Os elementos simbólicos empregues na composição da “Abóbada Celeste”

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Imagem com a pintura realizada nos tetos na Sala A com 93 m2 e 87 lugares. No fundo (Oriente) observa-se a luz, o delta luminoso e o sol com iluminação própria e realizados tridimensionalmente.

Resumo

Mais conhecido como Firmamento para o público em geral, a Abóbada Celeste define-se como o hemisfério celeste visível, cujo estudo pertence ao campo específico da astronomia.

Contudo o presente trabalho pretende compreender o conceito, fora do campo científico, através de uma leitura simbólica muito singularizada, contextualizada e interpretada, no seio de uma sociedade discreta, como é a Maçonaria. O presente trabalho que teve como base a revisão da literatura sobre o tema, ao nível dos elementos simbólicos, manuais dos rituais e publicações de carácter histórico, serviu de base para a elaboração de uma composição pictórica que veio a ser executada nos tectos dos dois templos do Rito Escocês Antigo e Aceite da Grande Loja Regular de Portugal / Grande Loja Legal de Portugal, na cidade do Porto, no mês de Agosto de 2016.

Contextualização

Se o âmbito deste artigo científico se limitasse ao âmbito da comunidade que pratica e aperfeiçoa a cultura maçónica, passaríamos apenas a descrever a metodologia aplicada à composição pictórica que realizámos durante o mês de Agosto de 2016 .

Sobre a maçonaria enquanto organização, existem as mais díspares opiniões no público em geral, muitas delas de carácter negativo, motivadas pelo desconhecimento e baseadas numa opinião de “senso comum”, fundamentalmente nas franjas mais incultas da nossa sociedade. Como sabemos, estamos perante uma opinião baseada na transmissão de experiencias acumuladas de um determinado grupo social, que segundo GADAMER (1998), permitiu principalmente em Portugal, considerar esta instituição como anticlerical e potencialmente vocacionada para o domínio das estruturas em que assenta uma sociedade democrática. Estamos perante o mundo das crenças e das proposições, ausente de qualquer evidência real ou científica. Este estigma que ainda hoje domina as comunidades menos cultas transformou-se como que numa mera crença de carácter popular e superficial, baseada apenas nas aparências, na subjectividade, assistemática e acrítica (ANDER- EGG, 2007). Referimo-nos ao período da 1.° República Portuguesa (5 de Outubro 1910 – 28 de Maio 1926), onde a maçonaria irregular  assumiu um papel de enfrentamento às instituições que assumidamente apoiavam a monarquia, como foi o caso da Igreja (LÁZARO, 1996). Estamos a falar do Grande Oriente Lusitano (G∴ O∴ L∴)  que teve um papel fundamental na Revolução Republicana do 5 de Outubro de 1910 e que antes, teria participado na Revolução Liberal de 1820 e na Abolição da Pena de Morte em Portugal, em 1867 (MARQUES, 1998).

Em 1991 era criada em Portugal a Grande Loja Regular de Portugal (G∴ L∴ R∴ P∴) a partir de um desentendimento (VILELA, s.d.) no seio do G∴ O∴L∴. Em 1996 surge uma cisão no seio da G∴ L∴ R∴ P∴ a partir da qual viria a ser criada a Grande Loja Legal de Portugal / Grande Loja Legal de Portugal (G∴ L∴ L∴ P∴ / G∴ L∴ R∴ P∴). Actualmente é a única Obediência Maçónica (BOUCHER, 1990) regular reconhecida pela Grande Loja Unida de Inglaterra (U∴ G∴ L∴ E∴) e pela maioria das obediências maçónicas (ANDERSON, 1734).

Já muito se escreveu sobre esta organização, onde como já referimos, nos países de origem católica, é sistematicamente estigmatizada pela população, fruto da ignorância e de grupos conservadores, mas também através de uma leitura histórica que começou no reinado de D. José I (1750-1777). Posteriormente durante a 1ª República (1910-1926), onde a igreja perderia grande parte dos privilégios como o quase total domínio sobre a educação dos portugueses. Contudo a história documental permite-nos considerar a maçonaria como uma instituição ou sociedade discreta disseminada por todo o mundo (excepto em países de governos totalitários), cujos membros cultivam os princípios da liberdade, da democracia, da igualdade e da fraternidade, constituindo- se numa organização iniciática e filosófica (MACNULTY, 2008). Muitos dos maiores vultos da humanidade pertenceram a esta organização (DAVIS, 2013), que como já dissemos, provoca no público em geral sentimentos de rejeição, mas também de profundo respeito e admiração. Neste caso, poderemos mencionar melhor exemplo do que o do maçon português Sebastião José de Carvalho e Melo? Odiado pelos grupos mais conservadores da igreja e da monarquia, a sua obra ímpar enquanto estadista , possuidor de um profundo pensamento marcado pelo Iluminismo (REILL, 2004), permitiu a mais profunda transformação num pais completamente estagnado e dominado pelos grupos mais retrógrados.

A proposta de trabalho

Desde o princípio desta década, a G∴ L∴ L∴ P∴ / G∴ L∴ R∴ P∴ tem tido um grande crescimento de membros em Portugal, a que não é alheio o trabalho realizado pelos seus Grão- Mestres. Fundam-se novas lojas por todo o país e como consequência, as instalações do principal Templo da cidade do Porto, da rua do Dr. Ricardo Jorge, foram sujeitas a uma intervenção profunda para poderem funcionar ao mesmo tempo várias lojas, de ritos diferentes, a partir da decisão do Grão-Mestre Júlio Meirinhos .

O espaço interior foi totalmente remodelado para poderem ser praticados os Rito Escocês Antigo e Aceite , o Rito Escocês Rectificado , o Rito de York , o Rito Adonhiramita  e o Ritual de Emulação. Contudo não nos compete através deste trabalho definir os princípios em que se baseia a maçonaria, as suas origens históricas, a diferenciação dos seus ritos ou a organização interna de um templo maçónico.

Como já referimos, este artigo pretende limitar-se a descrever o trabalho pictórico realizado nos tectos das duas salas remodeladas do principal Templo do Porto.

O desafio consistiu em representar através de uma composição pictórica e escultórica o conceito inerente à cultura maçónica, designado de Abóbada Celeste, que se aplica ao tecto do templo do Rito Escocês Antigo e Aceite (R∴ E∴ A∴ A∴), no espaço remodelado da G∴ L∴ L∴ P∴ / G∴ L∴ R∴ P∴ da cidade do Porto, inaugurado em Julho de 6016 pelo Grão Mestre Júlio Meirinhos, onde foram construídas duas salas para o R∴ E∴ A∴ A∴, cuja remodelação da arquitectura interior esteve a cargo do Arquitecto Carlos Almeida Ribeiro.

Não existindo uma parede divisória fixa entre as duas salas, apenas placas de madeira amovíveis, permite retirando a divisória, a realização de grandes reuniões como uma Grande Loja. Para o efeito e dado que o Oriente da sala A é de maiores dimensões, basta fazer correr a cortina negra do Oriente da sala B, cobrindo o respectivo delta luminoso, para passar a funcionar apenas um espaço que permite a existência de mais de uma centena de lugares.

Dado que a normalidade em termos funcionais será o trabalho contínuo nos dois espaços designados, a decoração ao nível da pintura e dos elementos simbólicos foi repetida, permitindo que duas Lojas reúnam ao mesmo tempo.

O texto completo pode ser lido abaixo

Luís Manuel Leitão Canotilho

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2 thoughts on “Os elementos simbólicos empregues na composição da “Abóbada Celeste”

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    Boa tarde!! Excelente trabalho. Você teria algum trabalho sobre TEMPLOS e LOJAS? Tr:. Fr:. Ab:.

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      Boa tarde. Se fizer uma busca na página, certamente que irá encontrar o que pretende. Receba um TAF de António Jorge

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