A lenda dos Quatour Coronati

Quatour Coronati

A lenda do Quatuor Coronati é de significativa relevância para os maçons porque os Quatuor eram originalmente quatro artesãos (maçons) de nome Cláudius, Castorius, Simphorianus e Nicostratus.

Quatour Coronati é também o nome da mais antiga e mais conceituada Loja de Investigação existente. A Loja nº 2076 foi fundada em 1884 e consagrada em 1886, dedicando-se à pesquisa e investigação sobre a história e as origens da Maçonaria, procurando basear-se sistematicamente em factos.

A Loja integra a United Grand Lodge of England (UGLE) e reune no famoso Freemason’s Hall – O Templo Principal da UGLE. Para além das reuniões regulares onde são apresentados trabalhos (pranchas), a Loja publica um anuário intitulado Ars Quatuor Coronatorum e mantém o Quatuor Coronati Correspondence Circle (QCCC) que permite a participação de maçons de todo o mundo.

Os quatro “coroados” eram “miríficos in arte quadrataria“, que embora seja traduzida como “arte da escultura“, é literalmente “a arte do quadrado de pedra“, ou “a arte de esquadrar a pedra“. Eles são designados como “artifices“, artífices, embora, como a lenda nos mostra, aos quatro artífices se tenham unido mais quatro militares e um tal Simplicius, convertido ao cristianismo pelos quatro durante o progresso dos eventos narrados pela lenda, perfazendo nove no total.

Eles eram Cristãos e mantinham isso em segredo, fazendo todos seus trabalhos em Nome do Senhor. A eles se uniu um outro profissional (Simplicius), de igual comportamento, inspirado no exemplo dos outros quatro. O Imperador Diocleciano ordenou que fosse feita uma imagem de Æsculapius, e depois de discussões entre os, “quinque Philosophi” Simphorianus, que parece ser o líder e porta-voz, recusa, em seu nome e do grupo, fazer a imagem. Foram trazidos diante de Lampadius, o Tribuno, que após fazer referência a Diocleciano, ordena que sejam despidos e espancados com escorpiões, “scorpionibus mactari“, e depois, pela ordem de Diocleciano, sejam colocados em “loculi plumbei“, (caixões de chumbo) e lançados no rio Tibre.

Supostamente,  um certo Nicodemos terá retirado os caixões do rio e levado para a sua própria casa – Levavit diz a lenda.

Dois anos depois, Diocleciano ordenou aos soldados que homenageassem a estátua de Esculápio, mas quatro “Cornicularii“, ou líderes da milícia da cidade, recusaram. Foram condenados a morrer em frente à imagem de Æsculapius por pancadas dadas com tiras de chumbo, “ictu plumbatarum” e os seus corpos foram lançados ás ruas para os cães, onde permaneceram por cinco dias.

Uma variação na legenda:

Quando em 298 d.C. o Imperador Diocleciano estava a construir os seus banhos nas colinas dos montes Quirinal e Virminal, incluiu um templo dedicado a Æsculapius, o deus da saúde. Ele terá ordenado que os cinco escultores, Cláudio, Nicostrato, Sinforiano, Castorino e Simplicius executassem a obra decorativa e fizessem a estátua de Æsculapius.

Sendo cristãos, eles recusaram-se a moldar a estátua de um deus pagão e, em consequência, foram mortos no dia 8 de Novembro de 298. Três foram decapitados e dois flagelados até à morte.

Foram encontrados outros artistas que executaram o trabalho para o Imperador. Quando Diocleciano voltou a Roma no ano 300, encontrando as obras concluídas, emitiu uma ordem para sua dedicação, e ordenou que todos os soldados em Roma estivessem presentes, os quais, ao marcharem, lançariam incenso sobre o altar de Æsculapius.

Assim que esta ordem foi divulgada, quatro irmãos, que eram mestres pedreiros, e ocupavam a posição de “Cornicularii”, ou líderes de ala da milícia da cidade, reuniram-se para decidir o que deveriam fazer perante estas circunstâncias. Estes irmãos, de nome Severus, Severianus, Carporferus e Victorianus, que, para além de serem maçons, abraçavam a fé cristã, concordaram entre todos de se abster de atirar o incenso para o altar, sendo contra os seus princípios participar, fosse de que forma fosse, em cerimónias pagãs de natureza religiosa. Deram a conhecer a sua decisão ao seu centurião, que a comunicou ao tribuno, Lampadius, que por sua vez relatou o assunto a Diocleciano. O Imperador ordenou que homenageassem Æsculapius ou sofressem a morte.

Firmes na sua fé, sofreram a morte sendo açoitados com tiras de chumbo. Os seus corpos foram colocados em caixas de chumbo e atirados ao rio Tibre. Um irmão, Nicodemos, recuperou os seus corpos do rio, e foram enterrados ao lado dos cinco escultores anteriormente martirizados, nas catacumbas da Via Labricana, que devido aos quatro Mestres Maçons são até hoje conhecidas como as Catacumbas do Quattro Coronati.

O Papa Honório, no século VII, mandou construir uma igreja em sua homenagem, embora só no século IX, aparentemente, o Papa Leão tenha mandado trasladar as relíquias dos nove para a Igreja restaurada e embelezada na colina Coelian, agora chamada Igreja do “Cuatro Santi Incoronati,” – Incoronati em italiano moderno é equivalente a Coronati em latim medieval e clássico.

A referência de serem “coroados” presume-se que possa estar ligada com o ditado popular “a coroação do mártir”, dando a entender o reconhecimento para todos aqueles que morrem pela fé.

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