DeMolay CEH – 6 – Perdão do Papa aos Templários

Arquivo do Vaticano mostra que papa perdoou Cavaleiros massacrados

Vieram à luz documentos do Vaticano mostrando que o massacre em massa dos Cavaleiros Templários na Idade Média com alegação de “heresia, idolatria e perversão sexual” – um episódio ainda envolvido em mistério – aconteceu apesar do Papa tê-los absolvido em um julgamento secreto. A revelação aumentará a pressão sobre o Papa actual, que já pediu ao perdão ao mundo Muçulmano pelas Cruzadas, para que também peça desculpas pela perseguição a uma das principais ordens dos Cruzados. Os Templários, cujo poder e fortuna legendários ainda causam fascinação, foram dispersos pelo Papa Clemente V durante o Concílio de Viena, na França, em 1312. O diário Católico L’Avvenire disse que se pensava que a linha de investigação do Papa havia sido perdida quando Napoleão saqueou o Vaticano durante sua invasão da Itália no século 18, e que a descoberta dessa linha é um evento excepcional.

O Grão-Mestre dos Templários, Jacques de Molay, foi queimado em uma fogueira por ordem de Felipe IV de França (conhecido como Felipe o Belo), que cobiçava as terras e os tesouros da ordem Templária e iniciara uma campanha de prisões e tortura, ao crepúsculo, em 1307. Foram mortos pelo menos 2000 Cavaleiros em uma tentativa de eliminar a ordem como um todo. A ordem renasceu no século 18 como parte do movimento maçónico, do qual se diz haver herdado alguns dos rituais secretos dos Templários. Barbara Frale, pesquisadora da Escola de Paleontologia do Vaticano, afirmou que era consenso entre os historiadores que Clemente V, que era francês e havia sido Arcebispo de Bordeaux, tinha sido dócil e fraco, e que foi conivente com o plano de Felipe o Belo para fazer desaparecer os Templários e apoderar-se de sua fortuna. Porém, documentos encontrados nos arquivos do Vaticano, incluindo um pergaminho há muito tempo perdido, provou que o Papa, na verdade, manobrou com “habilidade e determinação” para assegurar que seus próprios emissários interrogassem de Molay e outros Templários nas masmorras do castelo de Chinon, no Loire, em 1308, o que equivaleu a um julgamento papal.

A senhora Frale, que estava escrevendo um livro baseado no pergaminho de Chinon, disse ao periódico (mensal) Hera, uma publicação sobre mistérios históricos, que o resultado foi a exoneração completa dos Cavaleiros. O Papa havia aceito a explicação dos Cavaleiros de que as acusações de que eram alvos, de sodomia e blasfémia, erma devidas à compreensão errada dos rituais arcanos atrás de portas fechadas, e que tiveram suas origens na batalha mais amarga dos Cruzados contra os Muçulmanos ou Sarracenos. As acusações incluíam “negar Cristo e cuspir na Cruz por três vezes”, assim como “beijar os traseiros de outros homens”. Adriano Forgione, editor de Hera, disse que as acusações visavam simular o tipo de humilhação e tortura que os Sarracenos poderiam, quase que certamente, impingir aos Cruzados caso os capturassem. Eles eram treinados a injuriar suas próprias religiões “com a mente apenas, não com o coração”.

Os Cavaleiros Templários – adequadamente chamados de Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão – tiveram a Ordem fundada no século 12, quando protegiam peregrinos a caminho da Terra Santa, e tinham a ajuda dos Hospitalários (ou Cavaleiros de São João). Os Templários eram assim chamados porque uma parte do Templo de Salomão lhes tinha sido dada para servir de quartel-general. Percebendo que de Molay e os Cavaleiros haviam pedido seu perdão, o Papa escreveu “Pela presente decretamos que eles estão absolvidos pela igreja e podem, novamente, receber os sacramentos”. O senhor Forgione disse que o Papa havia falhado por não ter tornado a absolvição pública, porque o escândalo dos Templários provocou paixões extremas e ele temeu um cisma na igreja. Felipe IV fez matar de Molay e outros líderes antes que o veredicto do Papa pudesse ser publicado e, subsequentemente, o veredicto tornou-se inútil.

POR RICHARD OWEN, The Times, ROMA, em 30 de Março de 2002

 

Partilhe este Artigo:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *