Tudo começa com os três passos

“A força da Maçonaria está na reunião dos seus iniciados, que actuam isolada e conjuntamente, para “cavar masmorras ao vício e erguer templos à virtude”.

Desmitificação – Desfazer a mitificação da Maçonaria é tarefa ingente, uma vez que a instituição se define no dia-a-dia, dentro e fora das Lojas. A sua definição mais comum pode ser: “instituição que tem por objectivo tornar feliz a humanidade, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e à religião”.

É evidente que as virtudes nomeadas em qualquer terreno, se prestam a redimir a humanidade.

No entanto, a definição é individual, vista por duas ópticas; pelo próprio Maçon procedendo a uma autocrítica; pelos profanos diante do comportamento individual do Maçon.

A Ordem abrange os maçons em vida e os que já se encontram no Oriente Eterno, ou seja, os que “partiram”, os que “desencarnaram”, os mortos. A Maçonaria aceita que o Maçon, após a sua morte física, entra num Oriente Eterno, local místico, situado noutro plano, totalmente desconhecido. No momento da “desencarnação”, havendo lucidez, o Maçon deve aguardar com ansiedade esta “passagem” de um estado de consciência para outro, mais real e mais sublime.

O importante é que cada um se mantenha vigilante nas atitudes que deve tomar diante das suas tendências negativas, para transformá-las e somá-las às positivas. Um deslize cometido pode comprometer a definição, uma vez que o profano não compreende a instituição como um todo.

Logo, a responsabilidade individual toma-se relevante, pois, liberta-lhe a mente de todos os tabus em matéria de crença religiosa e cada Maçon, de per si, deve observar a si mesmo e conter os ímpetos distorcidos dos seus Irmãos, demonstrando-lhes que o seu templo para o culto ao Grande Arquitecto do Universo é a sua consciência.

O homem é o que é, ou seja, o mesmo, dentro e fora da Loja; firme na sua palavra, seguro no seu pensamento, honesto nos seus actos, calmo na confiança em si mesmo. A dificuldade de se encontrar candidatos com esteste perfil aumenta muito.

Simplificando, a Sublime Instituição é ampla; e não pode ser descrita inteiramente com precisão. Qualquer palavra que usemos para defini-la muito provavelmente limita e diminui a sua magnificência.

Iniciado – Ser Maçon não é apenas ser membro de uma Loja Maçónica, mas comprovar ter sido Iniciado. Em Maçonaria, Iniciado é aquele que “viveu” a Iniciação; não basta “passar pela Iniciação”, mas, sim, ter consciência do que ela “despertou”, daquilo em que se constitui e de que, realmente, surgiu uma “nova criatura”, destinada a uma “nova vida” ou “vivência”, entre Irmãos, ou seja, entre iniciados. O Iniciado não pode viver isolado. Deve lembrar-se de que cada Irmão de jornada é um amigo que o ajuda e a quem precisa também ajudar; tem necessidade de manter contacto com o grupo, pois tem deveres a cumprir em Loja, dentro do cerimonial. O Iniciado não permanece um “anónimo”; não se oculta, mas se sobressai pelas suas virtudes; ele difere do homem comum, uma vez que assumiu um novo modo de vida, uma novel filosofia de comportamento.

Toda vez que o Maçon contactar com algo “maçónico”, deve conscientizar-se de que é um Iniciado e actuar no meio onde se encontra como tal, seguir a sua trajectória, visto que o “novo princípio” conduz a realizações quotidianas; não basta deixar de praticar o mal; é preciso praticar o bem.

Liberdade é Igualdade, é Fraternidade, sublime trilogia que é o alicerce e a própria razão de ser da nossa Ordem.

Maçonaria é liberdade! Em todos os tempos e em todas as partes do mundo, o homem sempre lutou, sofreu, suou e, não poucas vezes, morreu pela Liberdade. O verdadeiro Maçon é realmente um homem “livre e de bons costumes”. A liberdade não é gratuita. Nada há mais perigoso que este conjunto de nove letras, porque frequentemente, em nome da Uberdade, cometem-se hediondos crimes. A liberdade exige um conjunto de acções complementares; a falsa Uberdade oprime e desajusta, desequilibra e desilude. A opressão nunca conseguiu suprimir nas pessoas o desejo de viver em Uberdade. O Maçon deve apreciar esta conquista e contribuir para que todos tenham a ampla Uberdade desejada. Ou todos se envolvem ou não funciona.

Maçonaria é Igualdade! Igualdade é outra palavra cuja significação verdadeira vai muito além das definições ditadas pela Lei fundamental e suprema do Estado.

Há países que se proclamam livres. Mas onde “nem todos são iguais”, com as mesmas oportunidades. Nem toda a população em idade escolar pode usufruir do ensino; nem todos os enfermos, de atenções médicas; nem todos que desejam trabalhar, desfrutam empregos; o lazer, a diversão, não são distribuídas equitativamente; a igualdade fica na dependência dos recursos financeiros; assim, um pobre que apenas consegue subsistir porque ganha somente para a escassa alimentação, não pode fazer parte do maravilhoso preceito constitucional de igualdade!

Só uma Instituição que dá a justa medida à criatura humana, com a noção exacta de que todos os homens são iguais, exactamente iguais, poderia oferecer tanto a todos e a cada um em particular.

Maçonaria é Fraternidade! O Ritual do Grau de Aprendiz afirma que “a Ordem maçónica é uma associação de homens sábios e virtuosos, que se consideram Irmãos entre si e cujo fim é viver em perfeita igualdade, intimamente unidos pelos laços de recíproca estima, confiança e amizade, estimulando- se uns aos outros na prática das virtudes”. Fraternidade pressupõe amor, abnegação, desvelo, compreensão e tolerância. Para vivê-la é indispensável que se tenha entrado nela com inteligência, com fé, amor e com vontade de aprender e, sobretudo, “sem segundas intenções”.

O Candidato que passa pela Iniciação Maçónica ingressa após a sua aclamação em Loja, nos seus vários aspectos e de modo permanente. A Fraternidade implica obrigações e direitos; a parte ética e de comportamento é muito importante. São admitidas pequenas rusgas, como sucede dentro de uma família, mas com a obrigação de serem passageiras. O Maçon tem o dever de tolerar estes incidentes e perdoar se eles tiverem sido mais intensos.

Tudo começa com os três passos – Após os trâmites da Iniciação, quando o Maçon acompanha “passo a passo” todas as provas, finda a cerimónia, terá diante de si um novo irmão. Partir e chegai’ é realmente importante; muito mais importante é a estrada que deve ser percorrida.

O “primeiro passo” liga-se ao Signo de Áries que, influenciado por Marte, significa Luta.

O “segundo passo” – o Signo de Touro tem a ver com o segundo passo que, sendo influenciado por Vénus, significa Perseverança.

O “terceiro passo” correlaciona-se com o terceiro Signo do Zodíaco – Gémeos – que é influenciado por Mercúrio e significa Fraternidade.

Tendo isto em mira, Jules Boucher ensina que o primeiro passo indica o ardor, o segundo a concentração e o terceiro, a inteligência. Veja-se que Boucher usa o verbo indicar, uma vez que – repetimos – o primeiro passo significa Luta, o segundo Perseverança e o terceiro Fraternidade.

Concluindo – é o caminhar na busca dos conhecimentos que os símbolos e a filosofia maçónica colocam diante de nós significa muito mais que o chegar e o partir. A grande caminhada em busca da cultura maçónica, do aperfeiçoamento espiritual. Caminhar é penetrar nos conhecimentos que a Arte Real nos propicia; não é possível parar. Caminhamos ou adormecemos vencidos pela preguiça, pelo fracasso e pela mediocridade.

O Maçon não pode parar. Enquanto ele estiver caminhando, desbastando a Pedra Bruta aos poucos ao longo do caminho, sendo perseverante e nunca desistindo de investir em si mesmo construindo um novo fim. Todos os dias o Maçon agradece pela vida e roga a Deus que o guarde na fé e mantenha a sua esperança e bom senso. Assim, a Maçonaria estará crescendo, fortificando-se!

Na balança divina, são iguais todos os homens; só as virtudes os distinguem aos olhos de Deus. São da mesma essência todos os Espíritos e formados de igual massa todos os corpos. Em nada modificam os seus títulos e os seus nomes. Eles permanecerão no túmulo e de modo nenhum contribuirão para que gozem da ventura dos eleitos. Estes, na caridade e na humildade é que têm os seus títulos de nobreza.

Valdemar Sansão

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