A maçonaria em Cuba

Gran Logia de Cuba
Gran Logia de Cuba

A independência de todas as Américas foi obra da Maçonaria. A crónica particular de cada um dos países do Novo Mundo trata exaustivamente da forma pela qual isto aconteceu, pelo que não consideramos necessário insistir deste assunto.

Cuba não foi uma excepção. Mas o que nem todos os historiadores sabem – principalmente os menos informados -, é o facto da nossa sublime Ordem ter crescido ali em importância a partir do momento em que Fidel libertou a Ilha. Não há nada de incorrecto nesta afirmação, porque pelo tratado de 1898, assinado em Paris, Cuba foi libertada do domínio espanhol para, logo a seguir, cair sob o domínio norte-americano. Tratou-se, pois, de uma falsa independência.

Vale a pena fazer uma ligeira retrospectiva deste acontecimento ocorrido à revelia da Maçonaria cubana. Uma vez declarada a “independência”, a ilha ficou ocupada pelo exército norte-americano, sob o pretexto de que era preciso manter a paz e organizar o país. Foram também os americanos e não os cubanos que elaboraram a Carta-Magna do País, promulgada pela Assembleia Constituinte em 21 de Fevereiro de 1901. A essa estranha Constituição foi acrescido um documento ainda mais estranho – a chamada “Emenda Platt” – que autorizava os EUA a intervirem no país todas as vezes que fosse necessário, o que aconteceu muitas vezes. A Maçonaria lutou bravamente até que, em meados dos anos 30 foi promulgada uma nova Constituição com a supressão da odiada “Emenda Platt”. Mas, os americanos continuaram presentes e dominantes. Foi com a influência deles que se impôs o governo do Sargento Batista (logo promovido a coronel) e que serviu com fidelidade aos EUA em todas as questões internacionais em que a cooperação cubana foi necessária.

Enquanto o antigo Sargento Batista enriquecia, os americanos eram os verdadeiros senhores da ilha. As melhores terras pertenciam-lhes. Eram também donos das principais grandes empresas. Cubano só podia ser empregado, às vezes bem remunerado, mas empregado. O povo cubano vivia mal. Dia a dia crescia, com o apoio da Maçonaria, o movimento antiamericano.

Este ideal encarnou-se num jovem advogado chamado Fidel Castro. Em 28 de Julho de 1953, Fidel foi preso pelas tropas de Fulgêncio Batista e teria sido executado sumariamente, a exemplo do que ocorreu com outros revolucionários, se não tivesse havido a intervenção do Tenente Sarriel que determinou aos seus subordinados que o poupassem, argumentando: “Ideias não se matam!”. Sarriel, embora oficial do exército de Fulgêncio Batista, era necessariamente Maçon.

Foi ele que encaminhou Fidel para a Sierra Maestra, centro de acção dos patriotas barbados. Aos poucos, as tropas de Batista foram sendo derrotadas. A opinião pública, principalmente a Ibero-Americana, era favorável aos rebeldes. Vendo-se perdido, Batista abandonou o governo e refugiou-se nos EUA.

Uma vez conquistada a ilha, Fidel organizou um governo revolucionário. Iniciou uma campanha de nacionalização e de desapropriação de empresas e de terras em mãos de cidadãos dos EUA. O governo americano protestou e propôs que Cuba fosse excluída da OEA. Adoptou, ademais, medidas económicas restritivas a Cuba que perduram até hoje. Pode dizer-se que, por mero interesse económico, os EUA jogaram Cuba nos braços de Moscovo. As consequências de tudo isto resultaram na situação que vem perdurando há quase 40 anos e que não interessa comentar aqui por ser do conhecimento de toda gente.

O que de facto interessa saber é a situação da Maçonaria em Cuba depois de implantada a Revolução. Seria impossível imaginar uma Loja maçónica nas imediações da Praça de São Pedro, em Roma, nem tampouco na Praça da Paz Celestial, em Pequim, na China. Mas, em Havana o esquadro e o compasso convivem pacificamente, lado a lado, com a foice e o martelo. No centro de Havana, na Avenida Salvador Allende (que foi Maçom), 508, está localizado o Grande Templo Nacional Maçónico, um edifício de 11 andares em cujo cimo resplandece o esquadro e o compasso. É ali que despacha o Sereníssimo Grão-Mestre Raciel Martinez Andreu. A Grande Loja Maçónica de Cuba congrega mais de dois mil membros e é reconhecida pelas Grandes Lojas de 38 Estados norte-americanos. O Grande Oriente do Brasil é reconhecido por apenas 17 Estados.

A Grande Loja Nacional de Cuba mantem um Asilo para Maçons idosos, além de outras obras de beneficência, mas luta com muitas dificuldades, sobretudo de ordem financeira. Muitos maçons pertencem ao Partido Comunista cubano, mas não são ateus. Existe em Cuba uma curiosa mistura de Comunismo, Cristianismo e Maçonaria, uma situação semelhante à que prevalece em Itália. O próprio Fidel foi criado num ambiente católico e fez o curso primário e médio num colégio religioso. A sua adesão ao ateísmo e ao comunismo só se deu mais tarde, já na idade adulta. A convivência da Maçonaria cubana com o regime castrista explica-se pelo facto de os maçons terem tido uma justa participação na Revolução que libertou Cuba do domínio económico dos EUA.

Os dados que serviram de base para este resumo histórico foram colhidos na INTERNET, onde os interessados no assunto poderão colher dados mais amplos do que os que aqui foram expostos.

William Almeida de Carvalho, 33º, conjuntamente com A. R. Schmidt Patier

Artigos relacionados

Um Comentário em “A maçonaria em Cuba

  • Avatar

    É cedo para deixar comentários., assim que tiver mais informações retorno.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *