Maçonaria e Igreja Católica – Uma relação conturbada

MM:. QQ:. II:., em todos os Vossos graus e qualidades,

Confesso que o tema me seduz e porque me impele a fazer algo que sempre me atraiu, isto é, pesquisar, analisar, perscrutar, mas a tentação por abordar hoje este tema deriva da sua actualidade, não obstante a longa história atribulada das relações Igreja com a Maçonaria, que dura há, pelo menos, três séculos.

Às dissonâncias a Igreja respondeu, invariavelmente, com várias condenações, com penas de excomunhão para os católicos que aderiram à Maçonaria e com intervenções públicas de altos dignitários da Igreja reprovando, de forma expressa e clara a Maçonaria.

Podemos situar o início das hostilidades em 1356, em Londres, quando foi registada a primeira Associação de Pedreiros Livres.

Com o seu registo, os membros da associação passaram a ter um conjunto de direitos importantes àquela época, como e.g. a liberdade de reunião, que naquele tempo era proibida, devido ao receio da proliferação de conspirações e tramas contra os poderes instituídos, como o da Igreja católica, e também a liberdade para viajar, algo que também estava fortemente condicionado.

Com liberdade de reunião e de circulação, a partilha do saber intensificava-se e, consequentemente, a iliteracia e a insciência diminuíam.

A história começava a mudar!

E a mudança sempre foi algo que a Igreja católica, dogmática e conservadora, não aceitava, exercendo um controlo do livre pensamento e da livre aprendizagem. Não obstante, até aqui a Maçonaria não incomodava e nem era incomodada, era uma Maçonaria operativa.

A grande mudança ocorre em 1717, com o surgimento da Maçonaria especulativa e com a fundação da Grande Loja de Londres, surgindo em 1723 as Constituições de Anderson, hoje por hoje ainda a grande referência dos Maçons.

Com o surgimento da Maçonaria especulativa, a sua expansão tornou-se inevitável (Holanda em 1731, a França e Florença em 1732, Milão e Genebra em 1736 e a Alemanha em 1737).

Na prossecução dos seus ditames, convicções e princípios, a Maçonaria começou a incomodar os poderes instalados, que não viam com bons olhos, quer o facto de os seus membros se associarem, quer o facto de promoverem o segredo, pedra angular da Maçonaria.

Começaram as conspirações junto dos governantes por parte, e sobretudo, do papado, alegando a laicidade da Maçonaria e o segredo que esta promovia.

O segredo foi, desde sempre, um grande incómodo para a Igreja, que conspirava junto dos poderes instituídos, levantando a bandeira que a Maçonaria, a coberto do segredo, planeava e engendrava tramas para derrubar o poder instalado.

Clemente XII, um Papa enfraquecido, doente, constantemente acamado e totalmente cego havia seis anos, tornou-se presa fácil para aqueles que o rodeavam.

Perante enorme pressão, o Papa assinou, em 28 de Abril de 1738, a Bula In Eminenti, selando assim o destino da Maçonaria em geral e dos maçons católicos em especial para a Igreja Católica.

Houve, essencialmente, três grandes razões para que o Papa promulgasse a excomunhão para quem fosse Maçon:

  • De índole teológica, porque a Igreja não admitia a laicidade;
  • De índole moral, uma vez que a Igreja entendia que a honradez maçónica era apenas aparente, dado que o segredo encobria perversão e maldade;
  • De índole política, tendo em conta que a Maçonaria tinha sido proscrita por colocar em causa a segurança dos reinos e por não estar em harmonia com as leis civis e canónicas [1].

Em Portugal, o edital de 28 de Setembro de 1738 vem exigir que os católicos residentes em Portugal denunciassem ao Santo Ofício a existência de assembleias maçónicas. Além disso, estabelecia a proibição da participação dos católicos nas referidas assembleias, instando bispos, prelados superiores e inquisidores a identificarem os transgressores [2]. Não obstante esta investida católica, a verdade é que há registos de padres na Maçonaria na primeira metade do século XVIII.

O caso mais conhecido remonta a 1733, com a fundação da Casa Real dos Pedreiros-Livres da Lusitânia, por iniciativa de George Gordon, sendo depois encerrada com a publicação da bula papal em 1738 [3]. A perseguição inicia-se em 1743, com o julgamento em autos de fé de vinte e dois homens e onze mulheres da loja do britânico John Coustos, que abateu colunas em 1755 [4].

No entanto, o documento de Clemente XII não era esclarecedor, pelo que, o Papa Bento XIV, em 18 de Maio de 1751, publicou a Bula Providas Romanorum Pontificum [5], na qual se enumeram seis razões para a condenação, das quais destaco:

  • Em tais sociedades e assembleias secretas estão filiados indistintamente homens de todos os credos, daí ser evidente a resultante de um grande perigo para a pureza da religião católica;
  • A obrigação estrita do segredo indevassável, pelo qual se oculta tudo que se passa nas assembleias secretas;
  • O juramento pelo qual os maçons se comprometem a guardar inviolável segredo, como se fosse permitido a qualquer um apoiar-se numa promessa ou juramento com o fito de furtar-se a prestar declarações ao legítimo poder;
  • Tais sociedades e agremiações são reprovadas por homens prudentes e honestos;
  • Em muitos países as ditas sociedades e agremiações foram proscritas e eliminadas por leis de príncipes

Como era perceptível, a excomunhão era o castigo; imposta e divulgada que foi a Bula, alastraram-se as proibições.

Não obstante, em França o Parlamento não a aprovou e por isso não foi promulgada. Sendo assim, em França, oficialmente, a Bula não entrou em vigor. Aliás, a França sempre foi uma forte opositora às directrizes da Igreja [6].

Em Portugal, em Julho de 1806 foi votada a primeira Constituição maçónica portuguesa, de 199 artigos [7].

Os ideais da Maçonaria levam a que muitos maçons se envolvam nas lutas liberais do século XIX, criando-se um grupo conspirador conhecido por “Sinédrio[8].

A revolução liberal de 1820 consagra a Maçonaria e o liberalismo hostis à Igreja e ao clero.

Com a vitória dos liberais, a Igreja foi caindo em descrédito e criou-se um ambiente anticlerical, despojando a Igreja de muitos dos seus bens, com a colaboração de alguns membros do próprio clero comprometidos nas lojas maçónicas. O Clero perde o prestígio social que tinha granjeado durante séculos e é alvo de escárnio e de anedotas e a oposição à organização hierárquica da Igreja e aos padres acentua-se [9] [10].

Aliás, no século XIX, são inúmeros os casos de membros do alto clero, que aderiram à Maçonaria. Entre nós, o caso mais emblemático é o do Bispo de Viseu, D. João Alves Martins (1862-1882) [9] [10] [11].

Como o movimento liberal estava enfraquecido pelas suas guerras intestinas, uma contra-revolução liberal em 1823 restabelece o absolutismo e com ele novamente a Maçonaria é condenada.

Uma pastoral do cardeal Sousa, arcebispo de Lisboa, foi o suficiente para o assassinato de dezassete maçons. Foram também várias as investidas contra a Maçonaria por parte de vários prelados da Igreja e seguindo a ordem do Grão­-Mestre, as lojas foram fechadas, ficando a actividade limitada à Ilha Terceira, que se manteve fiel à Constituição que foi outorgada por D. Pedro. Acentuou­-se a emigração de liberais e maçons para Inglaterra e França, ficando apenas aqueles que não podiam soltar-se das garras da polícia e dos miguelistas [12].

Ao mesmo tempo, outro fenómeno europeu começava a ameaçar a estabilidade da Igreja.

A Itália dos finais do século XVIII e século XIX estava desunificada, era uma verdadeira “manta de retalhos”, constituída por estados, dentre eles os Estados Pontifícios, “conquistados” pelo clero há cerca de 1.000 anos, que correspondiam a cerca de 13,6% do total da Itália (mais ou menos 41.000 Km2) e que pertenciam ao clero e estavam localizados no centro de Itália. A constituição administrativa era católica, todo o delito eclesiástico era castigado como delito político, e vice-versa. Infringir a religião era infringir a lei. A população dos Estados Pontifícios não tinha acesso a nenhum cargo público, absorvidos na totalidade pelo clero. Todos os funcionários públicos usavam o hábito.

Os maçons eram perseguidos, mortos e torturados até à morte.

A inquisição, encarregada de executar as ordens papais torturou, matou e queimou inúmeros maçons e, naturalmente, pessoas inocentes, que eram confundidas com maçons. O inconformismo e os movimentos de libertação começam em 1767, com a expulsão dos jesuítas de Nápoles.

Em 1797, é fundada a Carbonária, seita de carácter político independente da Maçonaria, que tinha como objectivo principal a Unificação da Itália.

Em 1800, foi eleito Pio VII, e surge Napoleão Bonaparte (ao que parece, também ele iniciado), que conquistou Roma, proclamando o fim do poder temporal do Papa mantendo-o preso no castelo de Fontainebleau. Em Portugal, a coroa fugiu para o Brasil em 1808.

Com a queda de Napoleão em 1815, Pio VII só viria a recuperar parte das suas possessões, lançando a Bula Ecclesiam a Jesus Christo condenando a actividade dos carbonários. A Carbonária tornou-se perigosa e prejudicial à Maçonaria, porque os Carbonários tinham os seus aprendizes, mestres, grão-mestres, oradores, secretários, sinais, toques, palavras, juramentos e, claro, segredos, ou seja, havia uma clara confusão entre o que eram as duas organizações, devido ao desconhecimento do que era a nossa Augusta Ordem.

Além disso, os principais líderes Carbonários à época eram maçons (Cavour, Mazzini e Garibaldi). No entanto, havia grandes diferenças entre as duas organizações, pela origem, finalidade e actividades. Por exemplo, os carbonários matavam se fosse preciso (vide a título exemplificativo o regicídio em Portugal). Nos Estados Pontifícios provocaram grandes desordens. A insatisfação contra o clero, que não permitia que os leigos ocupassem cargos administrativos, era grande.

Em 1848, o Papa Pio IX é obrigado a refugiar-se em Nápoles, devido à revolução, e publica alguns meses depois a encíclica Quibus Quantisque, responsabilizando a Maçonaria pela usurpação dos Estados Pontifícios.

Em 1849, é proclamada por uma Assembleia, a República em Roma. Nesse momento, Pio IX publicou cerca de 226 condenações contra a Maçonaria. Ele e o seu sucessor, Leão XIII, emitiram cerca de seiscentos documentos de condenações.

Em 14 de Maio de 1861, Vítor Manoel é proclamado Rei da Itália Unificada.

A Unificação da Itália foi a “sentença de morte” para a Maçonaria por parte da Igreja.

O mundo já não era, definitivamente, o mesmo!

Com esta mudança, surgem vários movimentos libertários protagonizados por maçons, que culminaram na independência dos seus países (Estados Unidos, em 1783, França em 1789, Chile em 1812, Colômbia em 1821, Peru, Argentina e Brasil em 1822).

Quanto mais a Maçonaria intervinha de uma forma concreta, objectiva e abrangente, mais condenações recebia da Igreja.

A Igreja via o seu poder intervencionista cada vez mais reduzido e a Maçonaria era de facto uma verdadeira ameaça ao seu poder.

O dealbar aconteceu com a reunificação da Itália, processo que ainda hoje a Igreja não esquece.

Em 27 de Maio de 1917, é promulgado por Bento XV, o primeiro Código de Direito Canónico, também chamado de Pio Beneditino, onde se refere a Maçonaria da seguinte forma, no seu Cânone 2335:

Os que dão o seu próprio nome à seita maçónica ou a outras associações do mesmo género, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis incorrem Ipso Facto, na excomunhão simplificter reservada à Sé Apostólica.”

Recomendava noutros Cânones o seguinte:

“Que as católicas não se casassem com maçons; que seriam privados de sepultura eclesiástica; privados da missa de exéquias; não seriam admitidos em associações de fiéis; não poderiam ser padrinhos de casamento; não fariam a confirmação do baptismo (crisma); não teriam direito ao patronato, etc.” [13].

Proíbem-se sacramentos, como o baptismo, o crisma, a eucaristia, a penitência (confissão) o matrimónio, a ordenação sacerdotal e a unção dos enfermos.

A Maçonaria mantinha a sua discrição e tentava adaptar-se às novas realidades, por isso, preocupada com os seus irmãos católicos, cria o Ritual de adopção de Lowtons [14]., o Ritual de apadrinhamento, o Ritual de Pompas Fúnebres e o Ritual de confirmação de casamento [15].

Em 11 de Fevereiro de 1929, foi criado o Estado do Vaticano pela assinatura do Tratado de Latrão [16], onde o poder Papal ficava restrito ao Vaticano com 44.000 m2 (anteriormente tinha 41.000 km2) e Pio XI reconhecia a posse política de Roma e dos Estados Pontifícios e afirmava a sua permanente neutralidade política e diplomática, etc.

Com o Tratado de Latrão assinado, encerra-se o processo de Unificação da Itália. O ideal Carbonário fora conseguido e a Carbonária desaparece logo após a Unificação da Itália, tendo ficado o estigma da condenação.

Em 27 de Novembro de 1983, já sob a autoridade do Papa João Paulo II, foi publicado um novo Código de Direito Canónico, que entrou imediatamente em vigor, reduzindo para 1752 os 2414 Cânones do antigo código.

O Cânone mais importante, referente à Maçonaria, é o 1374: “Aquele que se afilia a uma Associação que conspira contra a Igreja deve ser punido com justa penalidade; e aqueles que promovem e dirigem estes tipos de Associações, entretanto, devem ser punidos com interdição“. Com isto, a Maçonaria está legalmente e literalmente livre do estigma [17].

Entretanto, no mesmo dia, foi publicada uma Nota no jornal oficial do Vaticano, a Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, que dizia:

“Permanece imutável o juízo negativo da Igreja perante as Associações Maçónicas, porque os seus princípios sempre foram considerados inconciliáveis com a Doutrina da Igreja, e por isso, a inscrição continua proibida. Os fiéis que pertencem às Associações Maçónicas estão em estado de PECADO GRAVE e não podem receber a SANTA COMUNHÃO;

Não compete às autoridades eclesiásticas locais, pronunciarem-se sobre a natureza das Associações Maçónicas com um juízo que implica na revogação do que é estabelecida”.

A publicação da Declaração foi mais para satisfazer uma minoria de insatisfeitos e terá sido publicada a contragosto do Papa. Na verdade, esta Declaração colocava em causa uma decisão já tomada e aprovada, logicamente pela maioria de toda a Congregação reunida com a finalidade específica de renovação do Código.

E mesmo com as reacções negativas de grande parte da Igreja, que se revia na posição vertida no novo Código, o Cardeal Ratzinger, ex. Papa Bento XVI, em 1992, através do órgão da conferência episcopal italiana, voltou a formular um juízo negativo sobre a Maçonaria, referindo “[…] que a orientação maçónica geral leva a uma separação radical entre a Igreja e o Estado, ou seja, a privatização da Igreja e a promoção de uma legislação separada da grande herança ética e do humanismo cristão”. Afirmou “[…] não querer formular condenações indiscriminadas, porque entre os maçons há quem esteja aberto a um diálogo sincero e com a Igreja[18].

Mas o que mudou com a publicação do novo Código do Direito Canónico? O que mudou com a Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé? Ou seja, o que mudou na relação entre a Maçonaria e a Igreja Católica?

Mudou muito pouco, ou antes, nada! O juízo negativo continua e continuará, pois a Igreja não gosta, nunca gostou, de instituições que promovam a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade.

E este juízo negativo não foi e não é apenas com a Maçonaria. Assim foi com os Cátaros, assim foi com os Templários, assim foi com a evangelização dos povos, as famosas Cruzadas e assim será e sempre contra quem, como nós, procura o aperfeiçoamento.

Aqui congregamos homens de várias raças, de vários credos, de várias convicções políticas, de várias culturas. Como laicos que somos, não combatemos o catolicismo e, por isso, um católico pode ser, em simultâneo, um maçon. Assim foi e será, pois muitos maçons eram clérigos e hoje há clérigos que são maçons.

Muitos outros credos não se opuseram à Maçonaria como o fez a Igreja Católica, e.g., a religião protestante.

Tem-se procurado justificar esta aversão da Igreja Católica para com a Maçonaria, são inúmeros os escritos (e.g. o Cardeal Patriarca de Lisboa, que recentemente formulou um juízo negativo acerca da Maçonaria), mas a justificação é só uma, o poder de controlo sobre as instituições, sobre o Povo. No entanto, a Maçonaria nunca procurou o poder, antes, procurou e prosseguiu mister os valores mais nobres das sociedades hodiernas, contemporâneas e antigas.

Foi, aliás, a Igreja Católica, que a coberto de uma organização das mais obscuras criada no século XX, combate a Maçonaria e toma de assalto o poder (vide os vários governos portugueses, de que é exemplo prático, o actual).

A nós, Maçons, cabe-nos propugnar na busca incessante do aperfeiçoamento constante, desbastar a Pedra Bruta e defender intransigentemente os valores e princípios que nos guiam, LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE.

Disse.

Voltaire II, M:. M:.

ANEXO I – “Contra a Maçonaria”:[19].

Clemente XII, In Eminenti, 28 de Abril de 1738

Esta constituição foi o primeiro ataque público escrito pelo papado contra a Maçonaria. Em In Eminenti as principais objecções à Maçonaria dadas eram: que ela estava aberta a homens de todas as religiões; que havia juramentos feitos; que os maçons negavam a autoridade clerical; e que os maçons se reuniram em segredo. O Papa Clemente proibiu a adesão à Maçonaria aos católicos e instruiu os “Inquisidores de Depravação Herética” a tomar medidas contra católicos que se tornassem maçons ou ajudassem a Maçonaria de qualquer forma. Ele ordenou a excomunhão como punição para aqueles que desafiavam sua proibição.

Bento XIV, Providas, 18 de Maio de 1751

Esta constituição confirmou a In Eminenti e condenou a Maçonaria em razão do seu naturalismo, exigência de juramentos, sigilo, indiferença religiosa, possível ameaça à Igreja e ao Estado. Proíbe expressamente os católicos romanos de participarem em qualquer grupo maçónico.

Pio VII, Ecclesiam a Jesu Christo, 13 de Setembro de 1821

A Constituição Ecclesiam especifica a excomunhão para Maçons, e dá como razão para a censura o segredo vinculado a juramento da sociedade e suas conspirações contra a Igreja e o Estado. Ela também vincula a Maçonaria à Sociedade dos Carbonários, conhecidos como o “Queimadores de Carvão”, que na época estavam activos na Itália e eram considerados um grupo revolucionário.

Leão XII, Quo Gravioria Mala, 13 de Março de 1825

Esta Constituição reafirmou a oposição da Igreja Católica Romana à Maçonaria como uma sociedade secreta, com sigilo ligado a juramentos, que conspira contra a Igreja e o Estado.

Pio VIII, Traditi Humilitati, 24 de Maio de 1829

Esta encíclica é considerada por algumas autoridades católicas como uma polémica antimaçónica. Ele advertia contra uma sociedade secreta cujo “objectivo esperto é… levar os alunos pelo caminho de Baal”. Ela apelava aos católicos que “… erradicassem aquelas sociedades secretas de homens facciosos que, completamente opostos a Deus e aos príncipes, estão inteiramente dedicados a derrubar a Igreja, a destruir os reinos, e à desordem no mundo inteiro.”

Litteris Altero, 25 de Março de 1830

Esta carta apostólica reiterou as condenações papais anteriores da Maçonaria. Ele condena especificamente a influência da Maçonaria na educação.

Gregório XVI, Mirari Vos, 15 de Agosto de 1832

Esta foi uma encíclica sobre o liberalismo e a indiferença religiosa. A indiferença religiosa é definida como “. a fraude dos ímpios que afirmam ser possível obter a salvação eterna da alma pela profissão de qualquer tipo de religião, desde que seja mantida a moralidade.” Esta encíclica não menciona a Maçonaria, mas a indiferença religiosa é uma das acusações feitas frequentemente contra a Maçonaria em pronunciamentos papais. Algumas autoridades católicas identificam esse pronunciamento como antimaçónico.

Pio IX, Qui Pluribus, 09 de Novembro de 1846

Esta encíclica convida os católicos romanos a lutarem contra a heresia. Ela condena aqueles que colocam a razão humana acima da fé e que acreditam no progresso humano. Estranhamente, ela também ataca as “seitas” secretas e sociedades da bíblia “astutas” que “forçam trechos da bíblia a pessoas de todos os tipos, mesmo os ignorantes.” Esta encíclica também chama de “perversa” a indiferença religiosa. Apesar de não mencionar directamente a Maçonaria, ele critica aqueles que ela não se identifica com as mesmas falhas que os pronunciamentos papais anteriores imputavam à Maçonaria, e é considerado um pronunciamento antimaçónico por algumas fontes católicas.

Quibus Quantisque Malis, 20 de Abril de 1849

Este pronunciamento é chamado por alguns autores de antimaçónico, mas não está disponível em tradução Inglesa.

Quanta Cura, 08 de Dezembro de 1864

Esta é uma encíclica condenando “erros actuais”, incluindo o naturalismo. Apelida a liberdade de consciência de culto de “liberdade de perdição” e ataca directamente o comunismo e o socialismo, mas não menciona a Maçonaria. Quanta Cura é referida por alguns autores como uma encíclica que lida com a Maçonaria. Um ataque contra o naturalismo é normalmente entendido como um ataque à Maçonaria.

Multiplices Inter, 25 de Setembro de 1865

Este é um pronunciamento feito pelo papa Pio IX condenando a Maçonaria e outras sociedades secretas. Nele, ele acusa as associações maçónicas de conspiração contra a Igreja, Deus e a sociedade civil. Ele ainda atribui as revoluções e levantes a actividades maçónicas e denuncia juramentos secretos, reuniões clandestinas e sanções maçónicas.

Apostolicae Sedis Moderatoni, 12 de Outubro de 1869

Esta é uma Constituição relacionada com o Direito Canónico. Ela esclarece o processo relativo à censura em Direito Canónico, muda alguns Cânones e estabelece uma nova lista de censuras. Algumas autoridades afirmam que documento diz respeito à Maçonaria, mas não está disponível em tradução Inglesa.

Etsi Multa, 21 de Novembro de 1873

Na encíclica Etsi Multa, o Papa Pio condenou a Maçonaria, afirmando que os grupos maçons estavam entre as “seitas” dos quais “… a sinagoga de Satanás é construída…”

Leão XIII, Etsi Nos, 15 de Fevereiro de 1882

Esta encíclica papal fala sobre as condições então prevalecentes na Itália, e refere-se a uma “seita perniciosa” em guerra com Jesus Cristo, seita essa que ele culpa por conflitos civis na Itália. Algumas autoridades católicas identificam isso como uma referência à Maçonaria.

Humanum Genus, 20 de Abril de 1884

A encíclica Humanum Genus é considerada como um dos ataques mais cruéis sobre a Maçonaria entre todos os pronunciamentos papais. Ela afirma que “Uma árvore boa não pode produzir mau fruto, nem árvore má dar bons frutos. a seita maçónica produz frutos que são perniciosos e do mais amargo sabor.” Prossegue dizendo que o objectivo da Maçonaria é a destruição da Igreja Católica Romana, e que a Maçonaria e a Igreja Católica Romana são adversárias. O Papa Leão afirmou ainda que muitos maçons desconhecem os objectivos finais da Maçonaria e não deveriam ser considerados parceiros em actos criminosos perpetrados pela Maçonaria. Ele também condena o naturalismo da Maçonaria, pelo qual se entende a crença que “a natureza humana e a razão humana devem, em todas as coisas, ser senhora e guia… eles não permitem qualquer dogma de religião ou verdade que não possa ser entendido pela inteligência humana, nem qualquer mestre que deva ser acreditado devido à sua autoridade.” É interessante notar que o Irmão Albert Pike afirmou que esta encíclica era uma “declaração de guerra. e, o sinal para uma cruzada contra os direitos do homem.”

Officio Sanctissimo, 22 de Dezembro de 1887

Esta é uma carta encíclica sobre a Baviera e inclui um alerta contra a Maçonaria. Ela afirma que a Maçonaria é um “contágio” e é uma “seita das trevas”.

Dall’Alto Dell’Apostolico Seggio, 15 de Outubro de 1890

Esta encíclica, também conhecida como Ab Apostolici, trata da Maçonaria na Itália. Condenava o curso contemporâneo dos assuntos públicos na Itália, como a realização do “programa maçónico”. Este “programa” alegado, dizia­-se, envolvia “ódio mortal à Igreja”, a abolição do ensino religioso nas escolas e a absoluta independência da sociedade civil da influência clerical.

Inimica Vis, 18 de Dezembro de 1892

Esta carta encíclica aos bispos da Itália trata da Maçonaria na Itália. Ela reitera a necessidade urgente de combater os fins da Maçonaria e suplica aos bispos que trabalhem para converter as vítimas da Maçonaria. Ela reclama que alguns membros do clero católico romano estavam a entrar ou a colaborar com a Maçonaria.

Custodi di Qualla Fede, 18 de Dezembro de 1892

Esta é uma carta encíclica ao povo da Itália atacando a Maçonaria. Ela diz como trabalhar contra a Maçonaria, tais como proteger os lares católicos contra a infiltração, criar escolas católicas e sociedades de ajuda mútua e instituir uma imprensa católica. Ele contém críticas virulentas à Maçonaria.

Praeclara, 20 de Junho de 1894

Praeclara é uma carta apostólica aos governantes e nações do mundo em que apela para a união com a Igreja de Roma e adverte contra a Maçonaria.

Annum Ingressi, 18 mar 1902

Annum Ingressi é uma carta apostólica aos bispos do mundo revisitando os 25 anos do seu pontificado. Ele também pede resistência à Maçonaria.

ANEXO II – Diferenças ideológicas entre Maçonaria e Igreja Católica

Doutrina MaçónicaDoutrina Católica
1. Existe um Ser Supremo, denominado “Supremo Arquitecto do Universo”.1. Existe um Ser Supremo, Criador e Conservador de todos os seres contingentes, que com sua paternal Providência vela sobre cada uma das suas criaturas.
2. Para o conhecimento da natureza íntima do Ser Supremo, a razão humana permanece entregue às suas próprias luzes e forças naturais; pois não consta que Deus se tenha revelado aos homens.2. Para o conhecimento da natureza íntima do Ser Supremo, a razão humana, entregue apenas às suas próprias luzes e forças naturais, é radicalmente insuficiente; foi por isso que o próprio Deus, principalmente por Seu Filho Unigénito, Jesus Cristo, Se dignou a falar sobre Si aos homens.
3. É sagrado e inviolável, em todo o ser humano, o direito de pensar livremente.3. É sagrado e inviolável, em todo indivíduo humano, o direito de orientar livremente o seu pensamento de acordo com a realidade objectiva preexistente; não, porém, contra esta realidade, porquanto o erro não tem direitos.
4. O homem deve dirigir os seus actos e a sua vida exclusivamente de acordo com a sua própria razão e consciência, tendo em conta os princípios da Verdade, da Justiça, da Honra e da Dignidade.4. O homem deve dirigir os seus actos e a sua vida de acordo com a sua própria consciência e, sobretudo, de acordo com os mandamentos revelados positivamente por Deus.
5. É o próprio indivíduo que deve regular as suas relações com o Ser Supremo e não terceiros.5. É em primeiro lugar o próprio Deus que regula o modo como deve ser cultuado pelo homem; e o homem deve acomodar-se às determinações divinas.
6. Qualquer coacção ou influência externa, seja de ordem física, seja de ordem moral, no sentido de dirigir ou orientar o pensamento do indivíduo, deve ser considerado como atentado contra um direito natural e sagrado e por isso deve ser denunciado como violência e injustiça. A Maçonaria considera o seu dever principal combater esta violência, ambição e fanatismo.6. Ninguém deve ser coagido contra a sua vontade a abraçar a fé na Revelação Cristã; mas pelo ensino, pela educação e formação, o homem pode e deve ser influenciado e melhorado por outros; e isso não só não é violência alguma, ou injustiça, mas é excelente obra de caridade cristã. A Igreja Católica considera seu dever principal, trabalhar na instrução e na educação moral e religiosa de todos os homens.
7. O meio ambiente em que vive e respira o ser humano deve manter-se rigorosamente neutro, sem hostilizar nem favorecer religião alguma determinada, nem mesmo a religião cristã.7. O meio ambiente em que vive e respira o indivíduo humano deve estar impregnado dos princípios religiosos e morais certamente revelados e ordenados por Deus.
8. A sociedade e mormente o Estado devem manter-se oficialmente indiferentes perante qualquer religião concreta.8. O ideal seria que a sociedade e mormente o Estado dessem oficialmente aos cidadãos os meios e as facilidades de passarem a sua vida inteiramente segundo as leis e prescrições de Deus.
9. O ensino público, dado e mantido pelo Estado, deve ser absolutamente laico.9. O ensino público, dado e mantido pelo Estado, não pode abstrair-se de Deus e das Suas leis e determinações. Concretamente, o ensino leigo ou neutro é impossível e resvala para o ateísmo.
10. A Maçonaria Liberal não exige a necessidade da fé. (editado: A Maçonaria Regular existe a crença num princípio criador)10. A Igreja Católica aceita e defende os elementos verdadeiros da religião natural e abraça com amor e gratidão a religião cristã, sabendo ser impossível permanecer indiferente perante Cristo: “Quem não for por mim, será contra mim” (Lucas 11:23).
11. A Maçonaria condena como contrária à moral, retrógrada e anti-social a existência de corporações religiosas que segregam seres humanos da sociedade e da família.11. A Igreja Católica reconhece que, perante Deus, só é boa e aceitável a religião ensinada pelo próprio Deus. “Nem todo aquele que me disser: Senhor! Senhor! entrará no reino dos céus; mas somente aquele que fizer a vontade de meu Pai celeste” (Mateus 7:21).
12. A Maçonaria não exige a necessidade da fé cristã e do baptismo cristão.12. “Quem crer e for baptizado, será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mateus 16:)
13. A Maçonaria não exige a necessidade de “comer a carne de Cristo e beber o seu sangue” (a Comunhão ou Eucaristia).13. “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6, 53).
14. A Maçonaria apoia a eutanásia, o aborto e a cremação dos corpos.14. “Se queres ser perfeito, vai, vende todos os teus bens e dá-os aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me” (Mateus 19:21); “em verdade vos digo que todo aquele que por causa de mim e do evangelho deixar casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filho, ou campo, receberá, já nesta vida, no meio de perseguições, o cêntuplo em casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos e campos; e no mundo futuro terá a vida eterna” (Mateus 19:29-30).

 

15. A Maçonaria deixa ao critério do cidadão a tomada de posição sobre o matrimónio, deixando para cada um a sua decisão.15. A Igreja Católica ensina que o Matrimónio é um vínculo santo e sagrado, verdadeiro sacramento e, em caso algum, é permitido o divórcio.

Notas:

[1] – Iglesia y Masonería: Génesis y Desarrollo de un conflicto inacabado, Pedro Álvarez Lázaro, in Revista de Cultura Masonica.

[2] – Fernanda Santos e José Eduardo Franco “A insustentável leveza das fronteiras: Clero Católico na Maçonaria e a questão do Anticlericalismo e do Anti maçonismo em Portugal”, in REHMLAC;

[3] – Oliveira Marques in História da Maçonaria em Portugal, Lisboa, Editorial Presença;

[4] – M. Borges Grainha, História da Maçonaria em Portugal, Lisboa, 1912;

[5] – http://ecclesiam.wordpress.com/2009/06/18/constituicao-de-bento-xiv/.

[6] – Alec Mellor no seu livro “Os Grandes problemas da actual Franco-Maçonaria. Os novos rumos da Franco-Maçonaria”, São Paulo, s/a, Editora Pensamento, descreve, do seguinte modo, o clímax da luta da Maçonaria francesa contra a Igreja Católica:

Em nenhum país a luta foi tão violenta como na França; e em nenhum país mais do que na França, as Lojas maçónicas reuniram, no seu seio, uma quantidade tão grande de “livres-pensadores”. Em 1877, o Grande Oriente da França riscou dos seus estatutos e documentos o nome do Grande Arquitecto do Universo. Algum tempo depois, suprimiu todas as referendas religiosas e tomou uma feição com claras inclinações ao ateísmo. “Idênticas alterações foram feitas nos Altos Graus, especialmente no 30° (Cavaleiro Kadosh), que fora no século XVIII, conforme nos relata Paulo Naudon, um grau cristão. Foram os ritualistas do século XX que o transformaram numa pantomima em que eram pisoteadas a Tiara e a Coroa”. A mesma tendência foi seguida pelos Grandes Orientes da Bélgica, da Espanha, da Itália e, em parte, dos países latino-americanos, embora nem todos tenham chegado aos extremos do ramo francês. “Em 19 de Novembro de 1899, durante a inauguração da estátua de Datou O triunfo da República, cerca de 4.000 franco-maçons, paramentados com seus ‘adornos’, haviam sido mobilizados peto Grande Oriente para desfiarem diante dela, bradando: Viva a República social! Abaixo os jesuítas!’

A Convenção de 1902 vota uma moção de congratulações a Emile Combes, presidente do Conselho, e uma outra de 151 votos contra 141, propondo que o casamento religioso ou o Baptismo dos filhos fosse considerado delito maçónico. Em Julho de 1902, Combes manda fechar mais de 3.000 escolas cristãs, criadas antes mesmo da lei de 1o de Julho de 1901 sobre associações. Em Setembro, ele obtém do Conselho de Estado um parecer, declarando inútil o exame dos dossiês das Congregações, pedindo que fossem autorizadas… Durante o ministério Briand, que lhe sucedeu, a França vive sucessivamente a lei de Separação, a famosa circular sobre os inventários e os escândalos das verbas para Missas. A política procedente das Convenções do Grande Oriente havia atingido seus objectivos de guerra”.

Apesar dos esforços para estabelecer uma paz, ou pelo menos uma coexistência pacífica, entre católicos e maçons, realizados por homens como Lantoine, o Pe. Berteloot, o Pe. Riquet e o citado Alec Mellor, ainda em 1968, o então Grão-mestre da França, Jacques Mitterrand, comentando a frase de Garnier- Pages, sobre a relação entre a Maçonaria e a República, acrescentava:

“Isto não significa apenas aderir ao direito à autodeterminação, segundo o princípio por nós criado, mas significa também servir à República, e isto exige, no nosso mundo ocidental, também a rebelião contra as forças da reacção encamadas pela Igreja Católica Romana. Não nos contentamos em ser, ao interno de nossos templos, a República secreta; somos, ao mesmo tempo, a anti Igreja”;

[7] – Borges Grainha, ibidem;

[8] – Esta associação secreta foi criada em 22 de Janeiro de 1818 pelo juiz desembargador portuense Manuel Fernandes Tomás, pelos juristas, José Ferreira Borges e José da Silva Carvalho João da Cunha Souto Maior, entre outros! Recorde-se que Silva Carvalho e Souto Maior foram Grão-Mestres da Maçonaria (1821 e 1823). O nome deve-se a uma organização homónima, o Supremo Tribunal Judaico, que era um tribunal dos antigos judeus, em Jerusalém, e era composto por sacerdotes, anciãos e escribas! A associação extingue-se após a vitória do movimento liberal.

[9] – “A insustentável leveza das fronteiras: Clero Católico na Maçonaria e a questão do Anticlericalismo e do Anti maçonismo em Portugal”, Fernanda Santos e José Eduardo Franco in REHMLAC;

[10] – Ibidem: Na obra O Padre no Romance Português, Zacarias de Oliveira analisa as razões do anticlericalismo em Portugal, enumerando-as: o comportamento dos clérigos, que nem sempre correspondeu aos ideais defendidos; a tentativa de manter, acima de tudo, a segurança material, instalando-se na vida e perdendo o comprometimento com a pregação do Evangelho; o poder do rei ligado à Igreja (embora por vezes não passasse das aparências); a falta de abertura da Igreja à novidade e à mudança, prendendo-se ao passado por um «tradicionalismo psicologicamente compreensível», mas que ao mesmo tempo rejeitava novos movimentos ideológicos, sociais e políticos (como o Liberalismo); a confusão que o clero fez, muitas vezes, entre vida moral e comportamento civil ou político, o que o levou a ligar-se a instituições de carácter policial. A Inquisição é exemplo disto, porque enquanto tribunal político, policial e de costumes esteve quase sempre nas mãos do clero, embora tantas vezes se insurgisse contra ele – a maioria das vítimas da Inquisição contam-se entre o clero. (Zacarias de Oliveira, O Padre no Romance Português, Lisboa, União Gráfica, 1960);

[11] – Ibidem;

[12] – Borges Grainha, ibidem.

[13] – http://ecclesiam.wordpress.com.

[14] – Dá-se o nome de Lowton ao filho do Maçon (em alguns países a filha do Maçon também pode ser adoptada como Lowton), com idade entre sete e catorze anos, adoptado por uma Loja Maçónica, a qual contrai para com ele a obrigação de servir-lhe de tutor e guia na vida social, de acordo com um ritual especial denominado “Adopção de Lowtons”, impropriamente chamado “baptismo”. Em razão desse venerável empenho, as Lojas não devem conceder esta adopção senão com prudência. Ao Lowton, após a cerimónia de adopção, deverá ser entregue um diploma da Loja em que se declare que o mesmo foi adoptado por ela, o qual deverá ser previamente, registado na Grande Loja. Um dos grandes exemplos de um Lowton foi George Washington, por isso, foi iniciado aos vinte anos;

[15] – Nesta solenidade, evocando os valores da família, sempre exaltados pela maçonaria, os cônjuges – normalmente já casados – comprometem-se perante os membros da loja e demais maçons de outras lojas, a manterem firmes e constantes os vínculos que livremente resolveram celebrar. A maçonaria lembra o dever de cada um, bem como as suas responsabilidades na condução da família, célula essencial da sociedade. O cerimonial nada tem de religioso, é uma solenidade fraterna e humanitária muito usual entre maçons. É antes de tudo uma afirmação da maçonaria aos valores éticos e morais de uma sociedade formada por famílias solidamente constituídas;

[16] – Tratado assinado em Roma, no palácio de Latrão, em 11 de Fevereiro de 1929, entre a Santa Sé e a Itália, representada por Mussolini, sendo ratificado a 7 de Junho de 1929. Este tratado tinha o intuito de resolver a Questão Romana, sendo de destacar alguns dos seus artigos: a religião católica é a única religião do estado italiano; reconhece a personalidade jurídica internacional da Santa Sé e a soberania plena sobre o estado da cidade do Vaticano, sem nenhuma ingerência da Itália; os representantes da Santa Sé gozavam das mesmas imunidades e regalias que os representantes diplomáticos acreditados em Itália; garantia da liberdade de comunicações da Santa Sé com todo o mundo, etc. No artigo 26.°, a Santa Sé decreta a Questão Romana definitivamente resolvida e reconhece o reino de Itália sob a Casa de Sabóia e esta reconhece a Cidade do Vaticano. Ao Tratado de Latrão existem muitos anexos com plantas dos edifícios e terrenos nele mencionados e, também um acordo financeiro, previsto num dos artigos do tratado. Ao mesmo tempo, foi assinada a Concordata com Itália, que por vontade de Pio IX, é indissolúvel do Tratado de Latrão, daí que se dê a estes dois pactos o nome de “Pactos de Latrão” – in www.infopedia.pt.

[17] – http://ecclesiam.wordpress.com.

[18] – “Iglesia Masoneria: Génesis y desarrollo de un conflicto inacabado” – Pedro Álvarez Lázaro in Revista de Cultura Masonica.

[19] – In Maçonaria e Igreja Católica, REID McINVALE, Tradução de José Antonio de Souza Filardo – M:. I:.

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