Alegoria e Parábola

Parábola – na literatura é nome dado pelos retóricos gregos a uma ilustração literária, cuja verossimilhança se realiza estabelecendo um vínculo entre a ficção narrada e a realidade a qual remete. Método de interpretação aplicado por pensadores gregos (pré-socráticos, estóicos etc.) aos textos homéricos, por meio do qual se pretendia descobrir ideias ou concepções filosóficas embutidas figurativamente nas narrativas mitológicas. Texto filosófico escrito de maneira simbólica, utilizando de imagens e narrativas com intuito de apresentar tropologicamente ideias e concepções intelectuais [Autores como Platão (427 a. C. -348 a. C.) ou, na filosofia moderna, Nietzsche (1844-1900) recorreram a esta forma de expressão.]

A Maçonaria é definida através das instruções maçónicas inglesas, como um sistema peculiar de moralidade, velado por alegorias e ilustrado por símbolos.

“A Maçonaria é um sistema de moralidade desenvolvido e inculcado pela ciência do simbolismo. Este carácter peculiar de instituição simbólica e também a adopção deste método genuíno de instrução pelo simbolismo, emprestam à Maçonaria a incolumidade da sua identidade e é também a causa dela diferir de qualquer outra associação inventada pelo engenho humano. É o que lhe confere a forma atractiva que lhe tem assegurado sempre a fidelidade dos seus discípulos e a sua própria perpetuidade”. De facto, a Maçonaria adoptou o método de instrução, ela não o inventou”. (Albert Galatin Mackey)

O simbolismo é a ciência mais antiga do mundo e o método de instrução dos homens primitivos. É graças a ele que tomamos conhecimento hoje, da sabedoria dos povos antigos e dos filósofos. O acervo religioso, cultural e folclórico da humanidade está preservado através do simbolismo, desde a pré-história.

O princípio do pensamento simbolista está fincado numa época anterior à história, nos fins do período paleolítico. Os mestres da humanidade primitiva podem ser facilmente localizados, através de estudos sobre gravações epigráficas.

A Maçonaria é a legítima herdeira espiritual das sociedades iniciáticas da antiguidade, porque perpetua o tradicional método de instrução, no ensino das suas doutrinas.

O Simbolismo transforma os fenómenos visíveis numa ideia, e a ideia em imagem, mas de tal forma que a ideia continua a agir na imagem, e permanece, contudo, inacessível; e mesmo se for expressa em todas as línguas, ela permanece inexprimível. Já a Alegoria, transforma os fenómenos visíveis em conceito, o conceito em imagem, mas de tal maneira, que este conceito continua sempre limitado pela imagem, capaz de ser inteiramente apreendido e possuído por ela, e inteiramente exprimido por essa imagem“. (Johann Wolfgang von Goethe)

O simbolismo é a linguagem da ascese. Para além do tempo e do espaço, liga a dimensão individual quotidiana, psicológica à escala cósmica, supra individual. Pode variar na sua expressão, nas suas representações exteriores, mas os seus fundamentos permanecem imutáveis“. (Jean-Pierre Bayard)

“os símbolos não são simples imagens passivas, transformadores de energia psíquica, modificam a natureza secreta do homem. O símbolo não é um conceito sábio, em entidade abstracta, mas sim uma lei profunda, que exerce o seu poder sobre a natureza interior do ser humano. O símbolo permite a transmissão da mensagem, veicula o elemento central da ideia, para além das diferenças de cultura e de civilização. Ele é intemporal”. (Jean-Pierre Bayard)

“O símbolo oferece-se em silêncio àquele cujos olhos do coração estão abertos”. (André Pothier)

Símbolos místicos e religiosos tradicionais

  • Evocação da ideia de Deus, representada pelo Triângulo, Delta Luminoso ou por Três Pontos;
  • Sol, representado pelo Círculo com um ponto central;

Símbolos da arte da construção

  • Medida na pesquisa, representada pelo Compasso;
  • Rectidão na acção, representada pelo Esquadro;
  • Vontade na aplicação, representada pelo Malho;
  • Discernimento na investigação, representado pelo Cinzel;

Símbolos herméticos e alquímicos

  • Os quatro elementos herméticos, representados pelo Ar, Terra, Água, Fogo;

Símbolos com significado particular:

  • A união entre os Maçons, representada pela Romã;
  • A união fraternal, representada pela Cadeia de União;

Outros símbolos tradicionais

  • Pitagóricos, representados pelos números;
  • Cabalísticos, representados pelas sefirotes;
  • Geométricos, religiosos e muitos outros que servem a um significado maçónico.

Charles Evaldo Boller

Bibliografia

  • Dicionário Electrónico Houais;
  • Enciclopédia Microsoft Encarta;
  • MACKEY, Albert Galatin, Encyclopedia of Freemasonry.

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