Mas afinal, o que é Maçonaria?

Muito se especula sobre o que é ou o que se faz na Maçonaria. Vamos simplificar: Maçonaria é Geometria.

Segundo um dos documentos mais antigos que tratam da Maçonaria, ainda operativa, o Manuscrito Regius intitulado “Aqui começam as constituições da arte da Geometria segundo Euclides”, no século III a.C. o grande matemático Euclides foi procurado para ensinar uma profissão aos jovens para que estes pudessem ganhar as suas vidas de forma honrada e honesta, este então ensinou a eles a utilização da Geometria na construção de edifícios, e a esta profissão foi dado o nome de Maçonaria.

Mesmo sendo, a vinculação da origem da Maçonaria com Euclides uma lenda, desde a época dele, que também é conhecido como o pai da Geometria, diversas técnicas de projectos e execução de edificações utilizando os princípios geométricos foram desenvolvidas e aplicadas nas construções e os resultados estão espalhados por toda superfície da Terra. Ser construtor, ou pedreiro, transformou-se numa profissão de muito prestígio e importância e os seus praticantes transmitiam entre si os segredos da arte de construir.

Com as práticas desenvolvidas através dos séculos e séculos de construção, os povos antigos construíam os seus abrigos, fortalezas e principalmente Templos Sagrados para cultuarem as suas divindades e professarem as suas crenças, como por exemplo a construção do Templo de Jerusalém por Salomão, onde o próprio Deus de Israel disse que iria habitar entre os seus.

No período d.C., na idade média europeia, época em que os construtores dotados de sabedoria ergueram catedrais de força e beleza imensuráveis, houve um ponto em que as profissões tiveram a necessidade de se regulamentar e se organizar em corporações de ofício para a protecção e manutenção do labor. Com os construtores não foi diferente e eles transcreveram leis, deveres e regras de conduta que antes só eram apresentadas de memória. Estas regras passaram a ser lidas a cada admissão de novos aprendizes, ou em convocações importantes das corporações de ofício.

Durante toda esta época, os pedreiros trabalharam utilizando como principal material de construção as pedras, que eram cortadas nas pedreiras, desbastadas e esquadrejadas nas dimensões estipuladas pelos projectos, e assentadas nos locais correctos. Todas estas funções eram feitas por obreiros que eram organizados de forma hierárquica: os mais experientes projectavam e inspeccionavam, os demais cortavam, desbastavam e assentavam as pedras. De acordo com os seus progressos, recebiam novas instruções acerca da arte da geometria e da cantaria (arte de talhar e edificar com pedras) e as suas remunerações subiam. Cada obra possuía uma choupana contígua ao canteiro de obras, onde os obreiros se reuniam para estudar as plantas da edificação, debater assuntos do ofício, confraternizar e receber novos integrantes, a estes lugares eram dados o nome de Loja.

O que ocorreu é que com as crises económicas e posteriormente com o início da era industrial, a cantaria e muitas outras artes e profissões começaram a perder o valor, pois houve uma substituição da mão de obra “artesanal” por máquinas e procedimentos mais produtivos. Com isto, houve uma diminuição da demanda pelo trabalho dos pedreiros, e consequente e obviamente uma redução do número destes. Entretanto surgiram, nesta época, novos ideais e cientistas em busca de conhecimento e pesquisas em várias áreas, inclusive no que tangia à geometria. Alguns destes estudiosos, que ficaram conhecidos maçonicamente como especulativos ou como aceitos, buscaram ingresso às corporações de ofício e Lojas onde aprenderam os segredos e as artes da geometria e da construção, e foi esse período que demarcou a passagem da Maçonaria operativa para a especulativa. Com o passar dos anos o número de pedreiros de ofício foi-se tornando cada vez mais escasso, e as Lojas viram-se repletas apenas de “pedreiros” especulativos.

Agora, já no século XVIII não mais se reunindo em barracos ao lado de obras, os membros das Lojas, especulativos na sua quase totalidade, passaram a reunir-se em salões reservados nas tabernas (bares), num período onde sociedades e clubes eram uma “coqueluche”, e muitos estudiosos e pesquisadores se interessaram em solicitar ingresso na Maçonaria. Agora longe das construções de facto, as Lojas Maçónicas tinham outro foco: pesquisas científicas e filosóficas. A ideia expandiu-se e logo as Lojas ficaram numerosas, existindo a necessidade de organização e centralização de poder e decisões, e então em 1717 foi fundada a Grande Loja tida como a primeira obediência maçónica do mundo, em Londres na Inglaterra, dando marca à fundação da Maçonaria praticamente como conhecemos nos dias actuais.

De lá para cá, ao longo das décadas e décadas, ingressaram nas fileiras das Lojas cientistas, reis, príncipes, clérigos, homens de grande prestígio, e até mesmo membros de outras ordens filosóficas, e cada uma destas classes trouxe consigo acréscimos à Maçonaria, à sua filosofia e às suas cerimónias ritualísticas, dando origem a diversos rituais que convergiram em variados ritos praticados por incontáveis Lojas, que se dispersaram pelos continentes do globo, caracterizando a Maçonaria dos séculos XX e XXI como uma organização filosófica, filantrópica e fraternal, para homens livres e de boa reputação que aplicam os conhecimentos e a arte da Geometria, agora não mais para construírem majestosos templos e catedrais, mas para construírem dentro de si um Templo de virtude se tornando seres humanos cada vez mais justos e perfeitos. Desbastando diariamente, não mais as arestas das pedras brutas das pedreiras, mas sim as suas imperfeições, os seus vícios e defeitos, buscando transformarem-se em exemplos a serem seguidos pela sociedade e em pedras esquadrejadas que possam ser encaixadas perfeitamente naquele Templo de virtude para que ele finalmente sirva para a morada sagrada do Grande Arquitecto do Universo, que é Deus.

Guilherme Cândido

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2 Comentários em “Mas afinal, o que é Maçonaria?

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    Exelente artigo …

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    Bom dia
    Agradeço a leitura de tão história de maçonaria.
    Atenciosamente
    André Luiz do Prado Ferreira

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