O papel fundamental do Duque de Sussex na formação da moderna Maçonaria

Abraçando a tolerância e abordando a vida com a mente aberta, não é coincidência que o Duque de Sussex tenha desempenhado um papel tão importante na formação da augustus Maçonaria moderna.

Augustus Frederick (1773-1843)
Augustus Frederick (1773-1843)

O Duque de Sussex, Grão-Mestre de 1813 a 1843, é uma figura imponente na história da maçonaria inglesa. Ele desempenhou um papel fundamental na unificação das Grandes Lojas dos Modernos e dos Antigos para formar a Grande Loja Unida de Inglaterra em 1813. É impossível sobrestimar a importância da sua influência na estrutura e no status da moderna Maçonaria Inglesa. Sem a sua visão, energia e, acima de tudo, do seu sentido de tolerância, a Grande Loja Unida de Inglaterra não existiria na sua forma actual. Imagine se ainda houvesse duas Grandes Lojas concorrentes e como isso diminuiria a eficácia da Maçonaria Inglesa em todo o mundo.

Augustus Fredrick nasceu como Príncipe Real em 27 de Janeiro de 1773, o nono dos quinze filhos de George III e da rainha Charlotte. Em 27 de Novembro de 1801, aos vinte e oito anos, o rei fez dele o Duque de Sussex.

Reputação progressiva

Augustus tinha uma reputação de mente aberta e era considerado o mais liberal de todos os irmãos, sendo algo como que um reformador social. Foi educado no exterior, entrando na Universidade de Göttingen em 1786 com a idade de treze anos. Ele foi o único dos príncipes a não seguir uma carreira militar, embora alguns historiadores tenham atribuído isso ao facto de que ele sofria de asma, em vez das suas conhecidas propensões liberais.

Em oposição aos pontos de vista de alguns dos seus irmãos mais velhos, em particular o Duque de Cumberland, Augustus favoreceu a Emancipação Católica. Ele também foi, apesar do seu cristianismo devoto, um forte defensor da comunidade judaica. Em 1815, o duque aceitou o patrocínio do Hospital e Orfanato de Judeus, que sobrevive até hoje como a instituição de caridade Norwood.

Ele também usou a sua influência para promover vários sistemas de benevolência e chegou a ser chamado de “o mendigo mais charmoso da Europa”.

Augustus foi um defensor proeminente das artes e também da pesquisa científica e do progresso. Tornou-se presidente da Sociedade de Artes em 1816 e presidente da Royal Society em 1830. Sendo um presidente ativo da Royal Society, Augustus organizou muitas festas no Palácio de Kensington, muitas vezes com grandes despesas pessoais.

Carreira brilhante

Augustus foi iniciado na Loja Victorious Truth, em Berlim, em 1798, enquanto estudava na Alemanha.

Progrediu rapidamente na maçonaria, eventualmente ocupando a Cadeira de Venerável da sua loja alemã. De volta a Inglaterra, em 1800, Augustus juntou-se à Loja do seu irmão George, Loja Prince of Wales, nº 259. O Duque aderiu às Lojas Friendship, nº 6, em 1806 e Antiquity, nº 2, in 1808. Em 1814, foi fundamental na reanimação e, mais tarde, junção de várias lojas para formar a Loja Royal Alpha, nº 16 – que era a loja pessoal do Grão-Mestre e que permanece assim até aos dias de hoje.

Em 1813, Augustus foi eleito Grão-Mestre da Grande Loja dos Modernos enquanto seu irmão mais velho, o Duque de Kent, se tornou Grão-Mestre dos Antigos, sendo que os dois se envolveram na conclusão das negociações para a unificação das duas Grandes Lojas.

Os Estatutos da União foram finalizados no final de 1813 e em 27 de Dezembro de 1813, o Duque de Kent, graciosamente ficou de lado para que o seu irmão mais novo tomasse as rédeas da nova Grande Loja. Augustus permaneceu Grão-Mestre por trinta anos até à sua morte em 1843. Ele referia-se à união das duas Grandes Lojas como “o evento mais feliz da minha vida”.

Augustus era um Grão-Mestre muito prático, resolvendo “governar, bem como reinar”. Participou am algumas das reuniões da Loja Especial Reconciliation, (1813-1816), presidiu pessoalmente ao Board of General Purposes e esteve envolvido nos detalhes de todas as principais decisões da Direcção. A União não avançou tão bem quanto poderia parecer do nosso ponto de vista, duzentos anos depois. De facto, Augustus enfrentou uma resistência significativa às mudanças necessárias para reunir duas organizações orgulhosas com objectivos e cerimónias similares, mas com diferenças importantes.

Demonstrando a sua forma de pensar independente, Augustus surpreendeu a nação, tornando-se o primeiro membro da Família Real a ser enterrado num cemitério público. Após a sua morte em 21 de Abril de 1843, e seguindo as instruções registadas no seu testamento, foi enterrado no cemitério de Kensal Green, no norte de Londres. Esta escolha do local de sepultara por um Príncipe Real exigia a permissão da rainha Vitória. Ele tinha sido o tio favorito da rainha e foi quem a entregou no seu casamento com o príncipe Albert de Saxe-Coburg e Gotha em 1840. O Spectator de 29 de Abril de 1843 escreveu: “A sua aquiescência à sua escolha de um local de sepultura pode ser recebida como indicação de que ela o entendia tão bem, quanto o amava”.

Vale a pena fazer uma visita ao Cemitério de Kensal Green. Após o enterro do Duque, e depois o enterro da sua irmã, Princesa Sophie, o cemitério tornou-se moda e muitas pessoas famosas seguiram o exemplo. No entanto, a inscrição na lápide agora é difícil de ler e acredito que os Maçons fariam bem em prestar mais atenção ao local de descanso final do nosso Grão-Mestre.

Lawrence Porter
Tradução de António Jorge

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