Será o Pai Natal um Maçon?

Eu tenho uma pergunta muito séria para colocar para vos fazer. Gostaria de a colocar e depois fazer algum trabalho de detective, examinando as evidências que nos podem levar à resposta.

É uma questão muito importante que eu tenho a certeza que se perguntaram muitas vezes, e relaciona a nossa Arte Real com a sociedade mais ampla em que vivemos e diz respeito a várias questões importantes desta temporada. Esta pergunta muito séria é “Será o Pai Natal um Maçon?

Vamos considerar os factos deste caso: Quem é que ele vos lembra?

Um cavalheiro digno, que é (devemos admitir) um pouco adiantado na idade e talvez com um pouco excesso de peso, que usa um traje muito distinto como o distintivo das suas actividades e que oferece a oportunidade para amigos e visitantes para se encontrarem em companheirismo. Está rodeado de segredo e mistério, distribui boa vontade e a caridade dos presentes em todo o mundo (evitando ostentação pública ao fazê-lo) e continua a fazê-lo ano após ano!

Bem, colegas detectives, devem admitir que esta descrição poderia encaixar-se tanto no Pai Natal como num Maçon. Mas isto é meramente uma evidência circunstancial. Nós precisamos de ter alguma prova!

Vamos começar com os seus movimentos na noite em questão. Todos os relatórios dizem que ele vem do Pólo Norte. Quando o sol nasce para abrir e animar o dia, e com ele a precisar de terminar o trabalho antes do amanhecer, então teria de começar no Oriente e mover-se em direcção ao Ocidente. Portanto, o Pai Natal deve começar a sua jornada no canto Nordeste do mundo. Isto, é claro, é exactamente o que fazemos com um Aprendiz.

Da mesma forma, dir-se-ia que ele terminaria indo para casa, o que o colocaria no canto Noroeste no final de seu trabalho, para dar a sua saudação ao mundo e partir. Terão de concordar que é uma prova convincente!

Mas, pensem comigo, ele empreende esta grande jornada para distribuir os presentes, uma vez por ano, e tenho certeza de que qualquer Irmão Tesoureiro concordará que esta é exactamente a frequência com que a maioria dos Irmãos faz a sua contribuição para a loja! E o segredo, o mistério? Aqueles de vós que são pais, lembrem-se. Qual era o pior crime que uma criança mais velha poderia cometer nesta época do ano? Contar aos mais novos o segredo do Pai Natal, e quebrar a fé que eles deveriam ter mantido. Tenho a certeza de que a sua punição apontou que eles eram desprovidos de todo o valor moral e totalmente impróprios para serem recebidos na mesa de jantar, mas enviados para o seu quarto por destruir algo que era tão bom, tão valioso e tão inocente.

Parece ser evidente: todas estas evidências mostram-nos, sem sombra de dúvida, que o Pai Natal é um Maçon! Ele pratica o amor e a Fraternidade; Estamos felizes em conhecê-lo e à época do Natal, e lamentamos a sua partida.

Todos os pormenores, o uso de um uniforme, os rituais que acontecem ano após ano, o facto de ele ser um homem … numa nota mais séria, Irmãos, o modo como toda a época de Natal se desenvolveu e é praticada tem muito em comum com a Maçonaria, e podemos aprender muito, um com o outro.

Por exemplo, de onde veio a figura a que chamamos de Pai Natal? Qual é o seu passado? Pai Natal, ou São Nicolau têm elementos de mitos e lendas pré-cristãs, que se desenvolveram durante a Idade Média ao serem incorporados na grande história cristã do maravilhoso presente de Deus ao mundo.

Nos séculos XVIII e XIX, esses detalhes foram formalizados no carácter que ainda temos hoje: o seu traje estilizado, a sua forma de trabalhar, as suas actividades e rituais. Isto tudo soa a muito Maçónico.

As lendas pré-cristãs do Templo de Salomão, as pirâmides, Pitágoras, e assim por diante foram desenvolvidas durante a Idade Média pelos grandes construtores de igrejas cristãs, depois formalizadas nos séculos XVIII e XIX no traje, no trabalho e nos rituais que usamos hoje.

São Nicolau era na verdade um Bispo turco do século IV que originalmente era um nobre rico. Uma das histórias sobre ele, refere que ele teria ajudado um homem pobre que não podia pagar o casamento das suas 3 filhas.

São Nicolau subiu ao telhado e atirou uma infinidade de moedas de ouro pela chaminé e essas moedas caíram nas meias das meninas que tinham sido penduradas junto ao fogo para secar. As meninas foram então capazes de se casar e viveram felizes para sempre.

Ele é considerado o santo padroeiro das crianças pobres desde então. A lenda tornou-se muito popular na Europa, especialmente na Holanda, onde foi misturada com elementos dos festivais pagãos de Yule ou de meio do Inverno. St. Nick tornou-se Pai Natal, que chegaria no dia 6 de Dezembro (Dia de São Nicolau) montado num cavalo branco e visitaria crianças para indagar sobre o seu comportamento no ano anterior.

As crianças boas seriam recompensadas e as menos boas punidas. Na noite anterior, as crianças deixavam um par de sapatos ou de tamancas, cheias de feno e cenouras para o cavalo. De manhã, estes seriam encontrados, cheios de doces ou pequenos presentes.

Estas tradições foram levadas para os Estados Unidos por colonos holandeses, mas foi o famoso poema do Professor Clement Clark Moore que começou “Era a noite antes do Natal, e durante toda a casa …“, que estabeleceu a maioria dos pormenores na imagem do Pai Noel que conhecemos hoje.

Muitos desses detalhes (como as renas e os seus nomes, o trenó voador, descendo pela chaminé) foram reunidos pela primeira vez neste poema; contudo, o professor Moore tirou-os de antigas tradições de lugares tão distantes como a Finlândia e a Sibéria, e unidos, tornaram-se uma única história. Podem ver como isto é semelhante à criação dos nossos rituais e cerimónias.

Embora estes também incluam muitos elementos que são do folclore antigo, eles foram seleccionados deliberadamente, com um objectivo específico: criar uma impressão nas mentes dos Irmãos que participam. Tal como na lenda do Pai Natal, os detalhes podem ser fictícios, podem vir de muitas fontes diferentes e podem até ser inconsistentes entre si. Isso não importa.

É o impacto de que todos eles criam na totalidade que é importante. Negariam todo o bem que a história do Pai Natal contém, toda a felicidade que cria, só porque é uma história? Claro que não. E esta é a verdadeira ligação do Pai Natal e da Maçonaria.

Por que é que temos o Natal e por que é que temos o Pai Natal? Celebramos crenças religiosas sobre o nascimento do bem e a esperança para o futuro; reafirmamos a crença de que as pessoas são basicamente boas e podem tornar-se amáveis, atenciosas, prestativas, apoiando com amizade, umas às outras.

Olhamos para o Ano Novo, onde as coisas podem ser melhores. Fazemos isso nesta estação, quer estejamos a celebrar a Natividade Cristã, ou o Hannukah Judaico com as suas luzes, presentes e histórias de paz, ou o Hindu Diwali com o seu festival de luzes e presentes de doces e brinquedos, ou mesmo se não temos religião formal, excepto o prazer de ver o rosto de uma criança iluminado com admiração e prazer.

E por que é que nós somos Maçons?

Porque acreditamos que há coisas importantes como a bondade e esperança para o futuro, e que os homens podem tornar-se Irmãos atenciosos, solícitos e disponíveis no apoio às suas famílias e uns aos outros.

Nós não olhamos apenas para um futuro onde as coisas podem ser melhores, mas nós entendemos isso como o nosso papel, como Maçons, Livres e Aceites, ou Simbólicos, para ajudar a construir esse futuro.

Então, eu sinto que posso afirmar com segurança que o Pai Natal é um Maçon. Ele não apenas mostra tantos sinais e indícios de o ser, mas traz-nos uma mensagem que nós, como Maçons, podemos atender durante todo o ano.

Paz na terra, com boa vontade para com os homens!

Feliz Natal

David Downie – St. Trinians Lodge nº 2050 – Isle of Man

Eu e o Freemason.pt desejamos-vos um Santo Natal, rodeados de todos os que vos são queridos

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *