As chaves maçónicas da Casa Branca

Casa Branca
Casa Branca

Com pouco mais de dois séculos de idade, a residência presidencial, agora icónica, tem uma história curiosa por trás dela, que a liga, a partir do momento da sua fundação e construção com a maçonaria, uma irmandade a que pertenceram quinze presidentes dos Estados Unidos.

A  ligação entre a Casa Branca e a Maçonaria remonta a 12 de Outubro de 1792. Naquele dia, a taverna “Fountain Inn” em Georgetown – agora um dos bairros históricos de Washington DC – estava cheia de gente. Multidões de vizinhos tinham ido testemunhar a cerimónia de colocação da primeira pedra do que seria a “Casa do Presidente” (como era então chamada).

Entre a multidão estava um grupo de homens usando vestes maçónicas, que iniciaram a marcha até ao local de construção. Uma vez lá, o Venerável Mestre da Loja n° 9 de Maryland – o espanhol Pedro Casanave – oficiou a cerimónia, colocando a pedra fundamental no canto sudoeste do sitio e depositando uma placa de metal que comemorou o evento.

Entre os presentes, além dos comissários do distrito federal e dos curiosos de Georgetown e cidades vizinhas, estava o arquitecto do edifício, o irlandês James Hoban, que também era Maçom.

Após a Guerra da Independência dos Estados Unidos, Hoban decidiu tentar a sorte na nova nação; deixou a sua terra natal e estabeleceu-se em Charleston. Foi lá que o arquitecto irlandês teve a oportunidade de conhecer George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, e também membro da Maçonaria.

Aquele primeiro encontro foi frutífero, porque quando algum tempo depois Washington convocou uma competição para a construção da futura Casa do Presidente, ele escolheu – entre dúzias de propostas – o desenho feito pelo jovem James Hoban. Naquela época (Julho de 1792), Hoban já era membro da Loja nº 9 de Maryland.

Entre os diferentes edifícios da sua terra natal, que o inspiraram a projectar a Casa Branca, havia um prédio em Dublin, a chamada Casa Leinster. Esta mansão foi construída por James Fitzgerald – Duque de Leinster – que, segundo vários autores , também era Maçom e fundador de uma Loja em Kilwinning. Aparentemente, Fitzgerald usou a mansão de Leinster para celebrar as “reuniões” da sua Loja.

Em todo o caso, não há razão para suspeitar que Hoban fez um projecto semelhante ao da Leinster House pelas suas supostas ligações com a Maçonaria. De facto, muito provavelmente, a sua decisão tinha apenas um sentido estético, já que era um edifício que ele conhecia dos seus anos em Dublin.

Por outro lado, existem outras ligações entre a Casa Branca e a Maçonaria. Pouco depois de Hoban e os seus irmãos maçons da Loja n° 9 de Maryland terem realizado a cerimónia da pedra fundamental, os trabalhadores começaram o trabalho de construção sob as ordens de Colin Williamson, mestre de obras de origem escocesa.

Williamson era sobrinho de John Suter, proprietário do “Fountain Inn”, onde se celebravam as Sessões da Loja de Mariland. Ambos, tio e sobrinho, eram maçons. John Suter pertencia à Loja nº 9 e Williamson pertencia a uma Loja escocesa.

A participação de Williamson nas obras durou até 1794, quando ele discutiu com Hoban e cessou a sua colaboração. Este revés forçou-o a procurar novos trabalhadores, que finalmente chegaram da Escócia. Especificamente, a maioria dos trabalhadores eram maçons da Loja n° 8 em Edimburgo.

Alguns dos maçons que vieram de Edimburgo para trabalhar na Casa Branca ficaram nos EUA no final do trabalho, e acabou fazendo parte da Loja Federal n° 15 de Maryland , criada em Setembro de 1793 pelo próprio James Hoban.

Curiosamente, durante a remodelação da Casa Branca feita pelo presidente Harry Truman, um outro Maçom, em 1949, foram descobertas algumas pedras com marcas de lapidação usados pelos maçons de Edimburgo. Estas pedras foram espalhadas entre diversas Lojas maçónicas no país.

Menos de um ano depois da impressionante cerimónia de fundação da Casa Branca, a cena repetiu-se no local do edifício do Capitólio. Em 18 de Setembro de 1793 , um grupo de pessoas, incluindo numerosos membros de várias lojas maçónicas, desfilou solenemente para o local escolhido.

Uma pessoa se destacou entre as outras: o próprio George Washington, que vestia os habituais paramentos maçónicos. Foi ele quem oficiou a cerimónia, colocando a primeira pedra e acompanhando o acto com vinho, milho e azeite. Hoje, numerosas pinturas, gravuras e relevos – como o que existe numa das portas do Capitólio – relembram o episódio daquele dia.

Apesar do tão impressionantes que estes actos possam nos parecer hoje e que certos rumores e “teorias de conspiração”, essas cerimónias maçónicas – e a ligação de personagens relevantes no nascimento dos EUA – não implicam que a Maçonaria estivesse por detrás da Revolução Americana, nem da criação da nova nação nem da construção do distrito federal.

A filiação à Maçonaria era mais do que usual naquela época nos dois lados do Atlântico, especialmente entre certos círculos, e as cerimónias de fundação de pedras também eram comuns, não apenas entre os maçons, como acontece hoje em dia.

De facto, ainda hoje, lojas maçónicas por todo o mundo, continuam a fazer aberturas semelhantes em hospitais, faculdades ou universidades, com o único propósito de “desejar” um bom final para as actividades que lá acontecerão.

Considerando que vários maçons ocuparam posições importantes no nascimento da capital federal, não é estranho que eles quisessem “iniciar” a nova nação da melhor maneira possível, por um acto que era de grande importância para eles e que foi imbuído de ideais com profundo significado.

Javier García Blanco

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