Templários no condado portucalense antes do reconhecimento formal da Ordem

Templários no condado portucalense antes do reconhecimento formal da Ordem: O caso de Braga no início do Séc. XII

Do ponto de vista documental há indícios de que os Templários podem ter chegado ao norte do que viria a ser Portugal antes de 1128, data que a historiografia tem acentuado como princípio da sua instalação em Portugal, tendo como base a doação de Soure datada de 19 de Março de 1128 [1]. Não desmerecendo esta extensa doação e o seu significado no contexto do próprio Condado Portucalense e da Ordem do Templo, legitimada no plano internacional no concílio de Troyes (1129 [2]), torna-se importante perceber os seus antecedentes.

No âmbito de um enquadramento mais ligado à história da fronteira sul do Condado Portucalense têm sido apontadas diversas razões que clarificam a opção de D. Teresa de doar a terra de Soure aos Templários em 1128. Entre os factores que mais influência tiveram pode contar-se o desguarnecimento das terras mais meridionais e as elevadas exigências que colocavam, o envolvimento de D. Teresa em problemas em Coimbra, em resposta ao cerco que os Almorávidas puseram à cidade em Julho de 1116 e a aposta em interesses mais próximos da Galiza. Os recentes biógrafos de D. Teresa continuam a defender que nos primeiros anos de viuvez, a condessa terá mantido a linha de orientação do marido e que a partir de 1116 desenvolveu a aproximação com a Galiza e, em particular, com os senhores de Trava, especialmente, relevante no início dos anos 20 [3]. Em paralelo, desenvolvia-se o processo de criação e afirmação dos Templários, num ambiente favorável às Ordens Militares. De facto, todos estes elementos terão contribuído para que D. Teresa assumisse que era importante fixar estes cavaleiros na zona norte de Coimbra em 1128. Neste seguimento, em 1131, Afonso Henriques muda-se de Guimarães para Coimbra, no que é reconhecido como um facto de grande importância histórica pelo seu significado, e a partir daqui projecta o avanço do seu domínio para sul [4]. Neste sentido, tem especial eco a confirmação da concessão de Soure de 1129 [5], a par da construção do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em 1131 [6] e da fundação do castelo de Leiria em 1135 [7].

A doação de Soure (1128), pelas características que apresenta, torna-se mais clara num quadro de confiança nos Templários, granjeado algum tempo antes. Tratava-se de uma terra extensa, distante da área de fixação privilegiada da família condal (à época, em Guimarães), de ocupação precária, com um povoamento rarefeito e de localização muito exigente, face à pressão almorávida. Estas circunstâncias pressuporiam uma ponderação atenta em relação à instituição a que se confiariam essas terras. O reconhecimento internacional da regra dos Templários no concílio de Troyes [8] foi o culminar de um ambiente propício à nova Ordem e consolidaria esta garantia, na senda de um conhecimento prévio (Publicado em freemason.pt) destes freires resultante da sua criação cerca de 10 anos antes. Nesta estratégia de reconhecimento, o próprio rei de Jerusalém, entre 1119 e 1126, terá pedido a Bernardo de Claraval para obter do Papa a aprovação da Ordem [9]. Com propósitos semelhantes, entre 1127 e 1129, o Mestre Hugo de Payns, juntamente com outros freires, percorreu o Ocidente, procurando a divulgação da Ordem, bem como a obtenção de donativos e a atracção de vocações para o novo instituto. Tanto quanto se sabe, os objectivos alcançados foram bastante satisfatórios. Hugo de Payns era oriundo da região de Champagne que, no início do séc. XII, começava a ser um dos centros mais notáveis do comércio europeu e uma das praças mais activas do mercado de capitais, o que pode ter contribuído para o seu leque de relacionamentos e, em consequência, para a concretização das suas aspirações.

No caso Português, a evidência documental confronta-nos com alguns dados atribuídos a uma cronologia ligeiramente anterior a estes episódios e que, deste modo, antecipam a chegada dos freires do Templo ao Condado Portucalense e se mostram indispensáveis à criação de uma relação de confiança nos mesmos. Estes documentos, apesar de terem chegado até nós por via de cópias incluídas no cartulário da Ordem de Cristo feito a mando de Fr. Pedro Álvares Seco no séc. XVI, devem merecer-nos a maior atenção. Referimo-nos em concreto a cinco documentos, que passamos a indicar de forma sumária.

Em 31 de Maio de 1122 [10], D. Sicuva [11] Aires e seus filhos vendem uma herdade que tinham na cidade de Braga, por dois morabitinos, a “vobis Iherosolimitani Templi militibus” Paio Gontemires e Martinho Pais, situada junto de um poço do hospital que os freires tinham.

Em 1 de Maio de 1123 [12], Pedro Nunes vende, pelo preço de 4 “bracales” e um poçal de vinho, aos “fratribus” do Tempo, a saber, a Pedro Gralial e a Martinho Pais, em nome de “magistri domni Ugonis”, uma herdade em Vilar sob Monte Morgoto, termo de Braga, em direcção ao Rio Este, acima do porto de Luso. Esta herdade localizava-se junto a uma outra não especificada, mas que já era do Templo.

Em Agosto de 1125 [13], Egas Soares vende a “magister domno Ugo et fratres vestros de illo Temple”, uma herdade em Lourosa, sob Monte Souto em direcção ao Rio Maior que passa a norte do castelo de Santa Maria da Feira, pelo preço de 23 morabitinos de ouro. A presença nesta área era significativa, dado que certas terras, entendidas no sentido de tenências, eram governadas por vassalos da família condal e do próprio D. Afonso Henriques [14]. No contexto senhorial desta zona, a Ordem do Hospital viria a ter, pelo menos no séc. XIII, uma posição mais consolidada quando comparada com as do Templo, Avis e Santiago [15].

Em 21 de Agosto de 1127 [16], Pedro Godinho e Adosinda Pais, sua mulher, vendem a Fr. Pedro Dias e aos “militibus Templi”, uma herdade em Vilar, território de Braga, junto ao Rio Este sob Monte Espinho, pelo preço de 8 soldos. Esta compra reforça a posição dos freires nas imediações do Rio Este. A curto prazo, a fixação neste território daria origem a diferendos, como se percebe por uma sentença outorgada em 1148, atendendo a um conflito entre o Mestre D. Gualdim e Godinho Godins por causa da herdade de Bouça Mala, situada acima do Rio Este. O resultado deste caso foi desfavorável a D. Gualdim e aos Templários [17].

Por último, pelos anos de 1126-1128 [18], D. Teresa doa Fonte Arcada (Penafiel) aos “militibus Templi Salomonis”. A versão que se conhece deste documento pode constituir apenas a minuta que estaria na base da própria doação, que seria reforçada pela outorga de uma série de bens provenientes de figuras particulares inumerados no texto, num total de 18 concessões. Quanto à data deste diploma, Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo é de opinião que deverá ser antecipada, pelo menos, para 1126, atendendo às circunstâncias de desenvolvimento da governação de D. Teresa no quadro do Condado Portucalense. Neste raciocínio argumenta que, até 1126, a soberania de D. Teresa era incontestada e daí resultava a sua capacidade de decisão em relação a este assunto [19]. Em reforço desta cronologia, Viterbo aponta Guilherme Ricardo como mestre Templário em Portugal mesmo antes de 1126 [20].

Em função dos dados que acabamos de apresentar, podemos destacar alguns aspectos que nos parecem bastante significativos. Antes de mais, sublinhar que todos estes documentos antecedem a doação de Soure de 1128. Em segundo lugar, não se fala em Ordem, mas em freires do Templo, precisamente num tempo em que a regra da Ordem ainda não tinha sido redigida ou, pelo menos, oficialmente confirmada. Em terceiro lugar, três dos cinco documentos são relativos a propriedades situadas em Braga, um outro diz respeito a bens localizados no actual concelho de Santa Maria da Feira e outro a propriedades em Fonte Arcada de Penafiel. A própria apostila da doação de Soure aos Templários, de Abril de 1128, diz que o mestre templário Raimundo Bernardo estava em Braga quando roborou, ou seja, homologou esta carta [21]. Em quarto lugar, estes documentos guardam memória de vendas aos Templários. Em causa estão bens localizados junto de outros que os freires já possuíam, o que demonstra uma preocupação de concentração de propriedades para criar uma base de assentamento. Assim sendo, tudo indica que estes freires estavam à procura de condições de estabelecimento no Condado Portucalense, apostando na compra de bens numa altura em que ainda não possuíam um carisma relevante que atraísse a atenção de potenciais doadores, como viria a acontecer num futuro próximo. A este nível, a citada doação de Fonte Arcada por parte de D. Teresa parece constituir um forte incentivo à entrega de diversos bens que estariam na base da criação de um domínio mais amplo, atendendo ao envolvimento de quase duas dezenas de pessoas dessa mesma localidade na entrega de bens patrimoniais aos freires [22].

Por sua vez, entre 1118-1128 [23], o arcebispo de Braga, D. Paio Mendes, dotou um hospital em Braga com determinados bens que possuía nesta cidade e seu termo antes de ser eleito arcebispo. O carácter lacónico desta informação impede-nos de saber se apresenta relação com o hospital referido na doação de 1122 anteriormente citada. Em concreto, estavam em causa as herdades de Santa Tecla (actual freguesia de São Victor, da cidade de Braga), de Exevanos e de Quintela (lugar da freguesia de Santa Maria de Lamas, concelho de Braga) e a vinha da cidade. Dois terços dos frutos aqui produzidos destinavam-se à construção da ponte de Catavo, enquanto decorressem as obras, e a restante terça parte seria aplicada no cuidado dos pobres; terminada a ponte, a totalidade dos rendimentos seria para os pobres. As dúvidas são, de facto, assinaláveis. O próprio título relativo a este documento diz que ele consta de uma “Donatio quam dedit archiepiscopus domnus Pelagius Hospitali Iherosolimitano”, ou seja, à Ordem do Hospital [24] [25]. Por outro lado, na confirmação feita por D. João Peculiar, e depois de indicadas as testemunhas, é dito “Et sciendum est omnibus quod ego Iohannes Bracarensis archiepiscopus nihil aliud dedi Templensibus nec eis kartam feci nisi de hoc tantum quod continetur in carta isti predecessoris nostri bone memorie domni Pelagii.” [25]25. Ou seja, “E saibam todos que eu, João, arcebispo de Braga, nada mais dei aos Templários, nem lhes outorguei carta, excepto unicamente aquilo que está contido na carta deste (istius) nosso antecessor de boa memória, D. Pelágio[26]. Embora os Hospitalários se diferenciassem pelo seu programa assistencial a peregrinos, também os Templários teriam um hospital em Braga, sem que a documentação seja suficientemente explícita em relação a estas estruturas de apoio e aos seus proprietários. Em agosto de 1145 [27], o arcebispo D. João, com o seu cabido e com o consentimento de D. Afonso Henriques, confirma uma doação feita por D. Paio, seu antecessor, de um hospital na cidade de Braga à Ordem do Templo e doa também a estes freires metade das dízimas de todas as rendas que recebia dentro e fora da cidade. Este documento foi aprovado por D. Afonso Henriques, em 1146 [28] e ratificado por bula (Publicado em freemason.pt) de Alexandre III [29]. No caso dos freires Hospitalários, a sua atuação assistencial foi distinguida também com a entrega de um hospital em Braga, em 19 de Julho de 1145, mandado edificar por Pedro Ourives [30].

O apuramento do momento exato de instalação dos Templários em Portugal não se consegue aferir através da leitura dos documentos que indicamos. Uma inquirição de 1314 [31] permite colocar a hipótese de antecipar a chegada dos Templários ao Condado Portucalense. De facto, algumas das testemunhas inquiridas fazem recuar até ao Conde D. Henrique esse passado dos Templários em Portugal, embora esta referência deva ser entendida com reserva, pois baseia-se num exercício de memória em relação a um tempo muito recuado, ou seja, cerca de 200 anos. Em sentido distinto, outras pessoas inquiridas fixam esse acontecimento apenas no tempo de D. Afonso Henriques [32]. Face às respostas que dão, presume-se que, em alguns pontos do articulado, estaria em causa a determinação do momento da instalação destes freires.

“Item disse no II° artigoo que ouvira dizer sempre e era fama e creença na terra e que el assy o criia que o dicto Conde avendo guerra com mouros que os Freyres Templeyros veeron a el e pediron-lhi por mercee que o queriam servir e que lhis desse en que se mantevessem e de podessem a mouros fazer guerra.
Item disse no III° artigoo que ouvira dizer e era fama e creença e que assi o criia el per certo que esto meesmo pedirom os Templeyros al Rey don Affonso seu filho e que assi lho fezera o dicto Rey.” [33].

Segundo esta memória, a iniciativa dependeu dos próprios Templários a quem é atribuído um pedido de fixação no Condado, que se mostra em consonância com as compras que fizeram de diversas propriedades como já indicamos.

Castelo de Guimarães

O eventual interesse do Conde D. Henrique pelos Templários é compreensível, desde logo, no quadro da sua ligação à casa da Borgonha. O Conde D. Henrique era oriundo de uma poderosa família franca [34], fez parte de uma tradição de ligação ao oriente cruzado, revelou-se um político atento ao contexto da reconquista e protagonista de reconhecidas acções no domínio da reforma religiosa, emanada da Igreja romana e veiculada pelos cluniacenses, a quem mantinha uma forte ligação [35]. A influência do mosteiro de Cluny na defesa da reforma eclesiástica gregoriana e do rito romano, introduzido no ocidente da Cristandade por Afonso VI, é inquestionável [36]. Os reflexos desta ligação ao reino Franco tanto se manifestam no plano político como no eclesiástico, domínios que mantêm entre si uma profunda articulação.

Quando se procurava imprimir unidade e coerência às terras que integravam o Condado Portucalense era indispensável incluir no mesmo quadro de preocupações a organização religiosa [37]. Os contornos eclesiásticos do território são tratados com tanto empenho quanto a dimensão político-administrativa, na medida em que se reforçavam mutuamente. Como é sabido, a unidade eclesiástica do Condado era posta em causa pela anterior divisão implementada neste território. Assim, a norte existira a antiga província da Galécia romana e sueva, centrada em Braga, e a sul a Lusitânia, administrada por Toledo, antiga sede dos visigodos, com fronteira no rio Douro. Depois da ocupação árabe e no contexto da reconquista, teve lugar a restauração das antigas dioceses dos reinos suevo e visigodo. Assim, Braga foi restaurada em 1071 e Toledo em 1086, o que abre uma longa discussão sobre a atribuição do título de Primaz das Espanhas, com fortes implicações políticas [38]. Chegados ao final do séc. XI, o objectivo era fazer coincidir as demarcações eclesiásticas e políticas e fazer prevalecer os interesses de Braga em relação a outras dioceses, na qualidade de metropolita e agregadora do próprio Condado Portucalense. Importava, assim, recuperar a tradição dos suevos, em que Braga tinha este estatuto de supremacia, incluindo na sua área de jurisdição outras dioceses sufragâneas [39]. Com o propósito de defender os direitos de Braga, de 1101 a 1103, o Conde D. Henrique desloca-se a Roma, podendo mesmo ter chegado a Jerusalém [40], e desenvolve o seu interesse pelas realidades relacionadas com a Terra Santa. Por sua vez, D. Hugo, inicialmente arcediago de Santiago de Compostela e depois bispo do Porto, teria ido em peregrinação a Roma e Geraldo, bispo de Braga, também o teria feito no tempo de Pascoal II (1099-1118), pontífice que tinha sido legado apostólico em Espanha (sob a designação de cardeal Rainério) e que legitimou a Ordem de S. João de Jerusalém em 1113 [41]. A influência destas viagens na viabilização das Ordens Militares no ocidente da Península terá sido notável. No Condado Portucalense, o ano de 1112 assistiu a mudanças relevantes, que poderão ter desencadeado o ambiente propício à instalação das Ordens Militares no contexto bracarense. O Conde D. Henrique morre em Astorga, em 22 de Maio de 1112 e escolhe Braga para local de sepultura, o que se compreende, tanto mais que, a um mês de falecer, entregou o senhorio de Braga ao respectivo arcebispo, D. Maurício Burdino [42].

No quadro da interpretação da fixação precoce de Templários em Braga, deve sublinhar-se a circunstância de se tratar de um território crucial nesta fase preparatória da estabilização da fronteira política e eclesiástica, na medida em que o Condado constituía uma parcela na órbita do reino Leonês. A procura da razão da presença dos Templários em Braga excede a própria história destes freires, na medida em que, à data, este espaço associado a uma matriz eclesiástica, era crucial no contexto ibérico. Por outro lado, a identificação das Ordens do Hospital e do Templo com Jerusalém e com a cruzada, proclamada em 1095, constituía uma memória conhecida da casa de Borgonha. Sob este enquadramento clarifica-se, por um lado, o interesse da Família Condal em atrair homens de religião associados a Jerusalém, e, por outro, o esforço de instalação feito pelos próprios freires, reiteradamente afirmado pela compra de bens em Braga, centro diocesano de primeira importância e de que os seus representantes fariam propaganda junto da cúria pontifícia.

A presença precoce das Ordens Militares no noroeste peninsular não é um dado novo. Por exemplo, a Ordem do Hospital ter-se-á fixado no mosteiro de Leça, provavelmente a partir de 1112 [43], apesar de só ter sido formalmente reconhecida pela bula Piae Postulationes de 1113 [44]. Esta cronologia vai de encontro ao facto de em 1102-1114, Ricardo, legado apostólico, obrigar os prelados diocesanos espanhóis a protegerem o Hospital de Jerusalém e a respeitarem as benesses que os fiéis lhe faziam [45]. A este nível, sublinhe-se que há dados que comprovam a presença dos freires sanjoaninos na Catalunha em 1108, em Aragão em 1111, em Leão em 1113 e em Castela em 1116 [46]. No caso da Ordem do Santo Sepulcro, atesta-se a sua presença na Galiza em 1114, ou seja, 14 anos antes da aceitação da Regra de Santo Agostinho (1128) por parte desta Ordem [47].

Os factos enunciados para o caso do Condado Portucalense situam-se num contexto muito particular. Em 1112-1113 [48], a diocese de Porto foi restaurada por D. Hugo, oriundo da Borgonha e com ligação a Santiago de Compostela, onde tinha sido arcediago e fiel a Diogo Gelmires, participando numa ampla estratégia de afirmação de Compostela. Nesta sequência, D. Hugo pode ter viabilizado a instalação dos Hospitalários em Leça, garantindo o reforço da peregrinação em direcção a Compostela. No início do 2° milénio, quando teve lugar uma ampliação dos centros clássicos de peregrinação (Jerusalém e Roma), incluindo-se o espaço peninsular neste universo (Compostela), a Ordem de S. João adquiriu um grande protagonismo, pois constituiu uma garantia de internacionalização da peregrinação a Santiago de Compostela. Esta Ordem fez parte de uma estratégia de dinamização do noroeste peninsular, que coloca lado a lado política e peregrinação.

O território bracarense ficou associado aos primórdios dos Templários e dos Hospitalários em Portugal e ao desenvolvimento das suas estruturas de governo, dado o volume de propriedades que aí teriam. Por exemplo, em Junho de 1144 [49], Afonso Peres, por ordem régia, doa, com reserva de vida, aos freires do Templo a herdade de S. João de Rio Frio. Logo no ano seguinte, está documentado um comendador aí em funções, sinal da importância desta propriedade. Com efeito, em 23 de julho de 1145 [50], decorria um litígio (Publicado em freemason.pt) entre a Sé de Braga, por um lado, e D. Humberto, comendador de Rio Frio da Ordem do Templo, D. Paio, procurador do Hospital e D. P. Nunes cavaleiro e os homens de Dadim e Lamaçães, por outro, por causa das águas de Dadim [51]. No caso dos Hospitalários, temos conhecimento do comendador de Aboim D. Paio [52], para o ano de 1145, sinal da amplitude das propriedades que a Ordem possuía no norte de Portugal.

O património na posse destas instituições não pára de aumentar. A Ordem do Templo continua interessada em comprar bens em Braga, como demonstra uma venda, feita na segunda metade do séc. XII [53], pela qual Sancha Viegas e seus filhos vendem a Pedro Arnaldo, “P.” do Templo, uma herdade em Braga, situada na direcção do Rio Cávado, e um casal junto de outro que a Ordem recebera de D. Teresa. A estratégia de concentração de propriedades permanece, o que é bastante interessante.

Cem anos depois dos documentos que destacámos, as inquirições régias de 1220 abundam em referências às Ordens Militares e permitem contabilizar as propriedades que possuíam no norte do reino. Entre esta propriedade estavam, sobretudo, casais, quintãs, vinhas e campos. A Ordem do Hospital era a que detinha um maior número de bens patrimoniais, de que os 620 casais que lhe são reconhecidos dão contam, seguida da do Templo que tinha 143 casais [54]. Estas propriedades proporcionavam aos freires avultados rendimentos e constituíam o suporte de um conjunto de relações de dependência essenciais na afirmação da sua jurisdição senhorial. No entanto, no espaço bracarense, a proporcionalidade apontada inverte-se e a Ordem do Templo é dada como proprietária de 14 casais ao lado de uma presença muito mais pontual dos Hospitalários, a quem são contabilizados apenas 4 casais [55]. As razões para esta diferença não são naturalmente apontadas na fonte documental em causa. Porém, a precocidade de presença dos Templários em Braga, a par do próprio carisma desta cidade no quadro da legitimação do reino podem ter favorecido este assentamento dominial mais intenso por parte destes freires. Na definição do quadro diocesano, tão importante na 1a metade do séc. XII, altura decisiva da instalação destas duas Ordens no Condado Portucalense, o compromisso dos Hospitalários com o projecto de peregrinação Compostelano e os seus reflexos em Leça do Balio, sob patrocínio do bispo portuense D. Hugo, ex- arcediago de Santiago de Compostela, a par da rivalidade da diocese de Braga frente às autoridades Galegas e Castelhano-Leonesas, podem justificar uma maior cautela em relação aos Hospitalários e uma entrega de bens mais folgada aos Templários, que não constituiriam uma ameaça e representariam uma força de ligação a Jerusalém, o que era muito importante no contexto dos ideais da época e da procura de reconhecimento para Portugal. Por exemplo, em 30 de Março de 1140 [56], o hospitalário D. Aires era prior de Portugal e da Galiza, pelo que a estrutura organizativa da Ordem reflectia uma espécie de indefinição, que marcava também o território político, já que se estava a três anos da conferência de Zamora, o que poderia alimentar alguma reserva em relação ao seu comportamento, quando se procurava afirmar a autonomia do Condado.

Em conclusão, é admissível que a Ordem do Templo, em termos gerais, tenha conhecido uma fase incipiente de formação, de carácter mais informal, na sequência da participação dos cavaleiros francos na 1a cruzada, não tendo sido necessário esperar por 1118-20, cronologia da sua organização, nem por 1129, ano do seu reconhecimento face à hierarquia eclesiástica. A Ordem do Hospital também passou por uma experiência prévia em relação à sua legitimação, ligada à actividade sócio caritativa dos Amalfitanos em Jerusalém. Este tipo de situação é comum nos tempos medievais, em que o documento de institucionalização mais não era do que o reconhecimento formal de uma atuação já conhecida e de mérito comprovado.

No que toca ao Condado Portucalense, há razões para se admitir a chegada dos Templários a este território, nos inícios da década de 20 do séc. XII, antes da sua instalação em Soure, datada de 1128. Essa fase inicial encontrou em Braga um território favorável para a procura de condições que viabilizassem a sua fixação. A chegada dos Hospitalários também coloca em evidência os interesses despertados pela cruzada e pelo prestígio da ligação à Terra Santa, em boa medida discutida na definição do quadro diocesano e na complexa articulação com a esfera política. No ambiente que caracterizou essa época, no contexto da peregrinação e da afirmação de Santiago de Compostela, bem como no do florescimento do Condado Portucalense, destacou-se o conde D. Henrique que, como peregrino e defensor dos valores associados às Ordens Militares, seria o mentor das condições que viriam a redundar na implantação destas instituições no Condado. Por outro lado, a reciprocidade de interesses seria clara, já que estas Ordens também teriam toda a conveniência em dominar territórios peninsulares.

O conhecimento que a Família Condal adquiriu sobre as Ordens Militares e o seu interesse pelo universo de questões ligadas ao contexto em que aparecem foram essenciais para a viabilização da introdução destas instituições no condado. A vinda da Ordem de S. João resultaria da sua vertente religiosa, consubstanciada na peregrinação e na cruzada, que estariam na base do principal atractivo reconhecido a estes freires. A dimensão assistencial a pobres também pode ter sido reconhecida aos Templários que viviam em Braga, embora com um sentido distinto da dos Hospitalários, dados os objectivos fundacionais de cada um destes institutos. A vertente militar a que os Templários que viviam ficariam ligados, na sequência da sua fixação na parte sul do Condado (Soure, 1128) e reforçada pela instalação de D. Afonso Henriques em Coimbra pelos primórdios (Publicado em freemason.pt) da década de 30 do séc. XII, constituirá uma segunda forma de atuação destes freires em Portugal e que os irá distinguir nos tempos subsequentes. A própria doação do castelo de Soure é sintomática e recorda os seus beneficiários como “militibus Templi Salomonis”. Esta prestação militar será inequívoca na defesa da fronteira do Tejo, tão emblemática na segunda metade do séc. XII. No final dos anos 20 do séc. XII, a regra da Ordem do Templo sublinhava a primazia da sua missão bélica, desenvolvida à luz da espiritualidade da época, que ajudava a sustentar e a legitimar a confiança régia no seu contributo neste domínio. Os créditos militares alcançados no cenário internacional funcionavam no mesmo sentido e reforçavam esta convicção. Na altura em que se evidenciava claramente esta vocação guerreira dos Templários associada a estruturas de domínio territorial, de que o amplo processo de construção de fortalezas dá conta [57], afastavam-se cada vez mais os tempos da sua afirmação inicial no Condado Portucalense, e em particular em Braga, onde nos primórdios do séc. XII, o que sobressaía era a vontade de adquirir bens e de forçar uma instalação junto dos mais importantes centros político-eclesiásticos decisivos do momento.

Paula Pinto Costa

In Revista da Faculdade de Letras

Notas

[1] DMP, Régios, doc. 79; Cartulaire Général de l’Odre du Temple (1913), doc. 10, p. 7. Tradução para português por AMARAL; BARROCA (2012), p. 340. Sum. FERNANDES (2009), pp. 233-234.

[2] DEMURGER (2006), p. 36 e 72. O Concílio de Troyes reuniu-se no dia de Monsenhor Santo Hilário (13 de Janeiro) no Ano da Encarnação de 1128, o que corresponde ao ano de 1129. Segundo R. Hiestand, a datação usada nesse momento no nordeste de França obedecia ao estilo florentino da Anunciação, pelo que o ano novo tem início a 25 de Março e não a 1 de Janeiro.

[3] AMARAL; BARROCA (2012), p. 187, 193 e 222-223. MATTOSO (2006), p. 36. MARQUES (1996), pp. 21-22. Em Maio de 1117, D. Teresa está em Coimbra quando se intitula rainha.

[4] MATTOSO (2006), p. 75.

[5] TT, Gav. VII, m. 13, n° 5 e As Gavetas da Torre do Tombo, vol. 2, doc. 1179, p. 494. Sum. FERNANDES (2009), p. 234.

[6] MATTOSO (2006), p. 85.

[7] MATTOSO (2006), p. 108.

[8] DEMURGER (2006), p. 36 e 72.

[9] Cartulaire Général de l’Ordre du Temple (1913), doc. 1, p. 1.

[10] TT, OC/CT, 233, fls. 190-190v; TT, OC/CT, 234, fl. 153v; BNL, Registo Geral, 736, fls. 294v-295. Sum. FERNANDES (2009), p. 233 e ref. SANTOS (2011), p. 35. Viterbo data este documento de 1152, admitindo que o “X” final seria aspado [VITERBO (1984),tomo 2, p. 585]. No entanto, o documento que citaremos de seguida, datado de 1123.05.01, também refere Martinho Pais, apresentando-o como contemporâneo do mestre D. Hugo. Atendendo a que D. Hugo exerceu esta dignidade até 1136, é de admitir que o documento em causa seja relativo ao ano de 1122.

[11] Ou Ejeuva, segundo VITERBO (1984),tomo 2, p. 585.

[12] TT, OC/CT, 233, fls. 190v-191; TT, OC/CT, 234, fls. 154v-155; BNL, Registo Geral, 736, fls. 297- 297v. Sum. FERNANDES (2009), p. 233. Publ. COSTA (1771), n° 7, pp. 167-168.

[13] TT, OC/CT, 233, fl. 191. Sum. FERNANDES (2009), p. 233.

[14] VENTURA (1996), pp. 542-545.

[15] MATTOSO; KRUS; ANDRADE (1989), mapas 96, 97, 98 e 99.

[16] TT, OC/CT, 233, fls. 191-191v; TT, OC/CT, 234, fls. 155-155v; BNL, Registo Geral, 736, fls. 297v- 298. Sum. FERNANDES (2009), p. 233.

[17] TT, OC/CT, 234, fls. 155v-156 e VITERBO (1984), tomo 2, p. 585.

[18] DMP, vol. I, tomo 1, doc. 77, pp. 99-100. A propósito deste documento, são dados esclarecimentos importantes em DMP, vol. II, tomo 2, nota XXI, p. 593.

[19] VITERBO (1984), tomo 2, p. 584.

[20] VITERBO (1984), tomo 2, pp. 583-584.

[21] DMP, Régios, doc. 79; Cartulaire géneral de l’Odre du Temple (1913), doc. 10, p. 7. Tradução para português por AMARAL; BARROCA (2012), p. 340. Citado por VITERBO (1984), tomo 2, p. 584.

[22] DMP, vol. I, tomo 1, doc. 77, pp. 99-100. A propósito deste documento, são dados esclarecimentos importantes em DMP, vol. II, tomo 2, nota XXI, p. 593.

[23] Liber Fidei, doc. 560, pp. 359-360. O intervalo cronológico apontado no Liber Fidei tem em conta o ano da elevação de D. Paio a arcebispo de Braga (1118) e o da passagem de D. Bernardo de arcediago a bispo de Coimbra (1128).

[24] No sumário deste documento, apresentado na edição do Liber Fidei, doc. 560, pp. 359-360, este hospital é atribuído à Ordem do Templo, embora na transcrição documental Avelino de Jesus Costa distinga o termo hospital, enquanto edifício assistencial ou Ordem Militar, recorrendo ao uso da letra inicial minúscula ou maiúscula respectivamente.

[25] Liber Fidei, doc. 560, pp. 359-360. Na nota 1 da p. 359, é dito que “É difícil saber se o hospital dotado por D. Paio Mendes é o que fundou Pedro Ourives ou outro, porque a vasta documentação referente à posse de um hospital em Braga, no séc. XII, pela Ordem do Templo é um tanto contraditória ou pelo menos confusa, afirma Rui de Azevedo”.

[26] Tradução de Manuel Francisco Ramos, a quem agradecemos.

[27] TT, Gav. VII, m. 12, n° 2; TT, OC/CT, 234, fls. 153v-154. Publ. As Gavetas da Torre do Tombo (1962), vol. II, pp. 490-491. VITERBO (1984), tomo 2, p. 585.

[28] TT, OC/CT, 234, fls. 154-154v.

[29] TT, OC/CT, 234, fl. 154v.

[30] O arcebispo de Braga, D. João Peculiar, juntamente com o cabido, doou aos freires de S. João o hospital e os bens a ele pertencentes que Pedro Ourives e esposa tinham mandado edificar em Braga. Publ. Liber Fidei, tomo I, doc. 206, pp. 237-239 e tomo III, doc. 767, pp. 508-509.

[31] TT, Gaveta VII, m. 2, n.° 4, pergaminho 1.

[32] VITERBO (1984), tomo 2, pp. 582-583.

[33] TT, Gaveta VII, m. 2, n.° 4, pergaminho 1. Transcrição cedida por José Augusto Pizarro.

[34] MATTOSO (2006), pp. 19-20.

[35] RUAS (1990), p. 192; MATTOSO (2006), pp. 19-20. AMARAL e BARROCA (2012), pp. 25-44.

[36] MARQUES (1996), p. 14.

[37] Os elementos sobre esta questão podem ser amplamente consultados em: MARQUES (1999), pp. 199-222; MARQUES (2002), pp. 7-57; AMARAL (2007); AMARAL; BARROCA (2012), pp. 270-287.

[38] MARQUES (2002), pp. 201-202.

[39] MARQUES (1996), p. 19.

[40] RUAS (1990), p. 193. MARQUES (1996), pp. 18-19.

[41] MARTINS (1957), p. 177. AMARAL; BARROCA (2012), p. 275 (com referência à viagem de S. Geraldo em 1103, talvez na companhia do Conde D. Henrique) e p. 286 (com referência à ida de D. Hugo a Roma em 1115 e em 1116).

[42] FERREIRA (1928-1935), vol. 1, pp. 232-233.

[43] Cartulaire Généralde l’Ordre des Hospitaliers (1894), vol. 1, n° 30.

[44] COSTA (1997), vol. 5, pp. 97-107.

[45] GARCIA LARRAGUETA (1957), p. 35. Segundo este historiador, o ponto de irradiação para Espanha foi feito a partir da Catalunha, onde tiveram lugar as primeiras doações, a partir do ano de 1108.

[46] GARCÍA TATO (2004, edit.), tomo I, pp. 12-13, recordando a proposta de Domingo de Aguirre. García Tato, na obra citada, começa o corpus documental com um diploma de 1100, relativo a uma venda de Sancha Garcia ao conde D. Álvaro e à sua mulher, a condessa D. Sancha Fernandes, dos bens que havia herdado dos seus avós, incluindo a igreja de S. João de Ove (doc. 1, pp. 107-108).

[47] GARCÍA TATO; PINEYRO MASEDA (enero-deciembre 2012), p. 74.

[48] AMARAL; BARROCA (2012), p. 286. Eleito em 1112 e sagrado em 1113.

[49] TT, OC/CT, 234, fls.170-170v (com data de 1145.06); BNL, Registo Geral, 736, fls. 326v-327.

[50] Liber Fidei, doc. 826, pp. 259-260.

[51] COSTA (1994), pp. 75-82.

[52] Liber Fidei, tomo III, doc. 826, pp. 259-260.

[53] TT, OC/CT, 234, fl. 155v (com data de 1157, embora seja admissível um erro de transcrição da data, devido a uma má interpretação do documento original, pois há um espaço em branco entre os vários elementos numéricos que compõem a data); BNL, Registo Geral, 736, fls. 298-298v (com data de 1185). Publ. COSTA (1771), n° 12, pp. 176-177 (com data de 1157).

[54] TRINDADE (1971), p. 127.

[55] TRINDADE (1971), p. 133.

[56] TT, Gav. VI, m. ún., n° 29; L.N., Guadiana, liv. 1, fls. 123v-124. Publ. Cartulaire Général de l’Ordre des Hospitaliers (1894), vol. 1, n° 134; DMP, Régios, I, doc. 260, pp. 321-323, com notas a pp. 756-758; As Gavetas da Torre do Tombo, vol. 12, pp. 458-461; Livro dos forais, vol. 3, doc. 292, pp. 28-29; GARCÍA TATO (2004, edit.), doc. 5, pp. 110-111.

[57] BARROCA (1996/97), pp. 172-182.

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