Maçonaria e a condição dos seus praticantes no universo católico

A Franco-maçonaria

Mesmo conhecendo a dificuldade de se definir uma fraternidade universal, pode-se generalizá-la, no entanto, como sendo uma sociedade de cunho iniciático:

“de carácter fraternal, possuidora de uma organização baseada em rituais e símbolos na qual o segredo ocupa papel fundamental. É uma instituição que foi e permanece sendo acessível principalmente ao sexo masculino e que tem por objectivos o aperfeiçoamento intelectual da sociedade, dos seus filiados e a promoção da acção filantrópica interna e externa; caracteriza-se por não orientar política e religiosamente os seus membros”. [1]

Um candidato a maçon não precisa necessariamente de se desligar da sua religião, pois a condição primordial para que este seja aceite como membro da fraternidade, é a não negação da existência de um Deus, além de ter boa reputação e a moral íntegra. Pois a fraternidade proclama a existência de um príncipe criador, denominando-o como o Grande Arquitecto do Universo.

Todo pensamento maçónico deve ser criador, filantrópico, e visando o bem comum. Alguns dos princípios da ordem são: buscar o crescimento do homem através do trabalho, proclamar a liberdade de consciência como um sagrado direito do homem, não impor limite à investigação da Verdade, condenar o despotismo, cultivar a Pátria e a família, exigindo-lhes respeito absoluto. Exalta a completa tolerância e rejeita todas as afirmações de dogmas e todo o fanatismo.

José Castellani afirma que entende a maçonaria como

uma instituição eminentemente política, actuando dentro de padrões éticos, consubstanciados na própria essência sociológica da política, no sentido da manutenção das grandes conquistas sociais da Humanidade e da defesa do liberalismo e das ideias libertárias”. [2]

Os seus membros dividem-se em três graus simbólicos de hierarquia, que são: Aprendiz, Companheiro e Mestre. Compreendendo 33 graus, do aprendiz (1º Grau) ao “Soberano Grande Inspector Geral” (33°) segundo o Rito Escocês Antigo e Aceito, o mais praticado no mundo.

Um indivíduo pode ingressar na maçonaria através de um convite feito oficialmente pelo padrinho, um maçon já estabelecido, de qualquer grau. É consultada a família e amigos próximos do candidato, onde através de longas conversas é perguntado tudo sobre a sua vida particular, até envolvimentos políticos e gostos pessoais. Por exemplo, se o candidato é casado e a sua esposa não aprova o ingresso, o processo é interrompido e não passa à fase seguinte. Depois de serem levantados todos os dados, é realizada uma votação secreta onde, aqueles que tenham algo contra o ingresso do candidato, expressam a sua opinião. Somente depois de alcançada a unanimidade é que se passará para a próxima etapa: a cerimónia de iniciação, onde o iniciado é recebido com uma venda nos olhos e submetido às provas da terra, da água, do vento e do fogo, antes de morrer simbolicamente e renascer franco-maçon: é então aprendiz.

(Nota do Editor: Este processo varia segundo a Obediência)

A realização dos encontros dá-se em locais denominados Lojas Maçónicas de endereços públicos e a agenda de encontros, normalmente, é estampada num mural que se encontra na fachada. Cada Loja é livre para seguir um dos vários Ritos Maçónicos existentes. O que todos têm em comum é apenas o uso dos três graus simbólicos. Os assuntos directamente políticos ou religiosos são evitados em benefício de uma conduta maçónica.

Origens: das lendas antigas aos factos modernos

A origem da palavra “maçon” vem etimologicamente do latim e traduzida do francês, que quer dizer, “pedreiro”.

O texto bíblico (II Crónicas 2.18 e Reis 5.15 e 16) conta-nos que o rei Salomão não conseguiu mão de obra qualificada em Israel para a construção do seu templo. Hiram Abiff assumiu o comando de obras e recrutou cerca de 153.600 trabalhadores, mas tendo em vista as diferentes aptidões e responsabilidades que iriam assumir na construção, Hiram dividiu-os em três categorias: os aprendizes, os companheiros e os mestres. Como a maioria dos trabalhadores era analfabeta, as comunicações entre eles eram feitas por meio de sinais, toques e palavras.

Segundo Sérgio Pereira Couto, “a estrutura de Hiram foi logo copiada noutros países e começou a originar outras associações em terras distantes, como o Oriente. De lá seguiu para o Ocidente onde, na Europa, ressurgiu sob o aspecto da franco-maçonaria”. [3]

Hiram tinha o hábito de percorrer todos os dias o seu canteiro de obras e um dia foi surpreendido por três companheiros que procuraram arrancar-lhe os segredos do domínio. Diante da sua recusa, mataram-no e enterraram o seu corpo. Desde então, parou-se a construção do templo que até hoje permanece inacabado. Supõe-se que os maçons fazendo alusão aos antigos pedreiros devam trabalhar constantemente para o seu acabamento.

Já a Maçonaria como instituição associativa deu os seus primeiros passos em 1356, quando um grupo de pedreiros se dirigiu ao prefeito de Londres, e solicitou o registro da Associação de Pedreiros Livres. Oficialmente registada e devidamente autorizada, os seus membros passaram a ter certos direitos e vantagens, tais como: Trânsito Livre, ou seja, liberdade de viajar; Liberdade de reunião; e a Isenção de impostos.

No entanto, a maçonaria como Fraternidade conhecida nos dias actuais é recente. Ela emerge no século XVII numa Inglaterra devastada por guerras de religiões, berço do cisma provocado por Henrique VIII que reagiu contra o Vaticano. A Fraternidade abandonou a sua origem ligada às velhas confrarias de pedreiros da época medieval e os novos maçons fundam uma franco-maçonaria não mais operativa, mas especulativa, baseada em valores de humanismo, de tolerância e de fraternidade.

É nesse contexto que homens livres e tolerantes fundam espaços de diálogo amplos, abertos. Os novos membros maçons empregam o vocabulário de uso das antigas corporações, que antigamente sabiam cortar a pedra tenra, chamada de Free Stone; eram denominados os “Free Stone masons” ou “freemasons”, os “franco-maçons”.

Oficialmente, o acto que fundou da franco-maçonaria moderna data de 1717, quando quatro lojas inglesas decidem fundar uma Grande Loja da Inglaterra que confedera todas as lojas do Reino Inglês. Grande parte dos historiadores concorda que tal Loja era

“uma espécie de escola de formação humana de carácter cosmopolita e secreto, reunindo homens de diferentes raças, religiões e línguas, com o objectivo de alcançar a perfeição por meio do simbolismo de natureza mística e/ou racional, da filantropia e da educação” [4]

Augustin Barruel

Os homens que integravam a Maçonaria neste período eram na sua maioria, protestantes, livres pensadores, capazes de contestar os dogmas e o poder que a Igreja exercia sobre o povo. Ela representava um tipo de organização particular à nova sociedade civil. Nas lojas maçónicas e através delas, a burguesia articulava uma forma social própria, vivendo de acordo com as suas “próprias” leis. Nesse contexto, as lojas maçónicas transformaram-se em terreno propício à discussão e divulgação do ideário do iluminismo. O padre Augustin Barruel, antigo franco-maçon, curiosamente, chega a afirmar que a própria Revolução francesa foi resultado de um complô maçónico.

O Brasil importa idéias

O iluminismo português, por mais que tenha sido considerado “acobardado”, possibilitou a formação intelectual de toda uma geração de estudantes brasileiros que, depois de passar pela Universidade de Coimbra, foram os principais responsáveis pela introdução das ideias iluministas no mundo colonial.

Além de receber estas novas ideias europeias, a sociedade brasileira do final do século XVIII e início do XIX recebeu, também, o ideário maçónico e a sua ordem que se transformou no principal veículo de divulgação desse novo pensamento iluminista e, portanto, logo assumiu um carácter nitidamente anti metropolitano, ou seja, envolvido nas articulações de emancipação política da Colónia. Isso significa dizer que a luta pela emancipação esteve ligada à expansão das ideias liberais e da própria maçonaria.

O historiador maçon José Castellani na sua clássica obra História do Grande Oriente do Brasil originalmente publicada em 1993, aborda a trajectória da maçonaria brasileira nos séculos XIX e parte do XX. No ano de 2009 foi reeditada incluindo uma segunda parte, escrita pelo também maçon William Almeida de Carvalho, que trata da história recente do Grande Oriente do Brasil (GOB). A obra pode ser considerada um dos trabalhos mais completos publicados a respeito da maçonaria no Brasil e a sua actuação em importantes acontecimentos políticos e sociais, como a Independência do Brasil (1822), Abolição da Escravatura (1888) e a Proclamação da República (1889). Reinhart Koselleck, Alexandre Mansur Barata e Eliane Lucia Colussi também possuem renomados trabalhos sobre o assunto.

“Aqui tudo é segredo”

O motivo do assassinato de Hiram é um mistério até os dias de hoje, mas envolveria segredos de engenharia guardados por ele e uma disputa por promoções de cargo. O facto é que Hiram foi para o túmulo, mas não revelou o que sabia. Além de mártir, virou exemplo de bom comportamento maçónico.

O secreto cria um novo género de comunidade, onde o “mistério” é o cimento da fraternidade e uma forma de educação moral, forjada no compromisso fundamental de guardar segredo. Koselleck diz que a “função protectora do secreto se relaciona com a necessidade da maçonaria separar as esferas da moral e da política”. [5]

A principal função do secreto era dissimular as consequências políticas dos procedimentos morais de oposição ao Estado absoluto.

Mas existe também o lado conspiratório da maçonaria. Em 1885, um antigo franco-maçon chamado Léo Taxil, anticlerical recém convertido ao catolicismo, publica revelações estrondosas. No seu livro les Les Freres Trois Points“, sustenta que a “maçonaria é essencialmente satânica, que o demónio em pessoa presidiria certas reuniões enquanto os maçons se entregariam a missas negras…”. [6] A obra teve grande repercussão visto que a maçonaria sempre foi acusada por muitos de satanismo. Porém, a questão muda bruscamente de direcção quando o autor revela, três anos depois, que os seus escritos simplesmente não passavam de uma farsa. De nada adianta, as acusações persistem.

Casanova já observava no século XVIII que “o segredo da maçonaria é inviolável por natureza, porquanto o maçon […] não o aprendeu de ninguém. Ele descobriu-o de tanto ir à loja, de tanto observar, raciocinar e deduzir”. [7]

“Alguns símbolos maçons”

Grande parte da simbologia maçónica provém dos instrumentos de trabalho dos antigos pedreiros. Assim, o esquadro e o compasso estão presentes em toda a parte: o primeiro é associado à rectidão moral, enquanto que o segundo se refere à medida qua todo maçon deve adoptar no seu comportamento. A colher de pedreiro, o prumo, e o nível completam este quadro de utensílios operativos. As duas colunas que ornam a entrada das lojas, remetem ao Templo de Salomão, enquanto que o tecto, pintado de azul, sublinha o seu acabamento e estimula cada maçon a trabalhar em si próprio como se fosse uma pedra no edifício da fraternidade humana. Outros símbolos aparecem: o sol e a lua, o triângulo, cuja forma convida a ultrapassar os contrários. O olho, faz referência ao conhecimento e às vezes ao Grande Arquitecto do Universo, príncipe organizador do mundo, ao qual alguns maçons conferem o nome de Deus.

“Luz x sombras”

A Maçonaria, pode-se dizer que nasceu na Igreja Católica. Como construtores que eram, os maçons passavam longo tempo a construir catedrais e mosteiros. Estes pedreiros, homens simples, ignorantes e rudes, recebiam, principalmente dos dominicanos, com quem viviam em estreito relacionamento, instrução e evangelização. Além de ler e escrever, aprendiam a dar graças, a caridade e os princípios morais do cristianismo.

Porém, já era de se esperar que todo o mistério que envolve a maçonaria, mais tarde, resultaria em desconfiança por parte de governos e da Igreja Católica, que muitas vezes entrou em choque directo com a fraternidade.

Apesar das perseguições, a Fraternidade difundiu-se por toda a Europa e pelo continente americano ao qual os intelectuais e os nobres aderiram. Porém, esta expansão não ocorreu de modo uniforme, sendo menos intensa nas regiões onde o poder de perseguição da Igreja Católica era incontestável, como em Portugal, em Espanha e na Itália.

No dia 28 de Abril de 1738, duas décadas após a formação da Grande Loja de Londres, o papa Clemente XII, na sua carta apostólica In Eminenti Apostolatus Specula, instituiu a primeira condenação pontifícia da maçonaria, conhecida como Bula mãe.

Esta Bula acusa os maçons como suspeitos de heresia em função do segredo e do seu juramento “pois se os maçons não fizeram o mal, não teriam esse ódio à luz”. [8]

Esta condenava não só os maçons à excomunhão, como também a todos aqueles que promovessem ou defendessem a causa maçónica. O mesmo foi feito em 1751 por Bento XIV, com a constituição apostólica Providas.

Um dos Papas que mais se destacou na campanha católica contra a Maçonaria, foi Pio IX (1846-1878) e depois o seu sucessor Leão XIII (1878-1903). Durante o seu mandato, Pio IX emitiu 116 documentos com ataques e condenações às sociedades secretas. No entanto, curiosamente em 1823 foi iniciado numa loja maçónica em Santiago do Chile. Há quem alegue que o seu intuito de ingressar na Maçonaria teria sido o de conhecer mais de perto o inimigo da fé.

Estes diversos decretos contra a maçonaria, estão presentes no Codex Juris Canónico que formam o conjunto de leis que consolidam o direito dentro da Igreja. De todos eles os mais fortes e conhecidos são os números 2335 e 2336 que castigam com a excomunhão as seitas maçónicas que maquinam contra a Igreja:

2335 – Os que dão o seu nome à seita maçónica ou outras associações do mesmo género, que maquinam contra a Igreja ou contra as potências cíveis legítimas, incorrem imediatamente do acto, em excomunhão simplesmente reservada à Sede Apostólica.

2336 – Os clérigos e os religiosos que dão o seu nome à seita maçónica ou a outras associações semelhantes, devem também ser denunciados à Sagrada Congregação do Santo Ofício. [9]

As acções da Igreja Católica intensificaram-se no sentido de combater a expansão do liberalismo, do racionalismo e dos seus impactos nos campos religiosos, filosófico e político. Este combate ao mundo moderno ficou conhecido como ultramontanismo, que além de condenar o protestantismo, voltava-se contra a Maçonaria, considerada como a principal responsável pela perda dos Estados Pontifícios. No entanto, a maçonaria era incumbida de promover a indústria e a lavoura, educar o povo, fazer a cidade progredir expandindo enfim “as luzes”. Expandir as luzes significava também combater a escravidão e o ultramontanismo, o principal entrave ao desenvolvimento.

O ultramontanismo do século XIX colocou-se contra uma série de coisas que eram consideradas erradas e perigosas para a Igreja. Entre estes “perigos” estavam o galicanismo, o jansenismo, todos os tipos de liberalismo, o protestantismo, a maçonaria, o deísmo, o racionalismo, o socialismo e certas medidas liberais propostas pelo estado, tais como a liberdade de religião, o casamento civil, a liberdade de imprensa e outras.

Fiéis maçons

Normalmente, os candidatos têm a ideia que é a Maçonaria que combate a Igreja e não o contrário. No Brasil, durante a investigação que é feita a um candidato inclui-se a afirmação de que “alguns sectores religiosos condenam à Maçonaria” e pergunta-se ao candidato se ele sabe disso. Invariavelmente o inquiridor vê-se confrontado com uma série de perguntas, querendo conhecer os motivos que poderia ter a Igreja para condenar a Maçonaria e de que forma o maçon poderia ser prejudicado com esta condenação.

Em Novembro de 1973 foram iniciadas conversações entre representantes da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e da Confederação Maçónica do Brasil para estudar as doutrinas católica e maçónica. A iniciativa surgiu em 1971 através de Dom José Ivo Lorscheiter, então Secretário Geral da CNBB. Desde o seu início, a primeira reunião de facto aconteceu em 1993, os encontros anuais têm sido realizados em Porto Alegre (RS) e as discussões são sobre temas sobre os quais possam existir possíveis “divergências doutrinárias” entre as duas instituições.

Dois pontos principais têm sido questionados pela Igreja como posição de reserva em relação à Maçonaria:

  1. Os ritos simbólicos, centrando tudo no ser humano, reconhecem ainda a “Revelação Cristã”? Ou que espaço deixam à “Revelação Cristã”, que os católicos reconhecem e aceitam?
  2. A procura racional da verdade, a moral autónoma, deixam espaço para a graça e a salvação em Cristo?

Embora não tenha se manifestado a favor ou contra, o Vaticano está informado sobre os encontros, que continuam a ser realizados em Porto Alegre, e manifestou que o assunto é de responsabilidade das autoridades religiosas brasileiras. Tal documentação vai sendo arquivada numa pasta denominada “Assuntos da Maçonaria”.

Em 1984 aparece um novo Código de Leis Canónicas, a “Sacrae Disciplinaes Legis“, caindo a quantidade total de artigos de 2412 para 1728. Este novo Código expurga a excomunhão aos maçons mas, a Sacra-Congretatio Fidelis, através do seu Prefeito, Cardeal Ratzinger (nota do editor: futuro Papa Bento XVI) esclarece que “os fiéis que pertencem as associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da sagrada comunhão“. [10]

O Brasil é o país onde mais têm acontecido a maior quantidade de encontros de bom relacionamento entre a Igreja e a Maçonaria, pois são inúmeras as vezes que palestrantes convidados por Lojas Maçónicas no país todo, têm sido prelados da Igreja, demonstrando que a maçonaria brasileira é essencialmente cristã.

Em 1968, sempre sobre o Cânone 2335, o Grão Mestre da Grande Loja Unida da Alemanha, Theodor Vogel, entra em contacto com o Cardeal de Viena, Franz Koening, e deste diálogo surge uma Comissão formada por maçons e autoridades eclesiásticas que tem várias reuniões. No final destas reuniões é divulgada a Declaração de Lichtenau, em 5 de Julho de 1970, que advogava o fim da controvérsia, ao referir que as Bulas referentes à Maçonaria tão-somente têm interesse histórico, não fazendo sentido nos tempos actuais e que a Lei Canónica se torna impossível para uma Igreja que ensina a amar seus semelhantes.

Considerações finais

Não pretendo esgotar, com a presente pesquisa, um assunto presumidamente inesgotável, deixando campo aberto para outras, mais abrangentes e específicas. Portanto, exponho, de forma sintética, a história da fraternidade maçónica e, contrariando alguns historiadores que julgam a maçonaria uma instituição inexpressiva, problematizo a acção de tal instituição, no universo político, religioso, filosófico e ideológico. Também do seu confronto directo com a Igreja Católica ultramontana que julgava a maçonaria como inimigo número um da Igreja.

E entre o final do Império e o início da República, Os maçons brasileiros assumiram um carácter predominantemente anti metropolitano. Nesse sentido, como pude encontrar, a historiografia afirma o profundo vínculo entre a maçonaria e a emancipação política do Brasil. Busquei também expôr a importância que tal associação tem no mundo actual, sendo objecto de estudo e curiosidade de muitos.

Portanto, as lojas maçónicas podem ser consideradas como um verdadeiro embrião da modernidade política, por incentivarem, sob o manto protector do segredo, práticas como o debate, a crítica e o sufrágio.

Nesse sentido, compreendendo os limites do meu texto, e parafraseando o próprio José Castellani, que afirmou:

Outras obras virão. Outros autores. A aprofundar a análise dos factos antigos e a relatar os novos. Porque a história não pára! [11]

Natália Saque Ribeiro
Graduanda do 2° ano do curso de História e aluna regular do Núcleo de Pesquisa em História das Religiões – NPHR da Universidade Estadual do Norte do Paraná – Campus Jacarezinho-PR / CCHE / CLCA.

Notas

  • [1] COLUSSI, Eliane Lucia. A maçonaria gaúcha do século XIX; 3 ed. Rio Grande do Sul: UPF, 2003. 575 p.
  • [2] CASTELLANI Apud SILVA, 2010. p. 96.
  • [3] COUTO, Sérgio Pereira. Maçonaria. São Paulo: Universo dos Livros, 2005. p 8.
  • [4] BENIMELI, José A. Ferrer. Arquivos secretos do Vaticano e a Franco-Maçonaria. Curitiba: Livraria Pingo de Ouro, 2008.
  • [5] KOSELLECK Apud BARATA, Alexandre Mansur. A maçonaria e a ilustração brasileira. Revista Brasileira de História da Educação. N°. 5, p. 169-176, Jan. – Jun./2003. Campinas: Editora Autores Associados.
  • [6] Nas lojas da franco-maçonaria. Revista Sociedades Secretas. Vol. 2. p. 113, 2008. São Paulo: Larousse.
  • [7] Ibid, p. 116.
  • [8] CARTES, Omar. A maçonaria e a Igreja Católica. Out 2008. Disponível em: http://www.rlmad.net/index.php?option=com_content&task=view&id=231. Acessado em: 7 jul. 2010.
  • [9]  Id.
  • [10] Idem.
  • [11] CASTELLANI Apud SILVA, 2010. p. 98.

Um Comentário em “Maçonaria e a condição dos seus praticantes no universo católico

  • «Normalmente, os candidatos têm a ideia que é a Maçonaria que combate a Igreja e não o contrário. No Brasil, durante a investigação que é feita a um candidato inclui-se a afirmação de que “alguns sectores religiosos condenam à Maçonaria” e pergunta-se ao candidato se ele sabe disso. Invariavelmente o inquiridor [?] vê-se confrontado com uma série de perguntas, querendo [quem, o inquirido ou o inquiridor?] conhecer os motivos que poderia ter a Igreja para condenar a Maçonaria e de que forma o maçon poderia ser prejudicado com esta condenação.»

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