As origens do Ritual na Igreja e na Maçonaria (Parte III)

Parte V

Até o século IV, as igrejas não possuíam altares. Até então, o altar era uma mesa colocada no meio do templo para uso da comunhão ou repasto fraternal. (A Ceia, como missa, era, na sua origem, dita à noite). Igualmente, hoje em dia, a mesa é posta na “Loja” para os banquetes maçónicos no final das actividades da Loja, nos quais os Hiram Abiff ressuscitados, os “filhos da viúva” enobrecem os seus brindes pelo “fining”, uma forma maçónica de transubstanciação.

Chamaremos também de altares às mesas dos seus banquetes? Por que não? Os altares foram copiados da ARA MAXIMA de Roma pagã. Os latinos colocavam pedras quadradas oblongas perto dos seus túmulos e as chamavam ARA, altar; eram consagradas aos deuses dos lares e aos Manes. Nossos altares derivam dessas pedras quadradas, outras formas dos marcos-limites conhecidos como Deuses – Têrmos, os Hermes e os Mercúrio, donde vêm os Mercúrio

“QUADRATUS, QUADRÍFIDOS, etc…”, os deuses de QUATRO FACES de que as pedras quadradas são símbolos desde a mais alta antiguidade. A pedra sobre a qual se coroavam os antigos Reis de Irlanda, era um altar idêntico; existe uma dessas pedras na Abadia de Westminster [7], à qual, além disso, se atribui uma voz. Assim, todos os nossos altares e tronos descendem directamente dos marcos-limites priápticos dos pagãos, os Deuses-Têrmos.

Sentir-se-á indignado leitor fiel aos ensinamentos da Igreja, se lhe ensinarmos que somente sob o reinado de Deoclecianos cristãos adoptaram o COSTUME PAGÃO de adoração em templos? Até essa época sentiam insuperável horror aos altares e templos, e durante os primeiros 250 anos de nossa era os consideravam uma abominação. Esses cristãos primitivos são mais pagãos que qualquer dos antigos idólatras. Os primeiros eram o que sãos teosofistas de nossos dias; do IV século em diante se tornaram Heleno-judaicos, gentios, tendo a menos a filosofia neoplatónica. Leiamos o que

Minitius Felix dizia aos Romanos no 3° século:

“Imaginais que nós, cristãos, escondemos o que adoramos PORQUE NÃO POSSUÍMOS TEMPLOS E ALTARES? Mas que imagem de Deus levantaríamos desde que o homem é em si mesmo a imagem de Deus? Que templo poderíamos levantar à Divindade, quando Universo, que é a sua obra, pode dificilmente contê-la? Como colocar omnipotente num só edifício? Não é melhor consagrarmos um templo à Divindade no nosso coração e no nosso espírito?”

Mas, nessa época, os cristãos do tipo de Minitius Felix tinham presente na memória os ensinamentos do Mestre Iniciado, de não rezar nas sinagogas e nos templos, como fazem os hipócritas, “para serem vistos pelos homens”. Lembravam-se da declaração de Paulo, o Apóstolo Iniciado, o “Mestre Construtor”, que o homem era o único templo de Deus no qual o Espírito- Santo – o espírito de Deus – permanecia. Obedeciam aos verdadeiros preceitos cristãos, enquanto os cristãos modernos obedecem somente aos cânones arbitrários das suas respectivas Igrejas e às regras que lhe deixaram os seus antepassados. “Os teosofistas são notoriamente ateus”, diz um escritor do CHURCH CHRONICLE; “não se conhece um só que assista ao serviço divino… a Igreja é para eles odiosa”; e, repentinamente, dando livre curso à sua cólera, começa a profligar os infiéis, os pagãos M.S.T.

O homem da Igreja moderna também joga as suas pedras no teosofista, como fizeram os seus antepassados, os fariseus da “Sinagoga dos Libertinos”, quando lapidaram Etienne por ter dito que dizem alguns teosofistas cristãos, isto é, que o “Altíssimo não reside num templo construído por mãos de homens” – e não hesita, como fizeram esses juízes iníquos, em subornar testemunhas para nos acusar.

Parte VI

A teoria do “mito solar” aparece actualmente tão repisada “ad nauseum”, que a ouvimos repetida dos quatro pontos cardeais do orientalismo e do simbolismo, e aplicada sem discernimento a todas as coisas e a toda religião, exceptuando-se a igreja cristã e as religiões do Estado. Sem dúvida, o Sol foi na Antiguidade, e desde tempos imemoriais, o símbolo da divindade criadora, não somente entre os Parsis, mas também noutras nações; o mesmo se dá nos cultos ritualistas; como era antigamente, continua a sê-lo nos nossos dias. Nossa estrela central é o Pai para os PRO-FANOS; para o EPOPTAE é o Filho da Divindade Incognoscível.

Ragon, o maçom já citado, nos diz: “o Sol era a mais sublime e natural das imagens do Grande Arquitecto; igualmente, a mais engenhosa de todas as alegorias pelas quais o homem moral e bom (o verdadeiro sábio) simbolizara a INTELIGÊNCIA infinita, sem limite”. Com excepção desta última afirmação, Ragon tem razão. Ele nos mostra o símbolo gradualmente se afastando do ideal, assim concebido e representado, terminando por se tornar no espírito dos seus adoradores ignorantes, não mais um símbolo, mas o próprio Sol. O grande escritor maçónico prova de seguida que o Sol FÍSICO é que era considerado como Pai e o Filho pelos primeiros cristãos. Diz ele:

“Ó Irmãos Iniciados, podereis vos esquecer que nos templos da religião existente, uma grande LÂMPADA brilha noite e dia? Ela está suspensa diante do altar principal, lá onde está depositada a arca do Sol. Uma outra LÂMPADA brilhando diante da Virgem-Mãe, é o emblema da claridade da LUA. Clemente de Alexandria faz-nos saber que os egípcios foram os primeiros a estabelecer o uso religioso das lâmpadas… Sabe-se que o mais sagrado e o mais terrível dos deveres era confiado às Vestais.

Se os templos maçónicos são iluminados por três luzes astrais – o Sol, a Lua e a estrela geométrica – e por três luzes vitais – o hierofante e os seus dois epíscopos (vigilantes) – é porque um dos pais da maçonaria, o sábio Pitágoras, habilmente sugeriu que não deveríamos falar das coisas divinas sem estarmos esclarecidos pela luz. Os pagãos celebravam a festa das lâmpadas, chamadas ‘lampadofórias’ em honra de Minerva, Prometeu e Vulcão. Mas, Lactâncio e alguns dos primeiros padres da nova fé se lamentavam amargamente da introdução pagã das lâmpadas nas igrejas. Lactâncio escreve: “SE ELES SE DIGNASSEM CONTEMPLAR ESSA LUZ QUE NÓS CHAMAMOS SOL, RECONHECERIAM DESDE LOGO QUE DEUS NÃO PRECISA DAS SUAS ‘LÂMPADAS’; e Vigilantus acrescenta: ‘Sob o pretexto de religião, a Igreja estabeleceu o costume dos gentios de acender mesquinhas velas, enquanto Sol está nos iluminando com mil luzes. Pode lá ser uma grande honra ao ‘Cordeiro de Deus representar-se o Sol dessa maneira, quando, ocupando MEIO DO TRONO (o Universo), ele o enche com o resplendor de sua Majestade?’ Tais passagens nos provam que nesses dias a igreja primitiva adorava o Grande Arquitecto do Universo na sua imagem, o Sol Único, o único da sua espécie (“A Missa e os seus Mistérios”)”.

Realmente, enquanto os candidatos cristãos devem pronunciar o juramento maçónico virados para Este, e o seu “Venerável” permanece no lado oriental (porque os neófitos assim faziam nos Mistérios pagãos), conserva a Igreja, por sua vez, o mesmo rito. Durante a Grande Missa, o altar-mor (ARA MAXIMA) é ornado com o tabernáculo ou PYX (a caixa na qual o Santo-Sacramento é fechado) e com seis lâmpadas; o significado exotérico do tabernáculo e o seu conteúdo, símbolo do “Cristo-Sol”, é a representação do luminar resplandecente, e as seis velas representam os seis planetas (os primeiros cristãos não conheciam mais que esses), três à sua direita e três à sua esquerda Isso é uma cópia do candelabro de sete braços da Sinagoga, cujo significado é idêntico. SOL EST DOMINUS MEUS (o Sol é meu Senhor), diz David no Salmo XCV, e isso é traduzido muito engenhosamente na versão autorizada: “O Senhor é um grande Deus, um grande Rei, acima de todos os deuses!” (V. 3) ou na realidade, os dos planetas. Agostinho Chalis é mais sincero quando diz na sua PHILOSOPHIE DES RELIGIONS COMPARÉES: “Todos são DEV (demónios) nesta terra, menos o Deus dos Videntes (Iniciados), e se em Cristo nada mais vedes que o Sol, vós adorais um DEV, um fantasma, tal como são todos os Filhos da Noite”.

Sendo Este, o ponto cardeal donde surge o astro do dia, o Grande Dispensador e sustentáculo da vida, criador de tudo que existe e respira neste globo, não é de se estranhar que todas as nações da terra tenham adorado nele o agente visível do Princípio e da Causa invisível, e que a missa seja dita em honra daquele que é o dispensador das MESSIS ou colheitas. Mas, entre a adoração do Ideal em si e adoração do símbolo, há um abismo. Para o egípcio douto, o Sol era olho do Osíris, não o próprio Osíris; o mesmo se dava com os sábios adoradores de Zoroastro.

Para os primeiros cristãos, o Sol tornou-se a divindade IN TOTO e, pela força da casuística, do sofisma e dos dogmas que não devem ser discutidos, as Igrejas cristãs modernas acabaram por obrigar as pessoas cultas a aceitar essa opinião. As Igrejas hipnotizaram-nas numa crença de que o seu Deus é a ÚNICA Divindade vivente, o criador do Sol, não próprio Sol, demónio adorado pelos “pagãos”. Mas que diferença há entre um demónio e um Deus antropomórfico, tal como é representado nos PROVÉRBIOS de Salomão? Esse “Deus, que ameaça com palavras como estas: ‘Eu rirei de vossas calamidades, escarnecerei dos vossos temores’ (Prov. I, 27), salvo se os pobres, os desesperados, os ignorantes clamarem por Ele, quando os seus ‘temores os assolam com uma calamidade’ e quando a ‘ruína lhes cai como um turbilhão”.

Comparemos esse Deus com o Grande Avatar, sobre o qual foi fundada a lenda cristã e vamos identificá-la com o Grande Iniciado que disse: “Benditos sejam os que choram, pois serão consolados”. Qual o resultado dessa comparação?

Eis aí como justificar a alegria diabólica de Tertuliano, que sorria e se regozijava com a ideia do seu parente próximo, “infiel”, assando no fogo eterno, assim como conselho dado por Hieronymus ao cristão convertido, de calcar aos pés o corpo da sua mãe pagã, se ela procurar impedir que ele a abandone para sempre, a fim de seguir a Cristo…

Parte VII

O ritual do Cristianismo primitivo – como já está suficientemente demonstrado – deriva da antiga Maçonaria. Esta é, por sua vez, a herdeira dos Mistérios, quase desaparecidos nessa época. Diremos algumas palavras sobre estes: é bem conhecido de toda a Antiguidade que, a par da adoração popular feita de letra morta e formas vazias das cerimónias exotéricas, cada nação tinha o seu culto secreto, designado na sociedade como sendo os Mistérios.

Strabon, entre outros, dá o seu testemunho dessa asserção (Georg. Lib X). “Ninguém era admitido aos Mistérios se não estava preparado por um treinamento particular. Os neófitos, instruídos na parte superior dos Templos, eram iniciados, nas criptas, ao Mistério final. Essas instruções constituíam a última herança, e última sobrevivência da antiga sabedoria, e é sob a direcção de Altos Iniciados que os Mistérios eram REPRESENTADOS. Empregamos de propósito termo REPRESENTADO, pois que as instruções ORAIS, EM VOZ BAIXA, eram dadas somente nas criptas, em segredo e num silêncio solene. As lições sobre a teogonia e cosmogonia eram expressas por representações alegóricas; o MODUS OPERANDI da evolução gradual do Kosmos, dos mundos e finalmente de nossa terra, dos Deuses e dos homens, tudo isso era comunicado simbolicamente. As grandes representações públicas, que eram dadas durante as festas dos Mistérios, tinham por testemunha o povo que adorava cegamente as verdades ali personificadas. Somente os Altos Iniciados, os EPOPTAE, compreendiam a sua linguagem e o seu significado real. Tudo isso e muito mais ainda é conhecido pelos sábios.

Todas as antigas nações pretenderam saber que os Mistérios reais, concernentes ao que se chama, tão pouco filosoficamente, a criação, foram divulgados aos Eleitos de nossa raça (a quinta) por essas primeiras dinastias de REIS DIVINOS – “Deuses na carne”, “Encarnações divinas ou Avatares”.

As últimas estrofes extraídas do Livro de Dzyan para a DOUTRINA SECRETA (vol. 3, p. 27 – ed. inglesa) falam dos que reinaram sobre os descendentes “nascidos do Santo Rebanho” e… “que tornaram a descer e fizeram a paz com a quinta raça, e a instruíram e ensinaram”.

A frase “fizeram a paz” mostra que houve uma CONTENDA precedente. O destino dos Atlantes na nossa filosofia e o dos pré-diluvianos na Bíblia corrobora essa ideia. Uma vez mais, e isso muitos séculos antes dos Ptolomeus, o mesmo abuso da ciência sagrada dominou lentamente os Iniciados do Santuário egípcio. Os ensinamentos sagrados dos Deuses, mesmo conservados em toda a sua pureza durante séculos inumeráveis, a par da ambição pessoal e do egoísmo dos Iniciados, foram de novo corrompidos.

O significado dos símbolos encontrou-se muitas vezes profanado por inconvenientes interpretações, e, bem cedo, os mistérios de Elêusis foram os únicos que permaneceram puros de toda alteração e de toda inovação sacrílega. Eram celebrados em Atenas em honra de Demeter (Ceres) ou da Natureza, e foi lá que a elite intelectual da Grécia da Ásia Menor foi iniciada. No seu quarto livro, Zózimo afirma que esses iniciados pertenciam a toda a humanidade [7] e Aristides chama aos Mistérios: “O Templo comum de toda a terra”.

Foi para conservar alguma lembrança desse “templo” e reconstrui-lo oportunamente, que alguns eleitos, dentre os Iniciados, foram escolhidos e postos de reserva. Isto foi cumprido pelo seu Grande Hierofante em cada século, desde a época em que as alegorias sagradas mostraram os primeiros sintomas de profanação e de decadência.

Finalmente, os Grandes Mistérios de Elêusis tiveram o mesmo destino dos outros. A sua superioridade primordial e o seu alvo primitivo são descritos por Clemente de Alexandria, que nos mostra comos Grandes Mistérios divulgavam os segredos e o modo da construção do Universo, sendo isso começo, o fim e o último alvo do conhecimento humano. E mostrava-se ao Iniciado a natureza de todas as coisas tais como são (strom 8). Tal era a Gnose Pitagórica: “o conhecimento das coisas tais como são”.

Epicteto fala dessas instruções em termos os mais elevados: “Tudo que lá está estabelecido, o foi por nossos Mestres para instrução dos homens e correcção de nossos costumes” (apud Arriam, Dissert. lib. cap. 21) – e Platão diz o mesmo no seu PHEDON; o fim dos Mistérios era restabelecer a alma na sua primitiva pureza, ESSE ESTADO DE PERFEIÇÃO QUE ELA TINHA PERDIDO.

Parte VIII

Mas chegou a época em que os Mistérios se desviaram da sua pureza, como aconteceu às religiões exotéricas. Isso começou quando Estado, sob o conselho de Aristogiton, entendeu de fazer dos Mistérios de Elêusis uma constante e fecunda fonte de rendas. Promulgou-se uma lei para esse efeito. Daí por diante, ninguém podia ser iniciado sem pagar uma certa soma pelo privilégio. O que até então era adquirido ao preço de incessantes esforços, quase sobre-humanos, em direcção à virtude e à perfeição, tornou-se adquirível com ouro. Os laicos, e mesmos sacerdote – aceitando essa profanação, perderam o antigo respeito pelos Mistérios interiores e isso acabou por conduzir a ciência sagrada à profanação.

A ruptura feita no véu alargou-se em cada século e, mais do que nunca, os sublimes Hierofantes, temendo a publicação e alteração dos segredos mais santos da natureza, trabalharam para eliminá-los do programa INTERIOR, limitando seu pleno conhecimento a um pequeno número.

Aqueles que foram POSTOS DE RESERVA, tornaram-se os únicos guardiães da divina herança das idades passadas.

Sete séculos mais tarde, encontramos Apuleio, apesar da sua sincera inclinação para a magia e a mística, escrevendo no seu “Idade douro” uma sátira amarga contra a hipocrisia e o deboche de certas ordens de sacerdotes, meio- iniciados. Por ele nos cientificamos também de que no seu tempo (século II depois de J.C.), os Mistérios se tornaram tão comuns que pessoas de todas as condições e classes, em todas as nações, homens, mulheres e crianças, TODOS ERAM INICIADOS! Nesse tempo a iniciação era tão necessária quanto baptismo em nossos dias, e correspondia ao que é o baptismo: uma cerimónia sem significação e de pura foram. Ainda mais tarde, os fanáticos da nova religião deitaram as suas pesadas mãos sobre os Mistérios.

Os EPOPTAE, aqueles “que viam as coisas tais quais são”, desapareceram um a um, emigrando para regiões inacessíveis aos cristãos. Os MISTOS (mistos ou velados), “esses que vêem as coisas tais como parecem ser”, tornaram-se em seguida, rapidamente, os únicos senhores da situação.

Sãos primeiros, os “POSTOS DE RESERVA”, que conservaram os verdadeiros segredos, e sãos MITOS, os que só conhecem as coisas superficialmente, que assentaram a pedra fundamental da FRANCO-MAÇONARIA MODERNA. Dessa fraternidade primitiva de maçons, semipagãos, semi-convertidos, nasceram o ritual cristão e a maior parte dos dogmas.

Os EPOPTAE e os MISTOS são ao mesmo tempo designados pelo nome de Maçons, pois todos, fiéis ao juramento feito a os seus Hierofantes e “Reis” desaparecidos há muito, reconstruíram os seus TEMPLOS; os EPOPTAE, o seu templo “inferior”, e os Mistos, o seu templo “superior”, pois tais eram os nomes com os quais eram irrespeitosamente designados em certas regiões, tanto na antiguidade, como em nossos dias. Sófocles fala, em ELECTRA, (acto II) sobre os fundamentos de Atenas – o lugar dos Mistérios de Elêusis – como sendo “edifício sagrado dos Deuses”, isto é, construído pelos Deuses. A iniciação era descrita como um “passeio do Templo”, e a “purificação’ ou “reconstrução do Templo” se referia ao corpo do Iniciado na sua última e suprema prova. (Ver o Evangelho de São João, II: 19). A doutrina exotérica era algumas vezes designada sob o nome de “templo”, e a religião popular exotérica pelo nome de “cidade”. CONSTRUIR UM TEMPLO significava fundar uma escola exotérica; CONSTRUIR “UM TEMPLO NA CIDADE” se referia ao estabelecimento de um culto público. Por conseguinte, os verdadeiros sobreviventes dos Maçons são esses do Templo INFERIOR, ou a Cripta, lugar sagrado da iniciação; sãos únicos guardiães dos verdadeiros segredos maçónicos perdidos agora para o mundo.

De bom grado concedemos à fraternidade moderna dos Maçons o título de “construtores” do “TEMPLO SUPERIOR”, apesar da superioridade do adjectivo dado a priori ser tão ilusória como a chama da sarça de Moisés nas Lojas dos Templários.

Helena Petrovna Blavatsky

(continua)

Notas

[7] Como um dos mais preciosos tesouros da tradicional Inglaterra, vê-se na figura a famosíssima “LIA-FAIL” ou PEDRA DA COROAÇÃO. Esta Pedra Sagrada, que serviu de assento ao Trono onde são coroados os Monarcas ingleses, permaneceu por séculos na Abadia de Westminster, em Londres, tendo sido há poucos anos levada para a Escócia, que a reivindicava ardorosamente. A pedra actual, ao que tudo indica, é uma réplica da verdadeira, depois que esta foi “roubada” há alguns anos atrás, deixando “ladrão” uma enigmática sigla gravada a canivete na madeira do trono… A Pedra da Coroação é uma Pedra rectangular, de cor avermelhada, e acerca da qual existem inúmeras e estranhas lendas. Os escoceses sempre a reivindicaram a posse dessa misteriosa pedra, durante o tempo que permaneceu na Inglaterra. Quando do seu desaparecimento acima referido, foram os mesmos acusados como sendo causadores do rumoroso “rapto”… A origem da “LIA-FAIL”, no entanto, se perde na noite dos tempos, sendo objecto de veneração e orgulho nacional, tanto para os ingleses, como para os escoceses. Sabe- se, entretanto, que o rei Eduardo I, da Inglaterra, nas suas conquistas, a retirou do mosteiro de SCONE, levando-a para a Abadia de Westminster. O Trono da Coroação, na Abadia de Westminster, em Londres, foi feito de carvalho, por Eduardo I, para incrustar a pedra da coroação. A partir dessa época, os escoceses nunca cessaram de lutar pela sua reconquista, pois, para eles, a Pedra representa o que de mais sagrado existe para a sua pátria ultrajada. Recentemente, conseguiram o seu intento. Por outro lado, para a tradição cristã, a famosa Pedra serviu de cabeceira ao Patriarca Jacó. Segundo outros, no entanto, a Pedra foi trazida por Moisés, quando da sua fuga do Egipto, libertando povo hebreu do cativeiro. Daí a origem do nome “LAPIS FARAONI” com que a mesma Pedra é também designada. Consta que Haitebeques, casado com Scot, filha do faraó, saiu em busca da mesma e, apoderando-se dela, atravessou todo Norte da África, chegando à Europa. Na Galícia, fundou o reino, a cuja capital deu o nome de “Brigatium”. Em louvor à Pedra, transformou-a em trono. A partir daí, todos os monarcas, os seus descendentes, passaram a ser entronizados sob a égide da miraculosa “Pedra da Coroação”. Um dos descendentes remotos de Haitebeques, ao colonizar a Irlanda, mandou, juntamente com o seu filho Simão Brec, a famosa Pedra, possibilitando, assim, a expansão do Reino. Segundo ainda outros autores, foi esta Pedra que deu origem à Ilha “Fail”, e era considerada como PEDRA FALANTE, pois sempre falava quando era preciso designar o rei. Foi também designada de “ANCORA VITAE”. Há ainda a lenda relacionada com a Pedra em questão, que transcrevemos aqui: “o pétreo pilar, no qual dormiu Jacob em Bethel, foi trazido ao Egipto; dali foi levado por Simon Breck para a Irlanda. Lá, na montanha sagrada de Tara, tornou-se “LIA FAIL”, a “Pedra do Destino”. Fergus, fundador da monarquia escocesa, levou-a através do mar para Dunstaffnage; Kenneth II removeu-a para Scone” – Nota do compilador, baseado em artigo adaptado de Roberto Lucíola (O Graal e as Pedras Sagradas)

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