrências de vários tipos; vejamos:

  1. Evasão em que o filiado simplesmente abandona a Loja e a Potência;
  2. A que o filiado solicita a sua saída, recebe o seu Atestado de Quite e durante seis meses visita outras Lojas, e não achando o que procura afasta-se da Ordem;
  3. A que o filiado solicita o seu Atestado de Quite e se filia numa Loja de outra Potência;
  4. Evasão interna, que se dá entre Lojas da mesma Potência, onde o obreiro se transfere para uma outra Loja;
  5. Evasão onde um certo número de obreiros sai da sua Loja e fundam uma nova Loja;
  6. Evasão por morte do obreiro;
  7. Insegurança pública, sentida pelos irmãos idosos;
  8. Decepção;
  9. Compromissos particulares;
  10. Problemas financeiros;
  11. Preguiça – um dos sete pecados capitais.

Não é possível avaliar quais modalidades de evasão é a que mais incomoda, que mais causa prejuízos a uma Loja, ao constatar a redução do seu quadro social.

Durante esta pesquisa foram levantadas ainda como causas de evasão:

  1. O abandono pelo padrinho;
  2. Grupinhos ou isolamento de novos membros;
  3. Fofocas, vaidades, “panelinhas”;
  4. O uso do “EU”.

Em síntese, a existência da evasão é notória, bem como as suas causas e as suas consequências. Ora se este facto é uma realidade, o que devemos fazer para reter por mais tempo os nossos obreiros em plena actividade maçónica. A meu ver para combater de frente este fenómeno associativo, devemos primeiro estudar o que oferecemos ou podemos oferecer de estímulo para as Lojas e os seus membros.

Por outro lado, é do conhecimento de todos que há irmãos que ferem as normas, as doutrinas e juramentos maçónicos agindo como verdadeiros inimigos dos seus irmãos e da própria Maçonaria.

São aqueles que aproveitam o tríplice abraço para, covardemente, apunhalarem os irmãos que, por fraternidade, confiança e por crédito aos juramentos maçónicos, entendem que aqueles “cains” não vão intentar nada contra eles e as suas proles.

Muitos desencantam-se e fogem para nunca mais voltarem. Vão engrossar as fileiras daqueles Ex maçons que têm uma história a contar para justificar a sua saída da Ordem.

Outros enveredam pelos caminhos da corrupção, das negociatas e das falcatruas, desmoralizando a Sublime Ordem.

Ainda existem aqueles que entram na Maçonaria à procura de vantagens económicas, sociais e políticas, para logo de seguida se decepcionarem com a pureza da Maçonaria e baterem em retirada.

Há algum tempo atrás, li uma parábola em Loja sobre “As Egrégoras e o Carvão”, na verdade é que o “carvão” há de ser especial, o homem há de ser “livre e de bons costumes”, caso contrário, vai-se malhar em ferro frio.

Neste redemoinho de verdades e de triste realidade fica a indagação do que vem acontecendo. Por saber que o padrinho que indica o candidato e os sindicantes que investigam são mestres maçons é que se questiona se a qualidade da iniciação à Ordem Maçónica e a concretização da sindicância sobre o “modus vivendi” efectuada influenciem significativamente para posterior evasão.

Uma reflexão metodológica:

Os métodos e as normas para a admissão maçónica são obsoletos ou talvez inadequados?

Em resposta a esta indagação destaca os integrantes e os temperos que compõem o cardápio que vai sendo confeccionado e servido no banquete do dia a dia maçónico, sem que os seus comensais percebam o fel nele adicionado.

“O relacionamento e a convivência com os irmãos facultam conhecer vários problemas originados de política de grupos demandando supremacia doutrinárias, traições de irmãos contra irmãos, quebra de juramento maçónico. Outros casos são aqueles em que os irmãos, com toda a razão do mundo, saem da sua Oficina, inconformado pelos maus exemplos que vão surgindo.”

Existem outras deficiências como, por exemplo, a má administração de uma Loja e formação de grupos com atitudes mais materialistas e reprováveis possíveis contra aqueles que almejam praticar a verdadeira Maçonaria, sem mácula e sem sentimentos subalternos.

A ambição desmedida do poder faz que surjam dentro das Lojas grupos inconfidentes liderados por péssimos irmãos que se julgam “donos” das Lojas e de todas as verdades. E a partir daí destilam toda a sua mágoa contra quem quer os contrarie e não se coadune com os seus desmandos, hipocrisias, indignidades, corrupções e imoralidades!

Eis aí o que pode acontecer nos nossos orientes espalhados por esses cantos fora!

Há irmãos que não suportam tanta hipocrisia, maldade e tirania, preferindo assim sair das suas Lojas, pedir o seu Atestado de Quite e muitas das vezes nem pedem nada! Saem correndo para nunca mais voltarem, enojados de “profanos de avental”!

Surgem aí os dissidentes!

A Maçonaria, desta forma, tende a enfraquecer, mediante tantos e constante reveses.

A doutrina da Maçonaria é manter os irmãos unidos de modo que seja um só corpo, uma só alma, voltados para o eterno trabalho maçónico, qual seja, o bem-estar da humanidade.

Caso não existissem tantas rivalidades entre irmãos, as brigas e as querelas inexistiam e a Maçonaria seria beneficiada.

Diante de tudo que foi exposto, sugiro, para que os trabalhos na nossa Ordem melhorem factorialmente, e que se eternizam para sempre justos e perfeitos.

É importante mudar tudo aquilo que for detectado como procedimento erróneo.

É hora de sacudir e espanar as nossas colunas!

É hora de prever e prover!

É hora de fiscalizar para moralizar! Exigir responsabilidade para com a Maçonaria daqueles que prestaram o juramento de zelar por ela e protegê-la custe o que custar.

Encerro!

É sabido que temos problemas no relacionamento interpessoal e inter-autoridades, que muito nos preocupam. E é por isto que urge sejam adoptadas providências e decisões para que possamos melhor arrumar a nossa casa; por outras palavras, precisamos de concluir o dever de casa.

Mesmo porque, enquanto perdurar as evasões dos nossos quadros, não teremos como pensar num retorno a elite do nosso país, como bem o fizemos no passado, liderado por meio dos nossos obreiros os grandes acontecimentos para a construção da nossa identidade nacional.

Finalizo com o seguinte pensamento:

É duro para um agricultor após arar a terra, adubá-la, prepará-la e semeá-la e, com toda a esperança do mundo e defrontar-se, meses depois, com um arbusto mal crescido e um fruto minguado, não chegando perto do que se espera obter em tal empreitada!”

Obrigado!

Luiz Alberto Abdalla da Silva – M M

Referência Bibliográfica:

  • Evasão Maçónica – Causas & Consequências – Morais, Cassiano Teixeira de – Brasília/DF: DMC (Difusora Maçónica de Conhecimento), 2017

4 Comentários em “Evasão Maçónica – Causas & Consequências

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